quinta-feira, 31 de março de 2016

O DÓLMEN DE KARDEC (REEDIÇÃO)










31 de março de 1869
 Allan Kardec ultimava as providências de mudança de endereço. A partir de 01 de abril de 1869, o escritório de expedição e assinatura da Revista Espírita seria transferido para a sede da Livraria Espírita, à rua de Lille, nº 7, onde também, provisoriamente, funcionaria a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Na mesma data, os escritórios da redação e o domicílio pessoal de Allan Kardec seriam transferidos para a Avenue et Vila Ségur, nº 39, onde Kardec tinha casa de sua propriedade desde 1860.
Entremeando onze e doze horas, quando atendia um caixeiro de livraria, caiu pesadamente ao solo, fulminado pela ruptura de um aneurisma. Aos 65 anos incompletos, desencarnava em Paris, Allan Kardec.
            Sr. Muller, amigo de Kardec, um dos primeiros a chegar à sua residência, assim descreve em trecho de telegrama enviado: “Tudo isto era triste, e, entretanto, um sentimento de doce quietude penetrava-nos a alma; tudo na casa era desordem, caos, morte, mas tudo aí parecia calmo, risonho e doce, e, diante daqueles restos, forçosamente meditamos no futuro.”
            “Deu-se com ele o que se dá com todas as almas de forte têmpera: a lâmina gastou a bainha.” Assim consta em sua biografia na Revista Espírita, maio de 1869, transcrita em Obras Póstumas. Sofria alguns anos de uma enfermidade do coração que exigia total repouso intelectual e pouca atividade física.

quarta-feira, 30 de março de 2016

ACELERADO DESMORONAMENTO DOS VALORES CRISTÃOS


     Objeto sexual dos homens, as mulheres sempre estiveram presentes na história, ora como heroínas, ora como prostitutas, quase sempre como prostitutas, mesmo sem sê-las, sempre que rompiam certos primados moralistas e colocavam em cheque o poder masculino. A partir do término da Segunda Guerra Mundial a sensualidade e o corpo da mulher foram cada vez mais expostos, até chegar à nudez completa em teatros, televisão, cinema e revistas, quando não em público comum.

       Atualmente, tal como das drogas, o negócio da prostituição é um dos mais lucrativos mercados da história. Larry Flynt, empresário e dono do império Hustler, retratado por Milos Forman e Oliver Stone no filme “O povo contra Larry Flynt”, Bob Guccione, da revista Penthouse e Hugh Hefner, dono do Império Playboy, compõem alguns desses milionários da exploração da fantasia sexual. Obviamente, uma fatia gigantesca desse mercado é dominada pelo crime organizado.

      Ultimamente, algumas garotas de programa na Austrália, onde a prostituição é legalizada, estão perdendo a inibição e assumindo abertamente sua profissão nas redes sociais, na tentativa de desmistificar noções preconcebidas sobre elas. Muitas são estudantes universitárias que se assumiram publicamente como profissionais do sexo, postando fotos para mostrar seus rostos ao mundo. Para algumas delas era a primeira vez que se assumiam publicamente, nas redes sociais, como prostitutas. [2]

      Não nos cabe julgar este ou aquele que comete qualquer inadvertência moral, mesmo porque, com certeza, já estivemos nos dois lados da moeda. Contudo não é incabível assentarmos nossos precários conhecimentos doutrinários em exercício prático. Urge vivenciarmos o Evangelho fora dos arraiais espíritas. Instruir nossos filhos sobre a responsabilidade de uma comunhão afetiva. A respeitabilidade do ato sexual. A consideração pelo sentimento do próximo. Respeito por si próprio.

     A disposição de tornar-se prostituta é de foro íntimo da mulher que assim deseja, e não nos interessam seus pretextos; é responsabilidade dela, tanto quanto é responsabilidade dos fregueses que a sustentam e estimulam para o comércio sexual do próprio corpo. Sem esconder-nos por trás de uma falsa máscara de tolerância, lembramos que uma prostituta é alguém que passa por sérias amarguras e obviamente deve ser tratada sem preconceitos a fim de que seja auxiliada a reencontrar o caminho do equilíbrio.

     Profere o Espírito Emmanuel o seguinte: “qual ocorre aos flagelos da guerra, da pirataria, da violência e da escravidão que acompanham a comunidade terrestre, há milênios, diluindo-se, muito pouco a pouco, a prostituição (…) ainda permanece, na Terra, por instrumento de prova e expiação, destinados naturalmente a desaparecer, na equação dos direitos do homem e da mulher, que se harmonizarão pelo mesmo peso, na balança do progresso e da vida”. [3]

      Antes da vinda do Cristo já havia a prostituição no Planeta, porém não era admitida pela religião (que até mesmo condenava a lapidação da mulher), para refrear a sua ampliação. O comércio constituído dos prazeres sexuais não surgiu originariamente das mulheres, mas, sim dos homens. Sob o aspecto pernicioso à digna finalidade do sexo, na condição básica de formação familiar, a prostituição, como estigma social, só é consentida do ponto de vista do direito ao direcionamento às manifestações do livre-arbítrio feminino, atentatórias ao completo respeito à lei de procriação, a que tragicamente conservam-se desatentos o homem e a mulher.

     Creio que o reconhecimento da prostituição como trabalho ainda não foi efetivado no Brasil. Salvo qualquer engano, parece que existe um projeto de lei sobre o assunto, que em síntese permite que profissionais do sexo possam contribuir como autônomas/os para fins de seguridade social: auxílio doença, aposentadoria. Não tenho dúvida de que a vida desses “profissionais” não é nada atraente. Comumente tais pessoas são levadas à prostituição em idades que não lhes permitem discernimento; Em regra, provenientes de famílias desestruturadas, vítimas de violência, ou forçadas a isso.

     As prostitutas padecem muito mais com agressão sexista e preconceito social. Na maioria das vezes não têm habilitação para profissões menos degradantes, e ainda padecem com a opressão provinda de exploradores, sejam familiares, companheiros, gigolôs ou titulares de bordéis. E ainda há o tráfico humano, em que quase todas as vítimas são meninas ou mulheres. Estudos afirmam que em sua maioria, mulheres prostitutas não o são por escolha, mas sim por desventura material.

    No meretrício, ainda mais grave nos dias de hoje é a prostituição infantil. O incentivo à prostituição é absurdo. Homens ou mulheres vendendo-se nas avenidas de forma “alegre” e “divertida”, choram o vazio que sentem por viverem à margem da sociedade. No Brasil há casos em que meninas de 10 a 12 anos, frequentadoras dos peculiares bailes funk (ambientes extremamente promíscuos), se prostituem. No nordeste há diversos casos de aliciamento de menores, muitas vezes abusadas pelos próprios pais. Obviamente, uma precoce atividade sexual induz a graves problemas: prostituição infantil e juvenil, aborto, lesão da autoestima, escravidão sexual, drogadição.

      “Atire-lhe a primeira pedra aquele que estiver sem pecado” [4] – disse Jesus. “Esta sentença faz da indulgência um dever para nós outros, porque ninguém há que não necessite, para si próprio, de indulgência. Ela nos ensina que não devemos julgar com mais severidade os outros do que nos julgamos a nós mesmos, nem condenar em outrem aquilo de que nos absolvemos. Antes de condenarmos a alguém uma “falta”, vejamos se a mesma censura não nos pode ser feita.” [5]

     Não podemos nos acomodar, porém, nem sequer nos omitir ante a onda de promiscuidades e corrupção moral. “Pensamento é fermentação espiritual. Em primeiro lugar estabelece atitudes, em segundo gera hábitos e depois governa expressões e palavras através das quais a individualidade influencia na vida e no mundo”. [6] Nada justifica ficarmos indiferentes e imóveis diante do acelerado aniquilamento dos valores cristãos. Se descuidarmos da vigília, é certo que resgataremos obrigatoriamente à indiferença e inércia diante desse cenário preocupante do envilecimento do sexo.


Referências bibliográficas:

[1] Disponível em http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/04/150403_prostitutas_selfie_australia_pai acesso 07/05/15

[2] Xavier, Francisco Cândido. Vida e Sexo – Cap. “Adultério e prostituição”, ditado pelo espírito Emmanuel, RJ: Ed. FEB, 2001

[3] Mt 7: 1-2

[4] Kardec, Allan. Evangelho segundo o Espiritismo, Capitulo X, item 13, RJ: Ed FEB, 2001

[5] Xavier, Francisco Cândido. Fonte Viva, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de Janeiro: Ed FEB, 2001.

(*) Articulista com textos publicados na Revista Reformador da FEB, O Espírita de Brasília, O Médium de Juiz de Fora, Brasília Espírita, Mato Grosso Espírita, Jornal União da Federação Espírita do DF. Artigos publicados na Revista eletrônica O Consolador, no Jornal O Rebate, site da Federação Espírita Espanhola, site da Espiritismogi.com.br

segunda-feira, 28 de março de 2016

SIMPLESMENTE JESUS¹


Esqueçamos as circunstâncias do nascimento, o período dos 03 aos 30 anos, as ações reconhecidas como milagres, a cruz, a morte, a ressurreição. Foquemos no homem que esteve entre nós há dois mil anos e continua motivo de discussões e retóricas tanto tempo depois. Quem é Jesus e o que representa em nossas vidas, ou melhor, na vida de cada um de nós, quando estamos na solidão testemunhada apenas pelo espelho? Longe do discurso que bradamos para que os outros nos escutem com aplausos, qual é de verdade a importância de Jesus no plano de nossas existências?

       Definitivamente se esperamos encontrá-lo nos bancos ou no púlpito das igrejas, ainda delirantes quanto ao seu retorno em majestosa nuvem cercado de um séquito de anjos para nos proclamar filhos diletos de Deus; se julgamos que o fato de ter servido a agremiações religiosas tais ou quais nos confere assento a sua mesa de bodas; se aguardamos que as nossas doações de bens e gêneros exclusivamente materiais foram suficientes para ser reconhecidos aos seus olhos; se deixamos para depois da morte a tão sonhada busca do paraíso e do sossego porque reconhecemos a Terra como um espaço tão somente de dores e sofrimentos; se acreditamos que é possível pregar a sua mensagem em ambientes religiosos e utilizar o outro lado da moeda quando tratamos de negócios, política e esportes. Se for dessa maneira que identificamos a importância de Jesus em nossas vidas, só podemos sentir piedade de nossa cegueira.

       A idéia que transcende ao “depois do terceiro dia” é vigorosa sinalização para a correção de nossas atitudes. Houve o tempo antes de Jesus, o tempo de sua presença no planeta e o terceiro tempo, exatamente o terceiro dia. O tempo em que estamos até os dias atuais. Lógico que o Mestre sabia do caráter de sua mensagem imorredoura sintetizando o caminho de aglutinação de todas as forças espirituais que servem de base para a transformação paulatina do mundo. Também não tinha a ilusão de que a estrada do encontro com o seu reino se daria numa única geração, pois se destinava aos momentos mais turbulentos que ainda passaríamos como fruto merecido das atitudes impensadas que foram e permanecem sendo semeadas em nível pessoal e institucional.

       Nesse terceiro dia, que perdurará o tempo que o planeta necessita para sair das trevas da ignorância espiritual, Jesus vai estar presente em nossas vidas. Um pouco de sensibilidade e será possível vê-lo andando pelas ruas das cidades, enquanto caminhamos apressados e aflitos. Um pouco de atenção e será possível vê-lo sentado ao lado dos leitos de aflição e dor. Um pouco de honestidade e será possível vê-lo pedindo que não se fechem acordos que façam mal ao outro. Um pouco de humildade e será possível vê-lo entrelaçando as nossas às mãos daquele que julgamos desafeto. Um pouco de solidariedade e será possível vê-lo agradecendo o ato de irmandade em direção do menos aquinhoado. Um pouco de inteligência e será possível identificar no reflexo do espelho que nunca estamos sós, ele está conosco.

        Jesus não FOI ou SERÁ em nossas vidas. Ele simplesmente É. O grande amigo da caminhada. Modelo e guia, energia que ergue, força que propulsiona, bênção divina em nossas vidas. Estamos no terceiro dia, aproveitemos da sua companhia.         
               
               
¹ editorial do programa Antena Espírita de 27.03.2016.

(*) escritor espírita, editorialista do programa Antena Espírita e voluntário do C.E. Grão de Mostarda.

sábado, 26 de março de 2016

JESUS, A PÁSCOA E O MOMENTO DE ÓDIO EM QUE ESTAMOS MERGULHADOS¹




          Não posso deixar passar essa Páscoa, sem uma reflexão sobre seu personagem principal, para quem se considera cristão. E nesse momento de grande tumulto no Brasil e no mundo, com tanta violência e tão denso nevoeiro, estou pensando nos cristãos…

          Esses cristãos que compõem a maioria da população brasileira, pelo menos no censo, divididos majoritariamente entre católicos, evangélicos e espíritas.

          Esses cristãos que, em sua maioria, não fazem conta dos ensinos de Jesus. Que talvez achem que são palavras poéticas, bonitas, mas preceitos inaplicáveis na vida prática. Ou ainda que são ensinos que só possam ser pensados em relações pessoais, mas nada podem acrescentar às relações sociais, à organização política, à produção econômica… Teorias bonitas, mas utópicas, que não são para esse mundo… E no entanto, há dois mil anos que essas belas palavras estão buscando nosso coração e nossa mente e estão sendo semeadas, muito além das relações de indivíduo a indivíduo, sendo justamente o fermento de avanços em todas as áreas, no Direito, na Educação, na Política, na Sociedade, na Economia.

          Só para citar três exemplos: um ateu, como André Comte-Sponville, ou um judeu, como Erich Fromm, ou um historiador da Educação, como Franco Cambi, reconhecem que a mensagem de Jesus – essa de fraternidade universal, de igualdade, de valorização dos excluídos – permeia toda a história da civilização ocidental, sendo a base de muitas de nossas conquistas sociais, inspiração de muitos direitos concretizados, vertente do humanismo mais universal que habita mesmo doutrinas, movimentos sociais e leis, que se consideram laicos, mas carregam dentro de si, as sementes cristãs.

         E, no entanto, ainda muitos cristãos não conseguem se deixar permear por essa onda refrescante de amor, liberdade, compaixão, humanismo… que sopra das palavras e dos exemplos de Jesus. Muitos cristãos que agem com o outro, que se portam socialmente, que trabalham em seus empregos e empreendimentos, que têm uma visão da lei e da justiça, da sociedade e do mundo, em completa oposição ao que ensinou, ao que demonstrou Jesus.

       Senão vejamos!

      Como pode um cristão ser racista, se a compreensão que lhe felicita é a da fraternidade universal? Se Jesus mostrou que seus discípulos viriam do Ocidente e do Oriente e que todos seriam bem-vindos ao banquete do Reino?

     Como pode um cristão discriminar alguém por sua conduta sexual, se Jesus acolheu aqueles que eram considerados “pecadores” e fez questão de, depois de morto, aparecer em primeiro lugar para Madalena, uma prostituta, que os judeus da época julgavam que deveria ser apedrejada?

     Como pode um cristão proferir uma frase do tipo: “bandido bom é bandido morto”, se Jesus disse “misericórdia quero e não sacrifício” e ele mesmo morreu entre dois ladrões, acolhendo-os em seu amor?

    Como pode um cristão acreditar, pregar e praticar qualquer tipo de violência, armada, física, psicológica, verbal e ainda achar que a violência se justifica, quando Jesus disse que deveríamos “perdoar setenta vezes sete”, que os “mansos herdariam a terra”, e que deveríamos amar os próprios inimigos? E se ele próprio não usou de violência, mas perdoou toda a violência recebida; se deu a outra face e morreu, pedindo que Deus perdoasse seus algozes?

    Como pode um cristão lutar pelo poder, trapacear, corromper-se, aviltar-se, para se sobrepor ao próximo, espezinhando quem a ele se interponha, se Jesus disse que “veio para servir e não para ser servido” e que “quem quisesse ser o maior, que fosse o servo de todos”? Se ele, que muitos cristãos consideram como o próprio Deus, e nós, espíritas, consideramos como um Espírito perfeito, veio ao mundo, como filho de um carpinteiro, viveu sem poderes e morreu perseguido pelos poderosos?

     Como pode um cristão se esfalfar, se atirar a uma luta insana, explorando outros seres humanos, seus irmãos, se corromper, vender seus valores, trair sua pátria, pisar em todos os princípios morais, para acumular dinheiro, para possuir o excesso, quando a muitos falta o necessário, se Jesus disse ao jovem rico que o procurou para segui-lo, que desse todos os seus bens aos pobres, acrescentando em seguida, que seria mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus? E se ele próprio, nascido na pobreza, dizia não ter uma pedra onde encostar a cabeça?

    Como pode um cristão desprezar uma criança, fechar o ouvido à sua voz, desvalorizando a infância, negligenciando-a e tantas vezes abusando e usando de vara e violência (como querem os que seguem mais o Velho Testamento do que Jesus), se o Mestre disse “vinde a mim as criancinhas, porque é delas o Reino dos Céus”?

   Como pode um cristão ser machista, desrespeitando a igualdade de direitos das mulheres, explorando-as, olhando-as como objeto, usando de violência física ou psicológica contra elas, se Jesus, num tempo em que um rabino (como até hoje entre os rabinos ortodoxos) nem sequer podia encostar numa mulher, deixou que Madalena lhe tocasse, honrou-lhe com a primeira aparição em Espírito, acolhia em seu círculo mulheres, consideradas de má vida, ou mulheres de família, incluindo-as em seus ensinos (como fez com Marta e Maria, as irmãs de Lázaro ou com a samaritana do poço de Jacó, aliás multiplamente discriminada, por ser mulher, por ser samaritana e por ter tido vários maridos…)?

    Enfim… como pode um cristão ser tão contrário a todos os ensinos de Jesus?

   E como podem nações inteiras, formadas sob a égide do cristianismo, explorarem outros povos, promoverem a guerra, atacarem os mais fracos, dominarem outras nações, exercerem a tortura e matança, ignorando a fome, a injustiça e a marginalidade em que vivem inúmeros povos em todos os Continentes?

   Como podem nações que têm suas leis inspiradas na igualdade e fraternidade, que beberam nas fontes do cristianismo, que assinaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que nada mais é do que uma carta laica com uma forte herança cristã, infringirem diariamente suas próprias leis e pisotearem a cada instante essa Declaração?

   E agora, como pode um povo como o brasileiro, cujas pesquisas revelam que 99% acredita na existência de Deus, de repente estar possuído dessa fúria selvagem, digladiando-se mutuamente, cuspindo ódio e contaminando até mesmo as crianças?

    Não posso me eximir de pensar tudo isso nessa Páscoa!

   Parece que a voz do Mestre nos conclama de novo à mansuetude, à compaixão (mesmo com aqueles que consideramos que erraram), ao “não julgueis para não serdes julgados”, ao perdão incondicional e ao amor, acima de tudo!

    Parece que a fera que dorme em nós ainda pode ser despertada por uma propaganda maciça, por uma hipnose coletiva, por uma histeria popular – como foi feito na Alemanha nazista ou na Itália fascista, apenas para citar duas situações históricas muito emblemáticas desse processo em que se acorda o monstro, escondido no inconsciente coletivo.

   Isso significa o quê? Que ainda não transcendemos as sombras que habitam em nós, que nossa adesão aos valores cristãos é superficial, é fraca, ainda não conseguiu transformar totalmente a fera em ser humano.

   Paremos um instante, respiremos fundo e analisemos a situação. Estamos mergulhados num comportamento de massa, irracional e muitos destilam ódio. Paremos antes que seja tarde e lembremos de Jesus! Pode parecer piegas falar assim: mas não é Jesus, que católicos, evangélicos e espíritas dizem seguir? E que mesmo ateus admiram?

    Então, não há solução, nem política, nem social, nem econômica, sem os valores essenciais que Jesus ensinou e exemplificou e esses valores são justiça, igualdade, desapego, desprendimento, humildade, compaixão… enfim, o que todos sabemos já há muitos séculos, de cor e salteado, mas que a maioria ainda não teve coragem de colocar em prática.

(*) Jornalista, educadora e escritora. Suas áreas de atuação são Educação, Filosofia, Espiritualidade, Artes, Espiritismo. Tem mestrado, doutorado e pós-doutorado em Filosofia da Educação pela USP. É sócia-diretora da Editora Comenius e coordenadora geral da Associação Brasileira de Pedagogia Espírita. Coordenadora geral da Universidade Livre Pampédia.

¹ http://doraincontri.com

sexta-feira, 25 de março de 2016

E SE JESUS VOLTASSE NESSA PÁSCOA?

“Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem.” (Mt, 24:27)


“É preciso, sob o ponto de vista literário, que o meu poema tenha um preâmbulo.  Ação passa-se no século XVI; bem sabes que era costume, nesta época, fazer intervir nos poemas os poderes celestes.” É assim o preâmbulo do poema o Grande Inquisidor, de Fiodor Dostoiévski, no clássico literário “Os Irmãos Karamazov”.


          No poema, Fiodor se reporta à Idade Média, na cidade de Servilha, no período da Inquisição da Espanha, quando os que não concordavam com a igreja foram queimados vivos. Nesse cenário ressurge Jesus de Nazaré misturado à multidão. Jesus realiza alguns “milagres” idênticos aos quando de sua primeira passagem na Terra. No meio dos assistentes há perturbação, gritos e choros. O Grande Inquisidor, velho alto, quase nonagenário, com a face seca, olhos cavados, onde ainda brilha, porém, uma centelha. Presenciando tudo, aponta-o com o dedo e ordena que os guardas o prendam.

          À noite, o Inquisidor vai visitá-lo e o diálogo é extenso. Na realidade, um monólogo pois Jesus não fala nada. O Inquisidor acusa Jesus de atrapalhá-los. Realça a mensagem libertadora do Meigo Nazareno, mas o alerta que o homem necessita de alguém para orientá-lo.
Quando o Inquisidor termina de falar, Jesus se aproxima dele e o beija no rosto e afirma:

          - Você tem razão, mas meu amor é mais forte”.

          E se Jesus resolvesse voltar nessa páscoa à Terra, e escolhesse o Brasil?
Certamente que, em um primeiro momento, ficaria meio atônito pelo intenso movimento nas estradas. Mas vendo os pensamentos dos homens, deduziu seus propósitos. E o sentido da páscoa, pensaria ele?

          Visitaria alguns shopping e notaria a intensa compra de ovos de páscoa. Que sabor terá? Qual a relação com a demonstração da imortalidade da alma que atestei com o meu ressurgimento após a crucificação? Tudo isso o fez recordar da sua máxima: “Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim.” (Mt, 15:8).

          Pelo fenômeno da dupla vista, alcançou os templos mais suntuosos das diversas religiões terrenas. Tentou visitá-los. Alguns fora impedido de entrar. Noutros, foi cobrado valor da visita, quase todos cobravam o dízimo como na Velha Aliança e em tantos se comercializavam souvernir com a sua imagem estampada ou impressa. Lançou seu olhar sobre o infinito e lembrou da advertência: “Tirai essas coisas daqui; não façais da casa de meu Pai, casa de comércio”. (Jo, 2:16).
Languidamente, caminhou absorto pela madrugada com o rosto iluminado pela lua cheia que adornava o céu estrelado, e identificou homens e mulheres; novos e idosos, crianças e jovens, nos sinais, sob pontes e marquises, ao relento. Como se um flash atingisse seus pensamentos, logo se recordou de outro dos seus ensinamentos: “Em verdade vos digo que tudo o que fizestes a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizestes.” (Mt 25,40).

          Algumas lágrimas rolaram dos seus olhos, quando se apercebeu que o sol se fazia no horizonte. Um novo dia. Tudo tão rápido. O domingo comemorativo à sua ressurreição. Um aglomerado de gente. Milhares de pessoas. De seus lábios soavam os maiores impropérios. Visualizou pensamentos de ódio, egoísmo, xingamento, raiva, desespero... De repente, vê pessoas açoitando outra que se encontrava desprotegida. Tenta entender o motivo, e se surpreende que toda agressão nasceu em decorrência da cor da roupa que o outro trajava. Mais uma vez seus olhos se umedeceram pois se lembrou que o Brasil, que agora ele o visitava, é o segundo país em número de cristãos no mundo. E recordou mais um dos seus ensinamentos: “Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.” (Jo, 13:35).

          Percebeu Jesus, portanto, que o sentido maior da Páscoa, que é o cântico da imortalidade, e dele deverá nascer a compreensão melhor do homem sobre a sua existência terrena, e a esperança no porvir, ainda não repercute nos sentimentos do homem na Terra.
A páscoa para os espíritas, portanto, não se reveste de nenhum simbolismo, o que não quer dizer que não se respeite a tradição. Entretanto, ela deve ser vivida a todos os momentos da existência, sempre inspirada na mensagem libertadora de Jesus pela construção dos valores imortais do Espírito, para que se realize no mundo a promessa do Consolador Prometido por Jesus.
Como estariam eu, você...?

          E, Jesus, ao se despedir da sua visita voltou seu olhar e pensou:
          
          “ – Homens, por que me abandonastes?”

SOBRE A PÁSCOA



          Eis-nos, uma vez mais, às vésperas de mais uma Páscoa. Nosso pensamento e nossa emoção, ambos cristãos, manifestam nossa sensibilidade psíquica. Deixando de lado o apelo comercial da data, e o caráter de festividade familiar, a exemplo do Natal, nossa atenção e consciência espíritas requerem uma explicação plausível do significado da data e de sua representação perante o contexto filosófico-científico-moral da Doutrina Espírita.

          Deve-se comemorar a Páscoa? Que tipo de celebração, evento ou homenagem é permitida nas instituições espíritas? Como o Espiritismo visualiza o acontecimento da paixão, crucificação, morte e ressurreição de Jesus? Em linhas gerais, as instituições espíritas não celebram a Páscoa, nem programam situações específicas para “marcar” a data, como fazem as demais religiões ou filosofias “cristãs”. Todavia, o sentimento de religiosidade que é particular de cada ser-Espírito, é, pela Doutrina Espírita, respeitado, de modo que qualquer manifestação pessoal ou, mesmo, coletiva, acerca da Páscoa não é proibida, nem desaconselhada.

          O certo é que a figura de Jesus assume posição privilegiada no contexto espírita, dizendo-se, inclusive, que a moral de Jesus serve de base para a moral do Espiritismo. Assim, como as pessoas, via de regra, são lembradas, em nossa cultura, pelo que fizeram e reverenciadas nas datas principais de sua existência corpórea (nascimento e morte), é absolutamente comum e verdadeiro lembrarmo-nos das pessoas que nos são caras ou importantes nestas datas. Não há, francamente, nenhum mal nisso. Mas, como o Espiritismo não tem dogmas, sacramentos, rituais ou liturgias, a forma de encarar a Páscoa (ou a Natividade) de Jesus, assume uma conotação bastante peculiar. Antes de mencionarmos a significação espírita da Páscoa, faz-se necessário buscar, no tempo, na História da Humanidade, as referências ao acontecimento.

          A Páscoa, primeiramente, não é, de maneira inicial, relacionada ao martírio e sacrifício de Jesus. Veja-se, por exemplo, no Evangelho de Lucas (cap. 22, versículos 15 e 16), a menção, do próprio Cristo, ao evento: “Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes da minha paixão. Porque vos declaro que não tornarei a comer, até que ela se cumpra no Reino de Deus.” Evidente, aí, a referência de que a Páscoa já era uma “comemoração”, na época de Jesus, uma festa cultural e, portanto, o que fez a Igreja foi “aproveitar-se” do sentido da festa, para adaptá-la, dando-lhe um novo significado, associando-o à “imolação” de Jesus, no pós-julgamento, na execução da sentença de Pilatos.

          Historicamente, a Páscoa é a junção de duas festividades muito antigas, comuns entre os povos primitivos, e alimentada pelos judeus, à época de Jesus. Fala-se do “pesah”, uma dança cultural, representando a vida dos povos nômades, numa fase em que a vinculação à terra (com a noção de propriedade) ainda não era flagrante. Também estava associada à “festa dos ázimos”, uma homenagem que os agricultores sedentários faziam às divindades, em razão do início da época da colheita do trigo, agradecendo aos Céus, pela fartura da produção agrícola, da qual saciavam a fome de suas famílias, e propiciavam as trocas nos mercados da época. Ambas eram comemoradas no mês de abril (nisan) e, a partir do evento bíblico denominado “êxodo” (fuga do povo hebreu do Egito), em torno de 1441 a.C., passaram a ser reverenciadas juntas. É esta a Páscoa que o Cristo desejou comemorar junto dos seus mais caros, por ocasião da última ceia. Logo após a celebração, foram todos para o Getsêmani, onde os discípulos invigilantes adormeceram, tendo sido aí o palco do beijo da traição e da prisão do Nazareno.

          Mas há outros elementos “evangélicos” que marcam a Páscoa. Isto porque as vinculações religiosas apontam para a quinta e a sexta-feira santas, o sábado de aleluia e o domingo de páscoa. Os primeiros relacionam-se ao “martírio”, ao sofrimento de Jesus – tão bem retratado no filme hollywoodiano “A Paixão de Cristo”, segundo Mel Gibson –, e os últimos, à ressurreição e a ascensão de Jesus.

          No que concerne à ressurreição, podemos dizer que a interpretação tradicional aponta para a possibilidade da mantença da estrutura corporal do Cristo, no post-mortem, situação totalmente rechaçada pela ciência, em virtude do apodrecimento e deterioração do envoltório físico. As Igrejas cristãs insistem na hipótese do Cristo ter “subido aos Céus” em corpo e alma, e fará o mesmo em relação a todos os “eleitos” no chamado “juízo final”. Isto é, pessoas que morreram, pelos séculos afora, cujos corpos já foram decompostos e reaproveitados pela terra, ressurgirão, perfeitos, reconstituindo as estruturas orgânicas, do dia do julgamento, onde o Cristo separará justos e ímpios.

          A lógica e o bom-senso espíritas abominam tal teoria, pela impossibilidade física e pela injustiça moral. Afinal, com a lei dos renascimentos, estabelece-se um critério mais justo para aferir a “competência” ou a “qualificação” de todos os Espíritos. Com “tantas oportunidades quanto sejam necessárias”, no “nascer de novo”, é possível a todos progredirem.

          Mas, como explicar então as “aparições” de Jesus, nos quarenta dias póstumos, mencionadas pelos religiosos na alusão à Páscoa? A fenomenologia espírita (mediúnica) aponta para as manifestações psíquicas descritas como mediunidades. Em algumas ocasiões, como a conversa com Maria de Magdala, que havia ido até o sepulcro para depositar algumas flores e orar, perguntando a Jesus – como se fosse o jardineiro – após ver a lápide removida, “para onde levaram o corpo do Raboni”, podemos estar diante da “materialização”, isto é, a utilização de fluido ectoplásmico – de seres encarnados – para possibilitar que o Espírito seja visto (por todos). Igual circunstância se dá, também, no colóquio de Tomé com os demais discípulos, que já haviam “visto” Jesus, de que ele só acreditaria, se “colocasse as mãos nas chagas do Cristo”. E isto, em verdade, pelos relatos bíblicos, acontece. Noutras situações, estamos diante de uma outra manifestação psíquica conhecida, a mediunidade de vidência, quando, pelo uso de faculdades mediúnicas, alguém pode ver os Espíritos.

          A Páscoa, em verdade, pela interpretação das religiões e seitas tradicionais, acha-se envolta num preocupante e negativo contexto de culpa. Afinal, acredita-se que Jesus teria padecido em razão dos “nossos” pecados, numa alusão descabida de que todo o sofrimento de Jesus teria sido realizado para “nos salvar”, dos nossos próprios erros, ou dos erros cometidos por nossos ancestrais, em especial, os “bíblicos” Adão e Eva, no Paraíso. A presença do “cordeiro imolado”, que cumpre as profecias do Antigo Testamento, quanto à perseguição e violência contra o “filho de Deus”, está flagrantemente aposta em todas as igrejas, nos crucifixos e nos quadros que relatam – em cores vivas – as fases da via sacra.

          Esta tradição judaico-cristã da “culpa” é a grande diferença entre a Páscoa tradicional e a Páscoa espírita, se é que esta última existe. Em verdade, nós espíritas devemos reconhecer a data da Páscoa como a grande – e última – lição de Jesus, que vence as iniquidades, que retorna triunfante, que prossegue sua cátedra pedagógica, para asseverar que “permaneceria eternamente conosco”, na direção bussolar de nossos passos, doravante.

          Nestes dias de festas materiais e/ou lembranças do sofrimento do Rabi, possamos nós encarar a Páscoa como o momento de transformação, a vera evocação de liberdade, pois, uma vez despojado do envoltório corporal, pôde Jesus retornar ao Plano Espiritual para, de lá, continuar “coordenando” o processo depurativo de nosso orbe.

          Longe da remissão da celebração de uma festa pastoral ou agrícola, ou da libertação de um povo oprimido, ou da ressurreição de Jesus, possa ela ser encarada por nós, espíritas, como a vitória real da vida sobre a morte, pela certeza da imortalidade e da reencarnação, porque a vida, em essência, só pode ser conceituada como o amor, calcado nos grandes exemplos da própria existência de Jesus, de amor ao próximo e de valorização da própria vida.

          Nesta Páscoa, assim, quando estiveres junto aos teus mais caros, lembra-te de reverenciar os belos exemplos de Jesus, que O imortalizam e que nos guiam para, um dia, também estarmos na condição experimentada por Ele, qual seja a de “sermos deuses”, “fazendo brilhar a nossa luz”. Comemore, então, meu amigo, uma “outra” Páscoa.
A sua Páscoa, a da sua transformação, rumo a uma vida plena.

(*) Articulista com textos publicados na Revista Reformador da FEB, O Espírita de Brasília, O Médium de Juiz de Fora, Brasília Espírita, Mato Grosso Espírita, Jornal União da Federação Espírita do DF. Artigos publicados na Revista eletrônica O Consolador, no Jornal O Rebate, site da Federação Espírita Espanhola, site da Espiritismogi.com.br

quarta-feira, 23 de março de 2016

"PALAVRÃO" - EXPRESSÃO DO EMPOBRECIMENTO MORAL



       Filólogos divergem quanto à classificação das palavras de baixo calão e de suas acepções entre ofensivas ou populares. Uma palavra de baixo calão (palavrão) é uma expressão que diz respeito ao grupo de gíria e, dentro desta, apresenta reles, impróprio, afrontoso, grosseiro, obsceno, agressivo ou depravado sob o ponto de vista de alguns conceitos religiosos ou estilos de vida.

        Uma simples palavra, quando proferida nas ocasiões “certas”, seja ela de estímulo ou de desestímulo, provoca indícios, em quem ouve, de que pode reagir, positivamente, e modificar a sua maneira de pensar sobre determinada circunstância da vida. Por outro lado, a mera palavra pronunciada em momento “inadequado” pode ser motivo de grandes dores morais.

      A recente publicidade das “escutas” telefônicas pela justiça brasileira tornou público múltiplos conteúdos constrangedores de algumas autoridades. O que nos prendeu a atenção foram os diálogos mantidos através de um festival de palavrões totalmente inaceitáveis nos vocábulos de quaisquer representantes do povo (prefeitos, governadores, ministros). Tais personagens que xingam (com palavrões) ignoram que estão transgredindo o artigo 140 do Código Penal.

      O costume do “palavrão” carrega a sua influência, complexidade e contrassenso. Como expressão do empobrecimento moral a palavra depravada (palavrão) é interdita em todas as instâncias ajuizadas, mas em vez de evitá-las, como recomenda a elegância social, são usadas repetidamente. As palavras de baixo calão são associadas à exaltação ou frustração e por vários outros pretextos nas diferentes circunstâncias de relação social. O uso do palavrão, ao invés de resolver crises emocionais, pode remeter às barras da justiça e ainda trucida a saúde espiritual do seu autor. Qualquer palavra de baixo calão é um despautério verbal e é crime. Xingar denota descompostura nas interações pessoais e sanciona a restrição ética de quem xinga.

      Muitas pessoas creem que o xingar é, “apenas”, uma resposta instintiva para algo doloroso e imprevisto como, por exemplo, bater a cabeça na quina do armário, uma topada inesperada em algum obstáculo ou ainda, quando nos vemos diante de alguma frustração ou aborrecimento. Esses são os momentos mais comuns de as pessoas apelarem para as expressões de baixo calão, e muitos pesquisadores acreditam que eles “ajudam” a aliviar o estresse e a dissipar energia, da mesma forma que o choro para as crianças. Obviamente não aprovamos tal argumento que por si só é astucioso.

      Que de nossa boca sejam, apenas, emitidas palavras voltadas ao bem, à harmonia e à paz. Para esse imperativo, devemos intensificar a disciplina e o treinamento verbal constante, pois que na vida social estamos viciados a lidar com a expressão verbal muito levianamente. Lembremos, porém, que sempre seremos responsáveis pelas consequências, diretas e indiretas, das palavras que proferimos a esmo.

      Pessoas sóbrias no trato com o próximo não se expressam de forma vulgar, pois fazem uso, unicamente, do verbo elevado. Portanto, extinguir o lixo mental é importante decisão para prosperarmos na ciência da boa conversação. As palavras são os reflexos dos pensamentos; quando pensamos com bondade e compreensão, é isso que nossas palavras refletirão.

(*) Articulista com textos publicados na Revista Reformador da FEB, O Espírita de Brasília, O Médium de Juiz de Fora, Brasília Espírita, Mato Grosso Espírita, Jornal União da Federação Espírita do DF. Artigos publicados na Revista eletrônica O Consolador, no Jornal O Rebate, site da Federação Espírita Espanhola, site da Espiritismogi.com.br

terça-feira, 22 de março de 2016

VITÓRIA SOBRE AS AFLIÇÕES¹






 Por Roberto Caldas (*)


Os espetáculos de violência e dor que acontecem todos os dias nas ruas de nossas cidades, às vezes tão próximos, tornados públicos pelos meios de comunicação têm a propriedade de nos deixar perplexos quanto a dureza da natureza humana e pondo dúvidas quanto aos destinos da humanidade.
Os ataques à propriedade, os assaltos seguidos de homicídio, as brigas de trânsito que ocasionam vítimas para se ganhar minutos, os crimes do colarinho branco dizimando populações que perambulam sem assistência do Estado, a falta de caráter de pais que abandonam os filhos à própria sorte... São alguns exemplos entre tantos outros que experimentamos na própria pele ou  pelos relatos que nos alcançam.

domingo, 20 de março de 2016

O CONFORMISMO E A CORRUPÇÃO DO PENSAMENTO






“Orai e Vigiai,(...)”
Jesus


Por Jorge Luiz (*)




Em 1978, James Warrem Jones (1931-1978), conhecido mundialmente por Jim Jones foi o mentor do suicídio em massa da comunidade de Jonestown, na Guiana, que culminou com a morte de 918 pessoas, a maioria por envenenamento.
Desde a década de 50, preocupados com esses fenômenos, cientistas buscam estudar a suscetibilidade da mente humana, a partir da conformidade ao grupo, principalmente do poder com o qual líderes como Jim Jones manipulam seus seguidores, ao ponto de levá-los ao extremo de darem fim à própria existência terrena. O psicólogo polonês Dr. Solomon Asch (1907-1996) foi o pioneiro nas pesquisas sobre o poder da conformidade ao grupo. Ele queria entender se existiam nesses seguidores algo de estranho ou especial; e se pessoas comuns poderiam ser induzidos a essas influências. Até que ponto se é impermeável à persuasão de outras pessoas? Parafraseando os Espíritos na questão nº 459 de “O Livro dos Espíritos”, as pessoas influem sobre os nossos pensamentos e ações muito mais do que imaginamos.

sexta-feira, 18 de março de 2016

JUSTIÇA E ÓDIO, DEMOCRACIA E GRITARIA? O QUE TEM A VER?

Por Dora Incontri (*)



Justiça não é entretecida de ódio, mas de isenção, bom-senso, comedimento e austeridade. Democracia não é feita com gritaria, mas com diálogo, argumentos, racionalidade.

Uma nação não se faz dividida, entre inimigos – isso é guerra civil ou prenúncio de ditadura – mas se faz a partir da visão serena e sincera, da ação sólida e pensada, em consenso entre todos, pelos interesses coletivos e não de um grupo, em detrimento de outro.

Uma crise não se vence com desespero, desrespeito à lei, agressões mútuas, ódio histérico. A crise é aprendizado, é caminhada, é momento de amadurecimento, se os atores históricos não se perderem na irracionalidade e no desmando.

quarta-feira, 16 de março de 2016

ENTREVISTADO DR. JÚLIO PERES: REENCARNAÇÃO E PSICOTERAPIA

                                              Programa Sem Censura - fevereiro/2012


 Dr. Julio Peres

- Psicólogo Clínico

- Doutor em Neurociências e Comportamento - Instituto de Psicologia USP.

- Pós-doutorado no Centro de Espiritualidade e Mente - Universidade Pensilvânia, EUA.

- Pós-doutorado na Radiologia Clínica/Diagnóstico de Imagem - UNIFESP.

- Autor de "Trauma e Superação" (São Paulo, Editora Roca, 2009) e
“Neuroimaging for - Clinicians” (Editora InTech).

terça-feira, 15 de março de 2016

AO TEMPORAL SEGUE A BONANÇA¹



Por Roberto Caldas (*)


Diz a poesia “é pau, é pedra, é o fim do caminho, é um resto de toco, é um pouco sozinho... são as águas de março fechando o verão...” (Águas de Março – Tom Jobim). O texto fala de uma situação cíclica que sugere uma inadvertida incapacidade de solução de problemas e que acabam se repetindo, como se fosse normal e aceita.
            Jesus nos chama a atenção aos compromissos que adquirimos com a própria consciência sempre que decidimos agir nos contextos a que somos chamados nas curvas dos caminhos. É urgente e necessário sabermos efetivamente que os nossos estados emocionais é a pedra de toque para a manutenção do equilíbrio diante das ações exigidas a cada momento. Quando nos chama a atenção, de forma imperiosa, que “... a boca fala do que está cheio o coração” (Mateus 12:34), Jesus traduz um alerta para que lembremos que sentimentos de raiva, perseguição e vingança jamais serão capazes de gerar uma única atitude sadia.

sábado, 12 de março de 2016

IDEIAS PARA JOVENS¹






Por Paulo Eduardo (*)




É gratificante quando encontramos ressonância com as nossas ideias. Da leitura de "Ideias para jovens" aproveitamos a receita do autor que é médico e escreve com a fibra do escritor voltado para o bem. Ele disserta sobre jovens com otimismo, fé e amor ao próximo. "Ideias para jovens" tem inspiração no evangelho de Jesus. Livro cuja didática é de Francisco Cajazeiras, um escritor espírita e analista dos atos e fatos da nossa jornada imortal. Ele encanta pela linguagem revestida com o manto da simplicidade.

quinta-feira, 10 de março de 2016

PRECE DO EDUCADOR



Por Dora Incontri (*)




Senhor,

Que eu possa me debruçar sobre cada criança, e sobre cada jovem, com a reverência que deve animar minha alma diante de toda criatura Tua!

Que eu respeite em cada ser humano de que me aproximar, o sagrado direito de ele próprio construir seu ser e escolher seu pensar!

Que eu não deseje me apoderar do espírito de ninguém, imprimindo-lhe meus caprichos e meus desejos pessoais, nem exigindo qualquer recompensa por aquilo que devo lhe dar de alma para alma!

quarta-feira, 9 de março de 2016

REENCARNAR - TAL É A LEI¹







Por Roberto Caldas (*)





Há dois mil anos uma verdade foi dita, depois muitas vezes repetida e outras tantas repetições ainda serão necessárias:”Não se vê o Reino de Deus se não nascer de novo”. Os créditos da frase cabem a Jesus (João III: 3 a 7) em sua conversa com Nicodemus. Em O Livro dos Espíritos (parte II, cap. 4 - Da Pluralidade das Existências) a questão 166 com a sua conseqüente resposta vem em socorro e reforço à assertiva milenar: Como a alma, que não alcançou a perfeição durante a vida corporal, pode acabar de se depurar? – Submetendo-se à prova de uma nova existência”.
            Cometemos um erro grave de interpretação quando queremos atribuir à sucessão das encarnações um caráter punitivo e igualmente o faremos quando lhe ensejarmos uma suavização das obrigações que temos a cumprir em favor da harmonização interior. O fato de existir a aquisição de compromissos que retornam à conta de quem os produziu não faz da reencarnação uma perspectiva de sofrimentos futuros, tampouco o saber que haveremos de experimentar outras oportunidades futuras não é razão para afundarmos na preguiça que congela para amanhã o desempenho que é exigido no presente.