quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

O TEMPO - PRESENTE DO ETERNO



“Comparemos a Providência Divina a estabelecimento bancário, operando com reservas ilimitadas, em todos os domínios do mundo. Pela Bolsa de Causa e Efeito, cada criatura retém depósito particular, com especificação de débitos e haveres, nitidamente diversos, mas, pela Carteira do Tempo, todas as concessões são iguais para todos.”
                                                              (Estude e Viva, F.C. Xavier e Waldo Vieira)





            Toneladas de fogos de artifícios! Expectativas! Simpatias! Bebidas! Músicas! Tudo para atender a demanda do sensorial. Eis um pequeno resumo do que é a passagem do ano em todo o mundo. Em pouco tempo, a vida volta à rotina e se percebe que tudo continua como dantes no quartel d’ Abrantes.
            Envolto nos burburinhos da vida o homem não dispensa um tempo do seu tempo para meditar sobre o significado e a importância do tempo em sua vida.
            “O que é o tempo afinal? Se ninguém me pergunta, eu sei; mas, se me perguntam e eu quero explicar, já não sei.” Assim, Agostinho de Hipona conhecido universalmente como Santo Agostinho, define o tempo em sua autobiografia Confissões. Talvez uma das melhores definições sobre o tempo, pois atende à compreensão do vulgo. Quem poderá defini-lo?
            O Espírito Galileu, em “A Gênese”, no capítulo VI, assim define o tempo:

“O tempo é apenas uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias; a eternidade não é susceptível de medida alguma, do ponto de vista da duração; para ela não há começo, nem fim: tudo lhe é presente.” (grifos nossos)

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

FELIZ ANO NOVO!






Por Gilberto Veras (*)



Véspera de Ano Novo é momento preenchido de expectativas, hora em que a esperança motivadora toma a caneta às mãos e, compenetrada, relaciona anseios diversos, aumento de renda financeira para propiciar melhor conforto material e vivenciar prazeres dos sentidos físicos, em quadros e situações há tempo projetados, não podemos invalidar tais pretensões, afinal de conta estamos inseridos no mundo denso com a liberdade dele desfrutar o que é possível e permissível, porém, a sensatez alerta a intervenção do tempo estabelecendo o final da experiência reencarnatória, e, por conta desse determinismo imutável, abre-se espaço precioso para reflexão aprofundada.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

A GENEROSIDADE DIANTE DO UMBIGUISMO¹




Por Dora Incontri (*)



Há uma doença que acomete gravemente algumas pessoas, sem que elas tenham a mínima consciência de estarem padecendo dela: o umbiguismo. É aquela personalidade que só fala de si, de seus problemas, de suas demandas, que está sempre orientada para seu próprio ego. Se entremeia a conversa com alguma pergunta sobre a saúde ou o bem-estar do outro, é por um resquício de cortesia superficial, que se esvai logo que o outro responde brevemente. A frase seguinte do umbiguista é de novo sobre si mesmo.

É claro que todo ser humano guarda em maior ou menor grau uma dose de egoísmo que, como diria tão acuradamente Kardec, ao lado do orgulho, são as maiores chagas da humanidade. Mas refiro-me aqui àqueles extremos, que se fixaram no período do narcisismo infantil. É normal a criança pequena, por uma questão de sobrevivência e do processo de desenvolvimento, ter um momento de total fixação em si mesma. Não é normal o adulto, que já deveria ter atingido a maturidade psíquica, agir dessa maneira autocentrada, sem conseguir sentir sinceramente empatia para com as demandas do outro.

domingo, 27 de dezembro de 2015

EXEMPLOS LUMINOSOS¹






 Por Roberto Caldas (*)





Moisés (1390 a 1510 a.C - estimativa) foi adotado pela filha de um faraó e teria a vida de nobre, caso decidisse fechar os olhos para a escravidão do seu povo. Sidarta Gautama, o Buda (563 a 483 a.C), nasceu príncipe e herdaria o trono se abdicasse de suas buscas espirituais. Sócrates (469 a 399 a.C) era um filósofo amado e teria a sua liberdade garantida bastaria desmentisse as suas verdades. Jesus (Ano I) burlaria os trâmites do seu julgamento se aceitasse o convite de Herodes de prestar-lhe favores com fenômenos de cura.
            O que a história nos remonta é que esses homens se notabilizaram e passaram à posteridade exatamente por terem resistido aos convites da facilidade adotando propostas que o levaram às experiências de privação de liberdade e até mesmo à morte sem o reconhecimento do seu tempo. O legado que nos deixam é o da atitude baseada numa crença que transcendia inabordável às negociatas que lhes exigiam procrastinação submissa. As suas existências produziram muitas das paisagens que fazem as nossas estradas mais floridas.

sábado, 26 de dezembro de 2015

REFLEXÕES DO NATAL







Por Francisco Castro (*)



Natal...
Dia do nascimento.
Todos nós nascemos um dia.
Portanto, todos nós temos um dia de natal.
É costume no dia do nascimento dar-se presente.
Também é comum no dia do nascimento preparar-se uma festa.
Nessas festas servir-se comidas e bebidas a gosto.
No mês de dezembro comemora-se o nascimento de JESUS!
Não importa se Ele nasceu nesse mês ou em outro qualquer.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

O NATAL DE JESUS¹










O dom da vida se estendia naquela noite em meio ao desespero humano de orgulho e mesquinhez moral. Brilhava na protoforma infantil, em configuração educacional, a servir de modelo e guia para todas as criaturas humanas, em convite a se fazerem tal crianças para melhor assimilação dos ensinos superiores.

A maestria intrínseca de Jesus já cintilava ali na singeleza do ambiente, na humildade de um neonato, cujas excelsitude e divindade não buscavam aparatos mundanos “nem ouro nem prata” nem autoridade, para se firmarem e afirmarem, mas unicamente se expressavam silentes por sua magnificência espiritual.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

REFLEXÕES SOBRE O NATAL¹



Por Roberto Caldas (*)


            O nascimento de Jesus datado em 25 de dezembro não se trata de um fato histórico. É uma presunção. Como de resto muitos relatos que se multiplicam a seu respeito ainda carecem ser comprovados, ausentes elementos definitivos de certificação. A sua existência se revestiu de simbologias e enigmas preservando a sua biografia através dos tempos com toda a carga emocional que sobreviveu aos dois últimos milênios.
            Definitivamente a vitória que alcançou sobre a morte foi o registro que o consolidou como o maior entre todos os líderes espirituais do Ocidente, ícone que dividiu a História em duas eras, a que o antecedeu e essa que perdura até os dias atuais. Dados demográficos apontam uma fatia de 32% da população mundial como seus profitentes, 86% entre os brasileiros. Natural que, depois de tantos anos de conhecida a sua mensagem, já tivéssemos familiaridade com uma eficiente maneira de interpretá-lo, mas infelizmente não é assim que os fatos nos sinalizam.

sábado, 19 de dezembro de 2015

MENSAGEM DE NATAL - DIVALDO FRANCO


MENSAGEM DE NATAL

Por Gilberto Veras (*)



Nosso pequeno planeta,
de moral subdesenvolvida,
não é desconsiderado nos planos divinos,
pelo contrário,
é acompanhado e abastecido de amor e providências sábias,
recebe,
em oportunidades felizes,
mensageiros superiores dotados de recursos iluminados
que clareiam sombras da ignorância retardadora da marcha evolutiva natural,
investidas oponentes à inteligência e moralidade,

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

CENTROS ESPÍRITAS SURREAIS¹






É muita imaturidade um dirigente de Centro Espírita nutrir acirrada hierarquia administrativa, considerando que o Espiritismo não admite hierarquia com ranços sacerdotais. É incabível tal dirigente inflexível no exercício do cargo desconectado dos encargos assumidos. Em face dessas incoerências aparecem nas instituições as censuráveis “ilhas de isolamento” entre os grupos de trabalhadores. Tal situação se instala por ausência de fraternidade e insuficiente estudo das obras da Codificação e isso resulta nas inconvenientes interpretações doutrinárias.

Em verdade, se adotamos o Espiritismo por opção religiosa não podemos negar lealdade aos Benfeitores Espirituais. Todavia, por ausência dessa lealdade doutrinária são difundidas confusões conceituais, sempre impostas e sustentadas por dirigentes inábeis, o que também tem mantido isoladas diversas casas espíritas, transformando-as em ilhas desérticas da efetiva fraternidade.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

PELA ÉTICA E A DECÊNCIA¹



         


Por Roberto Caldas (*)



         A Doutrina Espírita além de cumprir com as suas obrigações de estabelecer as normas de convivência entre o mundo material e o invisível possibilitando ao ser encarnado uma ampla visão das responsabilidades que o tornam senhor absoluto de suas ações antes e depois do seu desencarne, também cumpre um papel social dos mais importantes. Pelo fato de tornar claro que não existem dois mundos e sim apenas um, separados pela morte, no qual vale mais uma atitude sadia do que mil orações vazias, o alcance dos seus ensinos norteia a posição política e social dos seus seguidores.

domingo, 13 de dezembro de 2015

UM MUNDO DAS PESSOAS SEM CORPO







Por Paulo Eduardo (*)

Advogado militante, escritor e palestrante é o Francisco Castro de Sousa. Revela profundo conhecimento filosófico. Tece comentários bem objetivos em torno da temática “De onde viemos e para onde iremos retornar”. Referido estudo vem condensado em livro com o sugestivo título de “Um Mundo das Pessoas sem Corpo”. O autor analisa a projeção do espírito numa caminhada lógica da eternidade da vida. Enfoca sob luzes do saber toda uma jornada além da existência física. Consegue demonstrar a trajetória da Doutrina Espírita dentro da simplicidade do reconhecimento trazido por Allan Kardec, na obra básica que principiou pela publicação de “O Livro dos Espíritos” em 1857. Síntese clarividente do que se contém no além com as nossas almas após as encarnações evolutivas.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

O ESPÍRITA "FAZEDOR" - ONDE ESTÃO OS ESPÍRITAS?






Por Alkíndar de Oliveira (*)


Iniciativa do Centro Espírita "O Pobre de Deus", Viçosa do Ceará (CE)Conheça
Caro leitor, hoje muitos não espíritas têm uma ideia totalmente deformada do que é o Espiritismo. Associam-no com seitas outras, que as respeitamos, mas que, com exceção do natural fenômeno mediúnico, nada tem a ver com nossa Doutrina.
Hoje o verdadeiro Espiritismo (por que temos que escrever “verdadeiro” Espiritismo?) ainda é, sejamos sinceros, desconhecido pela maioria das pessoas.
Voltemos ao passado.
Qual era, nas primeiras décadas do século XX, a reação da população brasileira em relação ao Espiritismo?
Eu não estava lá. Mas dá para imaginar como era. Num país predominantemente católico, onde os preconceitos eram ainda mais evidentes e absurdos do que hoje, dizer-se “espírita” era, metaforicamente falando, colocar a corda no pescoço.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

LIXO E SUICÍDIO: PONTOS DE PARTIDA PARA A RECICLAGEM¹






Por André Trigueiro (*)


O catador de lixo e o voluntário do CVV guardam afinidades importantes. Em primeiro lugar, ambos desafiam o tabu de lidar com assuntos que a sociedade abomina ou despreza. Seguem na contramão do senso comum, desafiam a cultura dominante, lidam com o preconceito.  O catador” enxerga" os resíduos com outros olhos. Ele não perde tempo com o lixo.  Separa apenas o que ainda tem serventia e lhe garante o sustento. O voluntário do CVV "enxerga" o ser humano com outros olhos. Acredita no valor de cada um, na capacidade que temos de dar a volta por cima. Por pior que seja a situação de quem o procura, o voluntário investe tempo e energia no exercício da escuta amorosa, resgatando o valor e a autoestima de quem muitas vezes se sente um trapo. O catador ajuda a reduzir o monumental volume de resíduos que satura os aterros e lixões. O voluntário do CVV ajuda a reduzir a perturbação que satura a alma e impede a correta avaliação dos fatos. O trabalho realizado pelo catador reduz os indicadores de desperdício. 

domingo, 6 de dezembro de 2015

A CASA DA ROCHA¹








Por Roberto Caldas (*)



Na Parábola da Casa Edificada sobre a Rocha (Mateus VII; 24), Jesus chama de prudente o homem que resolveu se proteger dos perigos das tempestades e das turbulências. Antes destaca esse homem como aquele que escutara as suas palavras.
Distantes do que propõe Jesus, somos ladeados por diversas construções que sequer passam por vistoria de suas bases e alicerces. A pressa em ter concluída a obra acaba levando os construtores a uma série de decisões que pouco importa se poderão trazer grandes acidentes ao que se encontram ancorados sob os seus limites. Na realidade os falsos edificadores de plantão simplesmente não se ocupam com as consequências de suas atitudes porque as suas personalidades fragmentadas desconsideram que o vento que acaricia é aquele mesmo que destrói todos os obstáculos que se lhes interponham.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

DESAMPARO AFETIVO






Por Jorge Hessen (*)


A 2ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina negou indenização por danos morais a uma filha que alegava “abandono afetivo” do pai. O tribunal entende que não se pode obrigar um pai a amar o filho com a ameaça de indenização. Segundo o desembargador Gilberto Gomes de Oliveira, relator do caso “o afeto não é algo que se possa cobrar, quer in natura ou em pecúnia, tampouco se pode obrigar alguém a tê-lo, pois não se pode exigir que pai ame filhos com ameaça de indenização”. [1]

Em direção oposta, três anos atrás, a 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou um pai a indenizar em R$ 200 mil a filha por “abandono afetivo”. A ministra Nancy Andrighi entendeu que é possível exigir indenização por dano moral decorrente de “abandono afetivo” pelos pais. Para ela “amar é faculdade, cuidar é dever”, afirmou no acórdão, pois não há motivo para tratar os danos das relações familiares de forma diferente de outros danos civis.” [2]

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

COMO NÃO TRANSFORMAR INDIGNAÇÃO EM ÓDIO?











Partilhei hoje na minha página do Face uma foto de um membro da polícia militar com a arma em punho diante de uma estudante desarmada, em posição pacífica, durante a guerra declarada pelo Governo do Estado aos alunos que reivindicam a manutenção de suas escolas, no movimento “Não fechem minha escola”. Ao partilhar essa foto e comentar brevemente minha indignação diante da cena, vi-me arrebatada numa discussão desenfreada na minha própria página. Mantive-me calada, mas tenho ficado amargada com o nível de agressividade, conservadorismo, analfabetismo político reinantes no momento presente. E toda vez que manifesto qualquer posição, vejo-me enredada numa trama de contenda, de vibrações desencontradas, que me afetam por dentro.

Por isso, a reflexão de hoje é sobre uma questão fundamental: como manter a paz íntima diante das gritantes injustiças do mundo? Como exercitar a indignação (necessária, pois até Jesus a manifestou diante dos fariseus que exploravam o povo) sem se deixar escorregar para a ódio e para o asco? Como manter o olhar lúcido e crítico diante das estruturas profundamente injustas da sociedade, diante da falta de ética, diante da negligência com o ser humano, sem afundar-se num desânimo existencial, que nos faça parar deprimidos à beira do caminho? Como, enfim, atuar no mundo, para transformá-lo, com suficiente amor no coração, mas sem a pieguice e a apatia dos que aceitam tudo de cabeça baixa?

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A DOUTRINA DO DESTEMOR¹






Por Roberto Caldas (*)



            O Espiritismo bem que poderia ter como um dos seus codinomes Doutrina do Destemor. E uma justificativa para tal denominação seria a sua enorme vocação para o esclarecimento das pessoas em torno de conceitos que historicamente estabeleceram padrões e impedimentos ao livre exercício do pensamento, mercê de receios descabidos de forças que se impunham enquanto autoridades espirituais.
            Começando pela clareza com que define o gráfico da existência na Terra passando pela morte. Nesse momento a Doutrina do destemor abre a mente das pessoas para a compreensão desse fenômeno não apenas natural como necessário ao equilíbrio planetário e evolucional do seres encarnados. Explica com lógica racional o paralelo de um mundo espiritual concreto e palpável para os seus habitantes baseando cientificamente a existência de planos invisíveis aos olhos terrenos, mas absolutamente reais, de onde o dito morto pode repensar as circunstâncias do período de vida no corpo. Essa visão da morte permite uma reviravolta que transforma o entendimento. Acaba com a ideia da fixidez de regiões, cuja teologia clássica diz dividir-se em céu e inferno, repletas de delícias enfadonhas ou de sofrimentos demasiado cruéis para serem acreditados.

domingo, 29 de novembro de 2015

FÉ NA VIDA, FÉ NO HOMEM, FÉ NO QUE VIRÁ.



“... hoje não são as entranhas do globo que se agitam, são as da humanidade.”
(Allan Kardec, “A Gênese”)



Por Jorge Luiz (*)



            Um estudo da Fundação Causa Comum(1) revela resultados significativos. O primeiro é que 74% de um universo de mil pessoas pesquisadas identificam-se mais fortemente com valores altruístas do que com valores egoístas. Para esses, mais importante do que o dinheiro, fama, status e poder, é o senso de honestidade, gentileza, perdão e justiça. Ademais, é que uma maioria semelhante - 78% -  acredita que os outros são mais egoístas do que realmente são. É fácil de concluir que se comete um equívoco grotesco quando se julga o comportamento das outras pessoas, advertência severa do Mestre Galileu quando assegurou que “com o critério com que julgardes, sereis julgados, e com a medida que usardes para medir, igualmente medirão a vós.” (Mt, 7:2). Outra explicação é a do mecanismo de defesa conhecido na psicologia como projeção, pelo qual se atribui a outra pessoa os próprios defeitos pessoais, os pensamentos inaceitáveis ou emoções.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

UMA NOVA ÉTICA



Quanto mais buscamos o progresso material, ignorando a satisfação que provém de um crescimento interior, mais rapidamente os valores éticos desaparecem de nossas comunidades. Então, no longo prazo, nós todos seremos infelizes, pois, quando não há lugar para a justiça e a honestidade no coração do homem, os fracos são os primeiros a sofrer. E os ressentimentos gerados por semelhante injustiça acabam gerando um efeito adverso a todos.” Dalai Lama, Citação do livro Como Lidar com Emoções Destrutivas, de Dalai Lama e Daniel Goleman (Ed. Campus)


Por Alkíndar de Oliveira (*)




A crise econômica mundial iniciada em 2008, fruto da exacerbada ganância do mundo econômico-financeiro, que só por ser “ganância” já seria um mal, e sendo também “exacerbada” passa a ser duplo mal, está levando-nos a fazer ponderações sobre o que de fato é a Economia Real e a Economia Financeira. De maneira sintetizada, a Economia Real representa a compra e venda com o intuito de satisfazer a necessidade humana, colocando de lado o ganho financeiro exploratório. Já a Economia Financeira corresponde às operações ou aos investimentos em papéis para aumentar os ganhos. As duas economias, por si, não são ruins. No entanto, quando a ganância toma conta, a Economia Financeira desregula a Real. O que fazer para evitar esse mal? Exterminar a movimentação da Economia Financeira? Não. Mesmo porque isso é impossível. Creio que a palavra mais adequada seja “moralizar”. A razão de viver do homem deve ter por base essa palavra. Profissionais que encontram uma justa razão de viver, sustentada na boa moral e na boa ética, tendem a ser pessoas conscientes sobre a importância de manter o sensato equilíbrio entre a Economia Financeira e a Economia Real, fazendo com que uma sustente a outra.

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

A MEDICINA DA ENERGIA¹






Por Roberto Caldas (*)


            


A Homeopatia é uma disciplina médica-terapêutica experimental desenvolvida pelo médico alemão Christian Friedrich SAMUEL HAHNEMANN (1755/1843), cuja denominação é derivada do grego "homoios-pathos" (sofrimento semelhante), num retorno científico ao pensamento médico-filosófico do pai da Medicina, Hipócrates. Lançada ao mundo em 1796 através de artigos publicados. “ORGANON da arte de curar” em 1810 é o seu primeiro livro.
            Medicina do VITALISMO antecede a Doutrina Espírita nesse conceito, visto que só em 1857, Kardec lançaria O Livro dos Espíritos, cuja questão 67 e anteriores traduzem a mesma concepção homeopática: “A vitalidade é um atributo permanente do agente vital ou apenas se desenvolve pelo funcionamento dos órgãos? – Apenas se desenvolve com o corpo. Não dissemos que esse agente sem a matéria não é a vida? É preciso a união das duas coisas para produzir a vida”.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

POESIA





 Por Gilberto Veras (*)


Poesia é o idioma falado pelo coração,
a intermediação de expressão,
manifestada no poeta,
não depende de intelectualidade,
com regras e condicionamentos linguísticos,
é livre e pura,
conduzida apenas por sentimento poderoso e original,
existente em todas as almas,
essa a única disciplina,
sentir e expressar,
nada mais,
assim são sensibilizados aqueles que à ela ouvem,
são poetas também,
sentem as vibrações do belo,
emocionam-se com luz esplendente,

sábado, 21 de novembro de 2015

AS ARENGAS SOBRE O "DE MENOR"







Por Jorge Hessen (*)


Foi altruística indubitavelmente a reação do carioca Deivid Domênico, carteiro, músico e autor do samba enredo 2016 da “estação primeira da Mangueira” que após ter o celular roubado por um menor infrator (na janela do ônibus), conseguiu detê-lo, protegendo-o de um possível linchamento. Acompanhou o delinquente “de menor” até a delegacia, prometendo visitá-lo no centro de reclusão para onde foi levado.

Deivid é contra a redução da maioridade penal, e de forma um tanto burlesca disse que seguirá o “conselho” da Rachel Sheherazade[1], adotando “seu” bandido “apreendido”. Contudo, a opinião do carteiro sambista não reflete a tendência da sociedade brasileira, conforme consigna a última pesquisa nacional em torno do tema: segundo o instituto Datafolha, 87% dos brasileiros são favoráveis à redução.[2]

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

A CONTRIBUIÇÃO ESPÍRITA NO DEBATE DA ESCOLA PÚBLICA NO BRASIL (PARTE FINAL)






Os educadores espíritas brasileiros

Ao longo do século XX, iniciando-se na primeira década, com o marco histórico da fundação do primeiro colégio espírita do Brasil – Colégio Allan Kardec – pelo educador mineiro Eurípedes Barsanulfo (1880-1918) e alcançando a dobra do século XXI, diversas propostas foram teorizadas e postas em prática, envolvendo a relação educação/espiritismo. Algumas tomadas de posição mais significativas diante dos problemas fundamentais com que nos defrontamos historicamente, podem fornecer um quadro aproximado do papel do espiritismo em nossa sociedade.
Em primeiro lugar, é preciso considerar que existem claramente duas tendências no movimento espírita brasileiro: a mais popular, que se tornou massa crítica nas últimas décadas, sob influência da liderança de Chico Xavier, praticada na maior parte dos centros espíritas e nas obras sociais que levam o rótulo de espírita, tem um perfil politicamente conservador e socialmente assistencialista. Realizando quase um sincretismo com a herança católica, essa tendência é criticada pela outra face do espiritismo brasileiro, representada entre outros pelo jornalista e filósofo J. Herculano Pires:

“O católico, o protestante, o espírita se equivalem neste sentido, todos buscam o caminho do espírito para soluções de questões imediatistas ou para garantirem a si mesmos uma situação melhor depois da morte. A maioria absoluta dos espiritualistas está sempre disposta a investir (esse é o termo exato) em obras assistenciais, mas revela o maior desinteresse pelas obras culturais. Apegam-se os religiosos de todos os matizes à tábua da salvação da caridade material…” (PIRES, 1975)

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

A HUMANIDADE E SEUS ALGOZES¹





 Por Roberto Caldas (*)



               Se há uma regra sem exceção, considerados todos os períodos da humanidade e as leis estabelecidas em todos os tempos, essa não deixa o menor rastro de dúvida a quem a examine: toda violência é fruto da maldade. A maldade por sua vez é opcional e voluntária, jamais uma imposição da Natureza. O que nos estabelece a Natureza é a obrigatoriedade de uma linha evolutiva que inicia na simplicidade e na ignorância.
            Há quem se compraza e até estabeleça objetivos baseados na destruição de outrem, como forma deliberada de conquistar patamares de sucesso em suas empreitadas de cobiça e poder. Nesse afã emprega meios e instrumentos que vão desde o uso de armas de fogo e bombas até a manutenção de fortunas conquistadas pelo roubo e a prevaricação das leis. Em todos os casos as estratégias que se emprega escondem uma alma embrutecida pelo ódio e trazem à tona o horror dos nossos piores vícios, aqueles que impregnam a mente das pessoas que exorbitam a esfera do sofrimento individual para se tornarem algozes da coletividade. Antes de poderem ser admirados pela fortaleza que intentam transparecer, essas pessoas devem ser vistas sob o olhar de piedade, tamanha a brutalidade de que são geradoras e vítimas ao mesmo tempo.

16.11 - DIA INTERNACIONAL DA TOLERÂNCIA




“Amarás ao teu próximo como
a ti mesmo.”
(Jesus, Mt, 22:34-40)


Por Jorge Luiz (*)


             

            John Locke (1632-1704), filósofo inglês, com o propósito de apaziguar católicos e protestantes, escreveu em 1689, Cartas sobre a Tolerância. Voltaire (1694-1778), filósofo iluminista francês, impactado com o episódio ocorrido em 1562, conhecido como Massacre da Noite de São Bartolomeu, marcado pelos assassinatos de milhares de protestantes, por fiéis católicos, talvez inspirado por Locke, em 1763, escreveu o Tratado sobre a Tolerância.
            Por meio da  UNESCO¹, em sua 28ª Conferência Geral, realizada de 25.10 a 16.11.1995, com apoio da Carta das Nações Unidas que “declara a necessidade de preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra,...a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor da pessoa humana,... e com tais finalidades a praticar a tolerância e a conviver em paz como bons vizinhos", os Estados Membros decidiram firmar a Declaração de Princípios sobre a Tolerância, proclamaram solenemente o dia 16 de novembro como o Dia Internacional da Tolerância.

domingo, 15 de novembro de 2015

DO TERROR À LAMA, TUDO QUE PODEMOS LAMENTAR. MAS O QUE FAZER?¹







Por Dora Incontri (*)



Como não chorar por todas as dores, sem menosprezar nenhuma, dessas que infestam o mundo? A dor das mães, cujos filhos morrem violentamente, é igual: sejam elas muçulmanas, judias, parisienses, sírias, quenianas, norte-americanas, das periferias de São Paulo, dos assaltos na classe média, dos massacres entre todos os povos…

A dor da natureza aviltada, mutilada, envenenada, seja em Fukushima, seja em Mariana, seja nos transgênicos que causam câncer, seja nas sementes estéreis, indecentes, da Monsanto…

A dor das crianças abusadas, violentadas, escravizadas, sejam sírias, vietnamitas, bolivianas, brasileiras, de qualquer época, de qualquer povo…

A dor dos povos oprimidos, expulsos, tiranizados, que são tantos, ou são todos, que nem se pode mencioná-los…

A dor que campeia no planeta, toda ela merece nossa compaixão, nossa empatia, nossa solidariedade.

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O RAMATISISMO¹







Por Sérgio Aleixo (*)


"Para Herculano Pires, ninguém fala para não pecar e peca por não falar, por não espantar pelo menos com um grito as aves daninhas e agoureiras que destroem a seara. (Cf. O Espírito e o Tempo, 4.ª Parte, cap. III, item 5.) Sobre os periódicos espíritas afirmava o grande jornalista, altissonante:

“A imprensa espírita, que devia ser uma labareda, é um foco de infestação, semeando as mistificações de Roustaing, Ramatis e outras, ou chovendo no molhado com a repetição cansativa de velhos e surrados slogans [...]”. (O Espírito e o Tempo, 4.ª Parte, cap. III, item 5.)

Por força da acertada referência de Herculano, assim como ressaltei noutro artigo alguns pontos de doutrina do roustainguismo, vejamos algo sobre o ensino do espírito Ramatis, que, aliás, é analisado bem a fundo no excelente livro Ramatis: Sábio ou Pseudo-Sábio?, de Artur Felipe de A. Ferreira.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

FAZER A NOSSA PARTE NO MUNDO - PARA OS DESANIMADOS DE PLANTÃO¹





 Por Dora Incontri (*)


 
Orquídea Bebê no Berço
Um grande e inspirador amigo que tive, Dr. Tomás Novelino, fundador do Educandário Pestalozzi de Franca (SP), médico e educador, sempre dizia o seguinte para pessoas que lhe vinham com pensamentos pessimistas a respeito do mundo: quem está trabalhando pelo bem, quem está fazendo a sua parte, não sente desânimo e nem vê o mundo com cores negras.

Essa lembrança querida abre minhas reflexões nesse texto, já que os tempos de hoje se apresentam a muitos olhos com cores bastante sombrias.

De fato, não faltam notícias tristes, sangrentas, nauseantes. E não é difícil nos deixarmos envolver por ondas de depressão e descrença, quando nos sintonizamos com todo o acervo de injustiças, problemas, crueldades, ataques à dignidade humana, depredação da natureza… e poderíamos aqui estender o quadro indefinidamente.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

AO RADIALISTA, COM CARINHO¹




Por Roberto Caldas (*)



            Quando se sintoniza uma emissora de rádio dá-se azo à imaginação. De lado a lado duas pessoas se comunicam sem se saberem exatamente. O ouvinte só escuta a voz de quem lhe fala coisas que transformam a sua rotina pela informação, opinião, dica musical, comentário.  Uma voz sem rosto, hiato especial para exercitar a imaginação.
Fazendo-se uma viagem em torno do mundo e um emaranhado de ondas faz do comunicador do Rádio um dos mais importantes elementos de transformação planetária. Alguém que leva a história para os rincões mais longínquos, quase inalcançáveis por outros meios. Dessa maneira que as pessoas ficaram sabendo que os alemães entregaram as armas ao final da 2da Grande Guerra (1945); o Brasil ficou pasmo com a notícia que um presidente havia se suicidado (Getúlio Vargas – 1882/1954), sofremos o Maracanaço (1950) e exultamos com o sucesso das jornadas de 54 e 58 da seleção brasileira, emocionamo-nos que o primeiro astronauta a gravitar a Terra tenha falecido em manobra de um simples avião (Iuri Gagarin, 1934/1968) e comemoramos o lançamento da Apollo XI (1968). Por trás dessas notícias, apenas uma voz, uma voz que traduzia que mudanças enormes pulsavam nos quatro cantos.