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REFLEXÕES SOBRE A PARÁBOLA DO SEMEADOR - PARTE III



 
Vamos a alguns exemplos, utilizando as metáforas propostas:

 (...) e, semeando, uma parte da semente caiu ao longo do caminho e os pássaros do céu vieram e a comeram.    


“Ao longo do caminho” representa os constantes momentos que fazem parte da nossa vida habitual, na qual estamos distraídos, ou mesmo atendendo apenas as circunstâncias ordinárias de nossas vidas. Acordamos de manhã, saímos para trabalhar, voltamos, almoçamos, voltamos para casa, comemos, conversamos, nos preocupamos, planejamos o dia seguinte, dormimos. Amanhã... repete-se a rotina. Enquanto isso, em torno de nós, “ao longo do caminho” inúmeras sementes de oportunidades para uma vida mais rica. O sol que brilha permanente, mas que está invisível aos nossos olhos está sempre lá, mas parece não existir. Pessoas que se aproximam de nós, porém como não temos tempo, não lhes damos atenção. Convites da vida que chegam como sementes permanentes na forma de novidades. Outra semente para a qual não nos atentamos é o simples fato de acordarmos com boa ou relativa saúde todos os dias, podermos nos movimentar, respirar, contarmos com boa imunidade que nos permite circular pelo mundo, entre outras pessoas, e continuarmos saudáveis na maior parte de nossa existência.
“Ao longo do caminho” os pássaros do céu vêm e comem, ou seja, não ficam percebidas ou aproveitadas por nós. São riquezas presentes, porém não verificadas como tal, a não ser que venham a nos faltar. Nossas pernas, por exemplo, somente são percebidas e valorizadas quando por ocasião de alguma dor ou limitação de movimento. Saúde física e mental são sementes que o semeador nos dá diariamente, mas “ao longo do caminho” não são notadas no valor que apresentam.
Outra parte caiu em lugares pedregosos onde não havia muita terra; as sementes logo brotaram, porque carecia de profundidade a terra onde haviam caído. Mas, levantando-se, o Sol as queimou e, como não tinham raízes, secaram.

Nesse ponto encontraremos já um pouco “de terra” no terreno da semeadura. As sementes chegam a brotar, mas como a terra carece de profundidade, não resistem à intensidade do sol e, assim também por não terem raízes, secam. Por ser pouca, a terra não enraíza.
Que circunstâncias da vida podem estar representadas nesse trecho da parábola do semeador?
Ocorrem-me vários, mas detenho-me na questão dos relacionamentos.
Amizades com “pouca terra” e sem raízes.
Assistimos o que as pessoas chamam de relações afetivas, boa parte destas não resistem “à intensidade do sol”. Este representa o calor das discussões e conflitos.
Pelas redes sociais, e vias virtuais de comunicação vemos muito isso. Estabelecem-se contatos que chegam a durar um pouco, como se tivessem intensidade ou promissores vínculos, no entanto, bastam algumas agruras, ou dificuldades para que desaparecem da mesma forma que surgiram. São relações que não deixam sequer memória, aquelas que em algumas semanas as pessoas já não lembram os nomes umas das outras.
Vivemos uma época propícia a isso. Relações descartáveis e de curta duração. Na verdade, são “não-relações” porque não criam raízes e, portanto, não permanecem.


continua...


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