Pular para o conteúdo principal

REDE SOCIAL UNIVERSAL

 

Por Doris Gandres

“A Ciência já provou através da Física Quântica que somos energia e que estamos todos conectados através da nossa vibração.” Greg Braden*

      “Nada é vazio (LE q.36). – Assim, tudo se liga no Universo, tudo se encadeia, tudo está submetido à grande lei de unidade (A GÊN cap. XIV, item 12). “Por isso dizemos que tudo está em tudo” (LE q.33).

      Praticamente todos que conhecemos estão encantados, fascinados, envolvidos com o que se escolheu chamar “rede social” e nesta, muitos dos participantes colocam detalhes pessoais, eventos, fotografias, dados íntimos e até referentes a outras pessoas às vezes mesmo sem o consentimento e conhecimento dessas pessoas. “Blogs, Facebooks, Instagrams” ou outros nomes que eu talvez até desconheça etc., etc., etc., pois a cada dia aparece uma nova forma de conexão virtual entre as criaturas.

     Sabemos que tudo isso faz parte do progresso e pode ser extremamente benéfico se bem utilizado; o problema muitas vezes reside no fato de que, de certo modo, ainda não estamos preparados para bem nos servirmos dessas ferramentas de maneira consciente e equilibrada, sem excessos ou extravagâncias de todo tipo.

      A questão a ser analisada é que, de momento, essas inovações tecnológicas tem-nos servido frequentemente para nos manter à distância do contato direto, do “olho no olho”, do abraço “corpo a corpo”, da lágrima que escorre junto com a lágrima do companheiro, do sorriso que se irradia e faz brotar o sorriso do irmão e com ele se mistura feliz...

     Paradoxo quase inacreditável é que, enquanto muitas vezes inconscientemente nos “blindamos” atrás de um monitor e pretendemos despejar nosso carinho sobre um teclado, quando surge a oportunidade de estarmos juntos, lado a lado, frente a frente, permanecemos estranhamente “blindados” e continuamos simplesmente tecnologicamente conectados... Cada vez mais constantemente vemos principalmente jovens que, embora próximos, continuam dedilhando mensagens entre si através de seus “aifones”... Muitos de nós já não entendemos outra forma de conexão, porque a “ainet” nos mantém informados, atualizados sobre tudo e sobre todos – pelo menos é o que julgamos – e nos preserva de situações mais difíceis, relacionamentos delicados, ou constrangedores, embaraçosos e que, eventualmente, possam nos magoar...

      Contudo, o de que não nos damos conta é que há uma grande possibilidade de que mensagens mostrem apenas o que pretendemos mostrar, ou ainda, o que pretendemos parecer ser, ou mais perigoso, o que desejamos ocultar; nelas não colocamos nossas fragilidades, nossas imperfeições, nossas desarmonias, nosso eventual mau-humor, nossas irritações e tantas outras coisas que temos dificuldade de aceitar ainda existirem em nós, ainda representarem a presente realidade da nossa individualidade, em muitos casos apenas medianamente evoluída...

      No entanto, apesar nosso medo, da nossa ilusão em geral inclusive impercebida, como bem nos advertiu o Mestre, nada fica oculto; cedo ou tarde, a verdade refulge libertadora porque, como vimos nos destaques iniciais, tudo está inapelavelmente interligado, inter-relacionado e interdependente. Cada ação, cada gesto, cada palavra, cada pensamento, cada contato, seja por que meio for, está indelevelmente grafado no nosso campo perispirítico e mais, no catálogo individual cósmico, qual livro aberto que todos podem folhear independentemente da nossa vontade ou autorização.

      Não existe rede social mais poderosa, mais acessível, embora não possa ser adulterada por ninguém, do que essa infinita rede social universal. Um dia compreenderemos essa grandiosa rede que nos permite sermos verdadeiramente solidários, através dos tempos, através do espaço, onde não existe o “vazio”, onde alegrias, amores, ódios, tristezas, anseios, sensações, sentimentos e ações de todo tipo, circulam sem se confundirem entre si, sendo reconhecíveis suas origens, guardando suas tonalidades e vibrações próprias.

      Allan Kardec, que estudou o magnetismo por 35 anos, lei universal sobre a qual os Espíritos lhe disseram que no futuro compreenderíamos melhor (LE q.388), em Obras Póstumas tece explicações extremamente relevantes para nós em dois capítulos, intitulados Telegrafia e Fotografia do Pensamento. Ali já se pode adivinhar a importância para nós do conhecimento dessa real rede social. Real porque não submetida ao nosso nível evolutivo, quer intelectual, quer moral. Real por se tratar de lei natural, lei divina, que rege ainda afinidades e sintonias...

      Assim, cabe a nós, que já temos acesso tanto ao conhecimento tecnológico, quanto a um relativo conhecimento das leis que regem toda a criação, procurarmos compreender melhor, ou o quanto nos for possível, a necessidade de bem empregarmos esse poderoso ferramental evolutivo de que ora dispomos para melhor sedimentarmos nosso caminho...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

SER HUMANO: ZONA DE INTERESSES – DA COISIFICAÇÃO DA VIDA AO NEGÓCIO DA MORTE

    Por Jorge Luiz O Sujeito como Território de Caça  Thomas Hobbes, em sua festejadíssima obra Leviatã (1651), sentenciou que o “homem é o lobo do homem”. Para ele, a ausência de uma autoridade central condenaria a humanidade a uma vida “solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta”. O remédio hobbesiano é o Contrato Social de submissão: a entrega irreversível do poder ao Soberano (Estado) em troca de segurança. Hobbes rompe com o pensamento puramente religioso ao defender o Erastismo — a subordinação da Igreja ao poder civil —, sob a premissa de que não pode haver dois senhores disputando a obediência do súdito. Contudo, o Leviatã de Hobbes não anteviu a mutação do Estado-Nação sob o capitalismo. O sistema, consolidado entre os séculos XVIII e XIX, transitou do mercantilismo para o liberalismo industrial, onde o Estado parece diminuir sua intervenção, mas se agiganta na construção das subjetividades. Como propõe Louis Althusser , o Estado realiza-se através de s...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

O ESPIRITISMO ENTRE A FILOSOFIA E A RELIGIÃO: AS DIFERENÇAS DE SENSIBILIDADE ENTRE KARDEC, HERCULANO PIRES E CHICO XAVIER

       Por Wilson Garcia      A comparação entre Allan Kardec e Chico Xavier talvez seja uma das mais delicadas do movimento espírita brasileiro. Ela toca não apenas em personalidades históricas, mas em dois modos profundamente distintos de compreender o próprio Espiritismo. E, de fato, há diferenças muito evidentes entre ambos — de formação intelectual, de sensibilidade religiosa, de linguagem, de método e até de projeto cultural.   A hipótese de que Chico seria a reencarnação de Kardec ganhou força mais pelo imaginário afetivo do movimento espírita do que por evidências concretas de continuidade intelectual. Quando observamos os dois racionalmente, o contraste salta aos olhos.

O ESTUDO DA GLÂNDULA PINEAL NA OBRA MEDIÙNICA DE ANDRÉ LUIZ¹

Alvo de especulações filosóficas e considerada um “órgão sem função” pela Medicina até a década de 1960, a glândula pineal está presente – e com grande riqueza de detalhes – em seis dos treze livros da coleção A Vida no Mundo Espiritual(1), ditada pelo Espírito André Luiz e psicografada por Francisco Cândido Xavier. Dentre os livros, destaque para a obra Missionários da Luz, lançado em 1945, e que traz 16 páginas com informações sobre a glândula pineal que possibilitam correlações com o conhecimento científico, inclusive antecipando algumas descobertas do meio acadêmico. Tal conteúdo mereceu atenção dos pesquisadores Giancarlo Lucchetti, Jorge Cecílio Daher Júnior, Décio Iandoli Júnior, Juliane P. B. Gonçalves e Alessandra L. G. Lucchetti, autores do artigo científico Historical and cultural aspects of the pineal gland: comparison between the theories provided by Spiritism in the 1940s and the current scientific evidence (tradução: “Aspectos históricos e culturais da glândula ...

'SELFIES" ALIENANTES

Por Jorge Hessen (*) As tecnologias pessoais, sobretudo os smartphones, revolucionaram o formato com que as pessoas se expressam no dia-a-dia na atualidade, e a selfie faz parte dessa transformação. Experimenta-se a neurose do selfie (derivada do termo inglês self (eu) junto ao sufixo “ie” – um tipo de fotografia), para indicar uma espécie de autorretrato, tradicionalmente exposto na rede social que tem contagiado a muitos, principalmente no Instagram e Facebook. O indivíduo aponta o smartphone para o próprio rosto e busca o melhor ângulo para tirar uma fotografia esmerada. Pode ser na praia, na festa, no parque, no restaurante ou em situação de alto risco de vida. A obsessão é tamanha que neste último caso chega a causar acidentes fatais. Quando falamos em selfies aqui, os números não são nem de longe inexpressivos, ou seja, nada menos que 880 bilhões de fotos foram feitos apenas em 2014. Uma parcela relevante de auto-exposição na forma de autorretratos. Tais imag...

O ABORTO E A GRATIDÃO POR TER NASCIDO

Minha mãe e eu, 54 anos atrás Hoje, no dia do meu aniversário, uma data que sempre me alegra, pois gosto de ter nascido, resolvi escrever algumas considerações sobre esse tema tão controvertido: o aborto. Se estou comemorando meu aniversário e vivendo uma vida plena de sentido, é porque minha mãe permitiu que eu nascesse. Me recebeu e me acolheu, com a participação de meu pai. Então, é bastante pertinente falar sobre esse tema, nesse dia. Meu dia de entrada nessa vida. Penso que esse debate sempre caminha por lados opostos, com argumentos que não tocam o cerne da questão.

FRONTEIRAS ENTRE O REAL E O IMAGINÁRIO

  Por Jerri Almeida                A produção literária, desde a Grécia Antiga, vem moldando seus enredos e suas tramas utilizando-se de contextos e fatos históricos. Os romances épicos, que em muitos casos terminam virando, contemporaneamente, filmes ou novelas de grandes sucessos, exploram os aspectos de época, muitas vezes, adicionando elementos mentais e culturais de nosso tempo. Essa é uma questão perigosa, pois pode gerar os famosos anacronismos históricos. Seria algo como um romance que se passa no Egito, na época de um faraó qualquer, falar em “burguesia egípcia”. Ora, “burguesia” é um conceito que começa a ser construído por volta dos séculos XII-XIII, no Ocidente Medieval. Portanto, romances onde conceitos ou ideias são usados fora de seu contexto histórico, tornam-se anacrônicos.

O PERÍODO DOS "GRANDES MÉDIUNS" JÁ PASSOU!

    Por Jerri Almeida   Allan Kardec foi sempre muito cuidadoso na preservação dos médiuns com os quais manteve contato, e que colaboraram em suas investigações. Poucas são as citações ou referências aos nomes desses médiuns no conjunto de sua obra. Parece evidente, que Kardec se preocupava muito mais com o conteúdo das informações e das ideias apresentadas do que, propriamente, com os médiuns e Espíritos que as comunicavam.

PRECE DO EDUCADOR

Por Dora Incontri (*) Senhor, Que eu possa me debruçar sobre cada criança, e sobre cada jovem, com a reverência que deve animar minha alma diante de toda criatura Tua! Que eu respeite em cada ser humano de que me aproximar, o sagrado direito de ele próprio construir seu ser e escolher seu pensar! Que eu não deseje me apoderar do espírito de ninguém, imprimindo-lhe meus caprichos e meus desejos pessoais, nem exigindo qualquer recompensa por aquilo que devo lhe dar de alma para alma!