domingo, 19 de novembro de 2017

FÁBULAS DA CAROCHINHA E O ANCESTRAL "ESPIRITISMO" À BRASILEIRA









Um belo dia, assisti a um vídeo (documentário) sobre as atividades de certa instituição espírita dirigida rigorosamente sob os preceitos da coerência doutrinária. Entretanto, no que pese o admirável trabalho assistencial efetivado por essa instituição, ela o realiza em sociedade (parceria) com outro “centro espírita”, que é administrado sem discernimentos e integral inobservância dos princípios kardecianos.

Eis aí o nó da questão!

Para meu espanto, notei no vídeo que alguns trabalhadores do segundo centro espírita estavam trajados com camisetas brancas à guisa de uniformes e coruscantes manifestações de idolatrias ao “médium” protagonista que “incorpora” “doutores do além” e/ou “espíritos curadores”.

ENCERRAMENTO DA II SEMANA JAIME ROLEMBERG - 17/11/2017



 (Texto elaborado com base nas obras literárias “Jaime, o escultor do bem” de Paulo Valente e, “A espiritualidade e a Obra de Fabiano”, ambos publicados pela CAPEMISA Social)




A abertura da nossa II Semana JAIME ROLEMBERG, que aconteceu na última segunda-feira, foi muito iluminada.
Nosso convidado, o professor César Soares dos Reis, presidente do Instituto de Cultura Espírita do Brasil (ICEB) e conselheiro do Conselho Deliberativo do Lar Fabiano de Cristo, conseguiu prender nossa atenção durante todo o tempo que falou sobre a vida e as obras do nosso Patrono, Coronel Jaime Rolemberg de Lima, fundador do Lar Fabiano de Cristo, uma obra de inclusão social, e da CAPEMISA, uma empresa previdenciária, criada com o objetivo principal de dar apoio financeiro à Obra de Fabiano.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

NAS ARMADILHAS DA PRÓPRIA VONTADE








A amiga Danielle Antunes, de Bauru (SP), localizou a pérola abaixo que coloco à apreciação dos leitores. Ela está na lucidez e coerência do grande pensador espírita J. Herculano Pires. A transcrição é parcial e está no final da Apresentação feita por Herculano na 21ª. edição (outubro de 2003) do livro A Gênese, de Kardec, com tradução de Victor T. Pacheco, na edição da LAKE.

A citada apresentação, assinada por Herculano, está com o título Notícia sobre o livro – A revelação do mundo, e no final com o subtítulo Evolução do Espiritismo encontramos essa preciosidade de raciocínio e advertência (datado de outubro de 1977), que deve merecer nossa máxima atenção, até para efeito de uma autoanálise do que estamos vivendo e fazendo com o Espiritismo:

terça-feira, 14 de novembro de 2017

FORÇA ESTRANHA¹








A arte traz em sua essência um recado que pode ser quando bem codificada, uma seta que indica o caminho. Na canção Força Estranha, de autoria de Caetano Veloso, interpretada por tantos e lançada por Roberto Carlos no final da década de 70, o autor “fala por isso uma força me leva a cantar, por isso essa Força Estranha no ar”. E a pergunta que não quer calar surge: quem ainda não experimentou essa força que parece emergir no nada e nos faz resistir à onda que nos quer jogar lá adiante?

sábado, 11 de novembro de 2017

HOMOSSEXUALIDADE



           




         Na questão 200, de O Livro dos Espíritos, pergunta Allan Kardec: Têm sexo os Espíritos? Resposta: Não como o entendeis, pois que os sexos dependem da organização. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na concordância dos sentimentos.
          Questão 201: Em nova existência, pode o Espírito que animou o corpo de um homem animar o de uma mulher e vice-versa? Resposta: Decerto; são os mesmos os Espíritos que animam os homens e as mulheres.
          Temos nessas respostas valiosa contribuição em favor da igualdade dos sexos, a demonstrar que a distinção entre o homem e a mulher existe apenas no aspecto morfológico, físico.  Ao afirmar que a sexualidade existe no Espírito, mas não como o entendemos, o mentor espiritual situa o sexo como condição psicológica. Será masculina quando predominem características de masculinidade. Feminina, quando predominem características de feminilidade.

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

QUANTOS ESPÍRITAS HÁ NO BRASIL?


Será que o espírita é somente aquele que está vinculado a uma instituição espírita, ou ao movimento espírita? Para Kardec, não! Observemos o que ele diz na Introdução ao estudo do Espiritismo, contido em O Livro dos Espíritos – “para se nomearem coisas novas são precisos termos novos. Assim o exige a clareza da linguagem, para evitar a confusão inerente à variedade de sentidos das mesmas palavras. Os vocábulos espirituais, espiritualista, espiritualismo têm acepção bem definida.” [1]

Quem quer que acredite haver em si alguma coisa mais do que matéria, é espiritualista. Não se segue daí, porém, que creia na existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o mundo visível. Em face disso, ao invés de usar as palavras espiritual, espiritualismo, Kardec empregou os termos espírita e espiritismo para indicar a Codificação. Ora, a Doutrina Espírita ou o Espiritismo tem por princípio as relações do mundo material com dos Espíritos.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

MATERIALISMO




 


O Materialismo é a doutrina que acredita que os fenômenos naturais, sociais, mentais e históricos são esclarecidos pela própria matéria ou pelas condições concretas materiais, também dispensando qualquer forma de participação divina em todo o processo de formação da vida, relacionando-o com fatores evolutivos casuais.
Concebendo os fenômenos vitais como sem origem inteligente, fruto somente do "acaso", não aceitando a substância imaterial, os partidários do materialismo têm grande propensão de sancionar o orgulho e o egoísmo e, consequentemente, o hedonismo, como igualmente participam com afinco de todos os programas relativos à justificação e à propagação dos crimes do aborto e da eutanásia.

sábado, 4 de novembro de 2017

A INATA ARTE DE SONHAR¹



  

Seres imortais... é o que somos. Consciências cósmicas nascidas da poeira das estrelas que encantaram universos que já desapareceram no tempo fugidio de Deus. Surgimos das cinzas da matéria mais densa eclodida em eras primitivas compondo a argamassa dos mundos e hoje tantos bilhões de anos depois podemos ver nos rastros iluminados da abóbada celeste o campo de lutas que serviram de terreno para a nossa evolução. Por mais longo para as nossas expectativas, esse momento passado terá sido apenas uma fração minúscula relativizado à eternidade que dispomos a nossa frente.

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

O "DIA DOS MORTOS" IGUALMENTE DEVE SER UM DIA DE REVERÊNCIA À VIDA



 



 

A historiografia tradicional da Igreja romana registra que foi no Mosteiro beneditino de Cluny, no sul da França, no ano de 998, que o Abade Odilon promovia a celebração do dia 2 de novembro, em memória dos mortos, dentro de uma perspectiva religiosa. Somente em 1311, a “memória dos falecidos” foi sancionada oficialmente em Roma e, posteriormente, em 1915, Bento XV universalizou tal comemoração, dentre os católicos, expandindo e consolidando a celebração até hoje.

Todavia, ajuizemos o seguinte: a ostentação dos túmulos fúnebres determinada por familiares que desejam honrar a “memória do falecido” ainda compõe o cardápio da soberba e orgulho dos parentes, que intimamente propendem fundamentalmente “honrarem-se” a si mesmos. Nem sempre é pelo “finado” que fazem todas essas demonstrações, mas por soberba, por apreço às convenções mundanas e, às vezes, para exibição de abastança. Ora, é inútil o endinheirado aventurar-se em eternizar a sua memória por meio de aparatosos mausoléus.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

ESTRANHO CULTO




 
− Olá, passeando?
− Sim, visitarei meu filho...
− Como?! Ele não morreu?!
− Vou ao cemitério...
Esse diálogo surrealista ocorre com frequência. As pessoas dispõem-se a visitar os mortos no cemitério. Levam flores e cuidam com muito carinho do túmulo, a “última morada”.          Determinados cultos religiosos chegam a orientar seus profitentes no sentido de levar-lhes alimentos. E há a tradicional queima de velas, para “iluminar os caminhos do além”.

O FRANCESCO QUE ME (NOS) TOCA A ALMA



 





A figura histórica que mais me comove, depois de Jesus, e justo por ser o mais próximo dele, o que melhor manifestou seu amor é Francesco, Francisco, Francisquinho…

Reler sua história, orar seu Cântico do Sol, assistir filmes sobre ele (meus proferidos e insuperáveis são Irmão Sol e Irmã Lua, de Zeffirelli e Francesco, de Liliana Cavani), simplesmente lembrar-me de sua figura, derrete meu coração…

domingo, 29 de outubro de 2017

ENSINO DA RELIGIÃO - FUNÇÃO DO ESTADO?¹



       





       A atualidade brasileira é muito curiosa. Encontra-se atolada em graves problemas morais de difícil solução, nos quais os envolvidos longe de admitirem culpa sequer expressam remorso, o que assegura à população que vão continuar operando na desonestidade. Por outro lado fermenta uma discussão que avalia o papel da escola pública na orientação espiritual do público infanto-juvenil que utiliza as suas bancas. Aparentemente os temas fazem parte de universos que não se tocam. Engano de quem possa pensar assim. As duas são uma só discussão e tais temas só se tornam polêmicos porque vivemos numa época em que perdemos um importante elo que tornaria tudo mais simples: a família.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

ANGÚSTICA, CONSCIÊNCIA E REENCARNAÇÃO




 
O vocábulo angústia advém do latim angustia e significa estreiteza, espaço reduzido, carência, falta. Medo vago ou indeterminado, sem objeto real ou atual. É um temor intempestivo e invasor que nos sufoca (angere, em latim, significa apertar, estrangular) ou nos submerge.

Na filosofia existencialista, a palavra “angústia” tomou sentido de “inquietação metafísica” em meio aos tormentos pessoais do homem. No conceito sartreano, “é na angústia que o homem toma consciência de sua liberdade (…) na angústia que a liberdade está em seu ser colocando-se a si mesmo em questão”.[1]

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

DESEJÁVEL PAIXÃO



           


            O senhor Felício esteve num programa de televisão em que eram entrevistadas pessoas idosas, convidadas a falar sobre a velhice.
          Tinha oitenta e cinco anos. Aparentava sessenta, espirituoso, bem disposto, dono de uma incrível jovialidade.
          — Nunca me senti velho — dizia.
          — E o corpo? — perguntou o entrevistador.
          — Já não tem a mesma vitalidade; não raro, há grilos de saúde, o que é natural. Trata-se de uma máquina.

sábado, 21 de outubro de 2017

AO PROFESSOR HIPOLLYTE KARDEC¹



            


            Professor é aquele que PROFESSA, ou seja, ensina, educa, pratica e exerce. Alguém que retira de si e da Natureza os ensinamentos com os quais vai auxiliar na promoção de nova condição àquele que é alvo de sua ação. Instituição da mais alta envergadura pode ser considerada o ápice entre todas as demais atividades porque a formação discipular não haveria por razões óbvias de faltar quem ensinasse. Essa a principal razão pela qual sofre ataques mortais sempre que o poder imperial intenta desqualificar um povo com a finalidade de mantê-lo incauto e fragilizado, através de cortes em orçamento na educação formal.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

BÉLGICA - APROVADA A LEGALIZAÇÃO DA EUTANÁSIA PARA CRIANÇAS¹



 



Mais uma vez o materialismo, predominando na Europa, mostra suas garras bem afiadas, considerando-se no direito de ceifar vidas de doentes desenganados pela medicina. A legalização da eutanásia para adultos que vigora na Bélgica desde 2002 ganhou mais um aliado: Agora chegou a vez de validar a morte medicamente assistida para crianças de qualquer idade, desde que seja solicitada pelo infante com “capacidade de discernimento", acometido de uma doença debilitante, e com o consentimento dos pais.

Sabe-se que até mesmo um adulto pode estar com sua consciência e a espontaneidade dos seus atos comprometidos por dano cerebral, em decorrência da grave doença que o acomete (ação tóxica). Imagine uma criança que, normalmente, com saúde, já tem sua capacidade de discernimento comprometida, sendo considerada imatura e incapaz. Como pode um ser que não seja apto para exercer seus direitos, tendo que ser representado, em diversas situações, pelos pais, tutores ou pelo Estado, ter capacidade de decidir por sua própria vida? A criança não pode ser reconhecida como um ser “consciente das consequências individuais e coletivas dos seus atos e da responsabilidade legal embutidas nas suas ações”.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

ESPÍRITA! "NÃO DESISTA JAMAIS"








O homem não teria alcançado o possível se, repetidas vezes, não tivesse tentado o “impossível”. No ancião, por exemplo, a constância da curiosidade de espírito e da abertura ao mundo é um sinal de juventude duradoura. A conquista está na persistência daqueles que lutam por aquilo que vale a pena como ideal. Lutar é persistir e a perseverança é o caminho do êxito, por isso mesmo realiza o improvável.

O evangelista Mateus regista no cap. 24 versículo 13 – “quem perseverar até o fim este será salvo”. Ora, com Jesus no coração, diante de uma realidade desafiadora a nossa coragem não pode somente significar ausência do medo, mas a firme pertinácia apesar do receio. Sim! A vitalidade, a energia, o vigor, o trabalho são confirmados não apenas pela tenacidade, mas pela capacidade da perseverança e recomeço.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

LUZ NAS SOMBRAS



 
Mirradinho e feio, com oito anos aparentava seis... Socialmente, um desastre! Artur era um pro­blema na escola especializada em crianças especiais. Inquieto, agressivo… Tormento dos menores, perma­nente preocupação para professores e recreacionis­tas. Embutido em si mesmo, não se comunicava... Só agredia, habilidoso na arte de desferir pontapés.
Ana Rosa, inteligente orientadora pedagógi­ca da instituição, conversou com ele.
          Oi! Tudo bem?...
O menino fitou-a, impassível. A jovem tocou-o de leve, ensaiando carinho. Ele se colocou na de­fensiva, armando o pé para o golpe certeiro.

domingo, 15 de outubro de 2017

FINAL DOS TEMPOS?¹





 Final dos tempos? Haverá quem assim julgue tamanha a sandice generalizada que tomou conta das ocorrências que ocupam toda a pauta dos noticiários. É como se estivéssemos sob o fogo cerrado de insensatez e loucura. As mazelas destampam de todos os lados e o conceito não se alonga às catástrofes naturais, pois o planeta em todas as épocas esteve em processo de alinhamento geológico, cujo mérito a nossa inteligência está longe de entender. O pasmo se encontra nas ações destemperadas e criminosas que o ser humano impõe à própria espécie.

17º CONGRESSO ESPÍRITA DO ESTADO DO CEARÁ








A FEDERAÇÃO ESPÍRITA DO ESTADO DO CEARÁ – FEEC realizou nos dias 12 a 14 deste mês de Outubro o 17º Congresso Espírita do Estado do Ceará com 1.200 inscrições presenciais!
ESTATÍSTICAS RELEVANTES EM TERMOS DE TRANSMISSÃO  ON LINE  PELAS 6 (seis) WEB RÁDIOS PRESENTES:
- Mais de 150.000 acessos pelos sites e aplicativos das Rádios com internautas conectados em 29 Países e quase 450 cidades em todo o planeta.
- Quase 200 mil acessos e visualizações através das redes sociais das Rádios e da Federação.
- Mais de 15 mil visualizações através do You Tube, em 50 Países.
Nota: Para adquirir as palestras do 17º CONECE em pen drive ou DVD ou obter maiores informações basta acessar o site da FEEC: www.feec.org.br.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

CRIANÇAS, MARIA E O JARGÃO DO AUTOAMOR







Hoje é dia das crianças, mas também é dia de Maria, símbolo da maternidade, na sua manifestação negra e brasileira de Nossa Senhora de Aparecida. Crianças precisam de mães Maria e Maria é uma inspiração para mães sensíveis, que tenham vínculo com a tradição cristã.

Mas quero refletir sobre isso, lançando alguma luz sobre uma ideia, o autoamor, que virou uma febre no ramo da autoajuda, seja ela católica, budista, espírita ou laica – pois como a autoajuda vende bem, ela está em toda parte e virou discurso comum da ala da espiritualidade light, que anda sendo semeada em nossos tempos de superficialidade.

AFLIÇÕES, DÚVIDAS, CONFORTO E ORIENTAÇÃO







As aflições e dúvidas, vindas de várias fontes, constituem desafios contínuos que nos solicitam coragem, serenidade e fé, postura e decisão para tais enfrentamentos. Desde os dramas íntimos, às dificuldades de relacionamentos, aos embates profissionais, as enfermidades e lutas do cotidiano, inclusive os dramas familiares, e mesmo os questionamentos que surgem por motivos variados, trazem preocupações que chegam a afetar a saúde e a harmonia na convivência.
Para todos os casos, porém, existem o conforto e a orientação que podem ser encontradas, desde que queiramos melhorar. Afinal, quando a pessoa não quer melhorar, nós não conseguimos adquirir e saúde e harmonia para ela.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

A PRECE ALTERA OS DESÍGNIOS DE DEUS?






Recorda Kardec que a prece é recomendada por todos os Espíritos. Renunciar a ela é ignorar a bondade de Deus; é rejeitar para si mesmo a sua assistência; e para os outros, o bem que se poderia fazer. [1] O Cristo instruiu: “por isso vos digo: todas as coisas que vós pedirdes orando, crede que as haveis de ter, e que assim vos sucederão.” [2]
A prece se reveste de características especiais, pois a par da medicação ordinária, elaborada pela Ciência, o magnetismo nos dá a conhecer o poder da ação fluídica e o Espiritismo nos revela outra força poderosa na mediunidade curativa e a influência da oração. O Codificador, ao emitir seus comentários na questão 662 de O Livro dos Espíritos, afirma que “o pensamento e a vontade representam em nós um poder de ação que alcança muito além dos limites da nossa esfera corporal. A rigor, a eletricidade é energia dinâmica; o magnetismo é energia estática; o pensamento é força eletromagnética.” [3]

domingo, 8 de outubro de 2017

O AUTO-DE-FÉ DE BARCELONA E OS ESPÍRITAS




 
Obra do artista plástico cearense Thales Oliveira


9 de outubro de 2017. 156 anos do Auto-de-fé de Barcelona, episódio que culminou com a queima, em praça pública, por ordem do Bispo de Barcelona, Espanha, de 300 obras espíritas, enviadas por Allan Kardec, para o livreiro Sr. Maurice Lachâtre.
Allan Kardec, na Revista Espírita, dezembro de 1863, no artigo intitulado “Período de Luta”, afirma que o auto-de-fé de Barcelona é o sinal para o início do período de luta, terceiro período, dos seis – curiosidade, filosófico, luta, religioso, intermediário e o da regeneração -, que o Espiritismo experimentaria em sua trajetória de propagação. Assim ele se refere em seus comentários:

“Desde então os ataques assumiram caráter de violência inaudita.
Foi dada a palavra de orem: sermões furibundos, pastorais, anátemas, excomunhões, perseguições individuais, livros, brochuras, artigos de jornais, nada foi poupado, nem mesmo a calúnia.”

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

ALLAN KARDEC - O CODIFICADOR



 

 
Codificador, sim, o mestre o foi de fato, da doutrina espírita. Kardec o disse: “Em tudo isto não fiz senão recolher e coordenar metodicamente o ensino dado pelos espíritos; sem levar em conta opiniões isoladas, adotei as do maior número, afastando todas as ideias sistemáticas, individuais, excêntricas ou em contradição com os dados positivos da ciência”.[i] Modesto, vê-se que o grande didata minimizou sua participação; entretanto, ali, o advérbio revela sua magna importância pessoal: recolher e coordenar “metodicamente”. Não menos relevante é o fato de Kardec haver delimitado a matéria-prima do seu trabalho: o ensino espírita. Ressalte-se ainda sua condição de veterano magnetista, que decerto lhe garantiu acesso privilegiado ao mais moderno berçário teórico daquilo que viria a chamar-se spiritism/e. Kardec não inventou princípios, não criou nada, nem mesmo o vocábulo espiritismo. Tudo resultou do trabalho de homens e espíritos, quer no eixo anglo-americano, quer no europeu, quiçá mais além; mas, no nosso caso, em submissão à especial conjuntura dialógica dessa coleta e coordenação metódica kardeciana, sem o que houvera spiritism; porém não doctrine spirite. Codificação implica codificar, que não é só reunir, compilar; há que se fazê-lo sistematicamente.[ii] Houve, sim, reunião, compilação; entretanto por meio de atenta inferência paradigmática de princípios, cuja fixação se deveu ao método kardeciano antes que ao simples ensino de homens e espíritos. Nenhuma relevância há no fato de estar ausente das obras do mestre essa designação, até porque demandaria o juízo do distanciamento histórico. Chamá-lo codificador só o diminuiria se lhe excluísse o esforço de coleta e coordenação metódica; no entanto o ato de codificar implicou méritos e escolhas. A suposta impertinência dessa designação seria, pois, um caso mais lexicográfico que doutrinário. A reflexão kardeciana é de fato filosófica. Pertence, pois, ao instituinte, não ao instituído. Fez diferença e, por isso, Kardec suportou críticas. Espiritismo lato sensu já havia; doutrina espírita, o espiritismo stricto sensu, contudo, ainda não existia. Os princípios doutrinários propriamente ditos, restando de escrutínios metódicos, são obra de Kardec, sim, muito embora já constassem dos comunicados mediúnicos in natura, bem como de autores que o antecederam, sobretudo magnetistas. Assim, o fato de ser “codificador”, ou seja, de trabalhar sobre material alheio, não implica afastamento das iniciativas pessoais e determinantes de Kardec em sua produção sistematizada: a codificação kardeciana do espiritismo. Houaiss registra: “codificar 1 reunir (p. ex.: leis) em um código”; “código 1 conjunto sistematizado de leis ou normas”.[iii]  Essa é, precisamente, a vantagem da codificação kardeciana do espiritismo sobre as demais obras espíritas de todos os tempos. Pretendeu-se um código a expressar uma universalidade ínsita ao que, nessa matéria, seriam as leis naturais, quer físicas, quer morais. De tal modo é crucial essa reflexão identitária que, particularmente, hoje aceito até que se diga “kardecismo”, porque “espiritismo” é algo de mais vastos empregos, retroativos até, como em: “O espiritismo entre os druidas”, artigo de 1858, do próprio mestre na sua Revista. Os druidas leram O Livro dos Espíritos?[iv]