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JUNHO, ORGULHO LGBTQIA+ E ESPIRITISMO

 

 

O mês de junho é marcado pelo orgulho LGBTQIA+. Muitas pessoas encontram muita dificuldade para o entendimento da necessidade de afirmação por parte de indivíduos que se enquadram nessas características, envolvendo orientações sexuais e identidades de gênero diferentes da heterocisnormatividade; contudo, ante o apagamento histórico e a marginalização de diversos indivíduos não heterossexuais e não cisgêneros, faz sentido trazer esse assunto e colocá-lo em pauta, pois o lugar de fala é essencial para entendermos o lado do outro e desenvolvermos a nossa alteridade.

 

UM POUCO DE HISTÓRIA

                A origem da data vem de um fato que marcou a história dos Estados Unidos da América, conforme Mariotti (2020):

(...)

            O departamento de Polícia americana era acostumada a invadir subitamente estabelecimentos ocupados por lésbicas, gays, bissexuais, transsexuais na época há décadas. Muitos desses eram “escondidos” e não tinham a permissão para vender bebidas, o que dava aos guardas justificativa para suas batidas.

            Um dos clubes, Stonewall Inn, na Greenwich Village, tinha a maior parte de seus frequentadores jovens da periferia, que haviam deixado suas famílias justamente pelo preconceito, e drag queens.

            No dia 28 de junho de 1969, a polícia entrou para o ataque no bar para fechá-lo e aproveitou para agredir aqueles que lá estavam e levar sobre custódia quem não usava roupas adequadas ao seu sexo biológico, como mandava a lei. Naquele momento, no entanto, os clientes do bar e as pessoas das redondezas decidiram revidar, ao invés de aceitar a violência. Do lado de fora do prédio, primeiro jogaram moedas e garrafas nos oficiais — Marsha P. Johnson, mulher negra transsexual, foi a primeira a reagir.

            A revolta rapidamente escalou para um incêndio dentro de Stonewall Inn e viaturas sendo viradas de cabeça para baixo. Marchas se deram por seis dias depois. Foi um momento catatônico para o povo LGBT, cansado depois de tantos anos sendo assediado e violentado pelas autoridades. A partir daí, organizações como a Aliança de Ativistas Gays e a Frente da Libertação Gay foram formadas.

(...)

                 Ficam claras aqui a perseguição histórica aos grupos que não seguem a heterocisnormatividade é histórica, e que começou a ser confrontada de maneira mais evidente a partir desse período. Já escrevemos artigos aqui demonstrando o quanto essas populações são perseguidas, a ponto de termos dados alarmantes (Albani, 2020), como o índice de mortalidade de transexuais como o maior do mundo, conforme Nações Unidas Brasil (2021).

                A marginalização começou a diminuir a ponto de garantir a retirada da homossexualidade da Associação Americana de Psiquiatria em 1973 e da versão 10 da Classificação Internacional de Doenças (CID-10), publicada pela Organização Mundial de Saúde, em 1990, conforme CLAM (2014). A transexualidade, por sua vez, foi retirada somente em 2021, conforme CFP (2019).

            Mesmo assim, ainda há muito a avançar em termos de equiparação de direitos de cidadania para indivíduos LGBTQIA+, conforme vemos em Wikipédia (2021).

SOPA DE LETRINHAS IDENTIFICA ESPÍRITOS IMORTAIS

            Quanto mais os estudos sobre sexualidade avançam, mais as questões identitárias tornam-se complexas, exigindo uma análise mais cuidadosa e acurada sobre o assunto.

            Em um artigo, HMC (2018) apresenta uma sigla divulgada por ativistas britânicos:

 

LGBTQQICAPF2K+

L – lesbian

G – gay

B – bisexual

T – transgender

Q – queer

Q – questioning

I – intersex

A – asexual

A – agender

A – ally

C – curious

P – pansexual

P – polysexual

F – friends and family

2 – two-spirit

K – kink (adicionada recentemente)

                 As siglas acabam englobando orientações sexuais, identidades de gênero, comportamentos sexuais e mesmo constituições físicas:

Orientações sexuais: lésbicas (mulheres que se relacionam com mulheres); gays (homens que se relacionam com homens), bissexuais (indivíduos que se relacionam com homens e mulheres), assexual (indivíduo que não sente atração por nenhum sexo), curioso (quer experimentar); pansexual (indivíduo que não se importa com a constituição física do indivíduo com quem se relaciona, indo além de homens e mulheres), polissexual (indivíduo que não se importa com a constituição física do indivíduo com quem se relaciona, porém menos abrangente que o pansexual).

Identidade de gênero: transgênero (envolvendo transexuais e travestis, indivíduos que não se identificam com os órgãos sexuais nem com os caracteres secundários de seus corpos físicos), agênero (indivíduo que não se identifica nem com o masculino nem com o feminino), two-spirit (sexualidade específica de tribos indígenas estadunidenses e canadenses).

Queer (termo hiperônimo que engloba diversas orientações e identidades de gênero diferentes do padrão heterocisnormativo);

Constituição física: intersexo (indivíduo que nasce com os dois órgãos sexuais);

Comportamento sexual: Kink (fetiches);

Ally: aliado(a) ou amigo(a);

Familiares.

                 Essa diversidade demonstra a necessidade de se especificar melhor as necessidades e as vivências de cada grupo, bem como as intercessões entre essas denominações (por exemplo, um homem heterossexual cisgênero pode ter desejo por sentir prazer na região anal; uma mulher transgênero pode ser homossexual, bissexual ou heterossexual).

            Em próximo artigo, vamos desenvolver melhor que tipo de relação é possível estabelecer entre a doutrina espírita e a diversidade sexual.

 

REFERÊNCIAS

ALBANI, Filipe. O espírita e a segurança pública parte I – “Bandido bom é bandido morto”. In: Canteiro de Ideias. Disponível em <http://www.canteiroideias.com.br/2020/10/o-espirita-e-seguranca-publica-parte-i.html >. Publicado em 29 out. 2020. Acessado em 03 jun. 2021.

CENTRO LATINOAMERICANO EM SEXUALIDADE E DIREITOS HUMANOS (CLAM). Orientação sexual na CID-11. Disponível em < http://www.clam.org.br/noticias-clam/conteudo.asp?cod=11863 >. Publicado em 21 out. 2014. Acessado em 03 jun. 2021.

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA (CFP). Transexualidade não é transtorno mental, oficializa OMS. Disponível em < https://site.cfp.org.br/transexualidade-nao-e-transtorno-mental-oficializa-oms>. Publicado em 25 mai. 2019. Acessado em 03 jun. 2021.

HMC, Pedro. LGBTQQICAPF2K+ é a nova sigla da comunidade LGBT segundo alguns ativistas do Reino Unido. In: Põe na roda. Disponível em <https://poenaroda.com.br/diversidade/direitos/lgbtqqicapf2k-e-a-nova-sigla-da-comunidade-lgbt-segundo-alguns-ativistas-do-reino-unido>. Publicado em 05 fev. 2018. Acessado em 20 set. 2020.

MARIOTTI, Domitilla. Entenda por que junho é considerado o mês do orgulho. In: Fala Universidades. Disponível em < https://falauniversidades.com.br/entenda-por-que-junho-e-considerado-o-mes-do-orgulho/>. Publicado em 04 jun. 2020. Acessado em 03 jun. 2021.

NAÇÕES UNIDAS BRASIL. Brasil é o país que mais mata travestis e pessoas trans no mundo, alerta relatório da sociedade civil entregue ao UNFPA. Disponível em < https://brasil.un.org/pt-br/110425-brasil-e-o-pais-que-mais-mata-travestis-e-pessoas-trans-no-mundo-alerta-relatorio-da >. Publicado em 03 fev. 2021. Acessado em 03 jun. 2021.

WIKIPÉDIA. Legislação sobre pessoas LGBT no mundo. Disponível em <https://pt.wikipedia.org/wiki/Legislação_sobre_pessoas_LGBT_no_mundo>. Acessado em 03 jun. 2021.

 

 

 

 


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