Pular para o conteúdo principal

DEUS¹

 


No átimo do segundo em que Deus se revela, o coração escorrega no compasso saltando um tom acima de seu ritmo. Emociona-se o ser humano ao se saber seguro por Aquele que é maior e mais pleno. Entoa, então, um cântico de louvor e a oração musicada faz tremer a alma do crente que, sem muito esforço, sente Deus em si.

“Deus está aqui, Aleluia! Tão certo como o ar que eu respiro. Tão certo como o amanhã que se levanta. Tão certo como eu te falo e tu podes me ouvir...”. Recita a ladainha que afirmará a fé em Deus, representada na simbologia católica pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo.

De repente, pela brisa matinal, o ar invade os pulmões, enchendo-os e assanhando a vida. Fecha os olhos e explora com as narinas a fonte que renova esperanças. Arregala, em seguida, as pupilas e o verde da mata mergulha no íntimo daquele que, distraído na matéria, não reserva tempo a Deus. Extasiado, intui: há algo maior do que eu!

Sabe, no íntimo, que nem toda a inteligência, da qual se gaba ter, conseguiria criar da natureza, o mais ínfimo detalhe. Receia ferir seu orgulho e suspira a olhar o alto. Contempla o céu, as estrelas e pensa no universo... Respira fundo e não ousa dizer que Deus existe. Mas, sabe-se diminuto. Guarda, então, a revolta e se consola com a beleza da criação... Do caos, da explosão, do nada... De Deus que seja! Só dele é que não é.

Escutam-se tambores e o barulho do mar marca a melodia que impulsiona a gira! Veem-se os Espíritos dos mortos, falam e cantam com eles... No ritual religioso, veneram ancestrais, guias e orixás, reservando ao Poder Supremo, a mais forte adoração. Há Deus também ali!

Até onde se tem notícias, não há um povo sobre a Terra que tenha sido ateu. Malgrada a rebeldia de alguns, o homem, reconhecendo sua fraqueza, curva-se diante Daquele que o pode proteger. É a lei da natureza que se apresenta como uma Lei de Adoração2.

Todavia, a ignorância que ainda reina na Terra não permite que seja Ele de todo conhecido, e a imaginação humana vaga, atrás de referências que possam explicá-Lo. Das tentativas frustradas para entender Deus, a vaidade se arvora. Deus é rebaixado à imagem humana.

– Tolos! Não sabem eles que ainda não lhes é dada a condição de sondar a natureza íntima de Deus?!3 Que é preciso depurar a alma; livrar-se dos entraves grosseiros da matéria, fazer-se puro para, somente assim, conhecer Deus?!

Segue, iludido, o homem que “não conhecendo senão a si mesmo, se toma por termo de comparação de tudo o que não compreende.”. Cria histórias e símbolos e, inutilmente, tenta descrever o Incognoscível. Atestam as imagens – que pintam Deus como um velho de longas barbas, coberto com um manto – o ridículo do ignóbil orgulhoso a rebaixar “o Ser Supremo às mesquinhas proporções da Humanidade, daí a emprestar-lhe as paixões da Humanidade.”4

– Não, Deus não é assim. Deus é mais!

Atônito, o homem continua sua busca. Mas a inteligência rudimentar que possui não o ajuda... E não compreender Deus afronta o seu orgulho. Tolo orgulho humano!

– Ainda mais tolo és tu que te revoltas diante de tua incompetência moral e intelectual... Melhor seria aceitar tua sorte de imperfeito. Trabalha tua índole e transforma tua moral! Nasce, renasce e nasce novamente. Aprende, evolui, torna-te bom, depois, torna-te puro e conheces finalmente, Deus... Até lá, usa da tua razão para ensaiar os primeiros passos até o Pai.

Sim, usa a razão, porque o conhecimento fortalece a fé! E quando há lógica, o homem acredita mais... Sê, contudo, humilde, para ousar a pergunta: “O que comprova a existência de Deus?”. E responderemos, enfim que todo efeito inteligente vem de uma causa inteligente. E para ti, “Deus não se mostra, mas se afirma por suas obras.”5

Contempla, pois, a criação... Da abelha com o zangão, do girassol que acompanha o sol a nascer e a se por. Da chuva que cai garoa ou tempestade. Do manso mar que se revolta para ser calmaria novamente. Do animal que voa ao que rasteja, da pequenina formiga ao gigante elefante. Da medonha tarântula ao delicado coala... Do feto que se torna homem, que se torna mulher; que vira gente e faz inventos e descobre coisas...

– Verás Deus, mesmo sem saber explicá-Lo. Porque é Ele “a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.”6

Ousa ir mais longe! Ensaia conhecer Deus pelo raciocínio, estima Sua essência pelos atributos que só a Ele pertencem. Reconhece, primeiro, que Deus é soberano e O concebe no infinito das perfeições.7 Acata Deus como Eterno8, Imutável9, Imaterial10, Único11, Todo-poderoso12 e Soberanamente Bom e Justo.13.

– Agora, entendendo que somente Deus é assim, usa do teu livre arbítrio e faz a escolha mais inteligente e lógica: dedica-te a viver em Deus! Aprende a amá-Lo acima de tudo e de todos. Ama os teus e os outros Nele... Ou então, segue pelas escolhas de um bem menor.

 

Referências

1 Texto por inspiração mediúnica

2 O Livro dos Espíritos. Livro III – Leis Morais. Cap. II – Lei de Adoração. Objetivo da Adoração. Questões 649 a 652.

3 A Gênese. Cap. II – Deus. Da Natureza Divina. Item 8.

4 A Gênese. Cap. II – Deus. Da Natureza Divina. Item 10.

5 A Gênese. Cap. II – Deus. Existência de Deus. Itens 3 e 6.

6 O Livro dos Espíritos. Livro I – As Causas Primeiras. Cap. 1 – Deus. Deus e o Infinito. Questão 01.

7 A Gênese. Cap. II – Deus. Da Natureza Divina. Item 15.

8 A Gênese. Cap. II – Deus. Da Natureza Divina. Item 10.

9 O Livro dos Espíritos. Livro I – As Causas Primeiras. Cap. I – Deus. Atributos da Divindade. Questão 13/ A Gênese. Cap. II – Deus. Da Natureza Divina. Item 11.

10 O Livro dos Espíritos. Livro I – As Causas Primeiras. Cap. I – Deus. Atributos da Divindade. Questão 13/A Gênese. Cap. II – Deus. Da Natureza Divina. Item 11.

11 O Livro dos Espíritos. Livro I – As Causas Primeiras. Cap. I – Deus. Atributos da Divindade. Questão 13/A Gênese. Cap. II – Deus. Da Natureza Divina. Item 11.

12 O Livro dos Espíritos. Livro I – As Causas Primeiras. Cap. I – Deus. Atributos da Divindade. Questão 13.

13 A Gênese. Cap. II – Deus. Da Natureza Divina. Item 10.

Comentários

  1. Quanta sensibilidade em cada palavra,o que nos leva a refletir, que há algo mais sobre Deus,que somente compreenderemos à medida que as paixões materiais forem se dissolvendo da nossa existência.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sonho com este dia... porque se o pouco que sabemos já nos consola tanto, imagina como será!

      Excluir
  2. "Olhos, dedos, mãos, pés me mostram que Deus é uma viagem." C.I
    Avante amiga

    ResponderExcluir
  3. O incognoscível incomoda mesmo... Mas, de fato, devemos nos ater ao que podemos conhecer, embora sempre tentando conhecer mais, e ter paciência com o que ainda é oculto. Assim, o não conhecer pode servir não como fonte de revolta ou angústia, mas como incentivo à busca pela evolução moral! Muito bom o texto...

    ResponderExcluir
  4. "Ninguém explica Deus"Mas você nos faz sentir Deus sensível, misericordioso, e justo.Gratidão!!!

    ResponderExcluir
  5. A poesia do texto toca a sensibilidade daqueles que buscam a Deus.
    A reflexão do espírito da letra remete para a passagem de Mateus 22:37-39 na compreensão de Deus,quando Jesus salienta que o segundo mandamento é semelhante ao primeiro mandamento
    Mateus 22:37-39
    37 Respondeu Jesus: 'Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento'.

    38Este é o primeiro e maior mandamento.

    39E o segundo é semelhante a ele: 'Ame o seu próximo como a si mesmo'.

    ResponderExcluir
  6. Olá Klícia! Como me foi surpreende e agradável tão inspirada viajem neste texto. Um passeio nas paisagens das obras fundamentais e na essência da mente lúcida ou turva, que presta a filosofar em DEUS. Grato

    ResponderExcluir
  7. A investigação sobre o que é Deus inevitavelmente nos "levará ao infinito", sempre.
    Para tanto sera necessário imã transformação interior em prol do autoconhecimento de si(a criatura),para que a luz do entendimento espiritual superior nos possibilite beber das fontes das verdades Divinas, do Eterno que é Deus.

    ResponderExcluir
  8. Quanta certeza em um texto tão pequeno. Descrição detalhada e com.muita sensibilidade da nossa incompetência, ainda, de reconhecermos o que realmente é Deus. Me lembrou as músicas "Deus na Natureza" e "Ninguém Explica Deus". Tudo isso está explicado nesse texto tão bem escrito. Obrigada a nossa irmã e amiga Klycia por colaborar, através desse texto, para o início de um longo processo de, um dia, conhecermos realmente Ele.

    ResponderExcluir
  9. A construção de Deus sempre evolui no caminho da construção do conhecimento,basta o humano observar com perspicácia que notará sua própria evolução, mas, há quem quera o contrário, se faz necessário o esforço para evoluir, sim, sou imperfeito, só não posso me acomodar. Suas reflexões cara autora, ajudou eu solidificar as mi hás, valeu!

    ResponderExcluir
  10. Você nos trás à reflexões, porque mesmo conhecendo sobre a existência de Deus, as vezes esquecemos que somos a criação e ele o criador.

    ResponderExcluir
  11. Belas reflexões, parabéns e gratidão pela partilha!

    ResponderExcluir
  12. Oi klycia, grande sensibilidade em transformar em palavras sobre Deus. Nos retoma as reflexões que são importantes em termos sempre em nossas vidas. Sentir Deus é um privilégio. Deus te abençoe.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada! Surpresa boa ver ter comentário! É bom deixar Deus em nossas vidas!

      Excluir
  13. A razão é a sensibilidade se tornam companheiras perfeitas quando se encontram, seu texto é povoado com as duas, sentir Deus é permitir a existência Dele em nós e seu texto nos leva nessa viajem o interior, viajem essa q o Companheiro não tem melhor, pai Ogum lhe abençoe, ilumine e proteja sempre.😘😘😘

    ResponderExcluir
  14. Ontem fiquei com um questionamento: como está minha experiência com Jesus? E hoje descobri, que sempre me dirigia a Deus e até conversava com Ele. Gente, que construir na minha intimidade do meu coração, a presença de Deus e de Jesus.

    ResponderExcluir
  15. Dedicar-me a viver em Deus! Essa parte me tocou muito. Aprender a ama-lo cada dia mais e mais.
    Bjos, Luana

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Amiga! Viver em Deus é o caminho pra felicidade que tanto queremos! Mas um caminho difícil, porque nele não cabem os orgulhosos... nós vamos primeiro ter que resolver essa questão rs Obrigada por ler É comentar! Bj

      Excluir
  16. É, DEUS É!!!
    A singeleza q alças voos mais altos a caminho da verdadeira intimidade c DEUS é um máximo.
    Cutucar a Terra, enche os olhos ao vera Infinudade de DEUS. Enche o ar de visiveis instrumentos de Ver DEUS em TUDO. Eu sei que é. Leitura pura. Obrigada amiga Klicia.Bjs no coração

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tentando descobrir que amigo escreveu rs Aqui, acredito ser a Verônica. Rs Pois é.... Deus em tudo, como o pintor que deixa traços seus em seus quadros...

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

SER HUMANO: ZONA DE INTERESSES – DA COISIFICAÇÃO DA VIDA AO NEGÓCIO DA MORTE

    Por Jorge Luiz O Sujeito como Território de Caça  Thomas Hobbes, em sua festejadíssima obra Leviatã (1651), sentenciou que o “homem é o lobo do homem”. Para ele, a ausência de uma autoridade central condenaria a humanidade a uma vida “solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta”. O remédio hobbesiano é o Contrato Social de submissão: a entrega irreversível do poder ao Soberano (Estado) em troca de segurança. Hobbes rompe com o pensamento puramente religioso ao defender o Erastismo — a subordinação da Igreja ao poder civil —, sob a premissa de que não pode haver dois senhores disputando a obediência do súdito. Contudo, o Leviatã de Hobbes não anteviu a mutação do Estado-Nação sob o capitalismo. O sistema, consolidado entre os séculos XVIII e XIX, transitou do mercantilismo para o liberalismo industrial, onde o Estado parece diminuir sua intervenção, mas se agiganta na construção das subjetividades. Como propõe Louis Althusser , o Estado realiza-se através de s...

FRONTEIRAS ENTRE O REAL E O IMAGINÁRIO

  Por Jerri Almeida                A produção literária, desde a Grécia Antiga, vem moldando seus enredos e suas tramas utilizando-se de contextos e fatos históricos. Os romances épicos, que em muitos casos terminam virando, contemporaneamente, filmes ou novelas de grandes sucessos, exploram os aspectos de época, muitas vezes, adicionando elementos mentais e culturais de nosso tempo. Essa é uma questão perigosa, pois pode gerar os famosos anacronismos históricos. Seria algo como um romance que se passa no Egito, na época de um faraó qualquer, falar em “burguesia egípcia”. Ora, “burguesia” é um conceito que começa a ser construído por volta dos séculos XII-XIII, no Ocidente Medieval. Portanto, romances onde conceitos ou ideias são usados fora de seu contexto histórico, tornam-se anacrônicos.

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

O ESTUDO DA GLÂNDULA PINEAL NA OBRA MEDIÙNICA DE ANDRÉ LUIZ¹

Alvo de especulações filosóficas e considerada um “órgão sem função” pela Medicina até a década de 1960, a glândula pineal está presente – e com grande riqueza de detalhes – em seis dos treze livros da coleção A Vida no Mundo Espiritual(1), ditada pelo Espírito André Luiz e psicografada por Francisco Cândido Xavier. Dentre os livros, destaque para a obra Missionários da Luz, lançado em 1945, e que traz 16 páginas com informações sobre a glândula pineal que possibilitam correlações com o conhecimento científico, inclusive antecipando algumas descobertas do meio acadêmico. Tal conteúdo mereceu atenção dos pesquisadores Giancarlo Lucchetti, Jorge Cecílio Daher Júnior, Décio Iandoli Júnior, Juliane P. B. Gonçalves e Alessandra L. G. Lucchetti, autores do artigo científico Historical and cultural aspects of the pineal gland: comparison between the theories provided by Spiritism in the 1940s and the current scientific evidence (tradução: “Aspectos históricos e culturais da glândula ...

DEPRESSÃO

  1 – Fala-se que a depressão é o mal do século. Estamos diante de um distúrbio próprio dos tempos atuais, uma síndrome da modernidade? Mais apropriado considerar que é um mal antigo com nome novo. Se falarmos em melancolia, perceberemos que ela sempre esteve presente na vida humana. Os melancólicos de ontem são os deprimidos de hoje. Hipócrates (460 a.C-370 a.C.) definia assim a melancolia: Uma afecção sem febre, na qual o Espírito, triste, permanece sem razão fixado em uma mesma ideia, constantemente abatido. É mais ou menos isso o que sente o indivíduo em depressão, com a impressão de que a vida perdeu a graça.

O PUNITIVISMO DAS RELIGIÕES¹

  Por Dora Incontri Desde o momento em que nascemos, estamos enredados numa sociedade que procura nos condicionar o comportamento na base de castigos e recompensas: desde a criança ser posta “para pensar” no quarto ou no canto da sala de aula (verdadeiro horror que passa a mensagem de que pensar é castigo), até além da vida, a promessa de punição do fogo do inferno ou nas doutrinas reencarnacionistas, o resgate cármico através de múltiplas existências. Na educação, a recompensa de presentes e para depois da morte, o paraíso com harpas. Somos tão condicionados a essa forma de raciocínio justiceiro e de barganha, que torcemos o tempo todo pela destruição do outro, que julgamos mau, ou empunhamos em nós mesmos o autoflagelo da chamada culpa cristã. A motivação consumista da vida capitalista é outra forma infantilizada de auto recompensa se formos bonzinhos e trabalharmos bem.

O ABORTO E A GRATIDÃO POR TER NASCIDO

Minha mãe e eu, 54 anos atrás Hoje, no dia do meu aniversário, uma data que sempre me alegra, pois gosto de ter nascido, resolvi escrever algumas considerações sobre esse tema tão controvertido: o aborto. Se estou comemorando meu aniversário e vivendo uma vida plena de sentido, é porque minha mãe permitiu que eu nascesse. Me recebeu e me acolheu, com a participação de meu pai. Então, é bastante pertinente falar sobre esse tema, nesse dia. Meu dia de entrada nessa vida. Penso que esse debate sempre caminha por lados opostos, com argumentos que não tocam o cerne da questão.

'SELFIES" ALIENANTES

Por Jorge Hessen (*) As tecnologias pessoais, sobretudo os smartphones, revolucionaram o formato com que as pessoas se expressam no dia-a-dia na atualidade, e a selfie faz parte dessa transformação. Experimenta-se a neurose do selfie (derivada do termo inglês self (eu) junto ao sufixo “ie” – um tipo de fotografia), para indicar uma espécie de autorretrato, tradicionalmente exposto na rede social que tem contagiado a muitos, principalmente no Instagram e Facebook. O indivíduo aponta o smartphone para o próprio rosto e busca o melhor ângulo para tirar uma fotografia esmerada. Pode ser na praia, na festa, no parque, no restaurante ou em situação de alto risco de vida. A obsessão é tamanha que neste último caso chega a causar acidentes fatais. Quando falamos em selfies aqui, os números não são nem de longe inexpressivos, ou seja, nada menos que 880 bilhões de fotos foram feitos apenas em 2014. Uma parcela relevante de auto-exposição na forma de autorretratos. Tais imag...

O COTIDIANO DO TRATAMENTO DO HOSPITAL ESPÍRITA ANDRÉ LUIZ - HEAL

O presente trabalho apresenta a realidade da assistência numa instituição psiquiátrica que se utiliza também dos recursos terapêuticos espíritas no tratamento dos seus pacientes, quando estes solicitam os mesmos. Primeiramente, há um breve histórico do Hospital Espírita André Luiz (HEAL), acompanhado da descrição dos recursos terapêuticos espíritas, seguido, posteriormente, do atendimento bio-psico-sócio-espiritual, dando ênfase neste último aspecto.         Histórico     O HEAL foi fundado em 25/12/1949, por um grupo de idealistas espíritas, sob orientação direta dos espíritos, em reuniões de materialização, preocupados com a assistência psiquiátrica aos mais carentes daquela região, além de oferecer o tratamento espiritual para os atendidos, por acreditarem na conjunção das patologias psiquiátricas com os processos obsessivos (ação maléfica dos espíritos).     O serviço de internação foi inaugura...