Pular para o conteúdo principal

REENCARNAÇÃO VIA ÚNICA PARA O ALCANCE DA PLENITUDE?



 


    A Doutrina Espírita é riquíssima em informações a respeito da necessidade da reencarnação como caminho primordial e exclusivo para o espírito na busca do Infinito dentro de si; empreitada já conquistada pelo excelso Mestre Jesus, situando-se na primeira ordem da escala evolutiva que é a dos espíritos bem-aventurados ou puros (Q. 160 de “O Livro dos Espíritos” - “O LE”).

      BOX 1: O QUE ENSINA A DOUTRINA DOS ESPÍRITOS SOBRE A OBRIGATORIEDADE DO MERGULHO NA CARNE?

      Assim como toda a criação, o Cristo foi gerado simples e ignorante e se “instruiu nas lutas e tribulações da vida corporal, percorrendo todos os graus da escala evolutiva, despojando-se de todas as impurezas da matéria”, conforme ensinam as questões 133 e 113 de “OLE”.


      É na vibração mais densa, portanto, que o ser espiritual escolhe o seu caminho: “Se não existissem montanhas, não compreenderia o homem que pode subir e descer; se não existissem rochas, não compreenderia que há corpos duros” (Q.634 de “OLE”).

      Diz o insigne Léon Denis, na obra “Depois da Morte”, que a alma só adquire conhecimento no homem (FEB, pág. 124). No livro “O Problema do Ser, do Destino e da Dor”, esse ilustre pensador enfatiza que “só no homem a alma acorda, conhece-se, possui-se e torna-se consciente...”.

      Segundo a codificação kardeciana, “a união do Espírito e da matéria é necessária” (Q.25 de “OLE”), já que “os espíritos têm que sofrer todas as vicissitudes da existência corporal” (Q.132 de “OLE”) e “são felizes de conformidade com o grau de desmaterialização a que hajam chegado” (Q. 231 de” OLE”).

      Kardec diz: “a vida do espírito se compõe de uma série de existências corpóreas, cada uma das quais representa para ele uma ocasião de progredir” (Q.191 de “OLE”).

      Quando aborda, na escala espírita, a Segunda Ordem, correspondendo a dos Bons Espíritos, a Doutrina Espírita relata que esses seres têm “predominância sobre a matéria”, embora “não estando ainda completamente desmaterializados” (Q. 107 de “OLE”).

      Em “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, São Luís ensina que “a passagem dos espíritos pela vida corporal é necessária para que possam cumprir, com a ajuda de uma ação material, os desígnios cuja execução Deus lhes confiou; ela é necessária a eles mesmos porque a atividade que são obrigados a desempenhar ajuda o desenvolvimento de sua inteligência” (item 25, cap. IV).

      Realmente, a pluralidade das existências é a via única para o alcance da plenitude espiritual. A conquista do Reino de Deus, imanente em todos os seres, no momento em que no estado de perfeição a que chegaram, “percorreram todos os graus da escala e se despojaram de todas as impurezas da matéria” e “não estando mais sujeitos à reencarnação em corpos perecíveis, não se acham mais submetidos às necessidades, nem às vicissitudes da vida material” (Q. 113 de “OLE”).

      Os ensinamentos grifados acima, retirados da codificação espírita, revelam enfaticamente que a reencarnação é incontestavelmente o exclusivo caminho para a evolução do ser espiritual. Corroborando essa afirmativa, na obra “Obras Póstumas”, encontra-se o seguinte enunciado: “A encarnação dos espíritos está nas leis da Natureza; é necessária ao adiantamento deles e à execução das obras de Deus.

      Pelo trabalho, que a existência corpórea lhes impõe, eles aperfeiçoam a inteligência e adquirem, cumprindo a lei de Deus, os méritos que os conduzirão à felicidade eterna. Daí ressalta que, concorrendo para a obra geral da criação, os espíritos trabalham pelo seu próprio progresso” (Cap. III, item 21).

      A seguir, no item 24, do cap. XI, da obra básica doutrinária “A Gênese”, Kardec afirma que “a obrigação que tem o Espírito encarnado de prover o alimento do corpo, a sua segurança, o seu bem-estar, a força a empregar suas faculdades em investigações, a exercitá-las e desenvolvê-las. Útil, portanto, ao seu adiantamento, é a sua união com a matéria. Daí o constituir uma necessidade a encarnação

      Além disso, pelo trabalho inteligente que ele executa em seu proveito, sobre a matéria, auxilia a transformação e o progresso material do globo que lhe serve de habitação. É assim que, progredindo, colabora na obra do Criador, da qual se torna fator inconsciente”.

      BOX 2: TESES ESPIRITUALISTAS DISCORRENDO SOBRE EVOLUÇÃO DO ESPÍRITO SEM A GUARIDA ESPÍRITA

      É importante frisar que a Doutrina Espírita não considera a hipotética afirmação de que a evolução se processa fundamentalmente nos domínios extrafísicos, sendo a Terra e outros mundos semelhantes criados para moradas dos seres faltosos, falidos, exilados, “castigados por Deus”. Há, ainda, o relato de que até mesmo seres que já haviam atingido alta evolução (“espíritos superiores”), somente vivendo na dimensão espiritual, inclusive colaborando com Deus nos processos da Criação, assenhoreados pelo orgulho, foram penalizados, sendo levados à encarnação humana (“anjos decaídos”), constituindo “larvas rastejantes e informes”.

      Repelindo essas equivocadas declarações, em “A Gênese”, o excelso Kardec afirma: “Normalmente, a encarnação não é uma punição para o espírito conforme pensam alguns, mas uma condição inerente à inferioridade do espírito e um meio de ele progredir. À medida que ele progride moralmente, o espírito se desmaterializa, isto é, depura-se, com o subtrair-se à influência da matéria; sua vida se espiritualiza, suas faculdades e percepções se ampliam; sua felicidade se torna proporcional ao progresso realizado”.

      Na Revista Espírita de Junho-1863, pág. 163, Edicel, o codificador, assim se expressou: “Segundo um sistema que tem algo de especioso à primeira vista, os espíritos não teriam sido criados para encarnarem e a encarnação não seria senão o resultado de sua falta. Tal sistema cai pela mera consideração de que se nenhum espírito tivesse falido, não haveria homens na Terra, nem em outros mundos. Ora, como a presença do homem é necessária para o melhoramento material do mundo, como ele concorre por sua inteligência e sua atividade para a obra geral, ele é uma das engrenagens essenciais para a Criação.

      Deus não podia subordinar a realização desta parte de sua obra à queda eventual de suas criaturas, a menos que contasse para tanto com um número sempre suficiente de culpados para fornecer operários aos mundos criados e por criar. O bom senso repele tal ideia”.

      Continuando a analisar a malsinada tese de que a “encarnação é um castigo’, Kardec afirma: “A encarnação é, pois uma necessidade para o espírito que, realizando a sua missão providencial, trabalha seu próprio adiantamento pela atividade e pela inteligência, que deve desenvolver, a fim de prover à sua vida e ao bem-estar. Mas a encarnação torna-se uma punição quando, não tendo feito o que devia, o espírito é constrangido a recomeçar a sua tarefa e multiplicar suas existências corpóreas penosas por sua própria culpa... O que é errado é admitir a encarnação como um castigo”.

      Enfaticamente, o Espiritismo ensina que o espírito, criado simples e ignorante, não vivencia o bem e o mal na dimensão espiritual, ressaltando que “é preciso que o espírito ganhe experiência; é preciso, portanto, que conheça o bem e o mal. Eis por que se une ao corpo”. (Q. 634 de “OLE”). Portanto, se conhece o bem e o mal, na carne, não pode o ser espiritual, inclusive já “superior”, “trabalhando até na constituição de planetas”, ter errado, na dimensão extrafísica, antes de sua primeira encarnação (?), a qual constitui como ensina a Doutrina Espírita, uma necessidade para o princípio inteligente, já dotado da individualidade ou conscientização de si mesmo, ingressando, na humanidade, com triunfo e nunca como um castigo, depois de percorrer com sucesso os diversos reinos, sabendo que “... tudo se encadeia na Natureza, desde o átomo primitivo até o arcanjo, pois ele mesmo começou pelo átomo” (Q. 540 de “OLE”).

      Quanto à segunda infeliz declaração, relatando a encarnação de “anjos falidos” como “larvas rastejantes e repugnantes”, tentando ressuscitar a famigerada teoria da metempsicose, rebate a Doutrina Espírita, dizendo que “os espíritos podem conservar-se estacionários, mas não retrogradam”. (Q. 178-a de “OLE”).

      Como é importante o estudo profundo das obras básicas doutrinárias, desde que, provido verdadeiramente dos conhecimentos trazidos pelo Consolador entre nós, o profitente espírita pode descartar os pensamentos mediúnicos de fonte inferior que trazem a confusão e a discórdia.

      Em verdade, os falsos profetas do além, “com o objetivo evidente de ridicularizar o Espiritismo para dele afastar as pessoas de bom senso” (Herculano Pires, em “O Verbo e a Carne”), sempre estão a postos intentando solapar a magnânima e excelsa Doutrina de Jesus, como está sendo verificado, atualmente, com a publicação de obras mediúnicas, relatando atividade sexual, na erraticidade, com fecundação e nascimentos de espíritos, de almas de aves e de animais.

      Definiram o inusitado fenômeno de “Reencarnação no Plano Espiritual”, ferindo, não somente a codificação kardeciana, como igualmente o vernáculo, desde que reencarnar (prefixo “re” + encarnar, do latim incarnare) é voltar à dimensão física, ou seja, tornar o espírito a habitar um corpo carnal com o objetivo de se burilar e se aperfeiçoar na senda do progresso a que todos os seres estão predestinados. Portanto, só se reencarna, é claro, na carne. A criação ou fecundação de espíritos é essencialmente obra divina. É extrema tolice, intenso disparate, afastar Deus da criação dos espíritos.

      BOX 3: SEM A REENCARNAÇÃO, NÃO HÁ POSSIBILIDADE DE O ESPÍRITO ALÇAR VOOS EM ALTA VIBRAÇÃO ESPIRITUAL

      O Espiritismo nega a evolução do espírito na erraticidade, dizendo que se o indivíduo não reencarnasse, permaneceria estacionário, conforme revela a Q. 175 (a) de “OLE”.

      Na obra “A Terra e o Semeador”, o confrade Salvador Gentile pergunta:

      “Chico Xavier, por que se diz que o espírito para evoluir precisa encarnar? No Mundo Espiritual, ele não evolui? Qual a diferença principal entre as duas faixas de evolução quanto ao aprendizado?”

      Corroborando a codificação kardeciana, o ilustre medianeiro diz que “internados no corpo terrestre é que somos instruídos a respeito da necessidade de mais ampla harmonização de nossa parte, uns com os outros, certamente porque, vivendo nas esferas espirituais próximas da Terra, com aqueles que são as criaturas absolutamente afinadas conosco, não percebemos de pronto as necessidades de aperfeiçoamento e progresso.

      Numa comunidade ideal, com vinte, quarenta ou dez pessoas raciocinando por uma faixa só, estamos tão felizes que corremos o risco de permanecer estanques em matéria de evolução por muito tempo. Beneficiados com a reencarnação, o estacionamento é quebrado de modo natural...” (Chico, nessa resposta, respeitando a codificação kardeciana, diz que a estagnação do ser, na espiritualidade, é finda, naturalmente, sem qualquer conotação punitiva).

      Nas paragens espirituais, o ser espiritual, ainda deficiente, em grande proporção, se mantém nas malhas do arrependimento e do remorso, desejoso de outras experiências na carne, aproveitando o abençoado esquecimento do passado para restaurar sua paz, retificando seu caminho de dívidas e dúvidas.

      Na erraticidade, tudo o que ele adquire como aprendizado, o que o faz melhorar discretamente na faixa evolutiva em que se encontra, terá que ser testado na dimensão física; portanto, só ascende, subindo para outro degrau da escada evolutiva quando passar pelas provas e expiações. O indivíduo faz cursos de aprendizagem como um vestibulando, mas só pode se graduar, quando se tornar vitorioso após as provas e cursar com sucesso a universidade da vida na matéria. O que adquiriu na espiritualidade, com muita vontade e desejo, todavia, terá de ser posto em prática na vivência corpórea, como ensina a Q. 230 de “OLE”.

      BOX- 4: A OBRIGATORIEDADE DA REENCARNAÇÃO NA ARENA FÍSICA, SEGUNDO JESUS: “IMPORTA-VOS NASCER DE NOVO” (JOÃO 3:7-8)

      Corroborando a Doutrina Espírita, enfatizando a necessidade primordial da reencarnação para a evolução do espírito, o amado Mestre Jesus, dialogando com o fariseu Nicodemos, ensinou: “Em verdade, em verdade, te digo: “Ninguém pode ver o Reino de Deus se não nascer de novo” (João 3:3). “Não te maravilhes de eu te dizer: é-vos necessário nascer de novo” (João 3:7):

      Segundo o Evangelho de Jesus, é obrigatório para todos os espíritos (é-vos) o renascimento na carne para conquistar o Reino de Deus, isto é, para encontrar dentro de si a divindade que lhes dá a vida e esse mergulho interior é obtido através das inúmeras oportunidades reencarnatórias (” O que é nascido da carne, é carne”). A impossibilidade de alçar grandes voos, na dimensão extrafísica, é bem explanada por Jesus, quando aborda a “Parábola do Filho Pródigo”, citando o filho mais velho como alguém paralisado, estacionado, na evolução, temeroso de ir adiante, o que não fez seu irmão mais novo, chegando ao ponto de “comer dos restos dos porcos”, isto é, passar pelas tenazes atribulações da vida somática, passando com proveito pelo sofrimento restaurador, tanto expiatório como provacional, e receber as honrarias da vitória conquistada (“O que é nascido do espírito, é espírito”).

      BOX 5: NECESSIDADE DA REENCARNAÇÃO PARA A EVOLUÇÃO DO ESPÍRITO

      Sem a reencarnação não há progresso moral e intelectual do ser espiritual, porquanto a dimensão física é o palco propício à retificação dos equívocos e para amealhar novos impulsos do presente.

      Através do mergulho na vibração mais baixa, o indivíduo é submetido a uma tenaz tirania biogenética, vivenciando múltiplas facetas na personalidade, com a presença de biótipos psicológicos de variados matizes e sofrendo a pressão do meio em que está inserido.

      Tudo isso proporcionará a oportunidade impar de se defrontar com a possibilidade de conquistar uma colheita primorosa de novas experiências.

      O homem é "um Espírito transeunte, reencarnado nesta Terra, peregrino imperfeito, em determinado grau educativo em romagem da perfectibilidade para perfeição que, pela educação conquistada ou a conquistar em reencarnações sucessivas e progressivas como ser pluriexistencial, atingirá o estado de Puro Espírito, isto é totalmente educado" (Ney Lobo, Filosofia Espírita da Educação, vol. 1).

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

ATAVISMO DO SENHORIO: A GÊNESE DO DESEJO DE EXPLORAR

     Por Jorge Luiz De onde brota esse desejo insaciável de oprimir e explorar o outro, transformando a vida alheia em mero recurso para o proveito próprio?   A Inquietação Fundamental e a Soberba O filme Guerra do Fogo , embora ficcional, é emblemático para determinar a disputa de duas tribos pelo domínio do fogo, que só uma sabia produzi-lo. O fogo não representava só o calor e a arma para enfrentar os predadores, mas, sim, um “poder tecnológico”. Quem o possuía dominava o ambiente e outras tribos. A tribo que rouba o fogo não quer apenas sobreviver; ela descobre que o medo da outra tribo a torna “soberana”. (*) O cientista britânico Robert Winston considera que o instinto de dominação é uma herança instintiva da nossa luta pela sobrevivência, proporcionada pela testosterona. Sabemos, diz ele, que para enfrentar os predadores violentos, os hominídeos tinham de ser fortes e poderosos. É ela a responsável pela formação da massa muscular e, portanto, da form...

O ESPIRITISMO É PROGRESSISTA

  “O Espiritismo conduz precisamente ao fim que se propõe todos os homens de progresso. É, pois, impossível que, mesmo sem se conhecer, eles não se encontrem em certos pontos e que, quando se conhecerem, não se deem - a mão para marchar, na mesma rota ao encontro de seus inimigos comuns: os preconceitos sociais, a rotina, o fanatismo, a intolerância e a ignorância.”   Revista Espírita – junho de 1868, (Kardec, 2018), p.174   Viver o Espiritismo sem uma perspectiva social, seria desprezar aquilo que de mais rico e produtivo por ele nos é ofertado. As relações que a Doutrina Espírita estabelece com as questões sociais e as ciências humanas, nos faculta, nos muni de conhecimentos, condições e recursos para atravessarmos as nossas encarnações como Espíritos mais atuantes com o mundo social ao qual fazemos parte.

ALLAN KARDEC, O DRUIDA REENCARNADO

Das reencarnações atribuídas ao Espírito Hipollyte Léon Denizard Rivail, a mais reconhecida é a de ter sido um sacerdote druida chamado Allan Kardec. A prova irrefutável dessa realidade é a adoção desse nome, como pseudônimo, utilizado por Rivail para autenticar as obras espíritas, objeto de suas pesquisas. Os registros acerca dessa encarnação estão na magnífica obra “O Livro dos Espíritos e sua Tradição História e Lendária” do Dr. Canuto de Abreu, obra que não deve faltar na estante do espírita que deseja bem conhecer o Espiritismo.

HOMENAGEM AO CONFRADE E IRMÃO FRANCISCO CAJAZEIRAS

            Francisco Cajazeiras, ao centro, com os colaboradores do Instituto de Cultura Espírita.             Tive a alegria e felicidade de conhecer Francisco Cajazeiras, a quem passei a tratá-lo por Francisco, no início da década de 1990, quando residia em Sobral, norte do Estado do Ceará, apresentado-o pelos colegas Everaldo Mapurunga e Geovani de Castro Pacheco, do Banco do Brasil em Viçosa Ceará, empresa onde também trabalhei. À época, abracei o ideal espírita e me vinculei ao Grupo Espírita Bezerra de Menezes, em Sobral. A aproximação entre os familiares foi alegre reencontro de almas – Rejilane (esposa), Alana e Ariane (filhas), logo em seguida nasceu Ítalo.

ESPIRITISMO E POLÍTICA¹

  Coragem, coragem Se o que você quer é aquilo que pensa e faz Coragem, coragem Eu sei que você pode mais (Por quem os sinos dobram. Raul Seixas)                  A leitura superficial de uma obra tão vasta e densa como é a obra espírita, deixada por Allan Kardec, resulta, muitas vezes, em interpretações limitadas ou, até mesmo, equivocadas. É por isso que inicio fazendo um chamado, a todos os presentes, para que se debrucem sobre as obras que fundamentam a Doutrina Espírita, através de um estudo contínuo e sincero.

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

A FAMÍLIA PÓS-NUCLEAR

      Por Jerri Almeida Preâmbulo O estudo das relações familiares na contemporaneidade implica pensarmos sobre suas novas configurações e mediações. Sabemos que é cada vez mais comum encontrarmos exemplos de filhos que vivem somente com a mãe, com o pai ou com outro parente. O contexto das relações, na sociedade complexa que vivemos, define novos vínculos e novas tendências na composição da família. Conforme apontou Bauman, em seu livro intitulado Amor Líquido[1] – Sobre a fragilidade dos laços humanos, os relacionamentos conjugais tornaram-se, na pós-modernidade, muito “líquidos”, isto é, sem bases sólidas. Os valores sociais e culturais de nossa época contribuem para uma fragilização do casamento, ampliando vertiginosamente o número das separações.

A HONESTIDADE NÃO NECESSITA DE ELOGIOS - É OBRIGAÇÃO HUMANA

Por Jorge Hessen (*) Não experimento qualquer regozijo quando leio as notícias sobre pessoas que são festejadas por atos de honestidade. Isso significa que ser honesto é ser exceção numa maioria desonesta. Despertou-nos a atenção um recente roubo ocorrido em Canna, uma pequena ilha da Escócia. O imprevisto ocorreu em uma loja gerenciada pelos próprios fregueses, que vendia comidas, produtos de higiene pessoal e outros utensílios. Produtos como doces, pilhas e chapéus de lã artesanais foram roubados, sendo a loja revirada pelos ladrões. Parece coisa pequenina para nós brasileiros, mas o roubo assombrou os residentes de Canna, que não viam nada parecido acontecer por ali havia meio século. A loja permanece aberta em tempo integral e o pagamento da compra dos produtos é feito na “boa fé” ou “caixa da honestidade”: os fregueses deixam o dinheiro junto com um bilhete descrevendo o que compraram. Se confrontarmos a realidade do Brasil, seja na educação, na saúde, na ética, na hon...

LÉON DENIS ENTRE A LIBERDADE MORAL E A RESPONSABILIDADE SOCIAL

  Por Wilson Garcia    Por que reduzir o Espiritismo a rótulos políticos empobrece seu alcance humano Há leituras que esclarecem — e há leituras que, sem o perceber, estreitam o campo de visão. No debate recente sobre Socialismo e Espiritismo[i], de Léon Denis, esse risco tornou-se visível: ao tentar proteger o pensamento espírita de apropriações materialistas, corre-se o perigo inverso de reduzir sua densidade social, confinando-o a categorias políticas que jamais lhe fizeram justiça. A análise crítica de Marco Milani sobre a edição brasileira da obra, publicada pela Casa Editora O Clarim, prestou um serviço inegável ao movimento espírita. Ao demonstrar problemas de tradução e enquadramento editorial, Milani mostrou com clareza que Denis não pode ser confundido com o socialismo materialista, estatizante ou revolucionário que dominava o debate político de seu tempo. Essa advertência é necessária — e correta.