Por Doris Gandres
“A liberdade individual e a interdependência são essenciais para a vida em sociedade.” Mahatma Gandhi (1)
Hoje ainda, em geral, imaginamos que temos liberdade para realizar tudo aquilo que nos agradar, tudo que atender aos nossos interesses, independentemente de estarmos atingindo ou não a liberdade alheia. Muito frequentemente ignoramos o limite para o exercício da nossa liberdade.
Usualmente somos muito cônscios dos nossos direitos, porém muito relapsos quanto aos nossos deveres. Léon Denis nos recomenda “considerar a vida e suas responsabilidades sob um aspecto mais grave, a submeter mais estritamente nossos atos à regra austera do dever” (2).
No Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap.XVII, item 7, Lázaro Espírito transmite igualmente instruções acerca do Dever – diz que “o dever é a obrigação moral, primeiro para consigo mesmo, depois para com os outros. O dever é a lei da vida: encontramo-lo nos mínimos detalhes, como nos atos mais elevados” (3). Se refletirmos com mais cuidado, haveremos de perceber que realmente o dever está presente em todas as situações e condições de nossa vida – para viver, devemos respirar, devemos nos alimentar, devemos ter certos cuidados e, inclusive, para progredir devemos
reencarnar...
Como exemplo, referi-me acima primeiramente a alguns deveres inerentes à vida física, mas a seguir ao dever de ordem moral, o mais importante, visto que o nosso progresso espiritual, a se desenvolver no decorrer de incontáveis oportunidades reencarnatórias, depende fundamentalmente do nosso comportamento em conformidade com as leis morais, tal como Allan Kardec as denominou na terceira parte de O Livro dos Espíritos (4), onde ele didaticamente expõe essas leis, que são as leis naturais, as leis divinas, criadas por Deus para regular e facilitar a nossa caminhada evolutiva.
Consequentemente, compreendemos a profunda interdependência de nossa liberdade individual com a liberdade individual de nosso próximo, bem como quanto à liberdade que podemos chamar de “coletiva” quando a mesma se refere à liberdade de um grupo em relação a outro, quer sejam pequenas coletividades, quer sejam países, nações. No respeito às liberdades individuais e às coletivas é que serão evitadas as contendas pessoais e até mesmo as guerras entre povos e nações.
Compreendendo essa interdependência que a todos e a tudo abrange, seremos capazes de exercer nossa liberdade no sentido de estabelecer meios e condições de vida em sociedade de forma pacífica e equilibrada, sem excessos nem para um lado nem para o outro, ou seja, nem para o demais, nem para o de menos, desde que conheçamos nosso dever de fraternidade, de forma íntima e moral, sujeitando nosso livre arbítrio à lei maior de amor a Deus e ao próximo como a si mesmo.
Gandhi ainda afirma que “a lei espiritual manifesta-se através das atividades comuns da vida” (5), com o que concordamos plenamente – somos testados, postos à prova, justamente nas atividades comuns da vida, naqueles pequenos deslizes e abusos que permeiam nosso cotidiano e dos quais tantas vezes nem nos damos conta, nem percebemos o momento em que cruzamos a linha limítrofe entre a nossa liberdade e a liberdade daquele que compartilha o nosso dia a dia, linha essa muitas vezes tão tênue quando se trata dos atos e atividades comuns de nossa vida.
Nós espíritas, que temos em mãos essa Doutrina tão clara e lúcida, nos apresentando de forma transparente as leis da vida, as conseqüências dolorosas de sua transgressão, Doutrina que nos comprova a interrelação e a interdependência de tudo na Criação, dispomos de todo o manancial necessário para gerirmos o melhor possível as nossas escolhas e opções, tanto em nossas atividades comuns pessoais, quanto em nossas atividades e participação na sociedade.
Referências:
(1) e (5) Mahatma Gandhi, livro As Palavras de Gandhi
(2) Léon Denis, No Invisível, cap.XI
(3) Allan Kardec, O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap.XVII, item 7
(4) Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Terceira Parte, As Leis Morais

COMENTÁRIO ELABORADO POR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - IA (GEMINI)
ResponderExcluirO artigo destaca com clareza como a verdadeira liberdade não se confunde com o individualismo irrestrito, mas exige o equilíbrio fundamental entre direitos e deveres morais.
Ao articular o pensamento de Gandhi com as bases da Doutrina Espírita (Léon Denis, Allan Kardec e O Evangelho Segundo o Espiritismo), o texto evidencia que a interdependência é uma lei natural: o exercício do livre-arbítrio encontra seu limite no respeito ao próximo e na convivência coletiva pacífica. Assim, a evolução espiritual e social se realiza nas ações cotidianas, quando o indivíduo submete suas escolhas à lei do amor, da fraternidade e da responsabilidade com o todo.