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A HUMANIDADE - SER COLETIVO

 

 


 Por Doris Gandres

 

 

A humanidade é um ser coletivo no qual se operam as mesmas revoluções morais que em cada ser individual (Gênese, Cap.XVIII, item 12)(1)

 

            Se pararmos para refletir sobre a nossa progressão através dos tempos – e particularmente presentemente à luz de tantas descobertas, tantos esclarecimentos em várias áreas do conhecimento humano, seja científico, filosófico ou espiritual – veremos há quanto tempo vimos caminhando, primeiramente em meio à escuridão e à ignorância; depois, gradativamente, realizando conquistas em meio a experiências muito frequentemente equivocadas, difíceis e de dolorosos resultados; até chegarmos, aos trancos e barrancos, a este momento em que, apesar do tanto que recebemos de tantos, continuarmos lamentavelmente e irrefletidamente fazendo escolhas erradas, assumindo posturas incoerentes e nocivas, a nós, aos que nos cercam, à humanidade encarnada e desencarnada.

            Precisamos entender a colocação acima, que ensina que além de seres individuais somos seres coletivos, portanto interagindo todos nós uns com os outros; gerando com nossos atos reações de indivíduo a indivíduo e ainda reações coletivas. No entanto, o que de mais importante esse esclarecimento oferece é o fato de que as mesmas revoluções morais acontecem individual e coletivamente, ainda que geralmente isso se processe de modo lento e, em muitos casos, apenas por convulsões violentas coletivas, quando constantemente ações de acordo com a racionalidade e o bem comum não surtem efeito.

            A situação social e econômica vem se agravando de maneira alarmante em nosso país, mas também pelo mundo afora em muitos locais, sobretudo nos mais explorados por colonizadores e espoliadores de todo tipo, como aqui, tanto com relação às criaturas quanto às riquezas naturais de toda sorte. Hoje os excessos de interesse pessoal, de arbitrariedades, de autoritarismo, de abusos de livre arbítrio e de todo tipo, extrapolando a lei de causa e efeito, ressaltam aos olhos de toda a humanidade.

            Penso que já somos capazes de compreender quando Allan Kardec afirma que “A doutrina espírita não se limita a preparar o homem para o futuro. Forma-o também para o presente, para a sociedade” (OP – Credo Espírita) (2). Como também quando José Herculano Pires diz que “O Espiritismo não é uma doutrina de passividade contemplativa. Sua finalidade, como os Espíritos Superiores disseram a Kardec, é revolucionar o mundo inteiro, modificando-o para melhor” (O Centro Espírita) (3).

            Felizmente temos tido lideranças no movimento e no meio espírita, tais como Deolindo Amorim, Herculano Pires, mais antigos e sempre válidos, e outros mais recentes, que têm procurado abrir nossa mente, nossos horizontes, afastando as teias de um religiosismo castrador e as correntes do medo que nos prendiam à ignorância e à dependência de pretensos “salvadores e missionários”.

            A nós espíritas não cabe omissão em nenhum aspecto; mais do que nunca temos que ter, como dito há 2 mil anos e repetido um sem número de vezes, “olhos de ver e ouvidos de ouvir” para não assumirmos o compromisso de fugir à nossa responsabilidade de “seres pensantes da criação” (LE 76)(4), de uma feita que já somos possuidores da razão, do bom senso e de uma lógica possível em nosso atual estágio evolutivo.

 

Referências:

(1) Allan Kardec, A Gênese, XVIII, 12;

(2) Allan Kardec, Obras Póstumas – Credo Espírita:

(3) José Herculano Pires, O Centro Espírita;

(4) O Livro dos Espíritos, q.76


Comentários

  1. COMENTÁRIO ELABORADO PELA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - IA (GEMINI)
    O artigo oferece uma reflexão lúcida e oportuna sobre o papel ativo do Espiritismo diante das crises globais, conectando a evolução individual à coletiva. Ao resgatar o pensamento de Allan Kardec e de Herculano Pires, o texto combate a visão de uma espiritualidade passiva ou puramente contemplativa. Ele nos lembra de que a verdadeira moralidade espírita exige responsabilidade social e engajamento ético, convocando o indivíduo a abandonar a omissão e o "religiosismo castrador" para se tornar um agente ativo de transformação e justiça no mundo presente.

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