sábado, 14 de novembro de 2020

ESPIRITISMO E POLÍTICA¹


 

Coragem, coragem

Se o que você quer é aquilo que pensa e faz

Coragem, coragem

Eu sei que você pode mais

(Por quem os sinos dobram. Raul Seixas)

 

            A leitura superficial de uma obra tão vasta e densa como é a obra espírita, deixada por Allan Kardec, resulta, muitas vezes, em interpretações limitadas ou, até mesmo, equivocadas. É por isso que inicio fazendo um chamado, a todos os presentes, para que se debrucem sobre as obras que fundamentam a Doutrina Espírita, através de um estudo contínuo e sincero.

            Já esta exposição sobre Espiritismo e Política tem como objetivo discutir questões sem, contudo, fechá-las, pois é necessário que cada um leia, reflita e faça seu próprio veredicto.

            Allan Kardec, algumas vezes em edições da Revista Espírita e até no regulamento que elaborou para a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, orientou que as Sociedades Espíritas não se envolvessem com a política. Evitassem os jogos de poder, o partidarismo e as disputas que dividem os homens.

            Por outro lado, outras vezes, também em edições da Revista Espírita e em questões de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec não hesitou em perguntar e publicar as respostas dos Espíritos sobre questões sociais que inflavam as discussões nas arenas, pública e política, de sua época.

            É possível encontrar, por exemplo, perguntas e reflexões sobre a diferença entre homens e mulheres. Sobre as diferenças de raças, e escravidão. Desigualdades sociais. Questões sobre a liberação do voto para as mulheres, um assunto discutido na época nos Estados Unidos e Inglaterra... Ou ainda questões sobre o desenvolvimento industrial da Europa e a situação de vida dos trabalhadores.

            Também está no regulamento da Sociedade Parisiense no mesmo item em que fala sobre rejeitar questões políticas, que esta deve, ao estudar os fenômenos espíritas, refletir sobre sua aplicação nas ciências morais, psicológicas e históricas. Diz assim o regulamento em seu capítulo I – do Objetivo e Formação da Sociedade (2):

 

Artigo 1 – A Sociedade tem por objeto de estudo todos os fenômenos relativos às manifestações espíritas, e sua aplicação às ciências morais, físicas, históricas e psicológicas. As questões políticas, de controvérsia religiosa e de economia social, nela são interditas (O Livro dos Médiuns - CAP XXX Regulamento da Sociedade parisiense de Estudos Espíritas).

 

           Já no livro O que é Espiritismo, Kardec define Espiritismo como uma ciência de observação que é ao mesmo tempo uma doutrina filosófica. Dirá ele: “Como ciência prática, o Espiritismo consiste nas relações que se podem estabelecer com os Espíritos; como filosofia ele compreende todas as consequências morais que decorrem dessas relações.”.

            Em outras palavras, a Doutrina Espírita ao propor um estudo sistemático do mundo dos Espíritos, quer com esse estudo, compreender o sentido de nossa existência para que tal compreensão impulsione, em cada um de nós, mudanças em nossa alma que nos melhore moralmente. Desse modo, Kardec, com a ajuda dos Espíritos, refletiu sobre a condição humana, do ponto de vista da individualidade da alma, travando um diálogo estreito com o convívio coletivo.

           Parecerá contraditório ora dizer que as sociedades espíritas não se envolvam com política e ora publicitar questões que vão ao encontro de diversas discussões políticas. Mas, meus amigos, não há contradições aí! Quando Kardec preocupa-se e nos orienta a não permitir que os jogos atrozes da política nos envolvam, desviando-nos de nosso objetivo maior, sua preocupação é justa!

           Preocupação esta, compartilhada por muitos cientistas espíritas, inclusive da ciência ordinária, que é a de manter a independência e a autonomia da pesquisa científica; prática bem própria nas sociedades espíritas da época de Kardec. Assim, para que não corrêssemos o risco de desviar os resultados de uma pesquisa tão delicada e difícil de ser feita, como é a ciência espírita, ele propôs esse distanciamento.

            Além disso, o Espiritismo traz em sua origem as ideias de universalidade e da fraternidade, tão esquecidas na arena política... Ele tem como foco toda a humanidade e as disputas de sistemas, feitas em partidos, seitas ou outras maneiras de associações nossas, atrapalham este pensar coletivo; universal. Mas, convido-lhes à reflexão:

          Há também no cerne do Espiritismo, um objetivo de que o ser humano melhore moralmente. E onde refletirá a melhora moral senão na mudança de nossas atitudes e de nossa conduta diante do outro?!

           Em O Livro dos Espíritos (3), Kardec pergunta na questão 132, qual o objetivo da encarnação. E os Espíritos respondem que o objetivo de estarmos aqui é – ao viver as vicissitudes da matéria, da existência corporal – evoluir para alcançar a perfeição. Mas, complementam dizendo que a encarnação também tem um segundo objetivo que é dar ao Espírito a condição de ele deixar sua contribuição para a obra da criação.

            Assim, se a primeira tarefa do ser humano é se melhorar, a sua segunda tarefa é trabalhar pela harmonia do mundo em que vive. Inclusive, porque, como nos explicam os Espíritos, existe uma lei moral, chamada Lei da Sociedade. Segundo esta lei, o ser humano foi feito para viver em sociedade, porque sozinho ele não consegue progredir. É preciso, pois, o contato com o outro para que aconteçam as condições para o nosso progresso, e nesse contato, o ser humano deve se ajudar mutuamente.

           Ora! A política deve ser compreendida como um campo de atuação da coletividade, e não somente como um espaço de disputas, partidária ou eleitoral. Precisamos pensá-la em seu sentido lato! Quando convivemos em sociedade, nossas relações individuais e coletivas sofrem interferências mútuas.

            Essas relações, grande parte estabelecidas na e pela polis, ou seja, na e pela cidade, criam um conjunto de ideias, práticas e hábitos que têm o objetivo de construir uma vida em harmonia. Grosso modo é o que chamamos de política.

           Olhando o contexto do Movimento Espírita Brasileiro, precisamos ser honestos e afirmar que nossas casas espíritas estão há anos luz das sociedades de estudos à época de Kardec. Esquecemo-nos de vivenciar a principal razão de existir de tais grupos que é refletir, observando e pesquisando a vida espiritual. Não vou entrar no mérito se hoje estamos melhores ou não, até porque sei que há um trabalho de acolhida e de consolo, feito por milhares de espíritas e que precisa ser reconhecido.

           Mas sei também e não posso ignorar os riscos que corremos quando não se usa da criticidade e do olhar científico para refletir sobre os diálogos que travamos com os Espíritos! Ou quando colocamos para escanteio a proposta filosófica da ciência espírita e a tentamos transformar em uma prática religiosa com ritos, mesmo que estes nos cheguem camuflados.

           O Coletivo Girassóis Espíritas pelo Bem Comum – responsável por promover o debate que provocou a escrita deste texto – não se constitui como um centro espírita. Mas, como um Coletivo em que indivíduos, com anseios semelhantes, resolveram se organizar para construir estratégias de intervenção social. Deixemos, então, a condução dos centros espíritas aos seus dirigentes e nos concentremos, agora, em pensar sobre nós.

           Falarei, especificamente, sobre duas leis divinas que regem a lógica da condição de vida de cada ser humano que habita este planeta: a Lei de Causa e Efeito e a Lei da Reencarnação. É através dessas leis, que explicamos as diferenças entre os indivíduos, sejam físicas, intelectuais, de gênero, raça, sociais etc. Por ambas, encontramos mecanismos não para nos acomodarmos, mas para não transformar em revolta infrutífera as nossas reações diante das dificuldades por que passamos.

           Mas, diferenças entre indivíduos não são sinônimo de desigualdade social! Por sinal, também em O Livro dos Espíritos(4), na questão 806, Kardec ao perguntar se as desigualdades sociais fazem parte de uma lei de Deus, recebe uma resposta objetiva dos Espíritos: Não. A desigualdade social é obra do egoísmo humano.

            E se é fruto do homem, a desigualdade social poderá desaparecer de nosso planeta! Mas, se a desigualdade social é resultado do nosso orgulho e do nosso egoísmo significa que há um componente moral a ser modificado para que possamos viver em uma sociedade realmente justa e feliz.

            Aí, voltamos ao objetivo primeiro da Doutrina: através dos diálogos com os Espíritos, construir um conhecimento crítico que nos permita mudanças em nossa moralidade. É por isso que se deve dar importância a toda e qualquer tarefa humana – da mais simples, da mais insignificante do ponto de vista coletivo a de maior proporção. Porque cada atuação do ser humano, que contribua para a melhora de sua alma, contribuirá para melhorar o planeta.

           Assim, daquela pessoa que vive distante dos conflitos políticos, até o maior dos filósofos ou dos estadistas, terá responsabilidade com a vida na Terra. Afinal, a vida no planeta reflete o momento evolutivo de seus habitantes. Aonde for o ser humano vivenciar sua existência, terá ele, por obrigação, a busca incansável por melhorar a sua moral. Tarefa individual, mas não solitária, posto, necessitarmos da vida de relações.

           Se o Coletivo Girassóis ou qualquer grupo ou pessoa se dispõe a atuar no campo político, precisa se vigiar para não cair nas artimanhas do poder, para não cair nos jogos das tantas disputas sem ética. Precisamos pensar e planejar cada passo do nosso Coletivo, mas principalmente, precisamos pensar cada passo individual!

            Daí, a necessidade da reflexão evangélica, não somente como um consolo às dores, mas como um alimento da consciência. Haja vista ser Jesus o nosso maior modelo e guia. E que bom o Evangelho já esteja fazendo parte de nossos hábitos em grupo desde que alguns girassóis bem inspirados trouxeram a ideia de realizá-lo diariamente em nosso grupo de WhatsApp!

            É também por isso a necessidade de observarmos as obras fundamentais da Doutrina Espírita, através de um estudo sincero, aprofundado e sistematizado. Precisamos estar seguros de nossa fé raciocinada! Sem isso, seremos um coletivo como qualquer outro que, por mais que tenha boas intenções, entra na disputa política somente com o olhar limitado da matéria, que mais angustia do que dá esperança!

            Temos, ainda, o desafio de provocar reflexões para mudanças de atitudes em nós e em nossa sociedade; de nos depararmos com o diferente, divergir, sem, contudo, construir uma barreira de ódio e intolerância. Afinal, amar o próximo ainda é o primeiro mandamento!

               Por fim, não esqueçamos: a Deus o que é importa são as boas intenções que movem nossas escolhas. Enquanto este grupo trouxer como norte as intenções do bem, estaremos amparados pelos bons Espíritos. Obrigada!

 

1 Texto base da apresentação de Klycia Fontenele no V Encontro do Coletivo Girassóis – Política e Espiritismo, realizado dia 16 de fevereiro de 2019, no Cefa (Centro Espírita Francisco de Assis). Texto feito por inspiração mediúnica

2 O Livro dos Médiuns ou guia dos médiuns e dos evocadores. Segunda parte - Das manifestações espíritas. Capítulo XXX – Regulamento da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas

3 O Livro dos Espíritos. Parte segunda - Do mundo espírita ou mundo dos Espíritos. Capítulo II - Da encarnação dos Espíritos. Objetivo da encarnação. 132

4 O Livro dos Espíritos. Parte terceira - Das leis morais. Capítulo IX - 8. Lei de igualdade. Desigualdades sociais


22 comentários:

  1. Excelente, depois aprofunde alguns tópicos, como essa abordagem do objetivo de melhorar-se e ao mesmo tempo de ter um posicionamento político com tolerância, respeito e sobretudo visando a evolução.

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    1. Obrigada pela sugestão. Pensarem nesta pauta para o próximo texto. Beijo

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  3. Heveline Freire Arcanjo Silva14 de novembro de 2020 13:20

    Heveline Freire Arcanjo Silva. Achei excelente! É um convite para pensar e analisar a si mesmo. Pois se o mundo muda a partir de nós" o que estamos fazendo para nos mudar, para evoluirmos, para mudar o mundo?

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    1. Precisamos mesmo tomar as rédeas de nossas vidas individuais e coletivas...

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  4. Parabéns pelo artigo. O Espiritismo é Apartidário, mas não é Apolítico, o que torna relevante e importante esta discussão...
    Precisamos produzir este diálogo, sem preconceitos e sem estigmatizaçao, política no sentido Aristotélico, preocupada com o bem comum e não apenas com alguns.
    Parabéns pela escrita...

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    1. Que bom que deixou seu comentário da por um segundo pensei que havia desistido de comentar! Então, meu amigo, acho que este debate é um desafio posto a cada um de nós... Em nossas reflexões íntimas ou em grupo. Beijo grande

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  5. As sociedades espíritas não se envolverem com questões políticas partidárias,é recomendação para as instituições em suas reuniões pq de fato questões controvérsias tumultuada o trabalho,isto porém nao impede que os espíritas tenham suas posições e lutem,trabalhem pelo bem de todos.

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    1. Exato. Por isso falo da ciência espírita cujo laboratório são as reuniões com os Espíritos

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  6. Um convite a pensar... Parabéns, Klycia. O Espiritismo é político, ainda que apartidário. Por mais debates no movimento espírita. Nosso papel também é de construir um mundo melhor, com maior justiça social.. Gratidão. Isabel Fernandes

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    1. Isabel, querida! Gratidão por passar por aqui... A gente tem que entender que amar se aprende amando, que precisamos exercitar a lei de justiça, amor e caridade, e que não dá pra fazer isso se abstendo da participação nas esferas politico-sociais. No gde

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  7. Parabéns, Klycia! O texto demonstra conhecimento e bom senso em relação ao tema abordado e só nós enriquece!

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    1. Gratidão. Vamos tentando... estudando, vivendo, refletindo, debatendo...

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  8. Este texto é um espelho e deveria ser não só da Klycia, mas de todos que pretendem agir politicamente. Remete a uma questão fundamental sobre a presença do ser humano no planeta Terra. São clássicas as perguntas: de onde viemos, por quê estamos aqui, e para onde vamos. Estamos em um planeta de Provas e Expiações, e muito bem colocado, que ele é o resultado das ações, das encarnações, nele realizadas. Então, é muito pertinente a pergunta sobre a desigualdade social e sua consequente resposta: o egoísmo.
    O texto identifica e propõe para olharmos o Evangelho, não como um Manual, mas como uma referência na construção moral de nossas relações sociais para com o outro e para com o Mundo. Acredito que esta lembrança nos coloca, nas próximas encarnações, em outros Mundos mais equilibrados moralmente ou mesmo aqui retornando para completar a elevação moral deste Planeta. Tarefa já posta como uma das missões das encarnações terrestres. Introjetar o Evangelho de forma que ele estabeleça em que condições nós tomaremos as próximas decisões em nossas relações sociais, em nossas vidas. Não é apenas reconhecer que erramos é, sim, ter introjetadas as lições morais do Evangelho a tal ponto que ela aja em nossos pensamentos antes de cada ato.

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    1. Ótima análise! Precisamos mesmo que este debate se faça!

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  9. Muito bom! E deixa uma reflexão: se somos espíritas, porque não defender as causas do amor e da caridade em todos os âmbitos da vida, inclusive o político? Talvez não possamos deixar interesses políticos guiarem o espiritismo, mas nós devemos deixar os princípios espíritas guiarem nossos atos e condicionarem a escolha das nossas pautas políticas.

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    1. É por aí, garota! Deixar que os principios espíritas nos guiem...

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  10. Interessante a abordagem trazida pela Klícia. O meu estudo das obras básicas é pouco aprofundado e não me permite uma reflexão mais abalizada conforme o texto sugere. A minha reflexão é pautada mais na minha experiência pessoal de forte inserção na luta política do país, ainda jovem estudante universitário no período da ditadura militar, em SP, em processo de rompimento com uma formação católica tradicional e se encantando com o marxismo e o ateísmo. Migrando de SP para o Ceará e envolvido com a construção do PT e conhecendo e vivenciando a teologia da libertação com as CEBs e o belo trabalho das equipes paroquiais da Diocese de Crateús, coordenada por Dom Fragoso e já com pouco mais de 40 anos me convertendo ao espiritismo, não pela dor, mas por um chamado e algumas poucas provas contundentes, nunca deixei de estar mergulhado na política. Não consigo na minha vida separar o espiritismo da política. O espiritismo vem me ensinando e balizando o meu fazer político. Eu sou e me sinto um espírito cuja presente reencarnação está intimamente vinculada ao fazer político no sentido mais amplo e mais nobre da ação humana voltada ao coletivo, ao bem comum e a toda vida do qual somos parte e formamos um todo inseparável. O espiritismo, o movimento espírita e os centros espíritas são para mim coisas distintas e aí faz sentido os cuidados com a possível partidarização das estruturas organizacionais criadas por nós espíritas para o exercício de uma série de ações concretas historicamente construídas. Assim construímos o Coletivo Girassóis Espíritas pelo Bem Comum. é uma nova forma organizacional que está fundamentada em muitos valores e na própria Lei de Sociedade. Mas como todas as criações humanas reflete o desenvolvimento moral do conjunto dos espíritos que o compõem, ou seja, com todas as nossos avanços, mas principalmente pelas nossas limitações.

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  11. E vc não faz ideia de como eu fiquei feliz ao te ver nas primeiras reuniões do Girassóis! Vc já era um querido pelo tempo em que trabalhamos próximos, sonhando um semiárido bom de viver... Com relação à sua experiência, penso que nossas práticas e nossas reflexões, voltadas ao bem, são sempre o melhor caminho a trilhar (com ou sem teoria dos livros rs). No

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  12. Essa é uma reflexão importantíssima, lembrando que também enfrentamos questões políticas dentro das casas espíritas - o simples fato de termos coordenadores, presidente, colegiados são formas de organização política.

    No geral, confundimos a atuação política com a política partidária, quando, a bem da verdade, o fato de estarmos debatendo este assunto aqui já é uma atuação política. E não atuar politicamente é sonegar nossa capacidade e mesmo nossa possibilidade de transformar a sociedade para melhor, mesmo que não seja por meio de partido político.

    Saibamos entender a profundidade desse conceito e colocar essas questões de maneira responsável, dentro de fora do meio espírita.

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  13. Boa reflexão, Filipe! O silêncio também é um discurso... estratégico para alguns que se mantém no poder, ou apoiam este status qui.

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