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O CAMINHO E O ABISMO

 


        Difícil admitir que em época de tanto desenvolvimento tecnológico e sociológico a humanidade esteja em posição de refém diante da possibilidade de uma devastação de amplitude mundial orquestrada pela necessidade homicida de duas potências imperialistas que resolveram jogar xadrez geopolítico. Não bastasse todo sofrimento perpetrado por dois anos de pandemia com tantas vítimas. A diferença é que vírus não pensa nem planeja destruir.

            Ainda há no mundo, e com poderes gigantescos, pessoas que acreditam no emprego da violência na solução de problemas. Parece que as duras lições que a História comprova foram inúteis em suas apreciações, quando sequer haja uma única aventura oportunizada pela truculência que tenha trazido resultados positivos. Apesar de nada de proveito haver na violência, e isso não há como ser contestado, é por aí que insistem.

            A violência e todos os artefatos bélicos de que se compõe, desde uma simples arma de fogo até uma bomba nuclear, só geram a cizânia e a insensatez, o desastre e o ódio, a morte e a fome, pois trazem em sua origem a intenção de agredir o outro.  A ideia de busca de proteção entre aqueles que fazem a sua defesa é puro sofisma nefasto.

            O Livro dos Espíritos aborda a condição que permite que pessoas se tornem inimigas de pessoas na produção de confrontos armados, na questão 742: “Qual a causa que leva o homem à guerra? – Predominância da natureza animal sobre a espiritual e a satisfação das paixões...”.

            A guerra com todo o arsenal de violência, que é sua causa e consequência, é estrada sem volta. Uma passagem para o abismo. Uma peleja sem vencedores, espaço em que todos perdem de forma fragorosa, cujos ferimentos demoram a cicatrizar. A opção pela guerra será sempre um atestado de fracasso do processo civilizatório. O ato de ferir e matar a outrem para se provar com a razão é lamentável engano que o tempo não perdoa.

            Simplesmente o mundo precisa de paz. E essa necessidade é urgente. Temerário que aqueles que a busquem ainda sejam confundidos com ingênuos ou fracos, tão gigantesca a agressividade que nos cerca suscitando resposta de igual natureza.

            É lúcido que se tenha cuidado para não deslizar nessas armadilhas que tornam oponentes/rivais em inimigos. O caminho para a paz é a fértil estrada em que se aprende a valorizar as virtudes que eventualmente existam naqueles que pensam diferente, enquanto se encontra espaço e momento para debater os pontos que nos tornam adversários. Nada de equivocado em discutir e discordar, mesmo com veemência, desde que haja respeito à integridade física e moral do contendor.

            Guerra é fracasso lamentável quando tem no outro o inimigo. A verdadeira e útil guerra é aquela que se constrói na autossuperação dos limites e na expansão dos horizontes. Uma iniciativa que começa como uma tímida flama, mas pode transformar exércitos de homens e mulheres em verdadeiros missionários da Paz, essa condição que é o caminho que haverá de nos livrar do abismo que são as guerras destruidoras.

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