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TOLERÂNCIA E CIVILIDADE

 

                


 Por Roberto Caldas

             O fenômeno crescente de ocupação do espaço social pelos seres humanos produz uma urgente necessidade do aprendizado de técnicas urbanas de relacionamento com as liberdades individuais, enquanto se constrói uma progressiva cartilha de convivência.

            Certo que as cartas magnas das nações trazem uma inscrição genérica e global acerca dos direitos, deveres e funções a serem desempenhados por cada um e por todos. Os códigos civis e penais trazem capítulos inteiros que estabelecem nortes e indicam punições aos refratários à conduta que se espera de alguém numa experiência cotidiana.

            Digno de lamentação que desde a vigência do Código de Hamurabi (Mesopotâmia -  1792 a 1739 a.C) que se proponham formas de conciliar a prática de vida humana e ainda tenhamos que bater cabeças diante das tantas dificuldades que o comportamento do outro gera em segmentos de observadores que divergem.

            A falta da aceitação das opções, tendências ou mesmo decisões de outrem consuma um caráter de intolerância naquele que expressa tentativa de coação, mordaça e restrição social àquele que se proponha definir o perfil de sua própria vida. Incomodar-se com as escolhas religiosas, cultura política, apropriação de gênero e de sexualidade é intentar impor uma visão própria aos movimentos naturais de uma sociedade. Afinal quem pode se arvorar de estar capacitado para determinar ao outro como deve viver?

            A imposição de pauta de costumes e hábitos foi responsável durante muitos séculos por grandes flagelos humanos, quando inquisidores do pensamento criaram guerras violentas com extermínio de muitos e prevalência das ideias dos mais fortes.  Esses movimentos produziram grandes males à humanidade e impediram a escalada evolutiva do planeta.

            Sendo a Tolerância uma forma de aceitação daquilo que não se quer ou não se pode impedir, urge avaliar os aspectos civilizatórios que estão na base das ações e das reações que exprimem o ensejo de liberdade essencial a que todos têm direito de usufruir.

            Visitar o pensamento de Jesus pode ser útil instrumento para auxiliar na suavização da forma como se enseja impor mudanças na atitude do outro.  É dessa forma que o mestre se dirige aos impositores de hábito na vida alheia, conforma assinalado em Mateus, VII: 3-5): Por que vês tu, pois, o argueiro no olho do teu irmão, e não vês a trave no teu olho? Ou como dizes ateu irmão: Deixa-me tirar do teu olho o argueiro, quando tens no teu uma trave? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás como hás de tirar o argueiro do olho do teu irmão”.

            Muita atenção quando estivermos diante de pautadores dos hábitos e costumes para que se evite o cometimento de invasão em terreno que não nos pertence.  Aprender a manter o foco nas próprias necessidades é a melhor forma de aprender a prática da tolerância que vai além de concessões sociais, mas avança ao respeito que cada pessoa tem direito na condução de suas próprias prerrogativas existenciais.

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