Pular para o conteúdo principal

MEDIUNIDADE - A ÁRVORE E OS FRUTOS

 

                    

           Surpresa para o professor Rivail! Convidado para avaliar fenômenos que a inteligência da época não alcançava, vê-se defronte uma revelação que mudaria a sua vida e traria para a humanidade outra forma de encarar a vida. “Os mortos vivem e podem se comunicar conosco”. A faculdade humana para explicar tal possibilidade se chama Mediunidade e aqueles que a possuem, Médiuns. Essa a constatação, sem que aquele pesquisador sequer presumisse e, portanto destituída de qualquer inclinação cientificamente preconcebida.

            A Mediunidade é, enfim, a maior comprovação da vida que segue após a pane do corpo físico que desce ao sepulcro. A imortalidade cantada e decantada sob a roupagem dos dogmas aparece agora recitada pela voz daqueles que nos antecederam na grande viagem. Se outras aplicações não houvesse, essa já seria a maior consolação buscada por aqueles que choram pela saudade e pela dor da perda dos entes queridos.

            Pesquisada pelos grandes expoentes da Psicologia Moderna e da Psiquiatria, como Pierre Janet, William James, Freud e Jung, cujos aspectos observados apresentavam destaques de psicopatologia por presumirem condições de grave sofrimento psíquico e mental, a Mediunidade revela também uma face que diverge por completo dos desequilíbrios que podem vinculá-la aos transtornos neuróticos e psicóticos. Denunciando elementos que se encontram invisíveis á maioria das pessoas, o seu exercício disciplinado conduz à maior claridade mental, sem que interfira na rotina de normalidade mental do seu praticante enquanto agente social e humano. Fora de transe, o médium é uma pessoa em estado de completa normalidade e convivência com seus pares.  

            A contemporaneidade tornou a Mediunidade um tema de discussão e controvérsia. Há uma quantidade de médiuns com reconhecida produção tornada pública que, no mínimo, intriga a Ciência Psicológica trazendo verdadeiros mananciais de informações que servem de apoio as muitas dificuldades humanas. A intervenção dos Espíritos através de um intermediário tem o potencial de influenciar de forma extraordinária a condição de bem estar, sob quaisquer de suas formas: a oralidade, a escrita, a intuição, a visão ou ainda os fenômenos de cura, esses últimos preferencialmente à distância.

            O capítulo VIII de O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec (Do Laboratório do Mundo Invisível) demonstra como se dá a ação dos Espíritos sobre o mundo dos encarnados em todas as variáveis de comunicação. A manipulação dos fluidos e as condições plásticas do perispírito é que possibilitam a ação dos Espíritos desencarnados em benefício dos encarnados.

Muitos médiuns trouxeram e ainda trazem a benfazeja intervenção dos invisíveis, mundo afora, sendo o Brasil um grande celeiro, em todos os tempos. Entre tantos grandes medianeiros nascidos em terras brasileiras, esforço de seleção, encontramos Divaldo Franco, Chico Xavier, João Nunes Maia, Yvonne do Amaral Pereira, José Arigó, Anna Prado, Carmine Mirabelli, Eurípedes Barsanulfo. Divaldo Franco sendo o único encarnado dessa lista. A capacidade de consolar, ensinar, esclarecer, curar especialmente dos males da alma dessa equipe de médiuns faz da Mediunidade um caminho luminoso na Terra.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A HISTÓRIA DE JERÔNIMO

  Por Jerri Almeida A história de Jerônimo é comovente. Nasceu no dia 1º de novembro de 1939 em Ituiutaba, Minas Gerais. Narra-se que sua infância foi a de uma criança normal. Frequentou escola até o início do ginasial antigo. Todavia, já na adolescência, começou a sentir os primeiros sinais de sua doença, através de dores nas articulações, especialmente nos joelhos e tornozelos, que passaram a inchar e, aos dezoitos anos, já andava com dificuldade.

QUANDO O ESPIRITISMO VIRA ARENA DE PRÁTICAS “DIFERENTONAS”

  Sala para realização de cirurgia espiritual no C.E.Casa de Oração Espírito de Luz Por Jorge Hessen Entre a codificação e a fantasia mediúnica, alguns parecem ter escolhido a segunda Há algo profundamente preocupante no movimento espírita brasileiro: a crescente transformação da mediunidade em laboratório de novidades. Cada grupo inventa sua fórmula, cada dirigente anuncia seu método, cada médium apresenta uma experiência particular, como se representasse a evolução da Doutrina. E, quando alguém pergunta onde está Kardec, responde-se com a palavra mágica: “caridade”. Não. Caridade não é salvo-conduto para a improvisação “diferentona”.

A AUDITORIA DA ALMA: VIDAS PRETÉRITAS, FORMA-MERCADORIA E A ÉTICA DO EU-TU

    Por Jorge Luiz   O Mito da Identidade Intacta             Antes mesmo de pronunciarmos a primeira palavra ou esboçarmos o primeiro pensamento reflexivo, já fomos batizados. O nome próprio — esse signo fundamental que carrega nossa existência jurídica e social — nos é atribuído pela expectativa, pelo gosto e pelas projeções do outro. Somos nomeados no escuro. Para muitos, no entanto, o amadurecimento da consciência traz consigo um estranhamento visceral diante desse rótulo herdado. Descobre-se que a roupagem simbólica recebida no berço não se ajusta à pele de quem nos tornamos, levando um número crescente de pessoas a recorrer ao Direito Civil para alterar aquilo que parecia ser a mais imutável das certezas: a própria alcunha.             Talvez houvesse um ganho civilizatório profundo se a consolidação do nome dependesse de uma validação posterior, um ...

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

SEMANA MAURÍCIA

Cap. Maurício - Patrono da CME CAPITÃO MAURÍCIO era o comandante da Legião Tebana. Essa legião era originária do Egito e seus soldados eram todos cristãos. No ano (286 d.C.), o Império Romano convocou a Legião Tebana para debelar a Revolta dos Bagaudos . Era costume do Exército romano, antes de entrar em combate, realizar os “sacrifícios propiciatórios aos deuses pagãos” para sucesso da batalha. Capitão Maurício e toda a sua Legião, por serem cristãos, recusam-se a participarem daqueles rituais. A mentalidade cristã não poderia, naturalmente, coincidir com a pagã. Embora respeitando as leis e sendo leais ao Império, não colocavam a pátria terrena acima de tudo.

MATERIALISMO

  O Materialismo é a doutrina que acredita que os fenômenos naturais, sociais, mentais e históricos são esclarecidos pela própria matéria ou pelas condições concretas materiais, também dispensando qualquer forma de participação divina em todo o processo de formação da vida, relacionando-o com fatores evolutivos casuais. Concebendo os fenômenos vitais como sem origem inteligente, fruto somente do "acaso", não aceitando a substância imaterial, os partidários do materialismo têm grande propensão de sancionar o orgulho e o egoísmo e, consequentemente, o hedonismo, como igualmente participam com afinco de todos os programas relativos à justificação e à propagação dos crimes do aborto e da eutanásia.

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

É HORA DE ESPERANÇARMOS!

    Pé de mamão rompe concreto e brota em paredão de viaduto no DF (fonte g1)   Por Alexandre Júnior Precisamos realmente compreender o que significa este momento e o quanto é importante refletirmos sobre o resultado das urnas. Não é momento de desespero e sim de validarmos o esperançar! A História do Brasil é feita de invasão, colonização, escravização, exploração e morte. Seria ingenuidade nossa imaginarmos que este tipo de política não exerce influência na formação do nosso povo.

ESPIRITISMO À BRASILEIRA: AFIRMAÇÃO DO ESPIRITISMO NO RIO DE JANEIRO

"A Gênese", publicada em 1882 pela Livraria Garnier, RJ, Cap. Império               Desde a publicação de O Livro dos Espíritos, em 1857, o Espiritismo passou a ser conhecido por alguns brasileiros familiarizados com a língua francesa e por grupos de franceses através da obra de Casimir Lieutaud, Les Temps Sont Arrivés

LOBISOMEM: MITO OU REALIDADE?

    Por Americo N. Domingos Filho   Na tradição oral, em âmbito mundial, há o relato fantástico de um ser que se converte em lobo, em noites de lua cheia, e, sedento de sangue, sai em busca de suas vítimas para sugá-las. Ao amanhecer, assume de novo as características de uma pessoa comum. Essa lenda revela um ser amaldiçoado, que se torna parte homem e parte lobo, produzindo muito temor, principalmente nas crianças e, igualmente, em muitos adultos, especialmente os moradores de áreas rurais.