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INSTITUIÇÕES E HOMENS

 

Por Doris Gandres

“Por melhor que seja uma instituição social, sendo maus os homens, eles a falsearão e lhe desfigurarão o espírito para a explorarem em proveito próprio”. Allan Kardec/ Credo Espírita/ Obras Póstumas

A atualidade da Doutrina Espírita chega a ser espantosa! Particularmente em seu contexto social e educador! Toda ela é um código de procedimentos ético-morais que o tempo não altera, quaisquer sejam as situações e condições em que se encontrem as criaturas, as coletividades, a humanidade em geral.

Já na terceira parte de O Livro dos Espíritos, que Kardec muito apropriadamente denominou de Leis Morais, encontra-se de forma clara a lei natural, universal, divina, didaticamente apresentada em dez subtítulos: as leis de adoração, do trabalho, de reprodução, de conservação, de destruição, de sociedade, de progresso, de igualdade, de liberdade e de justiça, amor e caridade.

Não vou aqui analisar todas, mas em função do atual contexto da sociedade, em especial, a de nosso País, tão proclamado entre espíritas como “coração do mundo, pátria do Evangelho”, cabe fazer uma reflexão sobre umas poucas pelo menos.

A lei do trabalho, por exemplo: respondendo às criteriosas perguntas de Kardec, os Espíritos nos esclarecem que o trabalho é uma lei da natureza... “Eu trabalho incessantemente e meu Pai também...” (Jesus) Que sem o trabalho o homem permaneceria na infância intelectual; que entre os homens ele tem um duplo objetivo: a conservação do corpo e o desenvolvimento do pensamento, que é também uma necessidade e que o eleva acima de si mesmo...

Mas trata também do limite do trabalho, do repouso, sendo o limite o limite das forças; que o forte deve trabalhar para o fraco e que, na falta da família, a sociedade deve ampará-lo: é a lei da caridade. E é dentro desta questão (685a), no comentário de Kardec, que se encontra um dos ensinamentos mais humanistas da doutrina: “Não basta dizer ao homem que ele deve trabalhar, é necessário também que o que vive do seu trabalho encontre ocupação, e isso nem sempre acontece. Quando a falta de trabalho se generaliza, toma as proporções de um flagelo (...) A ciência econômica procura o remédio no equilíbrio entre a produção e o consumo; mas esse equilíbrio, supondo-se que seja possível, sofrerá sempre intermitências, e durante essas fases o trabalhador não tem menos necessidade de viver. Há um elemento que não se ponderou bastante e sem o qual a ciência econômica não passa de teoria: a educação. Não a educação intelectual, mas a moral, e nem ainda a educação moral pelos livros, mas a que consiste na arte de formar caráteres (...) Quando se pensa na massa de indivíduos diariamente lançada na corrente da população sem princípios, sem freios, entregues aos próprios instintos, deve-se admirar das consequências desastrosas desse fato?”.

Note-se que Kardec não se refere aos que não receberam instrução – mas aos que não receberam, ou não assimilaram, educação moral! Porque no capítulo citado, de Obras Póstumas, ele ainda adverte: “muito mal pode fazer o homem de inteligência mais cultivada (...) O progresso consiste sobretudo no melhoramento moral, na depuração do Espírito, na extirpação dos maus germens que em nós existem”.

Na lei de progresso os Espíritos nos ensinam que tudo e todos progridem, “de modo lento e regular, o que resulta da força mesma das coisas; mas que, quando um povo não avança bastante rápido, Deus lhe provoca, de tempos em tempos, um abalo físico ou moral, que o transforma”. E mais uma vez, os comentários de Kardec nos surpreendem pela sua perspicácia e atualidade: “Sendo o progresso uma condição da natureza humana, ninguém tem o poder de se opor a ele. É uma força viva, que as más leis podem retardar, mas não asfixiar. Quando essas leis se tornam de todo incompatíveis com o progresso, ele as derruba, com todos os que as querem manter; e assim será até que o homem harmonize suas leis com a justiça divina (...) As revoluções morais, como as revoluções sociais, se infiltram pouco a pouco nas ideias, germinam ao longo dos séculos e, depois, explodem subitamente, fazendo ruir o edifício carcomido do passado, que não se encontra mais de acordo com as necessidades novas e as novas aspirações”.

E vou terminar ainda com Kardec, incomparável mestre lionês, novamente em Obras Póstumas, cap. Liberdade, Igualdade, Fraternidade: “Eliminai das leis e das instituições, das religiões, da educação, até os últimos vestígios dos tempos de barbárie e de privilégios, bem como todas as causas que alimentam e desenvolvem esses eternos obstáculos do verdadeiro progresso, os quais, por assim dizer, bebemos com o leite e aspiramos por todos os poros na atmosfera social. Somente então os homens compreenderão os deveres e os benefícios da fraternidade e também se firmarão por si mesmos, sem abalos, nem perigos, os princípios complementares, os da igualdade e da liberdade”.

E, se me permitem ainda, nesse início de mais um ano do nosso calendário terreno, mediante os fatos que assolam o nosso cotidiano, penso que mais do que nunca precisamos estudar Kardec propriamente, nascente de todo o ensinamento racional e lógico que nos pode sustentar nessa fase de transição. Paz, fé, confiança e a busca de esclarecimento lúcido é o que desejo a todos nós.

Comentários

  1. COMENTÁRIO ELABORADO PELA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - IA
    O excerto apresenta uma análise da atualidade da Doutrina Espírita, com foco em suas implicações sociais e morais, utilizando citações de Allan Kardec, principalmente de "O Livro dos Espíritos" e "Obras Póstumas".

    Pontos principais da análise:

    Atualidade da Doutrina: O autor enfatiza a surpreendente atualidade do Espiritismo, especialmente em seu contexto social e educador, considerando-o um código ético-moral atemporal.
    Leis Morais: Destaca a terceira parte de "O Livro dos Espíritos" e a apresentação didática das leis naturais, universais e divinas, mencionando algumas como as leis do trabalho, caridade e progresso.
    Lei do Trabalho e Caridade: A análise se aprofunda na lei do trabalho, mostrando sua importância para o desenvolvimento intelectual e a conservação do corpo, bem como a necessidade de repouso e o amparo aos mais fracos pela sociedade (lei da caridade).
    Educação Moral como Base: Um ponto crucial é a ênfase de Kardec na educação moral, não apenas intelectual, como um elemento essencial para o equilíbrio social e para evitar as consequências desastrosas da falta de princípios.
    Lei do Progresso: A inevitabilidade do progresso é abordada, mesmo que retardado por más leis, e a ocorrência de abalos físicos ou morais como forma de impulsionar a evolução. As revoluções morais e sociais são vistas como processos gradativos que culminam em transformações profundas.
    Liberdade, Igualdade e Fraternidade: A citação de Kardec sobre a necessidade de eliminar vestígios de barbárie e privilégios das leis, instituições, religiões e educação é utilizada para ressaltar a importância da fraternidade como base para a igualdade e a liberdade.
    Chamado ao Estudo de Kardec: O autor conclui com um apelo ao estudo direto das obras de Kardec como um sustentáculo racional e lógico para o momento de transição vivenciado pela sociedade.

    Em suma: O texto argumenta que os ensinamentos de Allan Kardec, especialmente no que tange às leis morais e à importância da educação moral, permanecem extremamente relevantes para a compreensão e a solução dos problemas sociais contemporâneos, com um foco particular na realidade do Brasil. A análise ressalta a perspicácia e a atualidade das reflexões de Kardec sobre temas como trabalho, caridade, progresso e a necessidade de uma transformação moral para o avanço da sociedade.

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