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NO FIO DA NAVALHA

 

Por Marcelo Henrique

Essa curiosa expressão (No Fio da Navalha) pode ter como cenário qualquer dos ambientes em que estivermos inclusos, neste quadrante do espaço-tempo.

A equidistância

Que nos separa do semelhante pode nos permitir aproximação e distanciamento, entendimento ou repulsa, até mesmo por sobrevivência (tranquilidade).

Somos um conjunto de experiências adquiridas que vão moldando o conhecimento individual e permitindo sua aplicabilidade nas esquinas da existência espiritual.

A Kardec

Os Iluminados disseram que, no Plano Sutil, a ciência dos outros sobre o que somos se dá instantaneamente, porque a comunicação se dá pelo pensamento. Já, aqui… Os contornos da vestimenta física e a (maior ou menor) habilidade de lidar com os relacionamentos – e com os conflitos – pode nos permitir a paz ou a espada.

Vejo muitas espadas em punho, tangenciando o ar e encontrando-se, em debate e disputa. A calmaria já se foi há tempos e o momento favorece que uns e outros se digladiem sem cessar.

Aonde foi parar a temperança, a compreensão, a alteridade? Ou será que estes componentes jamais existiram em plenitude e estavam, digamos, disfarçados pelas conveniências e contingências?

Não sei precisar…

Das veredas sociais

Saindo do locus público e político, das veredas sociais, e adentrando a um nicho mais específico, o da especificidade espírita, entre os que se adjetivam e se assumem como tal – ainda que também enquadrando os simpatizantes, os interessados, os que aceitam a Filosofia Espírita – contemplamos um aumento da belicosidade e da incompreensão generalizada. Falamos dos religiosos, de um lado, e dos não-religiosos, do outro.

A expressão laicismo (laicidade) não é, de pronto e totalmente compreendida, razão pela qual optamos por utilizar outro termo, em suas concepções de afirmação e negação.

O fato é que, como predisse Herculano Pires, muitos falariam de Espiritismo sem conhecê-lo, em essência.

Muitos se afiliariam às instituições, seguindo o intuito e o projeto de Rivail-Kardec, mas não estariam muito familiarizados com a práxis e a motivação espiritista.

Frequentariam instituições, consumiriam livros, dvds e palestras virtuais ou presenciais, ainda “maravilhados” com as histórias e as prédicas, mas sem a exata compreensão dos fundamentos e, mais, do papel transformador que o Espiritismo deveria empreender em si, cada qual, individualmente.

E no conjunto, como consequência.

Transito entre dois lados, de um lado, eu gosto de opostos – é a poesia de Calcanhoto, soberba e pungente. Eu sou assim, e ando transitando – de há muito – entre os “dois lados” espíritas.

Na vida real

Ou nas plataformas virtuais das redes sociais é difícil, reconheço, conciliar tantas dissonâncias e tantas abordagens díspares e, até conflitantes.

Não é apenas pela visão do PORVIR (Mundo Espiritual), com a afirmação ou negação de colônias, materialidades e quejandos.

É o hoje. É o estar no mundo sem ser do mundo. É é o corre-corre, é a rotina, é o conjuntural.

É a opinião política, sexual, sentimental, familiar, convivial, é o tema do filho na escola, é a dificuldade de relacionamento no trabalho, é o embate com o marido ou a esposa, por questões menores.

É tudo.

E é nada.

No Fio da Navalha

Continuamos muito distantes do “ser reconhecidos por muito se amarem” (Yeshua) e do “amai-vos para, depois, intruí-vos” (Verdade). Tons de um mesmo acorde. Necessidades de um mesmo caminhar espiritual. Sobretudo, no fio da navalha das incompreensões e incapacidades de entendimento.

Até quando?

 

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