segunda-feira, 3 de outubro de 2016

ALLAN KARDEC, O DRUIDA REENCARNADO







Das reencarnações atribuídas ao Espírito Hipollyte Léon Denizard Rivail, a mais reconhecida é a de ter sido um sacerdote druida chamado Allan Kardec. A prova irrefutável dessa realidade é a adoção desse nome, como pseudônimo, utilizado por Rivail para autenticar as obras espíritas, objeto de suas pesquisas.
Os registros acerca dessa encarnação estão na magnífica obra “O Livro dos Espíritos e sua Tradição História e Lendária” do Dr. Canuto de Abreu, obra que não deve faltar na estante do espírita que deseja bem conhecer o Espiritismo.


Ilha da Reunião

A relação do Espírito Zéfiro com a família Baudin se iniciou quando ainda residiam na Ilha Reunião, um pedaço da França no Oceano Índico, quase imperceptível nos mapas e que se tornou Patrimônio da Humanidade em 2010.  Conhecidíssima em nossos dias por sediar o torneio de tênis Roland Garros. Fica longe de tudo. Atualmente, para se chegar a Reunião, com origem nas principais capitais europeias, tem que encarar, pelo menos, 14 horas de voo, isso partindo da África do Sul. Imaginem àquela época!
Depois de sucessivas comunicações, inesperadamente, certa noite o   Espírito Zéfiro falou:

“Vocês irão brevemente para Paris. Baudin arrumará seus negócios; Émile entrará na Escola; Caroline e Julie tornarão professoras mais competentes e... encontrarão seus noivos; e eu Zéfiro, procurarei contato com um velho amigo e chefe do nosso tempo de Druidas.”

Paris
            Em casa de Madame Plannemaison, Zéfiro se fez comunicar, embalado sob o Hino Nacional Francês, escreveu:
“Nosso dia de glória já chegou.  E continuou: Vamos ter finalmente o convívio com o nosso velho Chefe druídico.”  Ao ser indagado se era aquele que ele esperava encontrar em Paris, respondeu:

“Sim, ele mesmo em pessoa.” (...) Ao ser questionado sobre o nome dele, afirmou, destacando sílaba por sílaba, entre hiatos: “ Al-lan-Kar-dec”.

           Zéfiro, apesar de ser um bom Espírito, tinha o hábito de alfinetar e pilheriar com os consulentes. Na noite em que o professor e Mme. Rivail se fizeram presentes, o Espírito Zéfiro o saudou amistosamente da seguinte forma:

            “Salve, caro pontífice, três vezes salve.”
           
            Explicado para Rivail as características do Espírito Zéfiro, ele não se agastou e respondeu ao Guia familiar, sorrindo:

            “Minha benção apostólica, prezado filho.”

            O Espírito Zéfiro explicou que fez reverência respeitosa a um verdadeiro Pontífice, pois Rivail havia sido, no tempo do Imperador Júlio César, um chefe druídico.

Os Celtas

“Entre os celtas e os gauleses existem pessoas chamadas druidas ou sagradas.” (Diógenes Laércio)

            Para alguns historiadores os celtas, e especialmente os druidas, eram como seres obscuros, sinistros e sanguinário, entretanto, a realidade é bem outra.
            Para outros, os celtas faziam parte de uma civilização, caracterizada por muita originalidade, com criatividade artística e eram detentores de conhecimentos avançados para a sua época em astronomia, metalurgia, engenharia e outras ciências.
            Foram os celtas o primeiro povo da Europa Setentrional incorporado pelo Império Romano quando este se estendeu além das fronteiras do Mediterrâneo.
As mulheres desempenhavam um papel importante na sociedade celta. Elas podiam ter propriedades, mesmos casadas, escolher seus maridos, se divorciar, ocupar cargos de chefia e tomar lugar nas linhas de batalha.
Para o sistema social havia um código legal administrado pelos druidas e transmitido de maneira verbal.

Os Druidas

            O Imperador Júlio César, que conquistou o povo celta, contou a história ao seu bel-prazer, deixou registrado que “os druidas se ocupavam das coisas divinas, realizavam sacrifícios, em público e privado, interpretavam coisas religiosas.”.
            O que é certo é que os druidas eram sacerdotes com múltiplas capacidades e um saber universal. Diferentemente das religiões grega, romana e germânica. A religião celta não possuía padres, mas uma classe sacerdotal hierarquizada.
            A cerimônia druida mais importante era a que colhia o visco do carvalho, sua árvore sagrada. O carvalho era o emblema do poder divino; o visco, sempre verde, era o da imortalidade. Para o altar, tinham montões de pedra bruta. “Toda pedra lavrada é pedra profanada.” Dessa forma, jamais admitiam objeto algum saído da mão do homem em seus santuários. Eram aversos aos ídolos e às formas pueris do culto romano;
            Os textos clássicos informam que os druidas dividiam-se em três classes distintas, cada qual com as suas funções específicas, e um treinamento diversificado, sem que isso significasse a submissão de uma classe a outra: bardos (zeladores da tradição); ovados (detentores da compreensão); druidas (detentores da sabedoria).
            Júlio César em seus registros afirma que demorava vinte anos para se tornar um druida. Ora, a julgar que para se tornar bardo levava doze anos, e ovado outro tantos, é óbvio que só se atingia a condição de druida na plenitude da madureza.

As Tríades Druídicas

            Os druidas tinham uma predileção particular pelo número três. Portanto, as transmissões de suas lições foram construídas em tríades. Ao todo são quatorze.
 A primeira delas afirma que há três unidades primitivas e de cada uma delas não poderia existir mais que uma: um Deus, uma verdade e um ponto de liberdade, isto é, o ponto onde se encontra o equilíbrio de toda oposição.
A segunda: “Três coisas procedem das três unidades primitivas; toda vida, todo bem e todo o poder.” Até a décima primeira, todas são consagradas à exposição dos atributos de Deus – Deus e o Universo.
            A partir da décima-segunda até a décima-quarta, têm-se os três círculos, que se inicia dessa forma: “Há três círculos de existência: o círculo da região vazia (keugant) - onde, exceto Deus – não há nada vivo nem morto e nenhum ser que Deus possa atravessar; o círculo da migração (abred) onde todo ser animado precede a morte, que o homem atravessou; e o círculo da felicidade (gwenved), finalizando com a décima-quarta, que atesta: Três fazes necessárias de toda existência em relação à vida: o começo em ankn, a transmigração em abred e a plenitude em gwenved; e sem estas três coisas nada pode existir, exceto Deus.
            Em todo o desenvolvimento das tríades druidas, vê-se traços da Doutrina Espírita.

O Espiritismo entre os Druidas

            Na Revista Espírita, abril de 1858, Allan Kardec publica, na íntegra, escritos do Sr. Edouard Fournier, publicados originalmente no jornal Siècle, sob o título Le vieux neuf  (O velho novo).
            Em seus comentários introdutórios, Allan Kardec escreve:
“Quanto a nós, não nos deixam nossas observações pessoais nenhuma dúvida sobre a antiguidade e a universalidade da Doutrina que os Espíritos ensinam. Essa coincidência entre o que nos dizem hoje as crenças dos tempos mais remotos, é um fato significativo da mais alta importância. Faremos notar, entretanto, que se por toda parte encontramos traços da Doutrina Espírita, em parte alguma a vemos completa: tudo indica ter sido reservado à nossa época coordenar esses fragmentos esparsos entre todos os povos, a fim de chegar-se à unidade de princípios (...)”.

Allan Kardec e Rivail

            Espírito sóbrio, austero, firme, determinado, pouco dado a arroubos místicos e sentimentais. Uma biógrafa sua o definiu como sendo cético por educação. Um homem centrado, equilibrado, seguro, ao mesmo tempo benevolente, acolhedor, cordial. Camille Flamarion o definiu como o “bom senso encarnado.”
            Professor reconhecido pela comunidade educacional francesa, direcionava todos os seus conhecimentos para a prática do ensino, diretor de escola e autor de livros didáticos e pedagógicos, e com trabalhos científicos premiados.
            Assim, opta por usar o pseudônimo de Allan Kardec para autenticar as obras espíritas, não por acovardamento com afirmam os seus detratores, mas por modéstia, humildade e reconhecimento de que os ensinamentos espíritas não eram seus, mas sim dos Reveladores Celestes.
            Nasce Allan Kardec para o mundo, individualidade que nesta data homenageamos.
            Salve Allan Kardec, três vezes salve!

Referências bibliográficas.
ABREU, Canuto. O Livro dos Espíritos e sua Tradição Histórica e Lendária.
INCONTRI, Dora. Para entender Kardec
KARDEC, Allan. Revista Espírita, 1858.
MONTEIRO, Eduardo C. Allan Kardec, o Druida Reencarnado.
           

Um comentário:

  1. Maravilha de texto. Que nosso Mestre de Lyon receba nossa gratidão.

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