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CRÔNICA NEOLIBERAL

 

Por Ana Cláudia Laurindo

As ciências que darão suporte ao pensamento, por incrível que pareça, conversam pouco entre si. No entanto, na fluidez do vivido e do devir, a sincronia segue e persegue a saga humana, que é feita de psiquismo, corporeidade e cultura, como tríade dos feitos políticos que interferem na face do mundo.

Essa história de agora não surgiu de uma cápsula.

Houve uma troca de genes, um enxerto de referências, um fenômeno basilar que nos permitiu entender papéis e executar aquilo que o imaginário social designou como o nosso lugar.

É no mínimo tosco, não historicizar acontecimentos.

Assim estamos jogados no cotidiano, como se históricos não fôssemos, para facilitar a desintegração dos elos entre as circunstâncias, sob o interesse de uma narrativa que dilui importâncias.

Neste território de todos e de ninguém, o pensamento social jamais perderá seu lugar de destaque, pois é inerente ao questionar, instiga a compreensão e sempre promove o risco de despertar iludidos das dormências corriqueiras.

Por este viés contemplamos a autodestruição maciça da importância dos saberes em uma sociedade liberalista, que tudo declina na frente do mercado, o deus potente do mundo consumista.

Mas não haveremos de satisfazer a humanidade com o desfrutar de um único vórtice. Assim são geradas as lacunas. Assim são direcionadas as buscas. Uma lembrança ontológica desperta valor ao conhecimento como elemento fundante. E, pasmos, nos damos conta das repetições ingênuas sobre cidadania em um território compactado em bolhas.

O poder nos convenceu? Está tudo justificado?

O que sacode as entranhas da América Latina está nas linhas das nossas mãos.

Nossa mestiçagem mal digerida, o gosto pela riqueza com selo máster de exploração mudou a direção dos ventos e fez cambalear a história rumo à naturalização da violência de quem manda, porque ter juízo rima com obediência a força bruta.

Sim, confreiras e confrades, essa história de desconstrução nos foi contada nos tempos da infância, levando nossos amores aos reinos fantásticos, no esquecimento do chão, do nosso torrão.

Colonizadores da alma latina dispuseram levas de recursos atualizados, com serventia própria aos grupos segmentados, ofertando saídas conforme cada expectativa assumia ter.

Do auge do desconforto geral, a cada bolha uma gota salvadora de narrativa neoliberal.

Melhor cartada para prender a todos sob o mesmo propósito avassalador, porque já não precisaríamos de um pensamento social.

Paradoxo! Na história também tem lugar para isso.

As Ciências Sociais estarão preparadas para analisar o que brota do humano para a humanidade, através de sistemas, que não precisam de alma, somente de capacidade de manipulação para ser manejada por espertas mãos.

Esse assustador redemoinho de rostos e fatos, tem finalidade política violenta, que desestabiliza o avanço da civilização.

No final da turbulência x dirá que y aumentou o lucro em imensidões de %. E dormem entre sedas os fanfarrões, porque a colônia global trabalha no ritmo do formigueiro para que os pobres continuem gerando mais riquezas para os ricos.

Será o ponto final?

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