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ABORTO EUGÊNICO - FRUTO DA IGNORÂNCIA ESPIRITUAL


 

          Foto:Matheus, meu "neto" afetivo, portador da síndrome de Down, Estuda no colégio Master, é coroinha na Igreja da Glória, toca batera e adora dançar.


Na Grécia Antiga, a cidade de Esparta é sempre lembrada com pesar por ser conhecida pelo seu intenso atraso moral, porquanto, além de ter sido irracionalmente bélica, voltada exclusivamente para a guerra e conquista de territórios, igualmente investia suas ferozes garras contra os bebês, assassinando-os quando nasciam com alguma deficiência física ou mental, praticando o infanticídio eugênico.

De triste memória, igualmente, o surgimento da desvalida ideologia de “pureza racial” pelo nazismo, o qual atingiu o máximo no horripilante Holocausto, sendo executadas cerca de 1,5 milhão de crianças, sendo que um milhão delas eram judias, dezenas de milhares de ciganos, como igualmente crianças alemãs com deficiências físicas ou mentais. Muitas mortes de infantes foram devidas às experiências médicas cruéis.


Em nossa época, infelizmente, existem pessoas em sintonia com esse sombrio comportamento e são facilmente reconhecidas na aprovação e execrável prática do aborto eugênico, como se verifica em muitos países, inclusive, no Brasil, principalmente para com os chamados anencéfalos, os quais revelam um defeito congênito, exatamente um erro no fechamento do tubo neural, sem o desenvolvimento integral e harmonioso do cérebro. Os que chegam a nascer apresentam a capacidade involuntária de respirar, engolir e conservar os batimentos cardíacos, desde que permanece íntegro o tronco cerebral que controla todas essas funções.

Tornou-se célebre o diálogo, em um programa de televisão, entre Jerôme Lejeune, um dos maiores geneticistas do século XX, descobridor da Síndrome de Down, com o médico abortista Monod. O prof. Lejeune perguntou: “Sabendo-se que um pai sifilítico, e uma mãe tuberculosa tiveram quatro filhos: o primeiro, cego de nascença; o segundo, morto logo após o parto; o terceiro, surdo-mudo; o quarto, tuberculoso, e que a mãe ficou grávida de um quinto filho, o que o senhor faria?” Monod respondeu: “Eu interromperia essa gestação”. Lejeune: “Então o senhor teria matado Beethoven”.

A Doutrina Espírita, como o “Consolador Prometido por Jesus”, esclarece que é importante permitir o curso natural de uma distonia até a morte, de forma alguma praticando o extermínio do ser em formação e entende que os “hodiernos espartanos” são espíritos não esclarecidos, incipientes na escala evolutiva espiritual, os quais necessitam da parte dos espiritistas muitas vibrações de amor e paz. São seres que precisarão de muitas oportunidades reencarnatórias, desconhecendo ainda a sublime existência do princípio espiritual individualizado, responsável pela constituição de um corpo que surge na arena física, fenômeno assaz sublime, citado por Jesus e transcrito no Evangelho de João (cap. 3, vers. 12), como “nascer de novo”, acontecimento obrigatório para sua evolução dentro da Eternidade.

O mergulho na matéria do ser extrafísico é imperioso, porquanto a morada terrena é campo propício para o despertamento de suas potencialidades imanentes, vincadas nos seus refolhos mais íntimos, desde a sua formação no Infinito. Igualmente, é necessário para o espírito ceifar na carne (expiação) o que nela semeou de erros, em vivências anteriores, conforme ensino paulino, em Gálatas (cap. 6, vers. 8).

O indivíduo, além do imperativo do aprendizado natural como cidadão da Eternidade, tendo que passar por inumeráveis provas, pode também, graças à misericórdia divina, ser submetido a uma catarse regeneradora, essencialmente expiatória, depurando a sua vestimenta perispirítica, maculada por equívocos lamentáveis cometidos no decorrer das reencarnações.

O que a ciência está caminhando para comprovar e os “espartanos hodiernos” desconhecem, é que a distonia surgida no corpo embrionário ou fetal é exteriorização da mesma desarmonia vincada no períspirito decorrente do mau uso do livre-arbítrio nas experiências transatas.

O ser dotado da imortalidade necessita “sair da prisão”, conforme relato do Mestre, no Evangelho de Mateus (cap. 5, vers. 26), o que corresponde ao resgate de um débito, renascendo em um corpo físico albergando malformações e doenças degenerativas, colocando por terra a afirmação dogmática das penas eternas, desde que o próprio Cristo enfatiza que a pena é transitória, pois renascendo, o espírito obtém integralmente a liberdade, eliminando de si mesmo o remorso, a culpa, o sofrimento atormentador, com aparência de algo que parecia não ter fim, daí a expressão emblemática de “fogo eterno”.

O campo organizador extrafísico maculado pode exercer ação deletéria sobre os gametas sexuais em formação, tanto os masculinos, espermatozoides, como os femininos, ovócitos, ou mesmo operar desarmonicamente no desenvolvimento embrionário ou fetal, atuando nos genes ou na organogênese.

Imperioso citar o ensinamento de Jesus, corroborado pelo Espiritismo, ressaltando a presença da doutrina reencarnacionista, de que se “o olho faz tropeçar é melhor arrancá-lo e lançá-lo fora”, explicando o nascimento de seres com a deficiência da cegueira, como igualmente se “a mão ou o pé faz tropeçar, deve-se cortá-lo”, proporcionando o resgate necessário, explicitamente no campo das deformidades dos membros, revelando a importância transcendental do nascimento de seres mutilados (Evangelho de Mateus, cap. 18, vers. 18-19).

As imagens dos indivíduos em formação e desenvolvimento no útero pela ultrassonografia morfológica fetal, realizadas preferencialmente com o especialista em medicina fetal e com aparelhagem apropriada, no 1º e início do 2º trimestre, estão permitindo a observação precoce de algumas anomalias no neném, proporcionando a equivocada possibilidade da indução da prática abortiva. Contudo, é imperioso destacar que a espiritualidade superior está agindo consideravelmente, dificultando o exercício abortivo eugênico, facilitando a ampla possibilidade do resgaste espiritual através de uma expiação redentora, fazendo com que o ser espiritual equivocado renasça portador do transtorno do desenvolvimento autista, cuja incidência cada vez mais cresce no mundo. Como a constatação do problema é tardia, ideal na fase de lactente, não há chance para a realização da reprovável interrupção voluntária da gravidez. Cada vez mais surgem crianças portadoras de autismo, cujos espíritos necessitados se tornam refratários à intervenção violenta dos nossos irmãos de caminhada evolutiva, ignorantes espirituais de plantão.



BOX- Verdadeiros heróis superando as atribulações físicas

Inobstante a presença do mal, obrando pela sinistra prática do aborto no sentido de ceifar os seres intrauterinos deficientes, catalogados atualmente como portadores de “defeito intelectual ou físico do desenvolvimento", homens como o saudoso escritor irlandês Cristopher Nolam, mesmo integralmente imobilizado por uma paralisia cerebral, trabalhando com um computador e um teclado adaptados à sua deficiência, revelou-se famoso escritor, escrevendo livros que foram premiados internacionalmente, como sua autobiografia, Under the Eye of the Clock (Sob o olhar do relógio). Em 2009, regressou à espiritualidade.

Judith Scott, gêmea portadora de síndrome de Down, nascida em maio de 1943, não podia ler e escrever, nem sabia o idioma dos surdos, tendo sido abandonada pelos pais, dando-a para um abrigo de deficientes mentais. Apesar de tudo, tornou-se conhecida pelos memoráveis trabalhos realizados ao criar esculturas incomuns, envolvendo, com fios multicoloridos, objetos como pratos, botões e cadeiras. Desencarnou em 2005. A respeito da artista, disse sua irmã: "Judith foi capaz de mostrar ao mundo inteiro como aquele que a sociedade lançou no lixo pode retornar e provar que ele é capaz de realizações extraordinárias".

Pablo Pineda nasceu, em 1974, na cidade espanhola de Málaga. Portador da Síndrome de Down, tornou-se mundialmente conhecido como ator (premiado em Festival de Cinema) e, atualmente, exerce o magistério. Graduou-se em psicologia pedagógica.

Pascal Duquenne (nascido em 1970), portador igualmente da Síndrome de Down, foi famoso ator de teatro e cinema. Foi premiado no Festival de Cinema de Cannes, como o melhor ator de cinema, na categoria interpretação masculina, pelo papel no filme Le huitième jour. Em 2004, pelo Rei da Bélgica foi agraciado com o título de Comandante da Ordem da Coroa, o que equivale a “sir” ou cavaleiro, título honorífico britânico.

Madeline Stewart trabalha como modelo e tornou-se famosa. Não somente desfila, como fotografa. Apresenta-se tão exuberante que a síndrome de Down não lhe causa qualquer dissabor. Sua mãe, Rosanna, deu o seguinte testemunho: "Todos os dias eu lhe digo o quão maravilhosa ela é, e ela acredita nela sem reserva. Maddy realmente ama a si mesma. Ela pode dizer o quão maravilhosa ela é”.

Recebendo a devida oportunidade, pode o portador de incapacidade física exercer atividades dignas e humanitárias, não esquecendo de destacar o escultor Aleijadinho, a escritora surda, cega e muda Hellen Keller e o físico Stephen Hawking, como artífices de uma deslumbrante alvorada de redenção.

Na Seara Espírita, as seguintes personalidades são merecedoras de apreciação, inobstante as deficiências físicas de que eram gravemente portadoras: Jésus Gonçalves (Borebi – SP, 12/07/1902 – Itu – SP, 16/02/1947), Aurino Costa (RJ – RJ, 04/06/1914 – RJ – RJ, 19/12/1986), Jerônimo Mendonça (Ituiutaba – MG, 1º/11/1939 – Ituiutaba – MG, 26/11/1989), Amazonas Hércules (Manaus – AM, 05/09/1912 – RJ – RJ, 29/04/2004), Luiz Antônio Millecco Filho (RJ – RJ, 30/06/1932 – RJ – RJ, 5/02/2005), Fernando Uchôa (RJ – RJ, 02/05/1921 – RJ – RJ, 07/05/2011), Elizabeth Montenari (Leopoldina – MG, 16/07/1945 – Leopoldina – MG, 04/09/2000) e outros desencarnados.

Os queridos leitores podem conceber o que a humanidade teria perdido se os “espartanos hodiernos” tivessem exterminado esses bravos companheiros, antes ou após terem sido dados à luz.

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