Pular para o conteúdo principal

VISÃO ABRANGENTE PERTO DE UM SÉCULO

 


Por Orson P. Carrara

É muito conhecido o trabalho empreendedor de Cairbar Schutel no que se refere à divulgação espírita, em posturas de um homem a frente de seu tempo. E isso sem entrar na índole humanitária e espírito de serviço – conectado completamente ao pleno sentido da fraternidade – do cidadão que adotou a pequena Matão, no interior paulista, como base para seu trabalho que se expandiu além fronteiras do país.

Sim, a história é muita conhecida. Vários biógrafos se debruçaram para pesquisar seu legado, oportunizando para o movimento espírita informações detalhadas de sua dinâmica ação espírita e do trabalho em favor do bem geral, mesmo antes de tornar-se espírita. Após conhecer o Espiritismo, a identificação com o bem foi imediata, espontânea, natural, porque o espírito ali encarnado já trazia consigo as bagagens da experiência de quem aprendeu a viver com a alma voltada aos objetivos da vida, que ele assimilou e assumiu completamente com o conhecimento espírita.

Além de toda sua ação em favor da caridade, atendendo necessitados variados, fundou um jornal, uma revista, um centro espírita, uma editora, foi pioneiro no rádio, publicou livros e influenciou toda uma geração de espíritas que o conheceram ou por seu esforço foram contagiados no ideal de confiar e servir.

Aqui, todavia, concentramos nossas linhas para nos referirmos a uma de suas iniciativas, a fundação da RIE – Revista Internacional de Espiritismo, em fevereiro de 1925, quando então contou com o apoio de um de seus admiradores, visando aprofundar o conhecimento espírita e atingir outras fronteiras, sensibilizando outras culturas para divulgar o Espiritismo.

Pois é, a publicação está prestes a atingir um século de publicação, cumprindo sua missão. Presente hoje em dezenas de países, em diagramação moderna, colorida e ilustrada, suas dezenas de páginas abordam aspectos variados da ciência, da filosofia, da religião ou da moralidade, em seus fundamentos, desdobramentos e consequências. E, claro, com análises, reportagens e entrevistas de temas do cotidiano, nos avanços da Ciência, nas conquistas da Filosofia e nas atividades do movimento inspirado pelo Espiritismo.

Em dois anos alcançaremos os 100 anos de fundação da revista. Motivo de júbilo para o movimento espírita no país e no exterior, data que será lembrada com carinho e gratidão pelo esforço desse gigante da comunicação espírita. Vale lembrar, e já citado acima, que sua vida de exemplos motivou vários autores na publicação de obras, sejam biográficas ou desdobando conteúdos de seus livros. Recentemente, em 2018, por ocasião de seu sesquicentenário de nascimento (ele nasceu em 22 de setembro de 1868), foram lançadas duas obras, simultaneamente, no mesmo evento e editoras diferentes, durante a realização do EAC – Encontro Anual Cairbar Schutel, que surgiu para homenageá-lo.

 

Cairbar Schutel

 

Os jornalistas Cássio Carrara e David Liesenberg lançaram, respectivamente, O Som da Nova Era (edição O CLARIM) e O Imortal Cairbar Schutel (pelo IDE-Araras) e, livros que aprofundam as pesquisas sobre o trabalho de Schutel. Isso após vários outros autores igualmente já terem publicado outras obras, também biográficas. É realmente uma vida muito rica, repleta de exemplos e trabalho.

Para assinar a RIE e adquirir o livro do Cássio, use o whats:   16 99270-6575; para adquirir o livro do David use o whats:  19 99669-8409.

Nesse fevereiro, aniversário da RIE (98 anos), nossa homenagem de gratidão ao grande seareiro! É algo que não pode ser esquecido, é preciso sempre ser lembrado, valorizado o esforço do chamado Bandeirante do Espiritismo.

Será interessante que o leitor dessas linhas acesse o site da editora e assine a revista, digital ou impressa. Isso será apoiar o trabalho, para que continue levando as luzes do Espiritismo a todos os lugares. Parabéns Schutel! Obrigado Schutel!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

AFINAL, QUANDO O ESPIRITISMO SE TORNOU RELIGIÃO? UMA CONVERSA FRANCA SOBRE CULTURA, PODER E TRANSFORMAÇÃO NO ESPIRITISMO BRASILEIRO

  Por Wilson Garcia A Dissertação Espiritismo transnacional: poder, habitus e mitopráxis na configuração religiosa brasileira em décadas de perseguições, defendida na PUC-SP por Adair Ribeiro Júnior em 2026, tenta responder a uma pergunta que há décadas tira o sono de quem estuda ou vive o espiritismo: como e por que o espiritismo se tornou uma religião no Brasil?               A resposta que o autor apresenta é fundamentada, bem documentada, mas não é definitiva. E é justamente aí que mora seu valor. Ela nos obriga a pensar. Quem conhece Allan Kardec sabe: o projeto original não era religioso. Era um tripé — ciência, filosofia e moral — apoiado na investigação metódica dos fenômenos espirituais. Observação, comparação, controle das comunicações: um verdadeiro laboratório do invisível.             Mas aí essa ideia atravessou o Atlântico, desembarcou ...

A INVERSÃO DO QUERIGMA: BOLSONARISMO E NEOPENTECOSTALISMO COMO ANTÍTESES SOCIOPOLÍTICAS DO JESUS HISTÓRICO

    Por Jorge Luiz              O Escândalo do Banco Master como sintoma da inversão.             Em outro momento defini a relação entre o status político chamando eufemisticamente de extrema-direita, simbolizada aqui como bolsonarismo e o neopentecostalismo, como uma “simbiose promíscua”. O escândalo do Banco Master, oferece uma nova definição, resultante dessa simbiose, que agora defino-a como “escândalo ontológico” , por não se constituir em um mero desvio ético de indivíduos isolados. Para alguns, como Glair Arruda, essa simbiose pode ser interpretada como cristofascismo, fenômeno que não é novo, mas ganhou proeminência nos anos de recrudescimento de uma ideologia de extrema direita especialmente nos Estados Unidos e Brasil (Passos, 2025). A definição de Arruda, ela mesma reforça a conceituação, ao admitir que o líder que se autoproclama como o salvador da pát...

SOBRE ATALHOS E O CAMINHO NA CONSTRUÇÃO DE UM MUNDO JUSTO E FELIZ... (1)

  NOVA ARTICULISTA: Klycia Fontenele, é professora de jornalismo, escritora e integrante do Coletivo Girassóis, Fortaleza (CE) “Você me pergunta/aonde eu quero chegar/se há tantos caminhos na vida/e pouca esperança no ar/e até a gaivota que voa/já tem seu caminho no ar...”[Caminhos, Raul Seixas]   Quem vive relativamente tranquilo, mas tem o mínimo de sensibilidade, e olha o mundo ao redor para além do seu cercado se compadece diante das profundas desigualdades sociais que maltratam a alma e a carne de muita gente. E, se porventura, também tenha empatia, deseja no íntimo, e até imagina, uma sociedade que destrua a miséria e qualquer outra forma de opressão que macule nossa vida coletiva. Deseja, sonha e tenta construir esta transformação social que revolucionaria o mundo; que revolucionará o mundo!

DEÍSMO OU ATEÍSMO?

                      Entre as muitas escolas do pensamento algumas há que buscam discutir questões, cujas comprovações estão muito longe de ser determinadas pela Matemática ou qualquer ciência exata. Apesar dos esforços para tornar o debate enriquecido pelas equações da Física Moderna, tais temas haverão de trazer a polêmica para o campo de uma filosofia opinativa ou de viés religioso. Assim é quando se trata da discussão quanto a existência de Deus.

“BEM AVENTURADOS OS QUE TÊM FOME E SEDE DE JUSTIÇA PORQUE SERÃO SACIADOS...” (Mt 4, 23-25)

  Doris Gandres Essa uma das bem aventuranças proferidas pelo Mestre Jesus em seu Sermão da Montanha, há quase 2 mil anos e da qual bem pouco se fala... Não foi mencionada nem comentada no Evangelho Segundo o Espiritismo por Allan Kardec e os Espíritos que com ele trabalharam, quando tantas outras lhes mereceram a atenção... E de algum tempo me pergunto por que... Julgaram talvez, Kardec e a equipe espiritual, que ainda não tínhamos capacidade de entender o significado dessa afirmativa de Jesus? Que talvez, famintos e sedentos por justiça como estávamos – e ainda continuamos a estar – para nos saciarmos recorreríamos a métodos separatistas e violentos? Afinal, mesmo assim, mesmo relegando essa bem aventurança a segundo plano, praticamente ao ostracismo, povos e nações de todos os tempos, mesmo após o vinda do Cristo e mesmo ainda após o surgimento da doutrina espírita, recorreram ao domínio pela força de todo tipo com a justificativa de estabelecer e implantar justiça.

A HISTÓRIA DA ÁRVORE GENEROSA

                                                    Para os que acham a árvore masoquista Ontem, em nossa oficina de educação para a vida e para a morte, com o tema A Criança diante da Morte, com Franklin Santana Santos e eu, no Espaço Pampédia, houve uma discussão fecunda sobre um livro famoso e belo: A Árvore Generosa, de Shel Silverstein (Editora Cosac Naify). Bons livros infantis são assim: têm múltiplos alcances, significados, atingem de 8 a 80 anos, porque falam de coisas essenciais e profundas. Houve intensa discordância quanto à mensagem dessa história, sobre a qual já queria escrever há muito. Para situar o leitor que não leu (mas recomendo ler), repasso aqui a sinopse do livro: “’...

É ASSIM!

  Por Alexandre Júnior É assim que transborda! A música ecoa no litoral da alma, mansamente avança pelos recôncavos mais íntimos de nossos convexos, é assim que a alma treme, a sensibilidade pulula festejando o encontro do eu com a arte! É assim que conseguimos de alguma forma avançarmos vivendo, sentindo o efeito do tempo, que implacável, interroga todas as nossas certezas, nada esta estabelecido, não há mais convicções imortais, o tempo se encarrega de fazer ruir as mais concretas das arrogâncias.

MARCHA PARA JESUS: ENTRE A FIGUEIRA ESTÉRIL E A FÁBRICA DE LÁZAROS

    Imagem criada por IA, a partir do texto Por Jorge Luiz                  O Chão da Avenida e as Vozes do Povo               Ao estudar a psicologia das multidões, Gustave Le Bon (2022) assegura que, quando o edifício de uma civilização está podre, as massas apressam a sua destruição. É esse o seu papel: por um instante, a força cega do número transforma-se na única filosofia da história.             As entrevistas concedidas pelos fiéis na última Marcha para Jesus, realizada no dia 23 de maio, e veiculadas por um portal de notícias (1) , demonstram com exatidão essa práxis. As declarações, desconexas da realidade, estão desalinhadas à mensagem do paraninfo do evento, “em nome de Jesus”.