Pular para o conteúdo principal

NEM OS ESPÍRITOS VÃO

 


 Por Orson P. Carrara

 

Sabe-se que os espíritos estão por toda parte e que procuram os que lhes interessa, obedecendo ao critério de sintonia com os próprios interesses. Assim é fácil entender que os bons espíritos procuram o bem, a fraternidade, ou, em outras palavras, os grupos e pessoas que estão construindo o bem por toda parte, participando de suas atividades, inspirando-lhes as ações, confortando corações, amparando nas dificuldades. Da mesma forma espíritos ainda em vinculados a interesses grosseiros ou menos dignos também procuram grupos e pessoas que se envolvem com intrigas, calúnias, inveja, ciúme, competições, vingança e situações parecidas.

Isso significa dizer que temos por companhias espirituais exatamente aquelas que se identificam com os interesses e comportamentos que adotamos por norma de vida.

O título da presente abordagem, todavia, tem outro direcionamento. Ele foi motivado pelos constantes lamentos que ouvimos de baixa freqüência ou participação em eventos organizados para estudar e divulgar o Espiritismo. Então, brincamos com o título, como a dizer, em função de programas, títulos, horários, dias, que nem os espíritos vão...

É que alguns detalhes são vitais para o sucesso de freqüência nos eventos que programamos:

a) Citar o dia da semana. Normalmente observa-se informativos, cartazes e divulgações em geral citando apenas o dia. Por exemplo, 10 de outubro, sem citação do dia da semana. Essa informação é vital para situar o evento. É muito conveniente citar o dia do mês e o dia da semana para fixar mais.

b) Título do evento. Sempre há que se considerar que o título do evento, ou da palestra, ou do encontro deve motivar e atrair a participação. Assim também como a maneira como é anunciado. Deve ser com alegria, com estímulo, e não como simples leitura.

c) Horário e dia do evento. É sempre necessário verificar o horário e dia da semana em que se programam os eventos, levando-se em conta a realidade local, da cidade e mesmo da instituição.

d) Divulgação. Deve ser feita por todos os meios possíveis. E-mails, telefonemas, cartas, cartazes, TV, rádio, jornal. E principalmente pelo contato pessoal. E também não adianta com muita antecedência nem muito em cima da hora. É preciso encontrar um ponto de equilíbrio cabível na realidade própria.

A grande questão é conquistar a pessoa que está lendo o e-mail, o cartaz ou o texto de divulgação, ou conquistar sua sensibilidade quando anunciado verbalmente. A pessoa que está ouvindo ou lendo o texto precisa sentir a importância de estar presente, o quanto o evento vai lhe fazer bem. É quando entra a criatividade de quem divulga, de quem organiza.

Imagine, por exemplo, por outro lado, marcar um evento numa final de Copa do Mundo, ou numa terça de carnaval, ou no Dia das Mães. Por mais que queiramos desviar o foco, o comportamento está muito condicionado a feriados e datas que saem da rotina. Aí é muito difícil. O mesmo ocorre com horários, que devem levar em conta a realidade local e mesmo possíveis eventos nacionais que possam prejudicá-los. Por isso a brincadeira: nem os espíritos vão...

O que se pretende dizer é que todo cuidado precisa ser colocado na divulgação e organização de um evento e o principal ingrediente é sensibilizar o público que se deseja atingir. É na criatividade de quem organiza que está o velho segredo.

Quem ouve a divulgação ou lê um texto precisa sentir que precisa ir... Como fazer isso com a eficiência que se deseja? Eis um segredo próprio de cada realidade.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

DEPOIS DE HARARI: A ERA DA CONSCIÊNCIA

  Por Wilson Garcia A recente entrevista de Yuval Noah Harari ao  El País  pode ser lembrada não tanto pelas respostas que ele deu, mas pelas perguntas que provocou. Como em  Sapiens ,  Homo Deus  e  Nexus , o historiador israelense tem o dom de observar a história de cima, captando transformações que ainda mal percebemos enquanto acontecem. É bom refletir com o olhar espírita sobre isso.               Sua preocupação explícita é a Inteligência Artificial. Mas a implícita — e talvez a mais urgente — é outra: o próprio ser humano.             Durante séculos, acreditamos que nosso diferencial estava na inteligência. Hoje, começamos a descobrir que talvez esse não seja o nosso trunfo. A IA calcula melhor, memoriza mais, escreve mais rápido, traduz centenas de idiomas e analisa milhões de documentos em segundos. Se inteligência for ap...

À MUSA ESTUPRADA

"O Rapto das Sabinas", pintura de Nicolas Poussin           Há indignações tão profundas, que só podem ser expressas em poesia, pelo menos para mim. Nos últimos meses, no meio do espetáculo constrangedor e bizarro em que o país mergulhou, a mulher brasileira foi alvo das mais absurdas violências: uma presidenta que não cometeu nenhum crime afastada do poder por um bando de criminosos, depois de ter sido xingada por uma parte da população, com as maiores baixarias e depois de ter sido ofendida por um Bolsonaro, que invocou seu torturador, num gesto de fascismo e supremo desrespeito humano; a primeira dama do presidente golpista posta como modelo de “beleza, do lar e recato”; um ministério inteiro só de homens (a maioria envolvidos com corrupção); um fundamentalismo religioso avançando no Estado, ameaçando os direitos da mulher; a visita de um ator machista, de filmes pornô, que nada tem a ver com Educação e que se ufana de ter estuprado uma mulher, no ...

COMO SUPERAR A DEPRESSÃO?

A depressão é a segunda causa de incapacidade no trabalho (a projeção é que, até 2020, seja a primeira da lista) e apenas 10% das pessoas deprimidas recebem tratamento adequado, conforme a Organização Mundial de Saúde. Infelizmente, muitas pessoas não buscam tratamento para Depressão por confundi-la com uma tristeza profunda. A causa da depressão é tida como multifatorial, isto é: converge vários fatores como o estilo de vida, o tipo de personalidade, a história pessoal e a predisposição genética. Não há um momento único ou específico em que a depressão comece. A depressão tem características neuroquímicas importantes e não depende necessariamente de um evento gatilho para se manifestar. Muitas pessoas apresentam sintomas depressivos na infância ou na adolescência. Tenho pacientes que após uma sequência de eventos traumáticos na idade adulta manifestaram a depressão. 

INVISÍVEIS TAMBÉM SE COMPRAZEM EM ILUDIR

  Por Orson P. Carrara Sabe-se que os espíritos não sabem tudo. Eles nada mais são que homens e mulheres que já deixaram a vida material ou estão para nela retornar, e que guardam conteúdos morais, intelectuais, emocionais e psicológicos, habilidades, tendências e gostos do estágio em que se encontram. Há que se lembrar que a morte não é uma varinha mágica que transforma o espírito; este terá que evoluir pelo esforço próprio visando o aprimoramento intelecto moral. E como não há privilégios, nem preferências, todos teremos que trilhar esse caminho.

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

"CRISTÃO? EXISTEM CASAS PARA ISSO..."

  Por Jorge Luiz               O Vínculo da Ironia (Da Provocação de Claudel ao Cenário Atual)             A ironia que empresta forma ao título deste ensaio é tomada de Paul Claudel que, ao ser provocado sobre o tema da tolerância, desferiu a célebre estocada: “Tolerância? Existem casas para isso...” . Há uma profunda verossimilhança entre a provocação de Claudel e o diagnóstico do nosso tempo. Trata-se do mesmo expediente de confinamento: a operação neofascista e burguesa que prescreve que a fé cristã deve ser privatizada, reduzida e enclausurada no espaço do templo — ou do lar doméstico —, enquanto a praça pública, a economia e a política passam a ser regidas pela força bruta, pelo descarte do vulnerável e pelo autoritarismo de Estado.             Instala-se, assim, a contradição flagrante de um “cristianismo de fachada”. Cooptado...

SOCIALISMO E ESPIRITISMO: Uma revista espírita

“O homem é livre na medida em que coloca seus atos em harmonia com as leis universais. Para reinar a ordem social, o Espiritismo, o Socialismo e o Cristianismo devem dar-se nas mãos; do Espiritismo pode nascer o Socialismo idealista.” ( Arthur Conan Doyle) Allan Kardec ao elaborar os princípios da unidade tinha em mente que os espíritas fossem capazes de tecer uma teia social espírita , de base morfológica e que daria suporte doutrinário para as Instituições operarem as transformações necessárias ao homem. A unidade de princípios calcada na filosofia social espírita daria a liga necessária à elasticidade e resistência aos laços que devem unir os espíritas no seio dos ideais do socialismo-cristão. A opção por um “espiritismo religioso” fundado pelo roustainguismo de Bezerra Menezes, através da Federação Espírita Brasileira, e do ranço católico de Luiz de Olympio Telles de Menezes, na Bahia, sufocou no Brasil o vetor socialista-cristão da Doutrina Espírita. Telles, ao ...

O ESPIRITISMO ANTE AS IDEOLOGIAS DE ESQUERDA E DE DIREITA

  Por Elias Moraes O movimento espírita não teve como se furtar ao acirramento das disputas ideológicas no campo político partidário, observadas nas duas últimas décadas; ao contrário, foi fortemente atingido por essas disputas. A princípio, mediante manifestações ostensivas de muitas das suas principais lideranças em defesa das pautas do campo ideológico da Direita, ainda que sob a forma de uma fingida neutralidade. A essas manifestações seguiu-se uma forte reação dos que discordavam dessa postura, e que foram estigmatizados sob o rótulo de "espíritas de Esquerda". Ante o clima de confronto que se estabeleceu, o argumento mais utilizado pelos que adotavam a negação como estratégia de silenciamento das discussões era que o Espiritismo não era nem de Esquerda e nem de Direita, mas "de cima", ou "do alto", como se a doutrina espírita não tivesse posições muito bem definidas a respeito de cada um dos temas colocados em pauta pelos atores de ambos os campos ...

DA QUIMERA HUMANA AO VOTO ANÔMICO

        Por Jorge Luiz                   A Contradição como Condição Ontológica             A paisagem político-social contemporânea expõe com crudeza o colapso dos filtros ético-morais no exercício da cidadania, revelando um fenômeno ainda mais perverso: a eleição consagradora de indivíduos formalmente denunciados por crimes gravíssimos, impulsionada justamente pelas parcelas mais vulneráveis da população. Desprovidos de amparo social e desarmados de senso crítico por um histórico de exclusão, esses grupos tornam-se alvos prioritários de apelos religiosos instrumentalizados, em que a fé é dobrada para anestesiar o discernimento ético e sacralizar a barbárie. Ao converter a transgressão em capital político com a chancela dos próprios espoliados, o corpo social escancara a sua contradição ontológica e o ponto cego do Brasil anômico — aquele em que a desori...