Pular para o conteúdo principal

DEUS EM TEMPO DE ISOLAMENTO SOCIAL

 


Transformaram Deus em homem, e deram a ele a condição de vingar-se, o instituíram de tal maneira com poderes místicos e maléficos, que em breves tempos, passou a ser o responsável pela dor, pela miséria, pela violência, pela corrupção, pelo feminicidio, pela LGBTfobia, pelos racismos, pela fome, pelo voto equivocado, pelas ações insanas de gestores públicos, e quando pensamos que não havia mais maldade além das que lhe já haviam sido atribuídas, eis que a referida deidade, lança sobre bons e pecadores a sua cartada final de desumanidades, a COVID – 19, levando seus pretensos seguidores a chegarem à seguinte conclusão: “Mexeram com deus. É a ira de Deus...”. É a simples omissão dos homens de suas responsabilidades mais vis.

Alguns nem acreditam na divindade, os fiéis não entendem porque doam seu tão suado dinheiro mensalmente, mas nem isso os tem poupado da ira da divindade, outros doam cestas básicas e fazem sopa, outros não fazem nada, só oram, porém, nem as mais fortes orações têm sido ouvida pela potestade.

Muitos acolhem-se uns aos outros, buscam-se tão qual pequenos Deuses, procurando-se em suas próprias faltas, estes não possuem fé, os seus ídolos possuem rostos e são de carne e osso. Estes Deuses chegam às vezes até de maneira imperceptível, exercem os seus maiores poderes sem que quase ninguém os vejam, os sintam ou os percebam, acolhem, saciam a fome, abrigam, doam-se, esta Deidade é provida de um poder tão interior que existem poucas nos dias de hoje. Uma característica quase que comum, não se preocupam com poder aquisitivo, gênero, cor, religião, ou convicções ideológicas, apenas oferecem o seu mais miraculoso poder.

Uma outra reflexão sobre estes Deuses, eles são elas, não estão fixas a apenas uma apresentação de gênero, descobriram primeiro que as suas aptidões não emanam de seus corpos, não são limitadas pelas condições físicas, transcendem a esta condição, e carregam em si um poder de resiliência, de força, de pujança que só os que já se sobrepujaram conseguem, para estes não há barreiras que a sua própria governança não tenha transposto, Divinaram-se, pois era isso ou serem renegados a viverem a margem.

Quanto aos que achavam que seguir ao potentoso era estar prostrado aos seus suntuosos sofás, de suas não menos suntuosas casas, ou em babilônicos templos, com rebuscadas oratórias ou com grandes propagandas acerca de suas realizações, com o tempo lhes foi apresentando uma realidade dura, descobriram através da COVID – 19 que eles também morrem, que a natureza da divindade não é humana e material, e houve prantos e ranger de dentes.

Pôde-se tirar proveitos desta oportunidade, descobriu-se que Deus invariavelmente está onde não esperamos, pois o procuramos estático e a sua condição é de multivelocidades, de multiplanos, o procuramos homem, mas ele não é, ele está em tudo que vê-se e que não vê-se, a arrogância, a ignorância e o preconceito cegam alguns seres, torna-os, verdadeiros míopes da Deidade, faz com que enxergando-se tanto, não enxergue o outro que é moradia certa do Deus que habita o universo.

Quanto aos Deuses anônimos, eles são diferentes, o seu poder interior e miraculoso é entender, que amar é ter Deus, ser amado é viver Deus, e proclamar o amor em suas ações e comportamentos é festejar Deus, é ser intimo dele e tê-lo em sua intimidade, por isso, os perseguidos, injustiçados, massacrados, torturados, são tão próximos de Deus, são íntimos da Divindade, pois há sempre uma Deidade na busca de saciá-los.

Uma coisa é certa, a pandemia do COVID – 19 ou Coronavirus, separa em um momento onde tantas injustiças e perseguições são validadas, os que pensam ter deus e os que vivem Deus, na sua mais simples expressão, no sorriso de uma criança, no mar, nas plantas, nos idosos, nos animais, ou simplesmente nas diversas humanidades que nos compõem e faz de nós seres Divinos.


Comentários

  1. Li e reli o texto. Não dar para grifar um ponto que possamos discordar, corrigir, completar ou enaltecer, lógico que não temos competência para tal.
    O texto nos contempla integralmente,é tudo que está latente em nós e que não temos o dom literário para externar. Quanto ao autor? Apenas renovamos admiração e gratidão!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

TELEOLOGIA BIOSSOCIAL: A SOCIOBIOLOGIA DO REINO E A JORNADA DO ESPÍRITO

    Bota de Orwell   Jorge Luiz          A Escala da Consciência na Matéria Social A “bota pisando num rosto humano” é a famosa metáfora de George Orwell para apresentar uma visão sombria, pessimista e de pesadelo sobre o futuro da humanidade. No mundo de Orwell, não haveria emoções, mas tão somente medo, raiva, triunfo e humilhação. É o mundo de hoje. Por trás desse aparente caos, há uma harmonia que governa e se realiza a partir da tríade universal — Deus, Espírito e Matéria — como bem ensinam os Espíritos. Abraçando o elemento material, é necessário ajuntar o Fluido Cósmico Universal (FCU), conforme O Livro dos Espíritos (L.E.), questão nº 27. Do FCU, o Espírito elabora um invólucro semimaterial, vaporoso e sutil, que serve de ligação entre ele e o corpo físico; extraído do fluido universal do ambiente, ele dá forma ao Espírito, permitindo sua ação, percepção de sensações e manifestação (L.E., Q. 94), denominado por Ka...

GUERRA CULTURAL – COMO INVENTAR INIMIGOS E MANIPULAR PESSOAS

     Por Maurício Zanolini        O escritor George Orwell, pouco antes do final da II Guerra Mundial, criou uma fábula para contar a revolução bolchevique que implantou um comunismo na Rússia e seus desdobramentos. No livro A Revolução dos Bichos somos apresentados aos animais da Granja do Solar, que cansados da exploração dos humanos, fazem uma revolução proletária, que começa romântica, igualitária e fraterna, e vai ficando cada vez mais sombria, autoritária e violenta.

MORFOGÊNESE DO REINO: O "EN MARCHE!" DE CHOURAQUI E O MANIFESTO DE MYERS

  Imagens de IA   Por Jorge Luiz       O VERBO EM MARCHA: A Exegese de Chouraqui e a Morfogênese do Reino Este capítulo abandona a ideia de Reino como "lugar" e o apresenta como "processo biológico e social".             A polêmica joanina de que o “Verbo se fez carne” – João 1:1-14 –, que faz parecer, implicitamente, que há uma identificação entre Deus e Jesus, mereceu uma atenção especial de Allan Kardec, embora só tenha se tornada pública após a sua desencarnação.             Tão controversa que, somente no IV século uma parte da Igreja a adotou. Vê-se que, a decisão foi dos homens e não uma revelação divina, já que não foi o próprio Jesus que a considerou, tão somente, João, o evangelista.             Carlos Pastorino também a analisou azeitando ainda mais as considerações de Kardec,...

O CENTRO ESPÍRITA: O QUE PENSOU KARDEC

                         Representação gráfica de uma sessão na SPEE (créditos: CCDPE-ECM ) Por Jorge Luiz                  Em Salvador, 1865, foi fundado o primeiro centro espírita no Brasil, por Luis Olímpio Teles de Menezes, denominado Grupo Familiar do Espiritismo. Teles ficou conhecido pelas polêmicas travadas pelos representantes locais da Igreja Católica. Em 1866, Teles publicou O Espiritismo – Introdução ao estudo da doutrina espirítica, a partir de extratos de O Livro dos Espíritos. Somente sete anos depois (1873) irá surgir no Rio de Janeiro a segunda instituição espírita – O Grupo Confúcio, que foi o responsável pela primeira tradução das obras de Allan Kardec.

É HORA DE ESPERANÇARMOS!

    Pé de mamão rompe concreto e brota em paredão de viaduto no DF (fonte g1)   Por Alexandre Júnior Precisamos realmente compreender o que significa este momento e o quanto é importante refletirmos sobre o resultado das urnas. Não é momento de desespero e sim de validarmos o esperançar! A História do Brasil é feita de invasão, colonização, escravização, exploração e morte. Seria ingenuidade nossa imaginarmos que este tipo de política não exerce influência na formação do nosso povo.

O FUNDAMENTALISMO E A EXTREMA DIREITA¹

  Por Dora Incontri A breve entrevista com as senhoras apoiadoras de Bolsonaro no domingo, publicada e comentada por meio mundo, e que teve a incrível fala – “apoio Israel porque sou cristã” – diz muito sobre a extrema direita e o fundamentalismo religioso. Tal fundamentalismo – que é sinônimo de fanatismo – tem algumas características constantes, presentes em todas as religiões. O seu apego à letra e não ao espírito, de uma tradição espiritual, portanto, leitura literal, sem interpretação de texto, sem contextualização, acrítica. A escolha e até a adaptação dessa leitura ao que há de mais opressor, conservador e por isso destoante de uma visão aberta, acolhedora, fraterna, compassiva. O fundamentalismo é alimentado por líderes perversos, interesseiros e hipócritas e aceito e multiplicado por pessoas simplórias, emocionalmente vulneráreis, sem base cultural – como essas senhorinhas da citada entrevista. Oportunismo e perversidade de um lado, ingenuidade e ignorância de outro.

PACTO ÁUREO?

Por  Jorge Hessen (*)   Outubro de 2014 - 65 anos do Pacto Áureo Os primórdios do “espiritismo” De conformidade com as fontes compulsadas, identificamos os primórdios do movimento “pré-espírita” brasileiro nas experiências dos partidários do mesmerismo (1). Dentre os seus adeptos, encontramos os médicos homeopatas Benoît Jules Mure (francês) e João Vicente Martins (português). Ambos chegaram ao Brasil em 1840. Havia mais apaixonados pela técnica de Mesmer, a exemplo de José Bonifácio de Andrada e Silva (o “Patriarca da Independência”), igualmente adepto à homeopatia, e Mariano José Pereira da Fonseca (Marquês de Maricá), este último publicou um livro de essência “pré-Codificação espírita, em 1844. O “Espírito” Humberto de Campos explanou em “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho” (*) que Benoît Jules Mure e João Vicente Martins “fariam da medicina homeopática verdadeiro apostolado. Muito antes da codificação espírita já conheciam os tran...

DESUMANIZAÇÃO NO MOVIMENTO ESPÍRITA¹

  O assunto é pesado, mas não podemos nos omitir em tecer algumas reflexões em torno de um episódio ocorrido na Federação Espírita do Estado de São Paulo (07/2017). Chequei a informação em diversas fontes, antes escrever esse texto. Resumindo, para quem não soube ou não leu nas redes sociais, um companheiro espírita, Claudio Arouca, ficou desaparecido mais de 48 horas e a última notícia que se tinha dele era de que ele estava na FEESP. A família, depois de algumas horas do desaparecimento, desesperada, procurou a instituição e, pelo que narraram, não foi acolhida, não lhe foram fornecidas as gravações das câmeras e ninguém procurou pelo desaparecido. Apenas 48 horas depois, receberam da própria FEESP um telefonema dizendo que o corpo tinha sido encontrado no banheiro. Mas nem assim, foram melhor tratados. Não puderam ter acesso imediato ao familiar que havia morrido de um enfarte, porque estava havendo uma festa na Federação.