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JÁ ACABOU O NATAL?

 


   As pessoas vivem numa corrida frenética e imediatista, ou melhor, viviam. Esse último ano impôs uma velocidade diferente. Todos os conceitos precisaram ser repensados, assim como as práticas, essas com maior intensidade. Depois de tantos anos de hegemonia nos meses de dezembro, a figura do papai Noel deixou de ser a mais representativa, apesar de esforços intentarem descolar o Natal verdadeiro sentido, o simbólico nascimento de Jesus.

            A especial exigência de evitar-se aglomeração se traduziu em formação de grupos preferencialmente familiares e os lautos banquetes cederam lugar às reuniões íntimas, sem circunstâncias para que se exaltassem as convenções do culto exterior e evitando que as reflexões se dessem em torno das trocas de presentes e sim na fortificação dos vínculos de afeto e gratidão. Aliás, a palavra gratidão jamais terá sido tão repetida quanto nesses meses de 2020, importante registro quando tratamos de reverenciar o Natal. De alguma forma, os acontecimentos que vitimaram tantas pessoas alcançadas pela pandemia, meio que abriu as frestas desse portal que festeja Jesus bem mais cedo do que o habitual.

            Sucede que a humanidade teve as suas fragilidades expostas por tempo suficiente para trazer a convicção de que sem o apoio da espiritualidade, entendida por diversas formas a depender do tipo de crença de cada pessoa, as dificuldades se tornariam ainda maiores e suas consequências mais trágicas. Hora de lembrar exatamente daquele que conseguiu acalmar tempestades, não necessariamente nos mares bravios das exterioridades e sim nas marés tormentosas dos nossos pensamentos desajustados e aflitos.

            Nascido sem um registro histórico confirmado, um pobre refugiado de nascimento, por herança dos pais que fugiam de perseguição, codifica no universal idioma do amor a mais abrangente e perene mensagem de transformação. Elege a Terra como sua missão e se compromete com o progresso de todos aqueles que estivessem dispostos a encarar a dura jornada de assumir a própria cruz e vencer os seus desertos interiores.

            Vistos e compreendidos, os passos de Jesus na Terra, longe de prometerem facilidades e favores, são inequívocos em indicar que as estradas que conduzem ao encontro da Paz pretendida perpassam pelas batalhas que haveremos de empreender com a natureza beligerante de nossas imperfeições, senão nada feito. Ensinou-nos que a maior vitória possível não tem adversários externos, é a conquista de si mesmo. Determinou que se soubéssemos o que provém de Deus, seria natural entender o que é de César como passageiro. Tornou a morte uma passagem para um plano mais amplo de encontro com a natureza espiritual expandida. Defendeu os desafortunados, peregrinos, sem teto, famintos e degredados, como sinal de que a luta contra as desigualdades e as injustiças são bandeiras vivas de sua doutrina. Teve compaixão da cegueira dos homens, e até pediu a Deus que os perdoasse a falta de visão, sem jamais compactuar ou aplaudir os atos redundantes de suas trevas.

            Por essa razão, quanto mais pessoas sofrem e choram, maior a necessidade de Jesus em suas vidas. E não importa que dia é hoje, no calendário. O NATAL JAMAIS ACABA. Significa Jesus nascendo diariamente em cada pessoa.            

 

Comentários

  1. Creio que devemos tentar trazer esse simbolismo do Natal para todos os dias. Talvez por isso que eu não consiga me sentir diferente no Natal, pois tento vivenciar esse clima de fraternidade todos os dias.

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