domingo, 19 de novembro de 2017

ENCERRAMENTO DA II SEMANA JAIME ROLEMBERG - 17/11/2017



 (Texto elaborado com base nas obras literárias “Jaime, o escultor do bem” de Paulo Valente e, “A espiritualidade e a Obra de Fabiano”, ambos publicados pela CAPEMISA Social)




A abertura da nossa II Semana JAIME ROLEMBERG, que aconteceu na última segunda-feira, foi muito iluminada.
Nosso convidado, o professor César Soares dos Reis, presidente do Instituto de Cultura Espírita do Brasil (ICEB) e conselheiro do Conselho Deliberativo do Lar Fabiano de Cristo, conseguiu prender nossa atenção durante todo o tempo que falou sobre a vida e as obras do nosso Patrono, Coronel Jaime Rolemberg de Lima, fundador do Lar Fabiano de Cristo, uma obra de inclusão social, e da CAPEMISA, uma empresa previdenciária, criada com o objetivo principal de dar apoio financeiro à Obra de Fabiano.

Essa ideia era sui generis no mundo. Uma empresa de pessoas, criada para atrelar seu capital à filantropia. Até então, ninguém tinha pensado nisso. Por isso, dizemos que Jaime Rolemberg sempre esteve à frente do seu tempo.
Nós, espíritas, baseados nos ensinamentos dos Espíritos, sabemos que Jesus, o Cristo de Deus, é o Guia e Modelo do nosso comportamento. Contudo, também sabemos que não é errado tentarmos imitar os bons exemplos dos Homens de Bem que convivem conosco, nos esforçando em vivenciar esses exemplos cristãos, amando o próximo como a nós mesmos, como recomendou o nosso Mestre e Senhor Jesus.
Jaime Rolemberg era aquele “Homem de Bem”, que estudamos em O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XVII, item 3.
Percebemos isso quando lemos sua biografia e verificamos sua personalidade caridosa, já existente, desde sua infância.
O pequeno Jaime era um menino pobre, nasceu em uma família pobre, numa cidade pobre, no interior do Estado de Sergipe, Maruim. Contudo, uma coisa diferenciava aquele menino: ele era muito rico em fraternidade e amor ao próximo. Sua benevolência era inata.
Quando o pequeno Jaime contava com apenas 9 anos de idade, seus pais ficaram preocupados com ele. Mesmo comendo um pratão de comida todos os dias, o menino estava muito magro e a cada dia parecia que emagrecia mais.
O que estaria acontecendo com nosso filho? Pensavam seus pais. Mesmo sendo pobres, a comida nunca lhes faltou.
Certo dia, João Lima, seu pai, saiu atrás do pequerrucho para ver o que estava acontecendo, pois, todo dia, na hora do almoço, o pequeno Jaime enchia o prato de comida e ia comer fora de casa.
Então o pai descobriu o segredo de Jaime: embaixo de uma grande árvore, ele viu seu filho dar um assobio. Logo em seguida apareceram alguns dos garotos mais pobres das redondezas. Eles chegaram felizes, ansiosos. Todos sentaram formando uma roda e o prato de comida correu de mão em mão, saciando, pelo menos em parte, a fome coletiva.
Mais tarde, João Lima chamou seu filho para conversar. Disse a ele que sua mãe, dona Marocas, como era carinhosamente conhecida, estava muito preocupada com a magreza dele, pois, era fundamental se alimentar bem.
Foi então que o menino mais uma vez surpreendeu seu pai. Com a voz firme e decidida disse: - Pai, quando eu crescer vou estudar muito e trabalhar muito para dar comida a todas as crianças que não têm o que comer.
Podemos perceber que, naquele momento, apesar da pouca idade, a Obra de Fabiano de Cristo começava a tomar forma no Espírito Jaime Rolemberg.
O tempo passou..., o menino cresceu..., estudou e trabalhou bastante. E cumpriu a promessa que fizera a seu pai.
No dia 08 de janeiro de 1958, Jaime Rolemberg de Lima e outros amigos de ideal espírita, dentre os quais, Carlos Torres Pastorino, Alziro Zarur, Divaldo P. Franco, Chico Xavier, Gen. Augusto Duque-Estrada, Jorge Andrea dos Santos, etc., fundaram o Lar Fabiano de Cristo (LFC), uma obra de inclusão social que visa à educação integral do ser humano, acolhendo no seu seio os deserdados da Terra.
A história espiritual do LFC é narrada no opúsculo “A Espiritualidade e a Obra de Fabiano”, publicado pela CAPEMISA Social.
Dissemos anteriormente que Jaime Rolemberg era um Homem de Bem. Dissemos isso, porque ele possuía as qualidades que marcam os Bons Espíritos. Ele era bom, humano e benevolente com todos, sem distinção de raça nem de crenças, porque via todos os homens como irmãos.
Ele respeitava nos outros todas as convicções sinceras, e não lançava o anátema aos que não pensavam como ele. Em todas as circunstâncias, a caridade era o seu guia.
Mas, como todos nós que estamos encarnados um dia iremos desencarnar, Jaime Rolemberg de Lima desencarnou no dia 17 de janeiro de 1978, aos 64 anos incompletos. E o Brasil, de Norte a Sul, de Leste a Oeste, ficou enlutado. As pessoas começaram a perceber, mais ainda, a grandiosidade daquela alma que veio cumprir uma missão de Amor aqui na Terra, em nome do Cristo Jesus.
No dia do seu sepultamento, no cemitério São João Batista (Zona sul do Rio de Janeiro), uma multidão compareceu para dar o último adeus ao seu benfeitor. Pessoas simples e anônimas; também, homens e mulheres de grande projeção social e política. Todos indistintamente tratados como irmãos por Jaime Rolemberg.
Sua filha, dona Eni Siqueira Lima, em outra oportunidade, fez a seguinte declaração: - Ali, no cemitério, eu vi que ele não era apenas o meu pai... ele era o pai de todos.
Vale a pena destacar uma história da vida do Coronel Rolemberg, narrada por Paulo Valente, ex-funcionário da CAPEMISA, que conviveu com o insigne militar espírita, no seu livro biográfico “Jaime, o escultor do bem”:
Nos dias subsequentes, por todo o país, muitas homenagens foram prestadas à memória de Jaime Rolemberg de Lima. Em centenas de municípios, ruas foram rebatizadas com o nome do Coronel. E muitas Câmaras de Vereadores, principalmente de cidades que abrigavam Obras do Lar Fabiano de Cristo, fizeram sessões especiais “in memorian” dele. Na de Salvador (BA) ocorreu um fato que merece citação especial, em virtude da pessoa envolvida e porque nada daquilo estava programado.
Corria normalmente a sessão da Câmara dos Vereadores de Salvador, onde Rolemberg estava sendo homenageado, quando de repente, em meio aos discursos, entra no Salão uma senhora pequena, magrinha, vestida com um hábito. Fez-se silêncio absoluto. Era Irmã Dulce, um baluarte na Bahia e no Brasil. Ela pediu a palavra e disse que mesmo não sendo convidada para aquela cerimônia, ela fez questão de comparecer porque gostaria de prestar sua homenagem àquele homem que a ajudara muito. Apesar de professarem diferentes crenças, foi ele quem a ajudou nas obras do seu Hospital, depois dela ter tentado obter recursos de várias maneiras e nada ter conseguido. Jaime Rolemberg ajudou-a sem fazer nenhum alarde.
Tudo começou quando o Coronel foi visitar Irmã Dulce na Bahia. Ele entrou no seu hospital, que apresentava condições bastante precárias. De maneira muito discreta, bem no seu estilo, foi tomando conhecimento de todas as necessidades e encetou o seguinte diálogo com a Irmã:
- O que a senhora está precisando aqui?
- De tudo... – disse Irmã Dulce.
- Olha, eu tenho uns amigos lá no Rio e eles podem até ajudar a senhora. Vou falar com eles, tá? – finalizou Rolemberg.
Voltando ao Rio de Janeiro, Jaime deu uma ordem para que remodelassem todo o hospital.
E a religiosa ganhou um lugar decente para atender seu pessoal. Os engenheiros que foram enviados a Salvador a fim de providenciar as obras, comentaram a surpresa manifestada pela Irmã Dulce: - Então, aquele moço, com aquele jeitinho que você não dá nada por ele, é quem mandava?
Foi em função deste acontecimento que a Irmã Dulce foi à Câmara de Vereadores prestar sua homenagem à Jaime Rolemberg de Lima, Patrono do nosso Grupo de Estudos Espíritas.
Ainda no Mundo espiritual, o Espírito Jaime Rolemberg recebeu a missão de mostrar ao mundo as possibilidades de uma convivência fraterna e solidária entre todos os homens. E ele conseguiu cumprir bem essa missão.
Mesmo estando vinculada ao Espiritismo e tendo as suas raízes plantadas nesta Doutrina de Amor, a Obra de Fabiano é universalista. Ela ensina que a miséria humana não tem religião, pois, todos estamos sujeitos a ela; assim como a caridade também não tem, já que todos podem e deveriam praticá-la como ensinou Jesus.
Assim, caríssimos irmãos, ao darmos por encerrada a nossa II Semana JAIME ROLEMBERG, iniciada segunda-feira passada com a participação do insigne amigo, Coronel César Soares dos Reis, trabalhador incansável da Obra de Fabiano, desde as primeiras horas, e presidente do ICEB, que veio aqui em Fortaleza especialmente para nos conhecer, queremos manifestar a todos a nossa eterna gratidão.
E hoje, quando completamos16 anos de fundação, queremos, perante todos amigos presentes, encarnados e desencarnados, ratificarmos nosso compromisso com a Doutrina Espírita, divulgando-a com responsabilidade e respeito.
Coronel Jaime Rolemberg de Lima, Patrono espiritual do Grupo de Estudos Espíritas Jaime Rolemberg, nós te saudamos com nossas humildes continências, rogando a Deus Suas bênçãos para o querido amigo, para a Obra de Fabiano de Cristo e para todos os nela envolvidos direta ou indiretamente.
E para finalizarmos nossas homenagens, passamos a ler o seu poema favorito “Success” (Sucesso), da poetisa norte-americana Elizabeth-Anne (1879-1952), escrito em 1904:
O Homem que venceu na vida é aquele que viveu bem,
riu muitas vezes e amou muito,
que conquistou o respeito dos homens inteligentes e o amor das crianças,
que preencheu um lugar e cumpriu uma missão,
que deixa o mundo melhor do que encontrou,
seja uma flor, um poema perfeito ou o salvamento de uma alma,
que procurou o melhor nos outros e deu o melhor de si.

Paz para todos.

Um comentário:

  1. Agradeço a todos que, direta ou indiretamente, colaboraram e participaram com a nossa II Semana JAIME ROLEMBERG.

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