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LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE¹



Por Roberto Caldas (*)


              Há um ditado popular que dispõe a respeito do grito. Segundo esse ditado um grito pode perder ou salvar uma manada. Parece que a crença popular se aplica a uma gama de situações em que se sitia a sociedade humana. Sabedora dessa qualidade da humanidade em formar manadas, embora tenha vencido a sua fase quadrúpede, é que lideranças de agremiações de variadas atividades investem no cultivo da falta de crítica presente no fermento da massa que teme ou se alimenta do grito.
            Poucas situações são tão favoráveis à manutenção do comando, quase que por hipnose, do que manter a excitação emocional em pico para que se possa controlar a atitude do outro, enquanto são propostos conceitos e ideias que, sem a provocada alteração da emoção, provavelmente não seria aceitos. Dessa maneira vimos o mundo ser invadido literalmente pelo lixo mental que caracterizou o nazismo e o fascismo, doutrinas espúrias que ainda possuem representantes que se escondem sobre os escombros da maldade e da intolerância, as quais foram absorvidas por populações inteiras durante os desastres bélicos que determinaram uma das maiores catástrofes humanas que foi a Segunda Grande Guerra.
            Campanhas publicitárias mal intencionadas, terrorismo psicológico de conteúdo variado incluindo os religiosos, vaticínios cabalísticos, pessimismo niilista são as formas mais utilizadas, pelos mestres da conversão, para se enquadrar as pessoas que se deixam envolver afetiva e efetivamente pelas propostas lançadas em meio ao bulício da distração popular.
            Entre outras razões, essa é uma das mais importantes, do porque o Espiritismo não é uma doutrina de massa: ela fala à pessoa e conclama à razão. Sua missão na Terra é ajudar à humanidade, na perspectiva da transformação moral individual, no desarme da ansiedade. Não promete soluções externas de salvação, tampouco indica receitas, fórmulas e ritos que substituam ao investimento de tornar-se a pessoa alguém melhor em suas atitudes.
 As palavras de Allan Kardec, em Obras Póstumas, esclarecem quanto à profundidade da visão espírita: “Liberdade, igualdade, fraternidade, estas três palavras são, por si sós, o programa de toda uma ordem social, que realizaria o progresso mais absoluto da Humanidade, se os princípios que representam pudessem receber sua inteira aplicação”. O Codificador evoca a tríade que alicerçou a revolução francesa e alimenta as ideologias mais amplas de grupos e pessoas que aspiram a construção de um mundo melhor, sem qualquer intencionalidade escondida em formar movimentos que visem conquistas menores que se disfarçam em altruísmo para arrebanhar apoios entre aqueles a quem falte o necessário discernimento da crítica.

A Doutrina Espírita cumpre a sua função de esclarecer. Esclarecer significa tornar claro, retirar os véus, dar limpidez. Estejamos atentos, pois muitas são as tentativas de turvação visual que haverão de ser lançadas diante de nós, vindo de muitos flancos. Não permitamos abater o ânimo nesse mundo que passa por transformações necessárias e saibamos manter a razão acima dos gritos e acirramentos que buscam tisnar a emoção. Iluminemos o nosso olhar acima de qualquer escuridão e façamos resplandecer adiante, além, a luz do discernimento.

¹ editorial do programa Antena Espírita de 30.08.2015.

(*) escritor, editorialista do programa Antena Espírita e voluntário do C.E. Grão de Mostarda.


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