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| Sala de cromoterapia no Colônia Fraternal Bom Jesus - Centro Espírita no Ipiranga (SP) |
Por Jorge Hessen
Periodicamente ressurge no movimento espírita a tentativa de justificar a implantação da cromoterapia nas atividades da Casa Espírita, apoiando-se em referências de Joanna de Ângelis, especialmente na obra Plenitude. Entretanto, essa interpretação não encontra respaldo na Codificação e desconsidera o método científico-doutrinário estabelecido por Allan Kardec.
Em Plenitude, Joanna de Ângelis menciona a helioterapia e faz alusões à cromoterapia no contexto da preservação da saúde física e psíquica. Em nenhum momento, porém, recomenda sua adoção como prática institucional do Espiritismo. Há profunda diferença entre reconhecer a existência de um recurso terapêutico e convertê-lo em atividade da Casa Espírita.
A questão decisiva, portanto, não é o que um autor espiritual menciona incidentalmente, mas o critério metodológico definido por Allan Kardec para preservar a identidade doutrinária.
No Livro dos Médiuns, ao tratar da formação e direção das reuniões espíritas, Kardec adverte que elas não devem converter-se em campo para experiências pessoais nem para a divulgação de sistemas particulares. Ao analisar as comunicações apócrifas e as teorias individuais, recomenda prudência extrema diante das novidades, lembrando que o entusiasmo e a boa-fé não bastam para legitimar uma ideia. O Codificador ensina que a Doutrina deve submeter todas as proposições ao exame da razão, da lógica e da concordância universal do ensino dos Espíritos, jamais à autoridade isolada de um médium, dirigente ou expositor.
No capítulo XXVII de O Livro dos Médiuns, Kardec é incisivo ao afirmar que é preferível rejeitar diversas verdades do que admitir uma única teoria falsa, pois um único erro pode comprometer a solidez do conjunto doutrinário. Essa orientação revela o rigor metodológico que caracteriza o Espiritismo.
Na Revista Espírita, Kardec retorna repetidamente ao mesmo princípio. Ao discutir o desenvolvimento da Doutrina, adverte que a tendência à formação de sistemas constitui um dos maiores perigos para a Ciência Espírita, porque cada pessoa tende a absolutizar suas próprias interpretações. Por essa razão, insiste que nenhuma teoria particular deve ser incorporada ao Espiritismo sem a confirmação do Controle Universal do Ensino dos Espíritos, fundamento metodológico apresentado em A Gênese e aplicado ao longo de toda a Codificação.
Nas páginas da Revista Espírita (1858–1869), Kardec combate sucessivamente as teorias exclusivistas, os métodos pessoais e as pretensões de reformar o Espiritismo mediante práticas estranhas ao seu objeto. Seu entendimento é inequívoco: o Espiritismo não deve absorver sistemas filosóficos, terapêuticos ou místicos apenas porque parecem úteis ou porque foram defendidos por médiuns respeitáveis. A autoridade doutrinária decorre da universalidade, da racionalidade e da concordância dos ensinos, nunca da opinião individual.
Esse critério aplica-se integralmente à cromoterapia. Ainda que possa ser estudada ou utilizada no campo das terapias complementares, não existe na Codificação qualquer fundamento para elevá-la à condição de prática espírita institucional.
As obras de André Luiz confirmam essa orientação. Em Missionários da Luz e Nos Domínios da Mediunidade, encontram-se descrições minuciosas do passe, do magnetismo, da fluidoterapia espiritual, da prece e da cooperação dos benfeitores desencarnados. Em nenhuma dessas obras aparece a cromoterapia como recurso próprio da Casa Espírita.
Emmanuel igualmente reafirma que a missão do Espiritismo consiste na educação moral do Espírito. A instituição espírita é escola do Evangelho, oficina de renovação íntima e núcleo de esclarecimento espiritual, não laboratório destinado à experimentação de métodos terapêuticos.
Também merece registro o fato de Divaldo Pereira Franco, durante décadas intérprete da obra de Joanna de Ângelis, jamais ter transformado a cromoterapia em serviço doutrinário permanente da Mansão do Caminho. Se Joanna pretendesse institucionalizar essa prática, seria natural que essa orientação se refletisse na principal obra assistencial vinculada ao seu pensamento.
Nada impede que profissionais habilitados utilizem terapias complementares em suas atividades particulares. Contudo, confundir iniciativas privadas com a prática espírita significa descaracterizar a finalidade da Casa Espírita e romper o critério metodológico estabelecido por Allan Kardec.
A fidelidade à Codificação exige distinguir o que pertence ao campo da saúde do que integra efetivamente a Doutrina Espírita. Respeitar Joanna de Ângelis é lê-la em seu contexto. Respeitar Kardec é preservar a Casa Espírita como ele a concebeu: um núcleo de estudo, evangelização, fraternidade, passe, prece e transformação moral. Todo o restante permanece no âmbito das opções pessoais, jamais do patrimônio doutrinário do Espiritismo.
Referências Bibliográficas:
- FRANCO, Divaldo Pereira. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. Plenitude. Salvador: LEAL, 1990.
- KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns. Tradução de Guillon Ribeiro. 80. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2019. cap. III, XX, XXVII e XXIX.
- KARDEC, Allan. Revista Espírita: Jornal de Estudos Psicológicos. 1858–1869. Brasília: FEB. Especialmente os artigos sobre o caráter da Doutrina Espírita, o exame crítico das comunicações e a rejeição dos sistemas.
- KARDEC, Allan. A Gênese. Tradução de Guillon Ribeiro. Rio de Janeiro: FEB, 2019. cap. I.
- XAVIER, Francisco Cândido. Pelo Espírito André Luiz. Missionários da Luz. Rio de Janeiro: FEB, 2019.
- XAVIER, Francisco Cândido. Pelo Espírito André Luiz. Nos Domínios da Mediunidade. Rio de Janeiro: FEB, 2021.
- XAVIER, Francisco Cândido. Pelo Espírito Emmanuel. Vinha de Luz. Rio de Janeiro: FEB, 2020.

COMENTÁRIO ELABORADO POR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - IA (GEMINI)
ResponderExcluirO artigo apresenta uma defesa consistente da fidelidade metodológica ao Espiritismo, ressaltando que a introdução da cromoterapia nas Casas Espíritas carece de respaldo na Codificação Kardequiana.
Os pontos centrais e mais bem estruturados do texto incluem:
Distinção entre menção e institucionalização: O autor diferencia de forma precisa o fato de um espírito (como Joanna de Ângelis) citar recursos terapêuticos de recomendá-los como atividade doutrinária oficial.
Critério do Controle Universal (Kardec): O resgate de obras como O Livro dos Médiuns, A Gênese e a Revista Espírita lembra que o Espiritismo se apoia na razão, na lógica e na concordância dos espíritos, e não em opiniões isoladas — por mais respeitáveis que sejam o médium ou o autor espiritual.
Prática exemplificada: Argumentos práticos, como a ausência da cromoterapia nas obras de André Luiz e a conduta de Divaldo Franco na Mansão do Caminho, reforçam que a prática não se consolidou nem na literatura clássica de fluidoterapia nem no centro que deu origem às obras de Joanna de Ângelis.
Respeito às terapias complementares sem fusão doutrinária: O texto é ponderado ao não invalidar a cromoterapia em si, mas sim delimitar sua esfera de atuação (âmbito profissional e privado), preservando a Casa Espírita como núcleo focado na educação moral, passe, prece e estudo do Evangelho.
Conclusão: É uma análise sóbria e bem fundamentada, essencial para evitar a sincretização de práticas na Doutrina Espírita e manter a clareza sobre o papel institucional do centro espírita.