Pular para o conteúdo principal

COMO DIFERENCIAR DELÍRIOS DE ALUCINAÇÕES - FENÔMENOS MEDIÚNICOS - PARTE II


 
O Pensamento

Para os estudiosos vinculados às escolas mecanicistas, que conceberam o cérebro como uma máquina complexa, dotada de estados internos, o pensamento seria um desses estados semelhantes aos sentimentos. As diversas justaposições desses estados, produzidas pela ação de um estímulo específico, provocariam as mais variadas possibilidades de atuação humana; o livre-arbítrio, nessa teoria, seria uma simples ilusão.

As informações da jornalista Rita Carter, no livro já anteriormente citado, faz entender a mecânica do pensamento dentro da moderna visão da neurociência:

“Pensar não é apenas um termo genérico para o conjunto de aptidões abrigadas no cérebro. Envolve muitas delas: recordar e imaginar, em particular. Mas inclui algo que não faz parte de nenhuma outra função: o autoconhecimento. Tal aspecto do pensamento é capturado na palavra que é muitas vezes usada paro o descrever: reflexão.


 “O processamento de pensamentos é de uma certa maneira como os estágios posteriores do processamento sensorial. Assim como as várias partes de uma imagem – local, cor, formato, tamanho e assim por diante – são reunidas e integradas num todo, também nós reunimos diversas memórias e imagens e as colocamos juntas para criar um novo conceito. A grande diferença é que, enquanto a construção sensorial é inconsciente, o processamento de pensamentos é feito conscientemente. Quando o córtex frontal realiza suas tarefas, ele monitora o que está fazendo. Portanto, enquanto uma imagem simplesmente ‘chega à consciência, um conceito traz consigo o conhecimento de como veio a ser’”.

Segundo os estudos mais recentes, o pensamento, nos seus aspectos práticos, que são a manutenção de ideias e a suas manipulação, ocorrem em uma região do córtex pré-frontal dorsolateral (lado superior), que é também a região da chamada memória operacional. Nesta área são feitos os planejamentos e as escolhas das várias ações possíveis da criatura.

Dentro da abordagem espírita, o pensamento é um atributo do espírito (“O Livro dos Espíritos”, perg 89), sendo, portanto, uma ação da própria essência do ser.

Ainda do ponto de vista espiritista, o pensamento é um tipo de matéria formada por partículas de características próprias, modificando-se de conformidade com a sua individualidade, quantidade, tipo, qualidade e aplicação. É responsável pela psicosfera que envolve o espírito, interferindo no corpo físico. Portanto, teria uma expressão mais material do que se consegue perceber, sendo o agente criador de uma dimensão diferente da que trata a Física, expressando ao redor da criatura aquilo que habita em sua intimidade.

Essas partículas são manipuláveis e, de acordo com a inteligência que as conduz, podem se comportar e se direcionar de formas diversas.

O pensamento se encontra sujeito à vontade daquele que o origina. André Luiz, no livro “Evolução em Dois Mundos”, afirma:

 “A partícula do pensamento, embora viva e poderosa na composição em que se derrama do espírito que a produz, é igualmente passiva perante o sentimento que lhe dá forma e natureza para o bem e o mal”.

O pensamento emitido pode vibrar em diferentes faixas, dependendo do sentimento que o gerou. Os de vibrações mais elevadas são de alta frequência, mais etéricos, energéticos, de pequeno comprimento de onda e são originários de sentimentos derivados do amor verdadeiro, produzindo criações de expressão superior. Os de baixo padrão vibratório são mais densos, com menor teor de energia, de grande comprimento de onda e estão ligados aos sentimentos vinculados aos vícios e à matéria, presentes na maioria dos encarnados e daqueles que, desencarnados, comungam dessa esfera, mantendo uma realidade mais sombria e, provavelmente ligada ao surgimento das chamadas formas alucinatórias, observadas pelos portadores de transtornos mentais.

Segundo os estudos da Teosofia, os pensamentos criam uma série de vibrações na substância do corpo mental. Este, por sua vez, exterioriza uma fração de si mesmo, o qual vai atrair, no meio etéreo, substâncias semelhantes a si.

Quando emitem pensamentos, as estruturas sutis do espírito, em especial o corpo mental, utilizam forças, as quais demandam maior ou menor esforço, segundo as suas naturezas mais intrínsecas, produzindo resíduos de partículas mentais. Esses resíduos vão atuar tanto no próprio perispírito quanto no ambiente e nas individualidades que o sentirem. Se eles são de maior densidade, portanto, vinculados às questões mais materiais apresentarão resíduos mais tóxicos, provocando alterações ao nível do perispírito ou materializando formas-pensamentos que, pela sua inferioridade, atingirão as estruturas mais densificadas do próprio espírito ou de terceiros sintonizados com os mesmos princípios morais.

Os pensamentos de alto teor vibratório, por sua leveza e superioridade, atuam como higienizadores, causando harmonização, podendo levar à renovação do próprio perispírito, reestruturando-lhe as áreas comprometidas, proporcionando maior estado de saúde e sentimento de bem-estar.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

CANDOMBLÉ, ESPIRITISMO E A LIBERDADE DE SER: O QUE A FALA DE MAJUR NOS ENSINA

  Por Wilson Garcia   A entrevista que a cantora Majur deu ao programa  Desculpa Alguma Coisa , com Tati Bernardi, vai muito além de um papo sobre música ou carreira. O que ela compartilhou ali é uma oportunidade rara para a gente refletir sobre coisas profundas: liberdade de consciência, identidade espiritual, pertencimento e intolerância religiosa.               Quando Majur conta como se aproximou do Candomblé, não está falando só de uma escolha religiosa. Ela fala de um processo de emancipação pessoal. Ao dizer que deixar o ambiente evangélico não significou abandonar Deus, mas sim se libertar de uma prisão, ela expõe algo que muita gente vive: a busca por uma espiritualidade que faça sentido com quem a gente realmente é.

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

CROMOTERAPIA NA CASA ESPÍRITA: UM SISTEMA SEM AMPARO NA CODIFICAÇÃO KARDEQUIANA

    Sala de cromoterapia no Colônia Fraternal Bom Jesus - Centro Espírita no Ipiranga (SP)   Por Jorge Hessen                Periodicamente ressurge no movimento espírita a tentativa de justificar a implantação da cromoterapia nas atividades da Casa Espírita, apoiando-se em referências de Joanna de Ângelis, especialmente na obra  Plenitude . Entretanto, essa interpretação não encontra respaldo na Codificação e desconsidera o método científico-doutrinário estabelecido por Allan Kardec.             Em  Plenitude , Joanna de Ângelis menciona a helioterapia e faz alusões à cromoterapia no contexto da preservação da saúde física e psíquica. Em nenhum momento, porém, recomenda sua adoção como prática institucional do Espiritismo. Há profunda diferença entre reconhecer a existência de um recurso terapêutico e convertê-lo em atividade da Casa Espírita.

O ESPIRITISMO DE VIDRO: O MEDO DO CONFLITO E A FALSA MANSIDÃO

       Por Jorge Luiz                    A Redoma de Vidro e o Estereótipo Anestesiado             Existe uma coreografia muito bem ensaiada nos salões do espiritismo hegemônico contemporâneo. Ela é composta por tons de voz milimetricamente sussurrados, sorrisos condescendentes que flutuam acima das misérias do mundo e uma gramática da passividade que confunde o torpor com a iluminação. Criou-se uma caricatura de santidade, um verdadeiro "espectro" encenado onde o indivíduo adota uma persona ritualística: distribui abraços, beijos e tapinhas nas costas dentro dos limites do centro espírita, mas desliga o afeto institucionalizado assim que cruza a porta de saída. Esse "bom espírita" tornou-se aquele sujeito plasticamente pacificado, incapaz de se alterar diante da injustiça, que assiste ao desmonte dos direitos sociais mais básicos da janela de seu apartam...

O ESPIRITISMO É PROGRESSISTA

  “O Espiritismo conduz precisamente ao fim que se propõe todos os homens de progresso. É, pois, impossível que, mesmo sem se conhecer, eles não se encontrem em certos pontos e que, quando se conhecerem, não se deem - a mão para marchar, na mesma rota ao encontro de seus inimigos comuns: os preconceitos sociais, a rotina, o fanatismo, a intolerância e a ignorância.”   Revista Espírita – junho de 1868, (Kardec, 2018), p.174   Viver o Espiritismo sem uma perspectiva social, seria desprezar aquilo que de mais rico e produtivo por ele nos é ofertado. As relações que a Doutrina Espírita estabelece com as questões sociais e as ciências humanas, nos faculta, nos muni de conhecimentos, condições e recursos para atravessarmos as nossas encarnações como Espíritos mais atuantes com o mundo social ao qual fazemos parte.

ILUMINANDO A CAVERNA (*)

Por Roberto Caldas (*) Platão (Atenas – 428 a 347 AC) numa de suas mais lidas obras, A República, transcreve um diálogo socrático que passou para a história como A alegoria da Caverna. Nesse diálogo o filósofo Sócrates (469 a 399 AC) conversa com Glauco a respeito da forma como se pode ver o mundo a partir das posições adotadas em determinadas circunstâncias. Ele fantasia uma caverna onde homens presos pelos pés e pela cabeça se encontram de costas para a abertura da mesma e só podem ver o mundo através das sombras projetadas em uma parede à frente criadas por uma fogueira que se encontra às suas costas. Daí eles nada vêem ou sabem além do que aquelas sombras projetam e a compreensão do mundo não passa senão das percepções que têm daquelas imagens. Então, uma daquelas pessoas é solta e levada para conhecer além das sombras projetadas, conhece o fogo que tinha às costas, vê as pessoas que passavam e tinham as suas imagens projetadas, alcança a abertura da caverna e e...

OS ESPÍRITAS FAZEM PROSELITISMO?

  Por Francisco Castro (*) Se entendermos que fazer proselitismo é montar barracas em praça pública, fazer pessoas assinar fichinha, ou ter que fazer promessa de aceitar essa ou aquela religião? Por outro lado, se entendermos que fazer proselitismo significa fazer visitação porta a porta no sentido de convencer alguém, ou de fazer com que uma pessoa tenha que aceitar essa ou aquela religião? Ou, ainda, de dizer que essa ou aquela religião é a verdadeira, ou de que essa ou aquela religião está errada? Não. Não, os Espíritas não fazem proselitismo! Mas, se entendermos que fazer divulgação da existência da alma, da reencarnação, da comunicabilidade dos Espíritos, da Doutrina dos Espíritos, do Ensino Moral de Jesus e de que ele é modelo e guia da humanidade e não de certa parcela de uma nacionalidade ou de uma religião? A resposta é sim! Os Espíritas fazem proselitismo sim! Qual seria então a razão de termos essa grande quantidade de jornais e revistas espírita...

16.11 - DIA INTERNACIONAL DA TOLERÂNCIA

“Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” (Jesus, Mt, 22:34-40)                            John Locke (1632-1704), filósofo inglês, com o propósito de apaziguar católicos e protestantes, escreveu em 1689, Cartas sobre a Tolerância. Voltaire (1694-1778), filósofo iluminista francês, impactado com o episódio ocorrido em 1562, conhecido como Massacre da Noite de São Bartolomeu , marcado pelos assassinatos de milhares de protestantes, por fiéis católicos, talvez inspirado por Locke, em 1763, escreveu o Tratado sobre a Tolerância.             Por meio da  UNESCO¹, em sua 28ª Conferência Geral, realizada de 25.10 a 16.11.1995, com apoio da Carta das Nações Unidas que “declara a necessidade de preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra,...a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e...

LOBISOMEM: MITO OU REALIDADE?

    Por Americo N. Domingos Filho   Na tradição oral, em âmbito mundial, há o relato fantástico de um ser que se converte em lobo, em noites de lua cheia, e, sedento de sangue, sai em busca de suas vítimas para sugá-las. Ao amanhecer, assume de novo as características de uma pessoa comum. Essa lenda revela um ser amaldiçoado, que se torna parte homem e parte lobo, produzindo muito temor, principalmente nas crianças e, igualmente, em muitos adultos, especialmente os moradores de áreas rurais.