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APOCALIPSE ESPÍRITA NO BRASIL


Houve um tempo que parecia mais sereno, porque tudo estava ajustado dentro de um padrão de conduta e nós espíritas brasileiros não conseguíamos ir além de laivos intensos de indignação quando percebíamos os tentáculos da desigualdade social movimentando privilégios no próprio meio.

Mas esse tempo foi tomado pelas ondas do processo evolutivo, que em tempestades arrancou máscaras e desnudou parte dos valores corrompidos que jaziam no fundo dos poços dogmáticos de origem classista, consoante aos ares do poder dominante, o grande e maior travo para a evolução nessa hora histórica.

Hábitos antigos postos em combate de ideias contra os progressistas, nos classificaram como inimigos, um recurso medieval dos manuseadores da fé.

Os dissidentes não possuem vestimentas amorosas aos olhos sedados pelos medos que controlam eras de tentativas destes grupos de espíritos, ávidos por silenciar as cavernas que ecoam erros conhecidos.

Erros inquisitoriais guardados na mente, marcas ontológicas de todas as ditaduras, promotoras de misérias e diásporas! Crimes do nazi-fascismo. Império fundamentalista no capitalismo, a síntese destruidora que agrada líderes de voz mansa e alma voraz.

Século XXI e sua caixa de Pandora aberta, sem espaço para a negação de outrora, a lidar com a fúria.

O que fazer, senão provar do cálice e embriagar este ser de esperanças mesmo no auge do tumulto?!

Já não são apenas ideias antigas despertas. É a própria execução da maldade feito embasamento de conduta e conivência.

O amor meloso está desmascarado, porque um outro tipo de ação está movendo a vida rumo à luta, e o amor que escorre pelas veias dessa construção é político, ladeado de valores humanitários e inegável energia espiritual, elegendo carismas e causas, pelo bem comum.

A natureza como aliada, a acolhida como instrumento, o enfrentamento sem condenação, a nova aurora que explode raios de manhãs em nossos corações é amor de uns por todos, em infinita viagem planetária, no rugir de outro tipo de salvação, sem sedação.

Eis o caos que liberta pensamentos. A glória dos sentimentos tem sido descobrir o que o poder oculta, mas o Jesus que caminha com as multidões revela aos pequeninos.

Liberdade. Preço alto para os apegos, senha necessária para compreender quem ama além dos espaços vistos.

E assim o meio espírita brasileiro não terá como impedir a luz dessa manhã rasgar o céu punitivista das expiações, para agregar irmandade e compaixão, no caminhar por outro jeito de relacionar espiritualidade e jornada social, a porta estreita da qual já nos falaram um dia.

E outro dia virá, para acalmar os que se revoltaram, os que estão decepcionados e todos os que sofreram frustrações, quando o largo abraço de avó da lua clarear essa noite de aprendizados políticos, sobre nós.

Vai raiar outra perspectiva de vida e felicidade, desde este amável rincão terrenal.

Mas agora a luta pede mais compreensão. Neste agora de irmãos tornados elos, na dialética de amar em meio a tanto desagrado.

Força, gente!

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