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PALAVRAS - O VERBO DA VIDA E DA MORTE

 


               Jamais será “por acaso” ou “de repente” que as grandes alterações acontecem nos destinos da humanidade. As mudanças, para o bem ou para o mal, não sucedem de maneira fortuita. Os grandes eventos e as tragédias humanas percorrem caminhos e refletem aspirações explícitas ou veladas, mas correspondem a um planejamento essencial.

            Multidões são arrastadas para tornar possível a consecução desses prodígios de benesses ou de catástrofes que irrompem como surgidas do nada. Natural que os relatos históricos distingam nomes que se sobressaem em meio àqueles de identidade ignorada, porém essenciais ao processo que chega ao fim. Fatalmente quando se empresta voz a qualquer ideia, de imediato se invoca comprometimento quanto ao desfecho final.

            O populacho que aderiu à prisão de Jesus não fazia parte de um grupo casual e aleatório que ali estava no momento daquele suposto julgamento. Certamente ouviu, debateu, divulgou, acalentou os comentários plantados por aqueles que ensejavam se livrar da presença daquele “falso profeta” que grassava pelas ruas propondo uma nova ordem.

            O holocausto não terá sido obra de um dia, mas uma nuvem de opiniões que varriam discussões que opinavam favoráveis e passavam adiante os conceitos de eugenia, preconceito de raça incentivando a perseguição dos alvos, então foram construídos os campos de concentração com aclamação de uma grande parcela daquela população. E que tristeza!!!

            Muitas ideias passam em divulgação pelos vários meios de comunicação. A associação a esse ou aquele tema gera cúmplices imediatos, nada mais natural que assim aconteça, pois a liberdade de opinião é uma das mais importantes características da civilização. Convém saber quais os filtros se utilizar para decidir-se em quais conclames acrescer a voz.

            Há formas de decidir se a opção que norteia as escolhas são adequadas ao intento de quem empresta sua voz para engrossar o que fala a multidão. André Luiz, na obra Sinal Verde (psicografia Chico Xavier) convida a” ser o ponto final do mal”, exortando à seletividade do que passa adiante dos conteúdos que nos chegam ao conhecimento. Mormente numa época em que há grupos que trocam “Jesus Amado” por “Jesus ARmado” julgando que a adição uma letra não faça muita diferença, mas convenhamos, faz.

            Vale refletir no poder do pensamento que, através da palavra, alcança o outro. A palavra é um dos maiores motivadores humanos. Através dela é possível construir monstros ou distribuir bênçãos. A sensação que as palavras produzem no estado de quem as fala direciona o grau de construção ou destruição que carregam. Palavras que geram raiva e mal estar em quem as profere possivelmente não carreguem sementes que valham a pena ser semeadas. Cuidar do que se fala é dispositivo de higiene no equilíbrio da vida mental que cada pessoa escolhe para seu próprio usufruto.

            Não por acaso Jesus protagonizou essa discussão ao ensinar de forma contundente que “a boca fala do que está cheio o coração” (Mateus 12; 34). Palavras produzem grandes situações, das quais são responsáveis todos que as escolhem. Deus, Amor, Paz, Gratidão.   

Comentários

  1. Caro Roberto,
    Seu editorial é uma pérola divina nesses dias de ignorância e negacionismo onde as palavras perderam o sentido e o significado. Assim, como descreves, iniciaram-se e se iniciarão as tragédias humanas. Que possamos verbalizar o amor e a paz nesses tempos de ódio e terror. Jorge Luiz

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