Pular para o conteúdo principal

INFLUÊNCIAS ESPIRITUAIS










1 –       Brigamos muito em casa. Será alguma influência espiritual?
                           Sim, provavelmente de seus próprios Espíritos, quando não controlam as emoções. Assédio espiritual inferior é sempre consequência, nunca causa dos desajustes familiares. Primeiro nos perturbamos; depois somos perturbados por Espíritos. Abrimos a porta para eles e reclamamos que nos assaltam.

2 –       Meu marido anda muito nervoso. Disseram-me que é influência de algum Espírito e que devo levar uma roupa dele para ser benzida no Centro Espírita. Dá certo?
                           Roupas são precários veículos de magnetização. O ideal, nesse particular, é a água. Quando magnetizada é um autêntico passe engarrafado. Roupas para levar ao Centro Espírita são aquelas guardadas no fundo do guarda-roupa, que não usamos há anos. Com elas vestiremos os nus, os nossos irmãos carentes. Se possível, leve também o marido, para que assimile noções de vivência cristã que o ajudem a controlar suas emoções.


3 –       Uma senhora sentia-se inquieta e perturbada. Num Centro Espírita disseram-lhe que era o Espírito de seu pai a exigir a devolução de alguns pertences que ficaram com ela. É possível?
                           Comportamento desse tipo é comum em Espíritos que não se prepararam para a grande transição. Não obstante, como será difícil encontrar uma empresa que transporte seus pertences para o Além, melhor orar pelo pai, rogando o concurso dos bons Espíritos. Que o ajudem a despertar para as realidades além-túmulo, desapegando-se das ilusões da Terra.

4 –       Quando um copo cai e se espatifa, é obra de Espírito?
                           Sim, espírito de descuido, de falta de atenção da própria vítima. Partindo dos Espíritos desencarnados, semelhante intervenção só seria possível com a proximidade de um médium de efeitos físicos, o que é raro. Exatamente o que dizem os mentores espirituais a Kardec, na questão 531, de O Livro dos Espíritos: Esteja certo de que, se a tua louça se quebra, é mais por descuido teu do que por culpa dos Espíritos.

 5 – Fui informado de que as desonestidades que, infelizmente, tenho cometido ao longo de minha existência, decorrem da influência de um Espírito mau que me atormenta. É possível?
                           Sem dúvida! Certamente suas iniciativas desonestas são induzidas por um Espírito – o seu! O diabo, representação dos Espíritos maus, nos atenta, como dizem os beatos que sustentam a fantasia e assassinam o vernáculo, mas sempre de conformidade com nossas tendências. Ninguém será tentado ao roubo se a honestidade marcar seu caráter.

6 –       Como saber se estamos sendo influenciados por Espíritos que querem nos perturbar?
                           Normalmente, os Espíritos não nos perturbam; apenas exploram nossas perturbações. Se você está meio pra baixo, a causa pode estar em você mesmo, sinalizando que a porta da casa mental está aberta. Experimente ocupar-se com a prática do Bem, as boas leituras, o pensamento otimista, que nos iluminam, sinalizando aos Espíritos perturbadores que não há acesso para eles.

7 –       É comum eu me sentir mal perto de certas pessoas. São dotadas de má influência?
                           Sentir-se bem ou mal no contato humano revela muito mais uma postura íntima do que uma sensibilidade epidérmica. Na tradição evangélica há a conhecida passagem de Jesus elogiando os dentes de um cão morto, enquanto os discípulos reclamavam do mau cheiro. Se nos detivermos nos aspectos positivos das pessoas, dificilmente nos sentiremos mal diante delas.  

8 –       Quando meu marido se irrita fica endiabrado, como se fosse outra pessoa. Seria a manifestação de obsessores?
                           Sim, terríveis! Suas próprias tendências inferiores. Se não cultivamos disciplina das emoções diante das contrariedades e dissabores da existência, emerge o bruto que ainda vive em nós, resquício dos estágios inferiores por onde transitamos. À semelhança de Francisco de Assis, amanse a fera exemplificando os valores do Evangelho.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

INTERDEPENDÊNCIA E LIBERDADE INDIVIDUAL

      Por Doris Gandres   “A liberdade individual e a interdependência são essenciais para a vida em sociedade.” Mahatma Gandhi (1)               Hoje ainda, em geral, imaginamos que temos liberdade para realizar tudo aquilo que nos agradar, tudo que atender aos nossos interesses, independentemente de estarmos atingindo ou não a liberdade alheia. Muito frequentemente ignoramos o limite para o exercício da nossa liberdade.             Usualmente somos muito cônscios dos nossos direitos, porém muito relapsos quanto aos nossos deveres. Léon Denis nos recomenda “considerar a vida e suas responsabilidades sob um aspecto mais grave, a submeter mais estritamente nossos atos à regra austera do dever” (2).             No Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap.XVII, item 7, Lázaro Espírito transmite ...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

O ESPIRITISMO ANTE AS IDEOLOGIAS DE ESQUERDA E DE DIREITA

  Por Elias Moraes O movimento espírita não teve como se furtar ao acirramento das disputas ideológicas no campo político partidário, observadas nas duas últimas décadas; ao contrário, foi fortemente atingido por essas disputas. A princípio, mediante manifestações ostensivas de muitas das suas principais lideranças em defesa das pautas do campo ideológico da Direita, ainda que sob a forma de uma fingida neutralidade. A essas manifestações seguiu-se uma forte reação dos que discordavam dessa postura, e que foram estigmatizados sob o rótulo de "espíritas de Esquerda". Ante o clima de confronto que se estabeleceu, o argumento mais utilizado pelos que adotavam a negação como estratégia de silenciamento das discussões era que o Espiritismo não era nem de Esquerda e nem de Direita, mas "de cima", ou "do alto", como se a doutrina espírita não tivesse posições muito bem definidas a respeito de cada um dos temas colocados em pauta pelos atores de ambos os campos ...

DA QUIMERA HUMANA AO VOTO ANÔMICO

        Por Jorge Luiz                   A Contradição como Condição Ontológica             A paisagem político-social contemporânea expõe com crudeza o colapso dos filtros ético-morais no exercício da cidadania, revelando um fenômeno ainda mais perverso: a eleição consagradora de indivíduos formalmente denunciados por crimes gravíssimos, impulsionada justamente pelas parcelas mais vulneráveis da população. Desprovidos de amparo social e desarmados de senso crítico por um histórico de exclusão, esses grupos tornam-se alvos prioritários de apelos religiosos instrumentalizados, em que a fé é dobrada para anestesiar o discernimento ético e sacralizar a barbárie. Ao converter a transgressão em capital político com a chancela dos próprios espoliados, o corpo social escancara a sua contradição ontológica e o ponto cego do Brasil anômico — aquele em que a desori...

AS DEFORMIDADES COGNITIVAS PRETENSOS “HERCULANISTAS”

  Por Jorge Hessen O livre-pensamento, a liberdade de consciência e a fraternidade são princípios kardecianos que não combinam com patrulhamento doutrinário, condenações sistemáticas e apropriações ideológicas do Espiritismo. Há uma contradição curiosa entre alguns atuais admiradores de José Herculano Pires: proclamam fidelidade absoluta a Allan Kardec, mas adotam posturas que merecem ser confrontadas com os próprios fundamentos da Codificação.

SOCIALISMO E ESPIRITISMO: Uma revista espírita

“O homem é livre na medida em que coloca seus atos em harmonia com as leis universais. Para reinar a ordem social, o Espiritismo, o Socialismo e o Cristianismo devem dar-se nas mãos; do Espiritismo pode nascer o Socialismo idealista.” ( Arthur Conan Doyle) Allan Kardec ao elaborar os princípios da unidade tinha em mente que os espíritas fossem capazes de tecer uma teia social espírita , de base morfológica e que daria suporte doutrinário para as Instituições operarem as transformações necessárias ao homem. A unidade de princípios calcada na filosofia social espírita daria a liga necessária à elasticidade e resistência aos laços que devem unir os espíritas no seio dos ideais do socialismo-cristão. A opção por um “espiritismo religioso” fundado pelo roustainguismo de Bezerra Menezes, através da Federação Espírita Brasileira, e do ranço católico de Luiz de Olympio Telles de Menezes, na Bahia, sufocou no Brasil o vetor socialista-cristão da Doutrina Espírita. Telles, ao ...

RÉQUIEM

 Por Paulo Eduardo (*) O ofício dos mortos em música sublime. Réquiem significando repouso. Pausa na vida física a fim de enfrentar novos rumos. Retorno à pátria espiritual sendo relembrado neste segundo dia de novembro. Dia de Finados a alegria paradoxalmente triste de uma festa realmente com melodia em surdina. O palco desse momento de velada despedida ou de comunicação interna é o cemitério. Jazigo é sepultura e os espíritos são livres da vestimenta física quando partem em busca dos planos etéreos da vida plena. Ninguém fica residente em catacumba. Uma verdade inconteste. Convém destacar o crescimento da cremação de corpos e nem por isso leva-se ao esquecimento dos nossos cujos despojos tornaram-se pó. Nos réquiens pelo Dia de Finados vamos orquestrar a saudade no seu patamar de harmonia e certeza da perpetuação da vida. A Doutrina Espírita repercute na sua forma belíssima de reverenciar quem parte através do evento morte. Somos imortais na natureza divina...

ENLATADOS NO TEMPO

  Por Marcelo Teixeira Uma das partes mais interessantes da língua portuguesa é aquela destinada às figuras de linguagem. Entre elas, a metáfora, que consiste numa comparação implícita, muitas vezes apelando ao sentido figurado. Como exemplo, cito a expressão ‘coração de pedra’. Quando digo que alguém tem essa característica, refiro-me ao fato de a falta de compaixão ser tão forte a ponto de parecer que essa pessoa tem uma pedra no lugar do coração. A metáfora pode ser também utilizada em poesia, música ou literatura para tornar o texto mais elegante ou expressivo. É o caso do livro “Iracema”, em que o autor, José de Alencar, se refere à personagem-título como “a virgem dos lábios de mel”.

ASSOMBRAÇÃO

                 "Noiva de Furquim", Mariana (MG) - Ilustração                Contou-me um confrade que certa feita regressava ao lar, por volta de meia-noite, após uma festa.             Estava sozinho em seu automóvel. Numa curva, perdeu a direção do veículo, que se precipitou numa ribanceira. Desceu sacolejando e tombou dez metros abaixo.             A custo saiu do carro, rodas para cima. Repleto de escoriações, começou a subir, retornando à estrada. Já no alto olhou para o automóvel. Ficou estarrecido. Estava destruído. Impossível sair com vida dali.             Espírita estudioso, apavorou-se. Certamente morrera! Pensou em descer para confirmar o trágico acontecimento com a visão de seu corpo sem vida, entre as ferr...

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...