Pular para o conteúdo principal

AMBIÇÃO E INTOLERÂNCIA¹

  



        Como compreender a violência e a intolerância vigente no mundo? Estamos estupefatos com a forma que a vida humana está sofrendo ultrajes cotidianos sem que se saiba como transpassar a metade desse túnel escuro à procura de uma saída. Lógico que as evidências apontam para o que há de mais explícito aos olhos: a Imperfeição nossa de cada dia. Analisemos, porém que a imensa maioria da população do planeta se encontra refém desse processo. Os graves incidentes não ocorrem pela iniciativa atual da massa de pessoas. Essa massa, certamente também responsável do ponto de vista pregresso, senão estaria em outro planeta isento de tais tragédias, suplica atualmente por uma nova direção e é pacífica.


            As facções que guerreiam de forma sanguinária ocupam duas extremidades. Uma percebida porque exibe a agressividade manifesta: trafica, rouba, assassina pessoas, é fanática, empunha armas, afronta a sociedade, demonstra todo o nível de intolerância que faz o mundo se transformar num colchão de pólvora. A outra extremidade, certamente a que segura o controle remoto do que acontece do outro lado, passa despercebida como tal: usurpa a propriedade, ocupa os cargos de poder, detém a riqueza do mundo, alimenta a guerra para enriquecer, monopoliza as reservas de petróleo, vende armas para alimentar as guerras que diz querer combater, utiliza uma máscara de honestidade sobre a face da ambição. Entre as duas, toda a humanidade.
            Fundamental que entendamos, nós que fazemos parte do recheio desse sanduíche de graves problemas, os extremistas se posicionam de forma que parece que os responsáveis pela desigualdade social e pela pobreza do mundo, por andarem de paletó e gravata e freqüentarem os salões das embaixadas e congressos se encontram isentos das responsabilidades que lhes cabem, pois os danos aparentes e cruéis acabam surgindo aos olhos pelas mãos dos intolerantes, fanáticos e agressores que ceifam as vidas em ataques covardes contra a população que apenas busca viver pacificamente. Ambos são igualmente culpáveis pelo que acontece no mundo. De um lado a imposição das políticas usurpadoras e do outro a anteposição dos desvalidos e truculentos.
            No fim, tudo se baseia na necessidade de evolução para que essas escuras brumas desapareçam da Terra. Nenhuma outra saída, senão a Reencarnação e a Transmigração entre os mundos para sanear o nosso ambiente espiritual e as práticas sociais. Certamente aqueles que roubam os sonhos e os que respondem com atitude homicida haverão de voltar muitas vezes, à Terra ou em outro mundo para a retificação necessária.  Observemos o que dizem os Espíritos nas questões 124 e 125 em O Livro dos Espíritos “Havendo Espíritos que, desde o princípio, seguem o caminho do bem absoluto, e outros, o do mal absoluto, haverá gradações, sem dúvida, entre esses dois extremos? — Sim, por certo, e constituem a grande maioria”. “Os Espíritos que seguiram o caminho do mal poderão chegar ao mesmo grau de superioridade que os outros?” Sim, mas as eternidades serão mais longas para eles”.

            Todos que fazemos parte do grupo intermediário e sofremos as duas agressões precisamos utilizar a nossa atitude de pacificação ampla e irrestrita e em nos faltando maiores poderes utilizemos a oração como forma de colaboração com a recuperação do planeta. Os dois grupos de extremistas merecem a nossa piedade, porque são cegos e não conseguem enxergar o bem comum. 


¹ editorial do programa Antena Espírita de 17.07.2016

Comentários

  1. Francisco Castro de Sousa24 de julho de 2016 às 15:36

    Roberto, bastante oportuno esse editorial, todos nós, não estamos sem culpa, basta não fazermos a nossa parte deixando de enviar nossas vibrações pela paz e pela a humanidade trevosa, basta não contribuirmos com as nossas preces pela paz no planeta.Parabéns pelo texto!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

AS DEFORMIDADES COGNITIVAS PRETENSOS “HERCULANISTAS”

  Por Jorge Hessen O livre-pensamento, a liberdade de consciência e a fraternidade são princípios kardecianos que não combinam com patrulhamento doutrinário, condenações sistemáticas e apropriações ideológicas do Espiritismo. Há uma contradição curiosa entre alguns atuais admiradores de José Herculano Pires: proclamam fidelidade absoluta a Allan Kardec, mas adotam posturas que merecem ser confrontadas com os próprios fundamentos da Codificação.

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

DEUS¹

  No átimo do segundo em que Deus se revela, o coração escorrega no compasso saltando um tom acima de seu ritmo. Emociona-se o ser humano ao se saber seguro por Aquele que é maior e mais pleno. Entoa, então, um cântico de louvor e a oração musicada faz tremer a alma do crente que, sem muito esforço, sente Deus em si.

DA QUIMERA HUMANA AO VOTO ANÔMICO

        Por Jorge Luiz                   A Contradição como Condição Ontológica             A paisagem político-social contemporânea expõe com crudeza o colapso dos filtros ético-morais no exercício da cidadania, revelando um fenômeno ainda mais perverso: a eleição consagradora de indivíduos formalmente denunciados por crimes gravíssimos, impulsionada justamente pelas parcelas mais vulneráveis da população. Desprovidos de amparo social e desarmados de senso crítico por um histórico de exclusão, esses grupos tornam-se alvos prioritários de apelos religiosos instrumentalizados, em que a fé é dobrada para anestesiar o discernimento ético e sacralizar a barbárie. Ao converter a transgressão em capital político com a chancela dos próprios espoliados, o corpo social escancara a sua contradição ontológica e o ponto cego do Brasil anômico — aquele em que a desori...

09.10 - O AUTO-DE-FÉ E A REENCARNAÇÃO DO BISPO DE BARCELONA¹ (REPOSTAGEM)

            Por Jorge Luiz     “Espíritas de todos os países! Não esqueçais esta data: 9 de outubro de 1861; será marcada nos fastos do Espiritismo. Que ela seja para vós um dia de festa, e não de luto, porque é a garantia de vosso próximo triunfo!”  (Allan Kardec)                    Cento e sessenta e quatro anos passados do Auto-de-Fé de Barcelona, um dos últimos atos do Santo Ofício, na Espanha.             O episódio culminou com a apreensão e queima de 300 volumes e brochuras sobre o Espiritismo - enviados por Allan Kardec ao livreiro Maurice Lachâtre - por ordem do bispo de Barcelona, D. Antonio Parlau y Termens, que assim sentenciou: “A Igreja católica é universal, e os livros, sendo contrários à fé católica, o governo não pode consentir que eles vão perverter a moral e a religião de outr...

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

SE O UNIVERSO É TÃO GRANDE, POR QUE IMAGINAMOS UM MUNDO ESPIRITUAL TÃO HUMANO?

    Por Wilson Garcia     Se a ciência expandiu nosso conhecimento sobre o cosmos de forma impressionante, talvez seja hora de perguntar: será que nossa visão sobre o mundo espiritual não ficou pequena demais — terrestre demais, humana demais? Uma leitora fez uma pergunta que me deixou pensando. Ela havia lido meu texto anterior,  Um bilhão de galáxias e uma única pergunta: e o espírito? , e trouxe uma questão que merece ser levada a sério. Ela disse, em resumo: — Tudo bem, falamos de bilhões de galáxias, de um universo gigantesco… mas e o outro lado? O que tudo isso tem a ver com a realidade espiritual? Será que o tamanho do universo material diz algo sobre o universo espiritual? A pergunta é boa. A resposta, porém, pede cuidado.

DARWINISMO ESPIRITUAL E A SOCIOBIOLOGIA DO REINO: A LUTA DE IDEIAS COMO MOTOR DA TRANSIÇÃO

           Por Jorge Luiz                    A Espiral da Transição e o Equívoco do Evento                 Uma celeuma existente no movimento espírita acerca de leituras literais de transições planetárias desviou aquilo que é um processo profundo de adaptação biossocial para a transição vista como um mero evento cronológico. A evolução não se opera em uma constante, mas sim em uma espiral de eventos. A evolução dos mundos está atrelada à evolução dos Espíritos vinculados a eles.             Para compreender esse mecanismo na escala macro, é imperativo analisar o microcosmo das relações humanas. No livro Missionários da Luz (Cap. 13), psicografado por Francisco C. Xavier, o espírito André Luiz relata o grave trauma sofrido por um núcleo familiar em virtude das atitudes predatória...

DOR CARMIM

     Jorge Luiz                          Os valores divergem muito. A sociedade capitalista é assim, mercantiliza tudo. Os números tornam as coisas frias, como frio é o capitalismo. Estima-se, no entanto, que educar um filho, dependendo da classes sociais, desde os primeiros meses do nascimento até a conclusão de uma formação superior, pode chegar a três milhões de reais. Isso é insignificante diante dos segundos e horas de devotamento e cuidado que se dedica até a formação de um filho em cidadão de bem. Os valores da educação de um filho são incomensuráveis, se não o fosse, assim, só seriam educados os eleitos pela riqueza. A Doutrina Espírita explica.

AS BETS E O JOGO DA VIDA

      Por Jorge Luiz                     A Encomenda da Esperança: A Captura do Imaginário             Muito recentemente, os símbolos da Pátria foram sequestrados por uma corrente partidária de extrema-direita. De repente, o imaginário do brasileiro foi dilacerado: o que era símbolo de pertencimento e brasilidade transmutou-se em sentimento de aversão por aqueles alinhados a ideologias progressistas. Com a camisa da Seleção Brasileira, o fenômeno não foi diferente. Esse episódio escancara algo fundamental: o imaginário é o campo onde se travam as disputas centrais da nossa época.             O imaginário, para Castoriadis (2012), não significa o fictício, o ilusório ou o especulativo, mas o elemento determinante — e não determinado — de novas formas e significações; uma criação autônoma que não se ...