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NATAL - FESTA DA LUZ

 

Por Doris Gandres

Dezembro. Natal. Este ano vamos esquecer todos os outros natais em que festejamos o conceito social, o reinado das lojas e do consumo... Vamos esquecer se podemos, ou não, comprar inúmeros presentes, dos mais caros aos mais simples; preparar uma ceia farta e requintada; castanhas, nozes, amêndoas, vinhos finos... Vamos até esquecer o Papai Noel, que muitas vezes nem é papai, que em geral está usando barba e bigodes brancos falsos, barriga de travesseiro e falando com voz impostada Oh! Oh! Oh! E que, aliás, nem existe...

Vamos nos concentrar na festa da luz. Não da luz das lampadinhas com que enfeitamos nossa árvore de natal, nossa casa e com que adornam as ruas e lojas. Mas da luz desse irmão mais velho e mais sábio, Jesus de Nazaré, que nessa época, considerada como de seu aniversário, brilha com mais intensidade entre nós porque mais lembrado por muitos do que habitualmente e de maneira diferente – não só para pedir, mas para homenageá-lo. E vamos também, como ele mesmo recomendou, deixar brilhar um pouquinho mais a nossa própria luz, que se abastece mais uma vez na luz dele quando abrimos, ainda que por pouco tempo, uma janela no tempo...

E atravessando essa janela, recuando no tempo, o vemos bebezinho, na manjedoura do estábulo, sob os olhares carinhosos de seus pais, José e Maria, e dos animais que por ali também se abrigavam – e recolhemos a primeira lição: é preciso muito pouco para que a felicidade se instale, ainda que por momentos apenas, mas momentos preciosos, inestimáveis, que abastecerão de forças as horas tristes e amargas...

Ainda ali, aprendemos também que a humildade e a simplicidade de alma são ingredientes indispensáveis ao estabelecimento do bom convívio e do bem viver...

E mais, que a família, grupo de espíritos que nos acolhe e alberga, representa, mesmo comportando dificuldades, a oportunidade de uma nova etapa de crescimento espiritual no exercício da ternura, da paciência, do respeito, do compartilhamento, da compreensão, da abnegação, quando diversidades e adversidades se encontram para reajustes impostergáveis.

Albert Einstein declarou: “A matéria é energia em estado de condensação; a energia é matéria em estado radiante”. Constata-se assim, pelos estudos desse físico renomado e outros, que mesmo face aos conhecimentos humanos terrenos, todos somos energia radiante, apenas temporariamente condensada – ou seja, todos somos luz!

Sabemos que ainda estamos mais próximos do estado de condensação do que do radiante; que somos ainda portadores de muita sombra; e que imersos na nossa sombra, frequentemente esquecemos de que, mesmo oculta sob esse manto pesado feito de imperfeições, erros e omissões, fugas e tropeços, a nossa luz divina individual está lá e não se apaga nunca. À menor intenção, ao menor pensamento em direção ao bem, à solidariedade, à fraternidade, a qualquer momento, em qualquer ocasião, ela desponta, sobrepondo-se a esse manto, ainda que tênue e bruxuleante, facultando-nos nos tornarmos um pouco mais radiantes...

O que muitos também já sabemos é que agora é impreterível realizar um esforço maior, redobrado para os que já compreenderam e iniciaram esse “bom combate” como dizia Paulo de Tarso, pois está mais que explícito que a hora da mudança de ciclo já chegou e, ou mudamos nós também e nos reciclamos em conformidade com as leis naturais, ou teremos que aceitar ser transferidos de residência planetária – residência essa compatível com o nosso estado de espírito.

O bebezinho que neste mês de dezembro aniversaria, quando cresceu e se tornou homem e mestre, foi muito claro em seus ensinamentos e suas recomendações, apesar de suas parábolas e analogias – a cada um segundo suas obras; essa geração não passará sem que seja pago o último ceitil; haverá o momento de separação do joio e do trigo; seja o vosso falar sim,sim-não,não; é necessário renascer de novo para conhecer o reino dos céus; enfim, estas e outras tantas recomendações não podiam ser mais transparentes, mais óbvias de que era preciso refletir e mudar, renovar-se.

 

Além disso, fez de sua própria vida uma demonstração patente de que era possível, mesmo àquela época, viver de acordo com a lei de amor, justiça e misericórdia. Muito bem se expressou um companheiro de ideal, Jacy Regis, desencarnado há pouco tempo, quando escreveu: “Ele superou os processos e indicou o que cada um pode ser. Porque veio para ser o padrão do homem comum nos séculos vindouros”. (*)

Do homem comum, sim. Pois renasceu em condição simples, no meio do povo comum, sem títulos de família ou bens terrenos – não tinha uma pedra onde repousar a cabeça – e, no entanto, comprovou que a grande riqueza, o bem maior, o melhor título, são os tesouros que o ladrão não rouba e que a traça não rói – são as virtudes conquistadas pelo espírito no decorrer de sua caminhada evolutiva e com as quais fará crescer sempre mais a sua própria luz.

 

(*) livro Reflexões de Natal

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