quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

SEXO, INSTINTO E EGOÍSMO







 Por Francisco Cajazeiras (*)


Allan Kardec, insigne Codificador da Doutrina dos Espíritos, indaga aos Espíritos Reveladores, na pergunta de n 202, acerca do sexo:
“Quando somos Espíritos, preferimos encarnar num corpo de homem ou mulher?
Ao que eles respondem:
“Isso pouco importa ao Espírito, depende das provas que ele tiver de  sofrer”.
E Kardec conclui:
“Os Espíritos encarnam-se homens e mulheres porque não têm sexo. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, oferece-lhes provas e deveres especiais, e novas ocasiões de adquirir experiências. Aquele que fosse sempre homem, só saberia o que os homens sabem”.
Analisando estes ensinamentos ante o comportamento sexual do homem contemporâneo, pode parecer, a uma primeira investida, não haver atualidade nos mesmos, posto que homens e mulheres vêm supervalorizando o sexo apresentado em sua estrutura atômica. Há, também, de outra forma, uma grande incidência de contatos homossexuais e uma indisfarçável defesa, por parte da sociedade, daquilo que se passou a designar de “bissexualismo”, ou seja, pessoas que mantêm relação genital com outras de ambos sexos.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

ILUMINANDO A CAVERNA (*)




Por Roberto Caldas (*)


Platão (Atenas – 428 a 347 AC) numa de suas mais lidas obras, A República, transcreve um diálogo socrático que passou para a história como A alegoria da Caverna. Nesse diálogo o filósofo Sócrates (469 a 399 AC) conversa com Glauco a respeito da forma como se pode ver o mundo a partir das posições adotadas em determinadas circunstâncias. Ele fantasia uma caverna onde homens presos pelos pés e pela cabeça se encontram de costas para a abertura da mesma e só podem ver o mundo através das sombras projetadas em uma parede à frente criadas por uma fogueira que se encontra às suas costas. Daí eles nada vêem ou sabem além do que aquelas sombras projetam e a compreensão do mundo não passa senão das percepções que têm daquelas imagens. Então, uma daquelas pessoas é solta e levada para conhecer além das sombras projetadas, conhece o fogo que tinha às costas, vê as pessoas que passavam e tinham as suas imagens projetadas, alcança a abertura da caverna e entra em contato com o Sol. Depois de acostumar os seus olhos à luz solar percebe que estava todo o tempo vivendo uma ilusão, aquela mesma que as pessoas que continuavam presas permaneciam alimentando. Decide voltar para relatar aos seus amigos as experiências fora da caverna. Depara-se então com uma furiosa reação daqueles que, julgando-o um mentiroso tentam matá-lo, escolhendo continuar agrilhoados na observação das imagens, às quais estavam acostumados.   

sábado, 23 de fevereiro de 2013

NATUREZA DAS PENAS




 Por Paulo Eduardo (*)


O apenado e a natureza das penas são duas vertentes de um pensamento maior em termos de Justiça. Assunto que se divide em duas ideias: a da Justiça Divina e a da Justiça dos Homens. Contexto dúplice de recuperação para quem comete atos ilícitos. Na lógica do raciocínio humano têm-se formas distintas a respeito dessas penas. Delinquir não é regra. É exceção. Nascemos para a prática do bem.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

SILÊNCIO ENSURDECEDOR






Por Jorge Luiz (*)

“Quando cessamos de aprovar, não censuramos;
guardamos silêncio, a menos que o interesse da
causa nos force a rompê-lo” (Allan Kardec)


            A Humanidade chegou a uma encruzilhada em sua trajetória evolutiva. Desorientada, ante a escassez de recursos naturais, poluição, crescimento demográfico, anarquia social, fanatismo religioso e a corrupção que alcança todas as Instituições. Em outra direção, padece de respostas às perguntas básicas como: quem somos nós? Que fazemos aqui? Para onde estamos indo? Essas respostas são fundamentais para o amadurecimento de uma civilização planetária.

            Para construirmos uma Sociedade sustentável temos que ir mais além do que somente existir, o que fizemos até agora. Para irmos além de existir, temos que considerar valores fundamentais para nortear os quesitos físicos, sociais e espirituais do homem como ator civilizatório.
            A trajetória evolutiva do homem exige novo paradigma que possibilite a convergências dos pensares científicos, espirituais e filosóficos e que promova a transição para novos tempos.
            A Humanidade vive anseio de transcendência fácil de perceber pelo denso material literato em autoajuda, a multiface do cenário religioso, o desenvolvimento de uma consciência elevada, o deslocamento do foco da religião para a experiência religiosa, a disposição dos fortes em amparar os frágeis.
            Enquanto isso, o movimento espírita vive um misticismo primitivo, próximo às práticas do pensamento mágico. As casas espíritas tornaram-se oráculos para solução dos problemas comezinhos do dia a dia. A negligência imperdoável no estudo das obras básicas pelos espíritas não possibilita ao Espiritismo assumir o seu principal papel como obra de educação para o homem novo.

VERDADES HUMANAS





 Por Gilberto Veras (*)



A verdade é única, é divina e nos foi repassada pelo Criador para ser vivenciada na construção da felicidade. Não há quem não a guarde no cerne, em forma de desenvolvimento. Sim, porque pronta e acabada não é encontrada no homem inferior que ainda muito tem que se aperfeiçoar para apresentá-la em seu verdadeiro esplendor. Mas que verdade é essa, de que modo o Pai da vida com ela nos contemplou?

Recebemos a verdade do Todo-Poderoso projetada com Inteligência Suprema, como não poderia deixar de ser. Ele nos dotou de pequenas verdades, concentradas em sementes para serem desabrochadas em processo contínuo e lento, direcionado a beleza e encantos, componentes da perfeição, tal como observamos no trabalho imperceptível da mais bela flor do pomar caprichosamente organizado por mãos humanas sensíveis e de apurado bom gosto. E essas partículas de Deus se atraem naturalmente, de conformidade com a necessidade requerida à realização das obras do bem, em labor de incrível solidariedade construtiva, vemos, então, de mãos dadas, no mundo das relações de bom propósito, e em todas as formas de manifestação, em harmoniosas combinações, as pequenas verdades atuando em atividades de autoaprimoramento.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

ESPIRITISMO VERSUS PROSELITISMO ENRUSTIDO




Por Sérgio Aleixo (*)




Precisamos de ajuda uns dos outros. Ninguém prescinde disso. O amor, a compaixão são sempre o que são se verdadeiros. A fé toma parte em quase tudo, entretanto se diferencia caso raciocinada em termos espíritas. Por exemplo... O Espiritismo traz uma variável nova e fundamental: a existência de uma escala espírita. Jesus seria um espírito de mesmo nível doutros “mestres”? O Espírito de Verdade, que é um ente espiritual, assumiu as palavras de Jesus, não importando aqui se foi ou não Jesus quando esteve na Terra. Por que não se reportou a Buda, ou Maomé? Determinismo etnocêntrico? Por que então a Revelação Espírita não veio de início na China, ou na Índia?
Parece-me que não devemos nos preocupar em falar a essas outras culturas religiosas senão da mesma forma que se preocupem em falar a nós outros. A reciprocidade é o padrão nisso, como em tudo. Os budistas se preocupam em não nos impor Buda? Os muçulmanos se preocupam em não nos impor Maomé? Ora! O Espiritismo não quer ser aceito senão por convicção, como dizia Kardec. Não se deve torná-lo pílula mais dourada a fim de ser mais prontamente engolido por determinados pacientes.

CENTRO ESPÍRITA X PUREZA DOUTRINÁRIA (*)





          

 Por Roberto Caldas(**)


           Allan Kardec, em Obras Póstumas, no capítulo Constituição do Espiritismo, debruça-se sobre uma questão que julgava de extrema importância para o futuro mundial da divulgação da então doutrina nascente: a sua condução humana. Os anos passaram e percebemos que a  cada dia que passa precisamos retornar ao mestre lionês para absorver de sua aura iluminada a inspiração para manter na rota desejada a condução dos caminhos do movimento espírita atual. Infelizmente ainda não conseguimos diminuir a diferença gigantesca que existe entre os princípios doutrinários da Doutrina Espírita e a sua prática apoiada nas decisões dos grupos que dirigem os destinos das casas constituídas para a sua disseminação no planeta, especialmente no Brasil, considerado como o maior país espírita.
            O saudoso prof. Herculano Pires, na Obra O Centro Espírita é incisivo ao declarar que “Se os espíritas soubessem o que é o Centro Espírita, quais são realmente a sua função e a sua significação, o Espiritismo seria hoje o mais importante movimento cultural e espiritual da Terra”. Não temos a menor dúvida que o emérito professor está coberto de razão em seus arrazoados que justificam a expressão condicional SE SOUBESSEM.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

PERSONALIDADE CONSTRUTORA & PERSONALIDADE DESTRUIDORA





 Por Alkíndar de Oliveira (*)


A terapia Gestaltica, um dos braços da Psicologia, diz que nós somos determinantes e determinados, o que, em outras palavras, significa: assim como o meio nos influencia, nós temos o poder de influenciar o meio. Essa realidade corrobora uma verdade incontestável se analisada sob o prisma do bom senso: nós somos donos do nosso destino. Nós somos os únicos e exclusivos responsáveis pela nossa boa ou má forma de viver.
Se um meio terrível nos assola (pais brutos, miséria social) podemos ser influenciados por esse meio e fazermos de nossa vida um cipoal de sofrimento para nós e para os que conosco convivem. Mas existem pessoas que escolhem bem viver (tudo é uma questão de escolha) e, não obstante oriundas de ambientes altamente permissivos e negativos, mostram-se capazes de ressurgir das cinzas almejando, lutando e, o que é mais importante, conseguindo ter uma vida reta, digna e bem vivida. Existem pessoas que olham para o alto, onde fulguram as estrelas. São as pessoas de personalidades construtoras. Existem pessoas que olham para o chão onde existem a sujeira e a lama. São as pessoas de personalidades destruidoras.
O texto a seguir, de Charles Chaplin, elucida-nos como tudo na vida é produto da nossa escolha em utilizarmo-nos da personalidade construtora, que nos eleva, ou da personalidade destruidora, que nos rebaixa:
“Hoje levantei cedo pensando no que tenho a fazer antes que o relógio marque meia-noite. È minha função escolher que tipo de dia vou ter hoje. Posso reclamar porque está chovendo ou agradecer às águas por lavarem a poluição.
Posso ficar triste por não ter dinheiro ou me sentir encorajado para administrar minhas finanças, evitando o desperdício.
Posso reclamar sobre minha saúde ou dar graças por estar vivo. Posso me queixar dos meus pais por não terem me dado tudo que eu queria ou posso ser grato por ter nascido.
Posso reclamar por ter que ir trabalhar ou agradecer por ter trabalho. Posso sentir tédio com as tarefas da casa ou agradecer a Deus por ter um teto para morar. Posso lamentar decepções com amigos ou me entusiasmar com a possibilidade de fazer novas amizades.
Se as coisas não saírem como planejei, posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar. O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser. E, aqui estou eu, o escultor que pode dar forma. Tudo depende só de mim.”

sábado, 16 de fevereiro de 2013

JÚLIO ABREU FILHO



            

 Por Luciano Klein (*)


            Neste ano de 2013, um dos grades nomes da História do espiritismo em nosso País, completará 120 de nascimento. Refiro-me ao ilustre conterrâneo Júlio Abreu Filho, lamentavelmente esquecido pelo nosso movimento espírita, não obstante a sua grande contribuição na divulgação segura da Doutrina sistematizada Por Allan Kardec.
Filho do historiador e jornalista Júlio Abreu e Maria de Queiroz Abreu, nasceu na cidade de Quixadá, no sertão cearense, em 10 de dezembro de 1893. Em 1907 iniciou o curso de humanidades no Ginásio São José na Serra do Estêvão, concluindo-o em 1910 no Liceu do Ceará. Posteriormente, dedicou-se ao magistério, em Quixadá, e serviu como desenhista, na Inspetoria de Obras Contra as Secas, cargo que abandonou para cursar a Escola de Engenharia da Bahia.
            Encerrados os estudos superiores, passou a residir em Ilhéus com seus pais em 1915, onde exerceu um cargo técnico na Delegacia de Terras tendo, também, se dedicado ao magistério no Colégio Diocesano e ao jornalismo, colaborando no “Jornal de Ilhéus”, então redatoriado por seu pai.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

NÃO ESTAMOS ÀS BARATAS









O respeito devido a vítimas de fatos inesperados e chocantes não autoriza os espíritas a negarem a Providência e aclamarem o acaso. A hora, o momento, o instante da morte há suscitado muita incompreensão. Os que entendem não haver momento prefixado para a desencarnação até se louvam em textos de O Livro dos Espíritos; esquecidos, porém, de que estes sempre estão subordinados a um todo, cuja lógica granítica não pode ser apanhada no calor de preconcepções que querem confirmar a qualquer custo.

Está dito que “fatal, no verdadeiro sentido da palavra, só o instante da morte o é” (853). O que se proclama é que o instante da morte fora predeterminado, e não a banalidade de que morrer é inevitável aos mortais. Ao núcleo do sujeito (instante) é que se dirige o seu predicativo (fatal). O Livro dos Espíritos revela ainda que qualquer que seja o perigo que nos ameace (à revelia da prudência devida, evidentemente), se a hora de nossa morte ainda não chegou, não morreremos; e acresce que Deus sabe de antemão de que gênero será essa morte e, muitas vezes, nosso próprio espírito também o sabe, por lhe ter sido isso revelado, quando escolheu tal ou qual existência (853-a).

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O DIREITO E O DEVER DE NOS ASSUMIRMOS ESPÍRITAS







Em contato com várias entidades assistenciais, editoriais, das áreas de saúde e educação, cujas origens e fundamentos foram espíritas, observamos uma tendência crescente e um discurso repetido para se retirar o nome espírita. Nós mesmos, na ABPE, já recebemos diversas sugestões externas e internas para abandonarmos o termo “pedagogia espírita”, que foi criado por José Herculano Pires na década de 60.
Por que essa tendência? Que motivações se escondem atrás delas? Por que não podemos concordar com isso?
Se considerássemos o Espiritismo como meramente religioso – coisa que todos sabem é o oposto do que pensamos – ainda assim defenderíamos o direito e o dever de assumirmos a nossa identidade espírita como indivíduos, como instituições, em projetos sociais e pedagógicos. Ora, não há centenas de excelentes hospitais dirigidos por religiosos católicos? Dezenas de PUCs, outras tantas universidades protestantes de renome, inúmeros trabalhos sociais respeitados e reconhecidos internacionalmente, fundados e dirigidos por religiosos, como Madre Teresa de Calcutá ou Irmã Dulce? As pastorais da criança e do idoso recebem menos reconhecimento em seu magnífico trabalho, por estarem ligadas à Igreja?
Nunca ouvi ninguém fazer uma crítica ao Dalai Lama, por se apresentar como monge budista. Suas luminosas opiniões não são ouvidas? Não é respeitado por órgãos internacionais e recebido pelas maiores personalidades do planeta? Um Gandhi, que exerceu e propôs como ninguém, o diálogo inter-religioso, deixou alguma vez de se assumir como hindu que era? Um Leonardo Boff, embora perseguido pela própria Igreja Católica, alguma vez renegou sua identidade religiosa? Seus livros não são lidos por pessoas de todos os credos e por pessoas sem credo?

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

INTEGRAR





 Por Paulo Eduardo(*)


Cidadão do bem indaga, desculpando-se: O Espiritismo esclarece tudo? - Ele mesmo responde: "Acho que não!" Refletimos sorrindo ao redarguir afirmando que nenhuma religião do mundo tem resposta para tudo. Se assim fora já teríamos a tão sonhada paz pela integração. Vamos usar o integrar na sua inteireza.

Tentar completar ou materializar um pensamento de teor edificante. Totalizar a nossa matemática das realizações a fim de passar do sonho de renovação próprio dos começos de ano. Será possível determinar a integral de uma equação diferencial? A verdade é que vivemos de indagações. Temos realmente sede de respostas objetivas. A Doutrina Espírita até que tenta elucidar mistérios.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A DIDÁTICA DA MORTE



Ela disse que ele era o anjo da guarda dela e veio até Toledo (PR) para levá-lo embora”
(amigo da família da jovem)


Por Jorge Luiz (*)

          

               Sábado último (2), estudante da Universidade de Santa Maria, uma das organizadoras da festa na boite Kiss desencarnou juntamente com o seu namorado em acidente de carro.
            Ela foi convencida pelo seu namorado - que estava em outro Estado e não poderia acompanhá-la -, a não ir à festa. Isso a livrou do incidente que culminou com a desencarnação, até agora, de 238 pessoas e mais de cem feridos.
            Uma peculiaridade marcante nesses dois episódios é o vínculo afetivo existente entre maioria das vítimas: namorados, cônjuges, irmãos, primos, amigos. São desencarnações com características de expiações solidárias, segundo o pensamento do Espírito Clélia Duplantier, em “Obras Póstumas”: “As expiações coletivas são solidárias, o que não suprime a expiação simultânea das faltas individuais.” Portanto, as responsabilidades de todo homem realizam-se como indivíduo, do ser em si mesmo; o de membro de família, e finalmente, o de cidadão.
            Esclarece o referido Espírito: “Salvo alguma exceção, pode-se admitir como regra geral que todos aqueles que numa existência vêm a estar reunidos por uma tarefa comum já viveram juntos para trabalhar com o mesmo objetivo e ainda reunidos se acharão no futuro, até que atingido a meta, isto é, expiado o passado, ou desempenhado a missão que aceitaram.”
            Morte e vida caminham juntas, de mãos dadas por toda a nossa existência. Como nos versos do “Manifesto de Tânatos”: (1)

“Estou aqui hoje e sempre
Pois minha irmã é a vida
E a dançar em vossa roda
É ela que me convida.”

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O PODER DO BEM










Por Gilberto Veras (*)



Vaidade, que enaltece o ego em detrimento da valorização pertinente do próximo, é combatida pela humildade que nos iguala perante Deus, Inteligência Suprema, a que nos curvamos pela impotência de nossa pequenez.

Egoísmo, que deseja concentrar tudo em torno de si, com força de atração enganosa, é anulado por valor real da desambição que pouca valia faz das coisas materiais e as divide fraternalmente com o próximo.

Orgulho, que nos autopromove a lugares virtuais de grandeza, é dispensado pela singeleza que nos coloca em posição real de espíritos a caminho, a passos lentos e no início de carreira.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

MÚSICA, UMA NECESSIDADE PEDAGÓGICA





 Por Dora Incontri (*)



A música está em desuso no mundo atual, pois o que se ouve em geral é um arremedo de música, imposto pela mídia, mercadejado por gravadoras que desejam lucro fácil e rápido. O povo está deseducado para o ouvir. Sertanojo, funk, pagodão e outros excrementos poluem aos ouvidos. A maioria dos jovens desconhece que somos a terra de Caymmi e Tom Jobim. Mozart e Beethoven, nem pensar. A não ser que alguma canção daqueles (como foi Pela luz dos olhos teus de Jobim) vire tema de novela da globo. Então, salva-se algo da ignorância e do esquecimento.

Entretanto, a música não é um apetrecho postiço na vida humana, é respiro vital da alma, é canal de expressão de sentimento e sensibilidade, sem o qual o espírito se embota e perde em altura cultural e espiritual. A música é patrimônio de um povo, da humanidade toda e precisa ser passada, reconhecida, cultivada para as novas gerações, sob pena de regressarmos à barbárie.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

A ETERNIDADE É HOJE (*)





 Por Roberto Caldas(**)



Historicamente convivemos em relações de culpa/castigo nos processos que nos dispõe frente a frente às escolhas da vida. Mormente no que importa ao posicionamento diante das questões de ordem espiritual aprendemos de forma determinista a evitar a trajetória do pecado pelo medo das penalidades no futuro. Nesses casos o medo passa a ser o elemento norteador de nossas atitudes e não necessariamente o haver compreendido qual a melhor decisão diante das bifurcações do caminho.
            De forma dogmática tememos de alguma forma uma corte que julga depois da morte, à guisa de tribunal que confere inocência ou culpabilidade para decretar o destino a ser seguido depois do veredicto. Isso não acontece apenas com os cristãos bíblicos, aqueles que ainda alimentam a idéia do céu e do inferno como destinos eternos. Também os espíritas, que substituíram pela expressão UMBRAL o destino posterior ao desencarne, vacilam receosos quanto ao futuro no plano espiritual, ainda influenciados pela idéia milenar que vincula a vida depois da morte com algum julgamento extemporâneo e sumário.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

MENTIRAS SOBRE JESUS






 Por Paulo Eduardo (*)


Um desafio, no mínimo, intrigante. “Mentiras sobre Jesus” é uma produção literária do professor José Pinheiro de Souza. Ex-seminarista e atualmente revestido de profundo sentimento religioso para dissertar a respeito de Jesus Cristo.
Fonte de saber amalgamada em leituras e observações detalhistas. Estudo analítico de rara profundidade. Obra que se projeta como um “desafio para o diálogo religioso”. Linguagem pura sem qualquer provocação. Elegância discursiva no sentido de aclarar dúvidas.
O prof. Pinheiro excede suas pesquisas ao colocar os pontos nos is. Mostra à farta a luminosidade dos princípios ditados pela razão. Lógica formal da inteligência privilegiada do analista que busca verdades sem ferir ou atacar quem quer que seja. Respeito às crenças e aos credos dos irmãos da criação divina, em livro aureolado pela luz da simplicidade e clareza a fim de encontrar o denominador comum das interpretações ditadas pela inteligência racional. Autêntica declaração de amor à causa crística. Reconhecimento harmônico de teorias religiosas tão presentes em nossas vidas.
O ser humano na sua ânsia de agregar ideias para fomentar a paz da convivência. “Mentiras sobre Jesus” é livro com a pureza da sinceridade que encanta. Roteiro belíssimo para reflexões. Sentimento religioso de rara sensibilidade nestes tempos de violência, a mesma violência dos idos da crucificação de Jesus de Nazaré.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

IMPRENSA ESPÍRITA E MERCADO





Por Sérgio Aleixo  (*)

Muito justo que se denuncie a incompatibilidade da tese das assim chamadas “crianças índigo” com o Espiritismo. Mas até parece, ultimamente, que este é o único caso de infiltração de doutrina estranha no movimento espírita. Denuncia-se esta historinha que vem de fora e cujos fundadores, aliás, nunca a apresentaram como espírita e, por outro lado, silencia-se quanto a inúmeras outras doutrinas cujos criadores, há décadas, e aqui no Brasil, apresentam-nas como complementares ou superadoras do Espiritismo. Denuncia-se a tese das crianças índigo como não espírita, mas publica-se propaganda de página inteira das obras do Sr. Pietro Ubaldi.[1]
 Urge compromisso a esta imprensa que se pretende espírita, a fim de que haja pelo menos coerência no que faz. Se uma revista diz que é espírita, não pode propagandear, a título de Espiritismo (mesmo subliminarmente), o que avilte os postulados espíritas. Mas quem está a mandar? Os donos de cotas de publicidade. Alguns deles, vampiros históricos do bom conceito do adjetivo espírita. E se os americanos das crianças índigo fizessem propaganda em revistas “espíritas”? Seria o fim da cruzada contra a seita new age? Ou será que tudo é contra o médium Divaldo Franco? Infelizmente, ele vem de publicar A nova geração: A visão espírita sobre as crianças índigo e cristal (2007), a reboque do best-seller Crianças Índigo (de 1995; no Brasil, 2005), cujos conceitos provêm de exótica seita norte-americana que pretendia até mudar o DNA das pessoas mediante sessões pagas de “energização”.
Só é certo que por trás disto tudo está o “capetalismo” de falsos espíritas, meros escravos dos donos das cadernetas de publicidade de suas revistas e jornais muito pouco doutrinários um sem número de vezes; mas tudo nos conformes jurídicos, é claro. Conversas capitalistas, legalistas, porém, não nos eximem de responsabilidade perante o Mestre Maior, que veio dar testemunho da Verdade! Não deveríamos estar falando de negócios, mas de Espiritismo!