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CONVICÇÃO OU COAÇÃO?

 

 


Por Doris Gandres

        Neste momento em que vivemos, presenciando cotidianamente um bombardeio de informações massacrantes, informações de todo tipo, de origens as mais variadas, inclusive de pessoas e grupos considerados pelo que chamam “massa” como “inquestionáveis”, arquitetadas para doutrinar mentes de tal maneira a seu modo, pensando (?) e agindo conforme seus interesses pessoais de poder e domínio, me pergunto onde se enterrou a liberdade de pensamento, de questionamento, de análise, como a própria criatura se permitiu tal abuso e se entregou?

            Terá existido na humanidade, em algum momento, uma convicção espontânea, sincera, nascida em seu íntimo, sem nenhuma influência externa, apenas fruto de observação atenta e crítica? Talvez à época mais rudimentar do ser humano, ainda rude e bruto, somente preocupado em sobreviver nas precárias condições de seu tempo – o que não deixa de ser uma influência externa... Quem sabe...

            No entanto, a História da humanidade através dos tempos, deixa transparecer, evidencia mesmo, que logo muito cedo surgiram meios de coação de variada sorte, a que o ser humano não foi capaz de se furtar, e que o coagiram a convicções francamente contrárias à sua convicção natural.

            Quanto mais o tempo passava, quanto mais a criatura avançava em progresso intelectual e científico, criando meios e métodos de melhor se situar no mundo físico e material, mais se entregava e comprazia diante das coações contemporâneas disfarçadas. Mais e mais a coação do poder e do domínio sobre demais criaturas, grupos, coletividades, nações, o empurrava à conquista não só das mentes, mas de tudo o mais neste mundo, mesmo se para isso o método fosse a destruição e o aniquilamento pelos meios mais sórdidos, não só pelas armas como pelos bloqueios, pela geração de fome, desnutrição e doenças. A coação tornava-se auto-coação!

            Os dissidentes, aqueles que se insurgiam contra a invasão, o domínio, a colonização, o genocídio não só de pessoas mas de toda sua cultura, costumes e tradições, foram taxados como terroristas, classificação esta que permitia perseguição, assassínio e o aniquilamento de regiões, destruindo mesmo hospitais e escolas sob essa alegação.

            E mais ainda, sob o taco de uma fé cega imposta foram realizadas guerras em nome de Deus, pessoas foram cruelmente torturadas e mortas acusadas de hereges, feiticeiras etc etc.             Certamente ali não existia convicção, existia a coação do medo.

            E lamentavelmente hoje ainda, sob novas formas não menos cruéis de coação, a segregação continua, a não aceitação de religiões diferentes, de pensares, filosofias e culturas diferentes permanece. Parece que o ser deixou de ser humano e se tornou um marionete nas mãos dos pretensamente mais poderosos.

            Mediante a sugestão, a influência, o sentimento do medo da exclusão, vemos milhares, que digo, milhões, de cegos seguindo cegos – só que aqueles que os arrastam nem são assim tão cegos, têm um propósito nada digno.

            Mas, os vacilantes, os coniventes e os omissos vêm com a surrada alegação de que “tudo passa”...

            Contudo, o que efetivamente passa é a vida, é o tempo. E logo não teremos mais tempo, não nesta jornada, para nos indignarmos perante as situações e condições sociais desumanas impostas por coação e lutarmos, “por meios diretos e materiais” como afirmado na questão 573 de O Livro dos Espíritos.

            Outra afirmação muito clara encontrada na filosofia espírita é a de que “a grande desigualdade social não é obra de Deus, mas sim dos homens” (LE q.806)! Portanto, onde nossa convicção espontânea perante as leis naturais, que a tudo e todos regem? Será suficiente a distribuição de sacolas de alimentos básicos e roupas usadas para os designados como “assistentes”, triste expressão que os diminui não só perante os “doadores”, mas também diante do grupo a que pertencem?

            O ensinamento atribuído a Jesus de Nazaré de que “o reino de Deus nem a felicidade pertencem a esse mundo”, alegação tantas vezes usada como consolo para os infelicitados, pode, mediante análise acurada, efetivamente ser considerado válido? Quantas traduções de traduções, deturpações de deturpações, foram feitas no decorrer dos séculos? E de narrativas consideradas por alguns como originais feitas a partir do segundo século da era comum? E com base apenas nos relatos de quatro homens, aceitos pela Igreja Apostólica Romana?

            E o que nos coage a manter essa situação? Aceitação desse status quo em que estamos inseridos, grande minoria que somos, ou acomodação e comodismo?

Comentários

  1. COMENTÁRIO ELABORADO POR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - IA (GEMINI)
    O artigo apresenta uma crítica contundente à perda da autonomia intelectual da humanidade ao longo da história, destacando como o bombardeio de informações e as estruturas de poder moldam e doutrinam mentes. O autor transita de uma perspectiva histórica sobre a coação — que evoluiu da força bruta para mecanismos psicológicos e sociais sutis (como o medo da exclusão) — para uma análise ética e filosófica fundamentada no Espiritismo.
    ### Pontos-Chave do Texto

    A Ilusão da Liberdade: Questiona-se se o ser humano já teve, em algum momento, um pensamento puramente espontâneo e livre de influências externas.

    Evolução da Coação: O progresso intelectual e tecnológico não libertou o homem; pelo contrário, sofisticou os métodos de domínio (guerras, bloqueios, fome e manipulação midiática).

    Provocação à Doutrina Espírita: Utilizando questões de O Livro dos Espíritos (q. 573 e q. 806), o autor lembra que as desigualdades são obras humanas e que a caridade puramente material (como a distribuição de cestas básicas) pode ser insuficiente e até desumanizadora se não vier acompanhada da luta por justiça social e emancipação real.

    O Perigo da Acomodação: O texto encerra com um chamado à ação, criticando o conformismo ("tudo passa") e o comodismo da minoria privilegiada diante das manipulações e distorções históricas/religiosas.

    Síntese: Trata-se de um manifesto contra a "auto-coação" e o papel de marionete que a sociedade assume diante dos poderosos. O texto convoca o leitor a despertar do sono da conveniência e a exercer a indignação ativa, lembrando que o tempo para transformar a realidade social é o agora.

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