quinta-feira, 31 de março de 2016

O DÓLMEN DE KARDEC (REEDIÇÃO)










31 de março de 1869
 Allan Kardec ultimava as providências de mudança de endereço. A partir de 01 de abril de 1869, o escritório de expedição e assinatura da Revista Espírita seria transferido para a sede da Livraria Espírita, à rua de Lille, nº 7, onde também, provisoriamente, funcionaria a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Na mesma data, os escritórios da redação e o domicílio pessoal de Allan Kardec seriam transferidos para a Avenue et Vila Ségur, nº 39, onde Kardec tinha casa de sua propriedade desde 1860.
Entremeando onze e doze horas, quando atendia um caixeiro de livraria, caiu pesadamente ao solo, fulminado pela ruptura de um aneurisma. Aos 65 anos incompletos, desencarnava em Paris, Allan Kardec.
            Sr. Muller, amigo de Kardec, um dos primeiros a chegar à sua residência, assim descreve em trecho de telegrama enviado: “Tudo isto era triste, e, entretanto, um sentimento de doce quietude penetrava-nos a alma; tudo na casa era desordem, caos, morte, mas tudo aí parecia calmo, risonho e doce, e, diante daqueles restos, forçosamente meditamos no futuro.”
            “Deu-se com ele o que se dá com todas as almas de forte têmpera: a lâmina gastou a bainha.” Assim consta em sua biografia na Revista Espírita, maio de 1869, transcrita em Obras Póstumas. Sofria alguns anos de uma enfermidade do coração que exigia total repouso intelectual e pouca atividade física.
            Foi sepultado no dia 02 de abril de 1869, no Cemitério Montmartre, o mais antigo de Paris.

            Na primeira sessão da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, após o sepultamento, os membros presentes, unanimemente, entenderam que deveriam homenageá-lo. Para tanto, seria erigido monumento em reconhecimento e simpatia, da parte de todos os espíritas. A iniciativa contou com o entusiasmo e adesão de espíritas franceses e estrangeiros.
            Em comum acordo com Madame Allan Kardec, decidiu-se que seria um dólmen, que no fundo, figurava simplicidade, universalidade e eternidade. Sob o aval de Madame Allan Kardec, uma comissão ficou responsável das providências afins.
            Concluídos os trabalhos, que consumiram cerca de 30 toneladas de pedras, no dia 29 de março, foram exumados os despojos materiais de Allan Kardec e realizada a transferência. No dia 31 de março de 1870, por volta das quatorze horas, os espíritas inauguraram o monumento dolmênico em sua memória, no Cemitério do Père-Lachaise.
            Alguns companheiros espíritas discordam da homenagem, fundamentados é claro, na cultura espírita. Na questão 324 de “O Livro dos Espíritos”, os Reveladores Celestes afirmam que os desencarnados são menos sensíveis às honras que lhes tributam do que às lembranças, no que diz respeito às homenagens a eles patenteadas através de estátuas ou monumentos.
            O Espírito Allan Kardec paira sobre essas questiúnculas terrestres. Render-lhes as justas e devidas homenagens é honrar e sublimar o verdadeiro dólmen da imortalidade que ele edificou: A Doutrina dos Espíritos. Deveremos zelar por este dólmen, erigido sobre três esteios graníticos: filosófico, científico e moral, tendo a estrutura do seu chapéu de cobertura a Lei Natural. A sua argamassa é traçada na unversalidade dos ensinos dos Espíritos e na fé raciocinada.
            Quando o Sr. Muller expressou em seu telegrama que: “forçosamente meditamos no futuro”; meditava sobre o agora; forçosamente meditava sobre esta geração de espíritas. Portanto, para que possamos gravar o nome de Kardec no panteão da História, cabe a cada espírita individual e coletivamente, a responsabilidade hoje de meditarmos sobre o futuro, para legar o dólmen da imortalidade para as gerações seguintes, incólume, sob o risco de comprometermos a marcha do progresso do Espiritismo, consequentemente, o progresso da Humanidade.
            Homenageamos hoje (31) o homem e o Espírito Allan Kardec. “Já não existe o homem,(...). Entretanto, Allan Kardec é imortal em sua memória, seus trabalhos, seu Espírito estarão sempre com os que empunharem forte e vigorosamente o estandarte que ele soube sempre fazer respeitado”, assim é a conclusão de seus dados biográficos em Obras Póstumas; assim também é a nossa conclusão.





       
(*) livre-pensador e voluntário do Instituto de Cultura Espírita.
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10 comentários:

  1. Bela e oportuna homenagem, meu caro. Feliz pascoa ! Aline Loiola.

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  2. Francisco Castro de Sousa31 de março de 2013 15:53

    MEU CARO JORGE,
    EXCELENTE TEXTO E OPORTUNA A HOMENAGEM. KARDEC E SEU LEGADO MERECEM ESSE TIPO DE REFERÊNCIA. REPERCUTIREMOS SEU TEXTO NO PROGRAMA ANTENA ESPÍRITA DE HOJE, 31.03.2013 - 144 ANOS DEPOIS!
    CASTRO

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  3. Caríssimo Castro!
    Fico feliz pela iniciativa, principalmente por nascer de você.
    Obrigado!

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  4. Ligiane Neves - Casa do Caminho de Aquiraz31 de março de 2013 23:31

    Bela homenagem a esse homem que em tudo foi zeloso com a doutrina espírita!
    Parabéns pelo belo texto!
    Gratos estamos pelo trabalho de todos que contribuem com o blog.
    Muita paz, amor e sucesso a todos!

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  5. Parabéns Jorge Luiz pela brilhante homenagem! "(...)Allan Kardec é imortal em sua memória..." Lindo texto!

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  6. Parabéns caro amigo Jorge, belo texto! (Gardênia Carlos)

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  7. Obrigada Jorge.
    Já postamos no blog do Bezerra.
    Abraço fraterno.
    Luíza

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  8. Francisco Castro de Sousa31 de março de 2016 16:01

    Jorge Luiz, Hoje lhe parabeniso por ter reprisado esse texto, mais uma vez no dia 31 de março de 2016, quando são completados 147 anos que o Mestre Lionês deixou o corpo para retornar à Pátria Espiritual com a missão cumprida!

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  9. Bela e oportuna lembrança!

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