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CANTO AO ENCANTO DA NATUREZA

                                                        


            Entardeceres e amanheceres. Chuva e estiagem. Ciclos e estações. Viajando numa velocidade alucinante, tanto quanto imperceptível. Grande carrossel azul, a casa que nos alberga é janela aberta ao universo que se alonga ao infinito diante das potentes lentes dos mais sofisticados telescópios.

            Extraordinária experiência observar a abóbada celeste na total ausência de luz artificial em uma noite sem nuvens e sem luar. O bordado luminoso de estrelas é espetáculo que emudece, emociona e encanta.

            Pousar os olhos no arroxear da tarde quando o sol engana que vai embora, enquanto deixa a Terra colorir o horizonte num passeio de cores, é um momento de dadivosa oração do silêncio celebrado pelo serpentear dos pássaros que viajam em busca dos seus ninhos.

            A fonte que jorra de fenda profunda e, em jatos do fluido da vida – a água - como refrescante mágica fecunda a paisagem tornando possível o florescimento da flora e a riqueza da fauna dando pujança ao ecossistema que alimenta a vida.

            A fresca ventania que desliza invisível e ocupa os espaços sem ser percebida e em sua força transfere o pólen, germina a flor criando elos entre os mais distantes rincões. Sopro gentil, cujo hálito associa o salgado das marés com ao frio noturno dos desertos.

             Revelação que irrompe em labaredas de altas temperaturas, os vulcões impõem completa fascinação ante o poderio de construção em sua truculência aparentemente destruidora. Fertilidade, energização, limpeza da atmosfera.

            Natural que Jesus, o maior poeta que pisou nosso chão, tivesse a Natureza como a sagrada sala de aula em que se fez professor de verdades transcendentais. Abraçou a fúria do mar enquanto abraçava os homens de pouca fé que haviam esquecido de chamá-lo antes que o desespero se instalasse em suas almas.

           Ciente dos emaranhados de ansiedades estagnantes que atrapalham a execução do que nos cabe hoje exortou os pássaros do céu e os lírios do campo, numa das mais belas orações de confiança em Deus.

            Nas amargas horas de solidão e silêncio buscou os altos montes da existência e deixou-se banhar pelo brilho das estrelas. Aquelas mesmas luzes que ainda nos ilumina o olhar quando ampliamos a capacidade de enxergar além do embaraço que a miopia nos impõe. 

           Viver na Terra é um privilégio. Uma pena se deixarmos passar o tempo sem que consigamos fazer parte desse manancial de vida que explode a cada segundo. Estamos convidados ao espetáculo do viver. Trazer a festa interior para o mundo dos encontros. Encontros de olhos com olhos, de emoções com emoções. A Natureza é um palco que Deus armou para transformação de almas até que alcancemos as luzes estelares em nossas consciências.

 

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