quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

O TEMPO - PRESENTE DO ETERNO



“Comparemos a Providência Divina a estabelecimento bancário, operando com reservas ilimitadas, em todos os domínios do mundo. Pela Bolsa de Causa e Efeito, cada criatura retém depósito particular, com especificação de débitos e haveres, nitidamente diversos, mas, pela Carteira do Tempo, todas as concessões são iguais para todos.”
                                                              (Estude e Viva, F.C. Xavier e Waldo Vieira)





            Toneladas de fogos de artifícios! Expectativas! Simpatias! Bebidas! Músicas! Tudo para atender a demanda do sensorial. Eis um pequeno resumo do que é a passagem do ano em todo o mundo. Em pouco tempo, a vida volta à rotina e se percebe que tudo continua como dantes no quartel d’ Abrantes.
            Envolto nos burburinhos da vida o homem não dispensa um tempo do seu tempo para meditar sobre o significado e a importância do tempo em sua vida.
            “O que é o tempo afinal? Se ninguém me pergunta, eu sei; mas, se me perguntam e eu quero explicar, já não sei.” Assim, Agostinho de Hipona conhecido universalmente como Santo Agostinho, define o tempo em sua autobiografia Confissões. Talvez uma das melhores definições sobre o tempo, pois atende à compreensão do vulgo. Quem poderá defini-lo?
            O Espírito Galileu, em “A Gênese”, no capítulo VI, assim define o tempo:

“O tempo é apenas uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias; a eternidade não é susceptível de medida alguma, do ponto de vista da duração; para ela não há começo, nem fim: tudo lhe é presente.” (grifos nossos)

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

FELIZ ANO NOVO!






Por Gilberto Veras (*)



Véspera de Ano Novo é momento preenchido de expectativas, hora em que a esperança motivadora toma a caneta às mãos e, compenetrada, relaciona anseios diversos, aumento de renda financeira para propiciar melhor conforto material e vivenciar prazeres dos sentidos físicos, em quadros e situações há tempo projetados, não podemos invalidar tais pretensões, afinal de conta estamos inseridos no mundo denso com a liberdade dele desfrutar o que é possível e permissível, porém, a sensatez alerta a intervenção do tempo estabelecendo o final da experiência reencarnatória, e, por conta desse determinismo imutável, abre-se espaço precioso para reflexão aprofundada.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

A GENEROSIDADE DIANTE DO UMBIGUISMO¹




Por Dora Incontri (*)



Há uma doença que acomete gravemente algumas pessoas, sem que elas tenham a mínima consciência de estarem padecendo dela: o umbiguismo. É aquela personalidade que só fala de si, de seus problemas, de suas demandas, que está sempre orientada para seu próprio ego. Se entremeia a conversa com alguma pergunta sobre a saúde ou o bem-estar do outro, é por um resquício de cortesia superficial, que se esvai logo que o outro responde brevemente. A frase seguinte do umbiguista é de novo sobre si mesmo.

É claro que todo ser humano guarda em maior ou menor grau uma dose de egoísmo que, como diria tão acuradamente Kardec, ao lado do orgulho, são as maiores chagas da humanidade. Mas refiro-me aqui àqueles extremos, que se fixaram no período do narcisismo infantil. É normal a criança pequena, por uma questão de sobrevivência e do processo de desenvolvimento, ter um momento de total fixação em si mesma. Não é normal o adulto, que já deveria ter atingido a maturidade psíquica, agir dessa maneira autocentrada, sem conseguir sentir sinceramente empatia para com as demandas do outro.

domingo, 27 de dezembro de 2015

EXEMPLOS LUMINOSOS¹






 Por Roberto Caldas (*)





Moisés (1390 a 1510 a.C - estimativa) foi adotado pela filha de um faraó e teria a vida de nobre, caso decidisse fechar os olhos para a escravidão do seu povo. Sidarta Gautama, o Buda (563 a 483 a.C), nasceu príncipe e herdaria o trono se abdicasse de suas buscas espirituais. Sócrates (469 a 399 a.C) era um filósofo amado e teria a sua liberdade garantida bastaria desmentisse as suas verdades. Jesus (Ano I) burlaria os trâmites do seu julgamento se aceitasse o convite de Herodes de prestar-lhe favores com fenômenos de cura.
            O que a história nos remonta é que esses homens se notabilizaram e passaram à posteridade exatamente por terem resistido aos convites da facilidade adotando propostas que o levaram às experiências de privação de liberdade e até mesmo à morte sem o reconhecimento do seu tempo. O legado que nos deixam é o da atitude baseada numa crença que transcendia inabordável às negociatas que lhes exigiam procrastinação submissa. As suas existências produziram muitas das paisagens que fazem as nossas estradas mais floridas.

sábado, 26 de dezembro de 2015

REFLEXÕES DO NATAL







Por Francisco Castro (*)



Natal...
Dia do nascimento.
Todos nós nascemos um dia.
Portanto, todos nós temos um dia de natal.
É costume no dia do nascimento dar-se presente.
Também é comum no dia do nascimento preparar-se uma festa.
Nessas festas servir-se comidas e bebidas a gosto.
No mês de dezembro comemora-se o nascimento de JESUS!
Não importa se Ele nasceu nesse mês ou em outro qualquer.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

O NATAL DE JESUS¹










O dom da vida se estendia naquela noite em meio ao desespero humano de orgulho e mesquinhez moral. Brilhava na protoforma infantil, em configuração educacional, a servir de modelo e guia para todas as criaturas humanas, em convite a se fazerem tal crianças para melhor assimilação dos ensinos superiores.

A maestria intrínseca de Jesus já cintilava ali na singeleza do ambiente, na humildade de um neonato, cujas excelsitude e divindade não buscavam aparatos mundanos “nem ouro nem prata” nem autoridade, para se firmarem e afirmarem, mas unicamente se expressavam silentes por sua magnificência espiritual.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

REFLEXÕES SOBRE O NATAL¹



Por Roberto Caldas (*)


            O nascimento de Jesus datado em 25 de dezembro não se trata de um fato histórico. É uma presunção. Como de resto muitos relatos que se multiplicam a seu respeito ainda carecem ser comprovados, ausentes elementos definitivos de certificação. A sua existência se revestiu de simbologias e enigmas preservando a sua biografia através dos tempos com toda a carga emocional que sobreviveu aos dois últimos milênios.
            Definitivamente a vitória que alcançou sobre a morte foi o registro que o consolidou como o maior entre todos os líderes espirituais do Ocidente, ícone que dividiu a História em duas eras, a que o antecedeu e essa que perdura até os dias atuais. Dados demográficos apontam uma fatia de 32% da população mundial como seus profitentes, 86% entre os brasileiros. Natural que, depois de tantos anos de conhecida a sua mensagem, já tivéssemos familiaridade com uma eficiente maneira de interpretá-lo, mas infelizmente não é assim que os fatos nos sinalizam.

sábado, 19 de dezembro de 2015

MENSAGEM DE NATAL - DIVALDO FRANCO


MENSAGEM DE NATAL

Por Gilberto Veras (*)



Nosso pequeno planeta,
de moral subdesenvolvida,
não é desconsiderado nos planos divinos,
pelo contrário,
é acompanhado e abastecido de amor e providências sábias,
recebe,
em oportunidades felizes,
mensageiros superiores dotados de recursos iluminados
que clareiam sombras da ignorância retardadora da marcha evolutiva natural,
investidas oponentes à inteligência e moralidade,

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

CENTROS ESPÍRITAS SURREAIS¹






É muita imaturidade um dirigente de Centro Espírita nutrir acirrada hierarquia administrativa, considerando que o Espiritismo não admite hierarquia com ranços sacerdotais. É incabível tal dirigente inflexível no exercício do cargo desconectado dos encargos assumidos. Em face dessas incoerências aparecem nas instituições as censuráveis “ilhas de isolamento” entre os grupos de trabalhadores. Tal situação se instala por ausência de fraternidade e insuficiente estudo das obras da Codificação e isso resulta nas inconvenientes interpretações doutrinárias.

Em verdade, se adotamos o Espiritismo por opção religiosa não podemos negar lealdade aos Benfeitores Espirituais. Todavia, por ausência dessa lealdade doutrinária são difundidas confusões conceituais, sempre impostas e sustentadas por dirigentes inábeis, o que também tem mantido isoladas diversas casas espíritas, transformando-as em ilhas desérticas da efetiva fraternidade.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

PELA ÉTICA E A DECÊNCIA¹



         


Por Roberto Caldas (*)



         A Doutrina Espírita além de cumprir com as suas obrigações de estabelecer as normas de convivência entre o mundo material e o invisível possibilitando ao ser encarnado uma ampla visão das responsabilidades que o tornam senhor absoluto de suas ações antes e depois do seu desencarne, também cumpre um papel social dos mais importantes. Pelo fato de tornar claro que não existem dois mundos e sim apenas um, separados pela morte, no qual vale mais uma atitude sadia do que mil orações vazias, o alcance dos seus ensinos norteia a posição política e social dos seus seguidores.

domingo, 13 de dezembro de 2015

UM MUNDO DAS PESSOAS SEM CORPO







Por Paulo Eduardo (*)

Advogado militante, escritor e palestrante é o Francisco Castro de Sousa. Revela profundo conhecimento filosófico. Tece comentários bem objetivos em torno da temática “De onde viemos e para onde iremos retornar”. Referido estudo vem condensado em livro com o sugestivo título de “Um Mundo das Pessoas sem Corpo”. O autor analisa a projeção do espírito numa caminhada lógica da eternidade da vida. Enfoca sob luzes do saber toda uma jornada além da existência física. Consegue demonstrar a trajetória da Doutrina Espírita dentro da simplicidade do reconhecimento trazido por Allan Kardec, na obra básica que principiou pela publicação de “O Livro dos Espíritos” em 1857. Síntese clarividente do que se contém no além com as nossas almas após as encarnações evolutivas.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

O ESPÍRITA "FAZEDOR" - ONDE ESTÃO OS ESPÍRITAS?






Por Alkíndar de Oliveira (*)


Iniciativa do Centro Espírita "O Pobre de Deus", Viçosa do Ceará (CE)Conheça
Caro leitor, hoje muitos não espíritas têm uma ideia totalmente deformada do que é o Espiritismo. Associam-no com seitas outras, que as respeitamos, mas que, com exceção do natural fenômeno mediúnico, nada tem a ver com nossa Doutrina.
Hoje o verdadeiro Espiritismo (por que temos que escrever “verdadeiro” Espiritismo?) ainda é, sejamos sinceros, desconhecido pela maioria das pessoas.
Voltemos ao passado.
Qual era, nas primeiras décadas do século XX, a reação da população brasileira em relação ao Espiritismo?
Eu não estava lá. Mas dá para imaginar como era. Num país predominantemente católico, onde os preconceitos eram ainda mais evidentes e absurdos do que hoje, dizer-se “espírita” era, metaforicamente falando, colocar a corda no pescoço.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

LIXO E SUICÍDIO: PONTOS DE PARTIDA PARA A RECICLAGEM¹






Por André Trigueiro (*)


O catador de lixo e o voluntário do CVV guardam afinidades importantes. Em primeiro lugar, ambos desafiam o tabu de lidar com assuntos que a sociedade abomina ou despreza. Seguem na contramão do senso comum, desafiam a cultura dominante, lidam com o preconceito.  O catador” enxerga" os resíduos com outros olhos. Ele não perde tempo com o lixo.  Separa apenas o que ainda tem serventia e lhe garante o sustento. O voluntário do CVV "enxerga" o ser humano com outros olhos. Acredita no valor de cada um, na capacidade que temos de dar a volta por cima. Por pior que seja a situação de quem o procura, o voluntário investe tempo e energia no exercício da escuta amorosa, resgatando o valor e a autoestima de quem muitas vezes se sente um trapo. O catador ajuda a reduzir o monumental volume de resíduos que satura os aterros e lixões. O voluntário do CVV ajuda a reduzir a perturbação que satura a alma e impede a correta avaliação dos fatos. O trabalho realizado pelo catador reduz os indicadores de desperdício. 

domingo, 6 de dezembro de 2015

A CASA DA ROCHA¹








Por Roberto Caldas (*)



Na Parábola da Casa Edificada sobre a Rocha (Mateus VII; 24), Jesus chama de prudente o homem que resolveu se proteger dos perigos das tempestades e das turbulências. Antes destaca esse homem como aquele que escutara as suas palavras.
Distantes do que propõe Jesus, somos ladeados por diversas construções que sequer passam por vistoria de suas bases e alicerces. A pressa em ter concluída a obra acaba levando os construtores a uma série de decisões que pouco importa se poderão trazer grandes acidentes ao que se encontram ancorados sob os seus limites. Na realidade os falsos edificadores de plantão simplesmente não se ocupam com as consequências de suas atitudes porque as suas personalidades fragmentadas desconsideram que o vento que acaricia é aquele mesmo que destrói todos os obstáculos que se lhes interponham.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

DESAMPARO AFETIVO






Por Jorge Hessen (*)


A 2ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça de Santa Catarina negou indenização por danos morais a uma filha que alegava “abandono afetivo” do pai. O tribunal entende que não se pode obrigar um pai a amar o filho com a ameaça de indenização. Segundo o desembargador Gilberto Gomes de Oliveira, relator do caso “o afeto não é algo que se possa cobrar, quer in natura ou em pecúnia, tampouco se pode obrigar alguém a tê-lo, pois não se pode exigir que pai ame filhos com ameaça de indenização”. [1]

Em direção oposta, três anos atrás, a 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) condenou um pai a indenizar em R$ 200 mil a filha por “abandono afetivo”. A ministra Nancy Andrighi entendeu que é possível exigir indenização por dano moral decorrente de “abandono afetivo” pelos pais. Para ela “amar é faculdade, cuidar é dever”, afirmou no acórdão, pois não há motivo para tratar os danos das relações familiares de forma diferente de outros danos civis.” [2]

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

COMO NÃO TRANSFORMAR INDIGNAÇÃO EM ÓDIO?











Partilhei hoje na minha página do Face uma foto de um membro da polícia militar com a arma em punho diante de uma estudante desarmada, em posição pacífica, durante a guerra declarada pelo Governo do Estado aos alunos que reivindicam a manutenção de suas escolas, no movimento “Não fechem minha escola”. Ao partilhar essa foto e comentar brevemente minha indignação diante da cena, vi-me arrebatada numa discussão desenfreada na minha própria página. Mantive-me calada, mas tenho ficado amargada com o nível de agressividade, conservadorismo, analfabetismo político reinantes no momento presente. E toda vez que manifesto qualquer posição, vejo-me enredada numa trama de contenda, de vibrações desencontradas, que me afetam por dentro.

Por isso, a reflexão de hoje é sobre uma questão fundamental: como manter a paz íntima diante das gritantes injustiças do mundo? Como exercitar a indignação (necessária, pois até Jesus a manifestou diante dos fariseus que exploravam o povo) sem se deixar escorregar para a ódio e para o asco? Como manter o olhar lúcido e crítico diante das estruturas profundamente injustas da sociedade, diante da falta de ética, diante da negligência com o ser humano, sem afundar-se num desânimo existencial, que nos faça parar deprimidos à beira do caminho? Como, enfim, atuar no mundo, para transformá-lo, com suficiente amor no coração, mas sem a pieguice e a apatia dos que aceitam tudo de cabeça baixa?

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

A DOUTRINA DO DESTEMOR¹






Por Roberto Caldas (*)



            O Espiritismo bem que poderia ter como um dos seus codinomes Doutrina do Destemor. E uma justificativa para tal denominação seria a sua enorme vocação para o esclarecimento das pessoas em torno de conceitos que historicamente estabeleceram padrões e impedimentos ao livre exercício do pensamento, mercê de receios descabidos de forças que se impunham enquanto autoridades espirituais.
            Começando pela clareza com que define o gráfico da existência na Terra passando pela morte. Nesse momento a Doutrina do destemor abre a mente das pessoas para a compreensão desse fenômeno não apenas natural como necessário ao equilíbrio planetário e evolucional do seres encarnados. Explica com lógica racional o paralelo de um mundo espiritual concreto e palpável para os seus habitantes baseando cientificamente a existência de planos invisíveis aos olhos terrenos, mas absolutamente reais, de onde o dito morto pode repensar as circunstâncias do período de vida no corpo. Essa visão da morte permite uma reviravolta que transforma o entendimento. Acaba com a ideia da fixidez de regiões, cuja teologia clássica diz dividir-se em céu e inferno, repletas de delícias enfadonhas ou de sofrimentos demasiado cruéis para serem acreditados.