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A CASA DA ROCHA¹








Por Roberto Caldas (*)



Na Parábola da Casa Edificada sobre a Rocha (Mateus VII; 24), Jesus chama de prudente o homem que resolveu se proteger dos perigos das tempestades e das turbulências. Antes destaca esse homem como aquele que escutara as suas palavras.
Distantes do que propõe Jesus, somos ladeados por diversas construções que sequer passam por vistoria de suas bases e alicerces. A pressa em ter concluída a obra acaba levando os construtores a uma série de decisões que pouco importa se poderão trazer grandes acidentes ao que se encontram ancorados sob os seus limites. Na realidade os falsos edificadores de plantão simplesmente não se ocupam com as consequências de suas atitudes porque as suas personalidades fragmentadas desconsideram que o vento que acaricia é aquele mesmo que destrói todos os obstáculos que se lhes interponham.

É com facilidade impressionante que os arautos das conquistas fáceis procuram minimizar a importância do tempo na consecução das grandes obras. A impaciência passa a ser uma pitonisa que sugere atitudes pouco pensadas, cujas consequências são degustadas por período suficiente longo apenas porque se tenha deixado de inferir de forma responsável a condução de um momento difícil. Frequentes vezes desmandos pessoais produzem danos coletivos de penosa longevidade, enquanto o artífice da situação experimenta fuga desavisada pela porta dos fundos, incapaz de solucionar o problema que ocasionou.
Definitivamente as leis que regem os processos de ordem e desordem da Natureza não se alteram porque alguém demonstre ignorância diante de sua exatidão. Os paralelos evolutivos que conferem a fatal evolução cósmica, considerados os fenômenos geológicos e sociais ambos em constante mutação, independem dos personalismos, mesmo que estejam centrados na ação da pessoa, elemento fundamental para a decretação da mudança do mundo. O resultado dos que buscam conquistas a qualquer custo é a produção de armadilhas que haverão cobrar altos dividendos pelos atos impensados, mais cedo ou mais tarde.
Quem desejar pode festejar a construção de sua casa sob terreno frágil, nada se contrapõe a isso. Muitos foram os que buscaram tais soluções. Há infinidades de histórias que relatam tais escolhas, as quais a passagem dos anos revelou suas consequências. Não é por menos que atravessamos tantas noites sombrias acicatados pelas dores extemporâneas que nos aguardam nas esquinas que os nossos descaminhos preparam pela absoluta falta de reflexão.
Prudente, eis como Jesus designou aquele que constrói a sua casa sobre a rocha. Aquele mesmo que segundo o próprio Mestre, se trata daquele que o escutou e não só isso. Escutou-o e se dispôs a descobrir formas seguras de gastar o seu tempo em edificações seguras enquanto o tempo exige empenho em construir. O prudente sabe que a vida muda e as tempestades atingem indistintamente, sem poupar ninguém. O fato é que resistem às tempestades aqueles que erigiram a sua casa sobre a rocha. Essa a escolha que repousa sobre cada um.    

¹ editorial do programa Antena Espírita de 06.12.2015.
(*) escritor espírita, editorialista do programa Antena Espírita e voluntário do C.E. Grão de Mostarda.

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