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OPINIÕES PESSOAIS APRESENTADAS COMO VERDADES ABSOLUTAS

 


Por Orson P. Carrara

            Sim, os Espíritos nem tudo podem revelar. Seja por não saberem, seja por não terem permissão. As expectativas que se formam tentando obter informações espirituais são muito danosas para o bom entendimento doutrinário e vivência plena dos ensinos espíritas.

            É extraordinário o que Kardec traz no item 300 de O Livro dos Médiuns, no capítulo XXVII – Das contradições e das mistificações. O Codificador inicia o item referindo-se ao critério da preferência de aceitação que se deve dar às informações trazidas por encarnados e desencarnados, desde que dentro dos parâmetros da clareza, do discernimento e do bom senso e especialmente daquelas desprovidas de paixões, que deturpam sempre.

            E como bem argumenta, entre os espíritos há os que estão acima do nível geral da Humanidade, no que se refere aos conhecimentos, e muita orientação podem trazer. Mas, claro, há também os que estão bem abaixo do nível normal de maturidade humana, o que exige dos que deles recebem informações uma bem formada experiência para perceber lances ou tentativas de paixões presentes em suas abordagens.

Permito-me transcrever pequeno trecho parcial para bem embasar a presente apreciação:

 

“(...) Há coisas, portanto, sobre as quais será inútil interrogar os Espíritos, ou porque lhes seja defeso revelá-las, ou porque eles próprios as ignoram e a cujo respeito apenas podem expender suas opiniões pessoais. Ora, são essas opiniões pessoais que os Espíritos orgulhosos apresentam como verdades absolutas (...)”.

 

            Os grifos são meus e notem o detalhe: são essas opiniões pessoais que os Espíritos orgulhosos apresentam como verdades absolutas. E Kardec acrescenta, sempre muito didático e oportuno:

 

“(...) Sobretudo, acerca do que deva permanecer oculto, como o futuro e o princípio das coisas, é que eles mais insistem, a fim de insinuarem que se acham de posse dos segredos de Deus (...)”. Note-se aí no grifo proposital a paixão do orgulho dominando.

 

E aí surgem as contradições, como adverte o Codificador. Contradições oriundas da falta de conhecimento e maturação sobre os princípios doutrinários, tão claros nas obras, disponíveis para reflexão que previne dessas ilusões. Ilusões que inclusive se distribuem também em livros publicados, incoerentes com a lógica espírita, ou em abordagens verbais ou escritas.

Daí sempre o cuidado e prudência sempre recomendados. Recomendamos leitura integral do item referido.

 

Comentários

  1. COMENTÁRIO ELABORADO POR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - IA (GEMINI)
    O artigo destaca um dos pilares da Metodologia Kardequiana: o uso do crivo da razão e do bom senso sobre qualquer comunicação espiritual. A análise reforça que o título de "Espírito" não confere infalibilidade nem sabedoria universal a quem desencarnou.

    Limitações do Invisível: O texto pontua com clareza que os Espíritos possuem gradações de conhecimento e estão sujeitos a leis de permissão. A busca por revelações bombásticas ou detalhes do futuro é, portanto, um campo fértil para o orgulho e a mistificação.

    O Perigo das "Opiniões Pessoais": Um dos alertas mais valiosos do trecho é a distinção entre a verdade e a opinião de Espíritos ainda vaidosos. Quando o interlocutor (encarnado ou desencarnado) se apresenta como "dono dos segredos de Deus", a lógica espírita ensina que o sinal de alerta deve ser ligado.

    A Responsabilidade do Estudante: O comentário final sobre as contradições em livros e palestras é um chamado à responsabilidade. A "vivência plena" mencionada no início só é possível quando o indivíduo substitui a curiosidade ingênua pelo estudo rigoroso das obras básicas.

    Conclusão: O texto é um excelente lembrete de que a autoridade da mensagem reside na concordância com a lógica e a moral, e não na suposta superioridade de quem a transmite. A prudência não é falta de fé, mas a garantia da fidelidade doutrinária.

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