segunda-feira, 31 de agosto de 2015

LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE¹



Por Roberto Caldas (*)


              Há um ditado popular que dispõe a respeito do grito. Segundo esse ditado um grito pode perder ou salvar uma manada. Parece que a crença popular se aplica a uma gama de situações em que se sitia a sociedade humana. Sabedora dessa qualidade da humanidade em formar manadas, embora tenha vencido a sua fase quadrúpede, é que lideranças de agremiações de variadas atividades investem no cultivo da falta de crítica presente no fermento da massa que teme ou se alimenta do grito.
            Poucas situações são tão favoráveis à manutenção do comando, quase que por hipnose, do que manter a excitação emocional em pico para que se possa controlar a atitude do outro, enquanto são propostos conceitos e ideias que, sem a provocada alteração da emoção, provavelmente não seria aceitos. Dessa maneira vimos o mundo ser invadido literalmente pelo lixo mental que caracterizou o nazismo e o fascismo, doutrinas espúrias que ainda possuem representantes que se escondem sobre os escombros da maldade e da intolerância, as quais foram absorvidas por populações inteiras durante os desastres bélicos que determinaram uma das maiores catástrofes humanas que foi a Segunda Grande Guerra.

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

DE ONDE SURGE A MALDADE?




Por Jorge Hessen (*)

O significado do termo maldade tem conexão com a qualidade daquele ou daquilo que é mau, com a ação maligna, a iniquidade e a crueldade. Mas por que alguns têm atrativo pela perversidade? O tema sempre inquietou os pensadores dos mais diversos campos do saber e da ação humana: filosofia, ciência, arte, religião.
Historicamente, segundo alguns modelos previsíveis, os males humanos pareciam não mais destinados a preocupar os pensadores, pois que a maldade parecia ser circunscrita. Para alguns estudiosos o “holocausto”, durante a Segunda Grande Guerra, reacendeu-se o debate sobre os limites da barbárie, da perversidade humana, lançando no universo intelectual europeu e mundial uma onda de pessimismo e ceticismo.
Hanna Arendt, filósofa judia, que estudou as questões do mal, escreveu o livro “Eichmann em Jerusalém”, que analisa o julgamento do verdugo nazista, mentor da morte de milhares de pessoas. Tendo como referencial o “caso Eichmann”, a autora justifica que o mal pode tornar-se banal e difundir-se pela sociedade como um fungo, porém apenas em sua superfície. Para Arendt, as raízes do mal não estão definitivamente instaladas no coração do homem e por não conseguirem penetrá-lo profundamente a ponto de fazer nele morada, podem ser extirpadas.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

INTIMIDADE ECOLÓGICA¹





Por André Trigueiro (*)


Todos nós trazemos no corpo as marcas de uma profunda identidade com o planeta. São marcas profundas, viscerais, que não podem ser apagadas. A primeira delas é a água. O mais fundamental dos elementos está presente em nosso corpo na mesma proporção em que aparece no globo terrestre. As lágrimas que derramamos de dor ou de alegria tem o sabor dos oceanos.
A água do mar tem quase a mesma consistência do soro fisiológico. Em nosso sangue carregamos a terra, pulverizada nos sais minerais, que vitalizam tecidos e órgãos. Ferro, cálcio, manganês, zinco, que jazem nas profundezas do solo, correm pelas nossas veias.

Desde o primeiro choro, quando inauguramos as vias respiratórias e inalamos pela primeira vez o ar que enche os pulmões, participamos de um grande espetáculo da natureza, que revela em pequenos detalhes, a grandeza do universo. Nossa principal fonte de energia é o ar. Podemos suportar dias sem comer ou beber. Mas não podemos ficar tanto tempo sem ar. Enchemos os pulmões de oxigênio e devolvemos gás carbônico para a atmosfera. Esse gás é absorvido pelas espécies vegetais, que através da fotossíntese, devolvem generosamente, oxigênio. Como se vê, interagimos intensamente com o meio natural. Nos confundimos com esse meio ambiente. Somos parte dele e ele de nós.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

AOS AMIGOS PAULO DE TARSO E BEZERRA DE MENEZES¹



Por Roberto Caldas (*)


Bezerra de Menezes
Paulo de Tarso
        As grandes obras, mesmas aquelas de forte destinação espiritual, necessitam de recursos humanos de lúcida disponibilidade e destacada voluntariedade, ao ponto até de exigirem altos níveis de determinação e renúncia por parte daqueles que a abraçam.
É o que iremos identificar se passarmos uma vista nas biografias de Paulo de Tarso, uma das maiores expressões formatação do Cristianismo e Adolfo Bezerra de Menezes, um dos mais brilhantes expoentes da divulgação do Espiritismo em terras brasileiras.
Paulo de Tarso, intrépido defensor da lei judaica, acossado pelos seus temores, justo que era, abalado pela consumação da morte de Estevão, de sua responsabilidade, passara pelo deserto da própria solidão e vacilava quanto as próprias convicções. O chamado que recebera em plena Estrada de Damasco (“Saulo, Saulo porque me persegues”) pronunciado pelo próprio Nazareno já retornado à pátria espiritual, joga-o de inopino nas trevas da sua cegueira interior, da qual só sairia quando reformulada a sua disposição de perseguir aos cristãos. A sua decisão lha valeu longo período de ostracismo, pois os antigos parceiros o desprezavam e combatiam tanto quanto os novos companheiros, aos quais precisava provar as novas intenções. 

sábado, 22 de agosto de 2015

A PEDAGOGIA ESPÍRITA E A EVANGELIZAÇÃO





Por Dora Incontri (*)



A Pedagogia Espírita tem alguma proposta para a evangelização? Como aplicá-la na prática? O que é preciso fazer?


Se a Pedagogia espírita é a aplicação do espiritismo na educação, obviamente que deve ter uma proposta para a área da evangelização infantil. Estudemos aqui alguns pontos importantes a respeito do tema.
Em primeiro lugar, propomos mudar o nome de evangelização para educação espírita ou espiritismo para crianças. A CNBB (Confederação Nacional dos Bispos Brasileiros) está atualmente com uma campanha de “evangelização da juventude”. Não por acaso, os espíritas usam o mesmo termo que os católicos. Já analisamos diversas vezes (essa era também a postura de Herculano Pires e até antropólogos não-espíritas hoje fazem essa avaliação) que o movimento espírita no Brasil traz uma herança católica muito forte, dado o nosso caldo cultural impregnado de tradições da Igreja e pela formação jesuítica da nossa educação.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

BORJA, O BRASILEIRO QUE CONHECEU KARDEC







Gonçalves Dias (1823-1864)
Em seu excelente resgate histórico, publicado sob o título “Os Intelectuais e o Espiritismo”, o jornalista e pesquisador Ubiratan Machado revela nuanças importantes sobre os primórdios do Espiritismo no Brasil. Ao discorrer sobre as experiências mediúnicas realizadas por Manoel de Araújo Porto Alegre (1806-1879), futuro Barão de Santo Ângelo, o autor menciona que, em 1863, Allan Kardec teria enviado a Araújo Porto Alegre um número da Revista Espírita. Afirma que Porto Alegre, diplomata, exercendo o cargo de cônsul do Brasil na Prússia e Saxônia, pode ter sido apresentado a Allan Kardec, através de um brasileiro chamado Borja, então residente em Paris, resultando daí o seu interesse pelo Espiritismo.
 Ubiratan não atinara com informação alguma sobre esse misterioso personagem. Divulga, entretanto, trecho de uma carta de Borja, datada de 31 de janeiro de 1863, dirigida a Gonçalves Dias, o grande poeta maranhense, na qual comenta sobre uma remessa de livros que havia mandado ao diplomata brasileiro.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

REVERENCIEMOS OS ANIMAIS, POIS ELES SÃO NOSSOS IRMÃOS



Por Jorge Hessen (*)

O leão Cecil, morto por caçador ilegal no Zimbábue - Foto: Reuters/A.J.

A Safari Club International é uma organização que luta pelos “direitos dos caçadores”. Qual o objetivo e o que leva uma pessoa a gastar muito dinheiro para caçar um animal selvagem? Será apenas uma demonstração de poder e prestígio? Isso é psicopatia e selvageria! O antropólogo Michael Gurven, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, estuda tribos de caçadores e coletores na Amazônia e ressalta o paradoxo entre caça “esportiva” e as caça para sobrevivência. Os nativos caçam animais por necessidade de alimentação. Portanto, há uma brutal diferença para caçadores que chegam a pagar US$55 mil dólares para matar um animal da selva meramente por prazer. [1]

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

UM PASSEIO PELO CÉU E O INFERNO¹



Por Roberto Caldas (*)



Lançado em agosto de 1865, o livro O Céu e o Inferno, quarto livro do Pentateuco Kardeciano, completa 150 anos do descortinar com a maior clareza possível que os mistérios entre a terra e o céu apesar de serem numerosos podem ser perfeitamente compreendidos em sua totalidade, se aceitamos uma filosofia que não seja vã.
            Essa obra simplesmente radiografa em linguagem direta toda a realidade que lança ao pó todo o receio que foi construído pela ignorância dos séculos e utilizado pelas religiões para manter fiéis cativos. O seu conteúdo é transformador porque retira a morte do seu patamar de escuridão e destrona a figura de Satanás da majestade a que fora alçado na tentativa de manter a humanidade subjugada ao medo.
            Grande holofote da razão que subjuga crendices e dogmas, O Céu e o Inferno redesenha com texto de boa degustação literária a continuidade da vida depois da morte, numa época em que poucos eram capazes de compreender tal dimensão. Desfere golpes destruidores à crença que defende o nada depois de findada a existência e amplia os horizontes da imortalidade àqueles que já admitem a continuidade sem contanto terem a menor ideia de como isso acontece. Ensaio teórico de Allan Kardec que se mistura ao testemunho real de dezenas de personalidades que relatam as suas experiências depois de adentrarem ao mundo espiritual, essa obra mostra a verdadeira face da habitação dos seres incorpóreos e põe um ponto final em qualquer elucubração que alimente a suposta destinação para regiões que ficaram denominadas de céu e inferno e foram a causa de tormentos insanos por muitos séculos aos crentes de várias filiações religiosas.

domingo, 16 de agosto de 2015

O CÉU E O INFERNO: "A ALFORRIA ESPIRITUAL"





Por Jorge Luiz (*)




Imagine gerações que se sucederam na linha do tempo, conscientes da existência geográfica do inferno, nas próprias entranhas da Terra, segundo alguns doutores; ou em outro planeta, ou quem sabe, alhures. Imagine, ainda, que esse mundo constituído de elementos materiais, sem sol, nem lua, desprovido de todo princípio e toda a aparência do bem, sendo habitado por demônios que, para atormentarem os homens, têm asas de morcegos, chifres, pele coberta de escamas, patas com garras e dentes aguçados. Lá, monstros de muitas cabeças abrem para todos os lados goelas vorazes, esmagando os condenados em suas mandíbulas sangrentas e os vomitam mastigados, mas vivos porque eles são imortais. Há por toda a parte caldeiras ferventes, cujas tampas os anjos erguem para verem as contorções dos condenados. Deus ouve sem piedade os gemidos dos condenados por toda a eternidade.
            O céu em cima e o inferno, embaixo. Só se apresentavam duas opções para as almas: a felicidade perfeita e o sofrimento eterno. O purgatório surge como uma zona intermediária e passageira, da qual elas passam sem transição para a região dos bem-aventurados. Geograficamente, o purgatório nunca foi determinado, nem claramente definida a natureza das penas que nele são impostas. Com as simonias, o purgatório acabou se tornando mina produtiva mais do que o inferno.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

VISÕES NO LEITO DE MORTE¹






Especialista no tratamento de traumas e processo de superação, Dr Julio Peres, analisa as experiências no final da vida e o impacto das visões espirituais ao enfermo e sua família, assim como para os profissionais da saúde que atuam em cuidados paliativos.

De acordo com Dr. Júlio Peres, pesquisas recentes demonstram que um grande número de pessoas de distintas culturas têm relatado experiências no final da vida – originalmente chamadas na literatura por end-of-life experiences – sob a forma de visões no leito de morte, sugestivas da existência espiritual.

Esta linha de pesquisa tem trazido contribuições que interessam diretamente aos profissionais que atuam com cuidados paliativos e mais especificamente, aqueles que desenvolveram a Síndrome de Burnout decorrente do esgotamento, angústia e incapacidade perante a falta de recursos para lidar com as sucessivas mortes de seus pacientes.

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

METODOLOGIA PARA A PRÁTICA DOS PRINCÍPIOS ESPÍRITAS



Por Alkíndar de Oliveira (*)


Ermance Dufaux, espírito, esclarece que “não se vive o Evangelho, entre outras infinitas questões, porque não se tem trabalhado nos agrupamentos humanos, inclusive os espíritas, um método que permita esse auto-encontro em bases educativas para a alma em aprendizado.” (1)

Esta especial educadora insere nessa pequena e esclarecedora mensagem - com a devida ênfase - a palavra “método”. Enfatiza que nos agrupamentos humanos, os espíritas inclusive, prevalece a ausência de metodologias. A grande questão é: como sermos alunos eficazes nessa escola de aprendizagem que é o nosso amado planeta, se não soubermos adotar e praticar metodologias adequadas?

domingo, 9 de agosto de 2015

PAI DE VERDADE CUIDA E GUIA PARA A PAZ¹

          

Por Roberto Caldas (*)


A inquestionável propriedade da maternidade sobre a comprovada geração de uma criança, em contrapartida à presunção da paternidade, é um tema discutido desde as primeiras experiências humanas tribais, quando a necessidade de perpetuação da espécie parecia ser a mais urgente necessidade devido a sua extrema fragilidade diante do mundo hostil que a cercava. No papel de geradora e nutridora dos primeiros anos de vida, a mãe é historicamente reconhecida como a figura central da vida do ser humano. Esse detalhe antropológico foi trazido como herança psíquica pelos milhares de anos e resistiu às revoluções civilizatórias que a sociedade humana sofreu com o passar dos tempos. Numa estrutura social atual como a nossa, apenas o homem pode registrar a criança recém nascida repassando-lhe a legitimidade da paternidade atribuindo a maternidade à mulher que pode estar ausente do local de registro, mas o contrário não pode ser realizado.

COMO SE DEFINE UMA POESIA ESPÍRITA?




Por Dora Incontri (*)



Neste ano, (1989) fui convidada para participar como jurada do V Concurso de Poesia Espírita, promovido pela Arte Poética Castro Alves. Aproveito a ocasião para explicar ao leitor e a aqueles que concorreram com seus poemas, quais os critérios usados para a escolha dos melhores. E, ao comentar esses critérios, estarei ao mesmo tempo tocando alguns traços fundamentais do que vem a poesia espírita. Atualmente, os que são espíritas e artistas, estão buscando criar uma "Estética espírita" e toda discussão a respeito vem a calhar. Um concurso como esse proporciona a reflexão sobre o tema.

Um dos fatos fundamentais da Arte Espírita é que artistas não são apenas uma meia dúzia de gênios privilegiados. Todos os seres humanos, como herdeiros da divindade, têm um grande potencial de criatividade e expressão artística. Basta observar que, quando estimuladas, as crianças produzem poesias, quadros e até música com facilidade. Prova disto também é a quantidade de pessoas que participam de um concurso como este (177) e os muitos poemas de qualidade que recebemos.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

UM LIVRO QUE ENSINA A SUPERAR TRAUMAS¹



Por Dora Incontri (*)



O livro Trauma e Superação: o que a Psicologia, a Neurociência e a Espiritualidade ensinam, de Júlio Peres, (psicólogo clínico, doutor em Neurociências pela USP e com pós-doutorado pelo Center for Mind and Spirituality da Universidade da Pensilvânia) promove a confluência de várias áreas do conhecimento (como Psicologia, Neurociências, Religião, Filosofia, etc.) para cuidar de forma competente e original da saúde mental e do bem-estar espiritual do ser humano. Sem preconceitos, mas costurando ideias de maneira coerente e profunda, o autor traz informações das mais recentes pesquisas a respeito do cérebro (incluindo as suas próprias, com neuroimagens), conceitos da Psicologia, questões filosóficas e existenciais, sem deixar de lado a dimensão espiritual do ser.

Ao mesmo tempo em que Júlio Peres tem se dedicado à pesquisa de neuroimagens, traz também sólida experiência terapêutica com pacientes traumatizados. Herdeiro de sua mãe, Maria Julia Pietro Peres e consolidando o exercício terapêutico da TRVP (terapia reestruturativa vivencial Peres), com seriedade e consistência acadêmica, Júlio Peres transita com muita elegância no diálogo entre a ciência contemporânea e a espiritualidade.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

A HONESTIDADE NÃO NECESSITA DE ELOGIOS - É OBRIGAÇÃO HUMANA




Por Jorge Hessen (*)


Não experimento qualquer regozijo quando leio as notícias sobre pessoas que são festejadas por atos de honestidade. Isso significa que ser honesto é ser exceção numa maioria desonesta. Despertou-nos a atenção um recente roubo ocorrido em Canna, uma pequena ilha da Escócia. O imprevisto ocorreu em uma loja gerenciada pelos próprios fregueses, que vendia comidas, produtos de higiene pessoal e outros utensílios. Produtos como doces, pilhas e chapéus de lã artesanais foram roubados, sendo a loja revirada pelos ladrões. Parece coisa pequenina para nós brasileiros, mas o roubo assombrou os residentes de Canna, que não viam nada parecido acontecer por ali havia meio século.

A loja permanece aberta em tempo integral e o pagamento da compra dos produtos é feito na “boa fé” ou “caixa da honestidade”: os fregueses deixam o dinheiro junto com um bilhete descrevendo o que compraram. Se confrontarmos a realidade do Brasil, seja na educação, na saúde, na ética, na honestidade, com outros países sérios, surgem desculpas sempre esfarrapadas quais: o Brasil é “especial”, é a “pátria do Evangelho” (!??…), é continental, tem uma história “mística” etc… A cantilena é incansavelmente repetida.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A IMPORTÂNCIA DA ENCARNAÇÃO¹




Por Roberto Caldas (*)


             Somos atores de uma grande trama existencial. O palco é o mundo, onde estrelamos as nossas disposições e talentos, apesar de desconhecermos a totalidade do roteiro que seguimos a cada amanhecer. A produção da obra que cobra a nossa participação na qualidade de protagonista terá sido planejada antes que adentrássemos a tão amigável e protetora câmara uterina, quando ainda gozávamos das lembranças amplas das experiências do passado e tínhamos como foco as necessidades regenerativas. Certamente havia amigos no papel de orientadores contornando-nos os arroubos e exageros das escolhas, dosando o peso das decisões, conhecedores de nossas deficiências, com a finalidade de proteger-nos de nós mesmos.

domingo, 2 de agosto de 2015

QUAIS AS NOSSAS BANDEIRAS?¹




Por Roberto Caldas (*)


          Semear o medo é a melhor estratégia para quem pretende dominar pelo silêncio e pela força. A liberdade é uma ave que necessita de espaço para desferir vôo além. Aprisioná-la é o maior tento das ideias que sem fundamento de lógica, exibem a ponta da lança que fere a essência daquele que se atira ao afã das conquistas do seu tempo.
            Na contradição é que a pessoa consegue definir a linha de pensamento a que deve se ajustar, mas se a turbulência da comunicação obscurece os diversos aspectos da verdade e impõe uma falsa hegemonia, silenciando todos os esforços que se lhe oponham, a escuridão é a grande vitrine para o espetáculo burlesco que conduz ao caos.
            Todas as vezes que a ganância e a mentira se posicionaram como alicerce de algum projeto que prometia melhorar a condição da vida humana, os resultados que o tempo trouxe comprovaram que caminhar à margem da verdade e da generosidade é uma péssima escolha. A totalidade dos déspotas que ganharam a quebra de braço utilizando as técnicas da leviandade para conquistar a qualquer custo impuseram longas décadas de dor e sofrimento até verem as suas obras virarem pó diante da obsequiosa ação da verdade que tarda, mas não falta. Aqueles que ainda não experimentaram não perdem por esperar.

sábado, 1 de agosto de 2015

RESSURREIÇÃO E REENCARNAÇÃO¹





 Por Sérgio Aleixo (*)



Uma das principais objeções à doutrina da Reencarnação é, dizem, que ela não consta ensinada na Bíblia. Mas estão errados os que pensam assim. Pela língua e cultura helênicas é que muitos conteúdos da Bíblia e dos Evangelhos chegaram até nós, donde ser fundamental, para um resgate de muitas ideias e conceitos algo deturpados hoje em dia, o retorno aos manuscritos antigos, ainda que sejam apenas cópias dos originais, estes, quiçá, perdidos para sempre.
   No Brasil, o nome que superou todos os que empreenderam tal demanda ao grego, ao hebraico, etc., a nosso ver, foi o do Prof. Carlos Juliano Torres Pastorino, Docente do Colégio Pedro II e catedrático da Universidade Federal de Brasília; Iatinista, helenista e exímio poliglota; diplomado em Teologia e Filosofia pelo Colégio Internacional Santo Antônio Maria Zaccaria, em Roma, este insigne linguista nasceu em 04/11/1910 no Rio de Janeiro, desencarnando em Brasília em 13/06/1980. Deixou-nos raras obras-primas de exegese, como Sabedoria do Evangelho (1964-1971, oito volumes) e La Reincarnaciòn En El Antiguo Testamento (Revista SPIRITVS, 1964, versão castelhana do Prof. Angel Herrera), infelizmente sem reedições modernas.