Pular para o conteúdo principal

A ALQUIMIA DA MUDANÇA¹



            O MUNDO EXIGE MUDANÇAS. As pessoas se encontram em rota de colisão num ritmo em que todas as propensões, desde as mais embrutecidas até as mais elevadas, dividem o mesmo espaço de criação. Barbárie se mistura com o senso de defesa da vida e gera uma confusão de conceitos que torna a sociedade um colchão de pólvora prestes a explodir. O termômetro das redes sociais mostra alta temperatura e nunca foi tão explícita a insatisfação de lado a lado. Aqueles que desejam o “quanto melhor pior” incrementam as suas práticas e a ala comprometida com a melhoria da vida não consegue manter a serenidade e se lança numa luta de agressões que torna o caldo da sociedade tão quente que às vezes parece insustentável. Essa uma possível fotografia desses nossos tempos.
            Permanecemos esquecidos de que enquanto interpomos razões, o diálogo perde para a quebra de braços. Inexiste espaço para o entendimento sempre que a vaidade e a volúpia em derrotar o outro pelo cansaço enaltece todo tipo de comportamento e se deixa de fazer a “mea-culpa”. Sem confissão, não há troca de atitude e a vida tende a mostrar os mesmos resultados que entediam, aborrecem, transtornam... sem solução, energia gasta apenas.

      Atentemos, porém que esse cenário não caiu de paraquedas nessa paisagem social. Apenas sofisticamos os argumentos e armas, atidos às mesmas motivações dominadoras antes pela posse do ouro, da terra, do petróleo, da mente do outro. Mudaram os contextos, mas a usura e a cobiça ainda dão as cartas.
         Nesse turbilhão vale a pena pararmos um pouco para aprender com o exemplo da água. Foi a principal responsável pelo resfriamento do solo planetário, antes incompatível com a vida orgânica. Apresenta-se em diferentes estados sem perder a natureza. Deixa-se contaminar e logo ressurge restaurada ao evaporar e descer como chuva. Diante de obstáculos sabe que um dia vai vencê-lo, mesmo que muitas vezes precise driblá-lo passando por cima, por baixo, pelos lados. Sofre grandes quedas e dá lugar aos potenciais de eletricidade que movem o progresso. Adapta-se a quaisquer recipientes aparentemente tomando-lhes a forma, enquanto mantém a sua capacidade de nutrir a quem se aproxime mitigando-lhe a sede. Jamais se corrompe, apesar de todos os apelos que sofre em sua jornada em direção ao mar.
            À pergunta de Allan Kardec, “Por que a civilização não realiza imediatamente todo o bem que ela poderia produzir? – LE 792”, os mentores da Codificação não se intimidam; “Porque os homens ainda não se encontram em condições, nem dispostos a obter este bem (grifo meu).” Entendemos a razão de tantas controvérsias. Enquanto não houver a real intenção de mudança e a disposição for débil movimento de constrangida insatisfação quando as temáticas que defendemos são aviltadas, sem a universalização de todas as necessidades humanas sob um mesmo princípio de defesa incondicional da vida, não passaremos de grupos desconectados que lutam por suas razões.
            A Alquimia da Mudança é um movimento que se propõe garantir a vida do embrião ao idoso, das plantas e dos animais, além de banir do planeta as práticas desonestas a partir dos pequenos delitos aparentemente sem consequências. Significa reler as ideologias e práticas para a construção de um mundo melhor à vida de todos que habitam a Terra, em síntese o aprendermos a viver sem muros emocionais, abertos para a Regeneração da humanidade.

¹ editorial do programa Atena Espírita de 29.05.2016.
(*) escritor espírita, editorialista do programa Antena Espírita e voluntário do C.E. Grão de Mostarda.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

A HISTÓRIA DE JERÔNIMO

  Por Jerri Almeida A história de Jerônimo é comovente. Nasceu no dia 1º de novembro de 1939 em Ituiutaba, Minas Gerais. Narra-se que sua infância foi a de uma criança normal. Frequentou escola até o início do ginasial antigo. Todavia, já na adolescência, começou a sentir os primeiros sinais de sua doença, através de dores nas articulações, especialmente nos joelhos e tornozelos, que passaram a inchar e, aos dezoitos anos, já andava com dificuldade.

QUANDO O ESPIRITISMO VIRA ARENA DE PRÁTICAS “DIFERENTONAS”

  Sala para realização de cirurgia espiritual no C.E.Casa de Oração Espírito de Luz Por Jorge Hessen Entre a codificação e a fantasia mediúnica, alguns parecem ter escolhido a segunda Há algo profundamente preocupante no movimento espírita brasileiro: a crescente transformação da mediunidade em laboratório de novidades. Cada grupo inventa sua fórmula, cada dirigente anuncia seu método, cada médium apresenta uma experiência particular, como se representasse a evolução da Doutrina. E, quando alguém pergunta onde está Kardec, responde-se com a palavra mágica: “caridade”. Não. Caridade não é salvo-conduto para a improvisação “diferentona”.

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

A AUDITORIA DA ALMA: VIDAS PRETÉRITAS, FORMA-MERCADORIA E A ÉTICA DO EU-TU

    Por Jorge Luiz   O Mito da Identidade Intacta             Antes mesmo de pronunciarmos a primeira palavra ou esboçarmos o primeiro pensamento reflexivo, já fomos batizados. O nome próprio — esse signo fundamental que carrega nossa existência jurídica e social — nos é atribuído pela expectativa, pelo gosto e pelas projeções do outro. Somos nomeados no escuro. Para muitos, no entanto, o amadurecimento da consciência traz consigo um estranhamento visceral diante desse rótulo herdado. Descobre-se que a roupagem simbólica recebida no berço não se ajusta à pele de quem nos tornamos, levando um número crescente de pessoas a recorrer ao Direito Civil para alterar aquilo que parecia ser a mais imutável das certezas: a própria alcunha.             Talvez houvesse um ganho civilizatório profundo se a consolidação do nome dependesse de uma validação posterior, um ...

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

É HORA DE ESPERANÇARMOS!

    Pé de mamão rompe concreto e brota em paredão de viaduto no DF (fonte g1)   Por Alexandre Júnior Precisamos realmente compreender o que significa este momento e o quanto é importante refletirmos sobre o resultado das urnas. Não é momento de desespero e sim de validarmos o esperançar! A História do Brasil é feita de invasão, colonização, escravização, exploração e morte. Seria ingenuidade nossa imaginarmos que este tipo de política não exerce influência na formação do nosso povo.

SEMANA MAURÍCIA

Cap. Maurício - Patrono da CME CAPITÃO MAURÍCIO era o comandante da Legião Tebana. Essa legião era originária do Egito e seus soldados eram todos cristãos. No ano (286 d.C.), o Império Romano convocou a Legião Tebana para debelar a Revolta dos Bagaudos . Era costume do Exército romano, antes de entrar em combate, realizar os “sacrifícios propiciatórios aos deuses pagãos” para sucesso da batalha. Capitão Maurício e toda a sua Legião, por serem cristãos, recusam-se a participarem daqueles rituais. A mentalidade cristã não poderia, naturalmente, coincidir com a pagã. Embora respeitando as leis e sendo leais ao Império, não colocavam a pátria terrena acima de tudo.

MATERIALISMO

  O Materialismo é a doutrina que acredita que os fenômenos naturais, sociais, mentais e históricos são esclarecidos pela própria matéria ou pelas condições concretas materiais, também dispensando qualquer forma de participação divina em todo o processo de formação da vida, relacionando-o com fatores evolutivos casuais. Concebendo os fenômenos vitais como sem origem inteligente, fruto somente do "acaso", não aceitando a substância imaterial, os partidários do materialismo têm grande propensão de sancionar o orgulho e o egoísmo e, consequentemente, o hedonismo, como igualmente participam com afinco de todos os programas relativos à justificação e à propagação dos crimes do aborto e da eutanásia.

LOBISOMEM: MITO OU REALIDADE?

    Por Americo N. Domingos Filho   Na tradição oral, em âmbito mundial, há o relato fantástico de um ser que se converte em lobo, em noites de lua cheia, e, sedento de sangue, sai em busca de suas vítimas para sugá-las. Ao amanhecer, assume de novo as características de uma pessoa comum. Essa lenda revela um ser amaldiçoado, que se torna parte homem e parte lobo, produzindo muito temor, principalmente nas crianças e, igualmente, em muitos adultos, especialmente os moradores de áreas rurais.

DIÁLOGO SOBRE O DIA NACIONAL DO ESPIRITISMO E BOLSONARO

  Por Ana Cláudia Laurindo Instigada pela necessidade de reflexão constante, nestes caminhos repletos de armadilhas e obstáculos intencionalmente postos, abro o coração e a mente para dialogar com organizadores e articulistas do livro “ Espiritismo, Sociedade e Política – Projetos de Transformação”, da Editora Comenius, sobre a Lei 14354/22, que sob assinatura de Jair Messias Bolsonaro institui o Dia Nacional do Espiritismo no Brasil.