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EM BUSCA DA CARIDADE

               Nada melhor que buscar a etimologia de uma expressão para entender a sua proposta em praticá-la. A Caridade é uma dessas tantas palavras que precisam ser entendidas para se tornar eficaz a sua utilização. Derivada do latim Caritas revela sua definição de Afeto ou Estima. Certamente por essa razão Paulo de Tarso revela na poesia da 1ª Epístola aos Coríntios (XIII. 1 a 13) que Amor e a Caridade são sinônimos. Jesus com as suas referências ao Amor remete na Parábola do Bom Samaritano ao conceito de quem seria o Próximo. Pedro (1ª Epístola – 4) arremata que “o Amor cobre uma multidão de pecados”. Essa compreensão parece induzir ao fato de que Caridade não se refere essencialmente ao repasse de coisas, haveres, doações e muito provavelmente esteja resguardada pelo sentido de reciprocidade, termo que deságua na solidariedade ou no mutualismo.

            A versão que vincula a Caridade ao simples ato de doar elementos materiais é grave falha de entendimento, pois separa grupos de humanos que detêm excessos em detrimento àqueles aos quais tudo falta, modelo que supõe a total ausência daquele sentimento que se presume ostentar. A forma que pode ser mais adequada de semear a Caridade é quebrar a visão maniqueísta quanto à necessidade de coexistir no mundo, milionários e miseráveis. No entendimento de Leonardo Boff, “o contraio da pobreza não é a riqueza, o contrário da pobreza é a justiça social”, criando um ambiente para que a Caridade seja uma manifestação de almas, muito além de uma comiseração paternalista que permite a manutenção de um status perverso.

            Esse entendimento vem ao encontro das revelações de Jesus, cuja missão não foi distribuir alimentos ou terras ou roupas, apesar de saber da necessidade do povo que o seguia. Seu verbo veio alimentar a essência mais profunda do ser humano e se destinava a gerar um ambiente capaz de produzir a transformação de dentro para fora num processo de iluminação, e ao orientar os seus discípulos arrematou (Mateus XXVIII; 19) “Ide e Pregai”.  Seus seguidores semearam a sua palavra como o mais vigoroso alimento para o espírito combalido.

            A Doutrina Espírita, seguindo os passos de Jesus, dispõe como a sua principal baliza de ação que “Fora da Caridade Não Há Salvação” no capítulo XV de O Evangelho Segundo O Espiritismo, justificando que “toda a moral de Jesus se resuma em Caridade e humildade, quer dizer, nas duas virtudes contrárias ao egoísmo e ao orgulho” (item 3). E qual o papel que a Caridade deve exercer na prática do espiritismo? Ouçamos o que diz a esse respeito Emmanuel, pela mediunidade de Chico Xavier: “a maior caridade que se pode fazer pelo Espiritismo é a sua divulgação”. Justamente porque a Caridade como essência é resultante do esclarecimento, do empoderamento espiritual, o que faz com que o Espírito compreenda o seu papel de modificador de realidades, a começar pela sua própria realidade, sem perder o fio de observação e cooperação do que se passa com aquele que segue caminho nas proximidades.

            Enquanto houver fome, que se dê o pão, mas é fundamental defender o direito ao pão sem o recheio amargo da exclusão social. A essência da doutrina de Jesus estabelece que o verdadeiro “tesouro é aquele que as traças e ferrugem não consomem e os ladrões não roubam” e esses tesouros é que produzem a verdadeira Caridade.

Comentários

  1. Abordagem muito pertinente, principalmente para nós espíritas. A caridade vai além dos fundamentos exclusivamente materiais.

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