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COMO FUNDAR UM CENTRO ESPÍRITA - PARTE FINAL



Por Francisco Castro (*)

  1. – Quais os requisitos para que alguém possa assumir a presidência de um CE?
Primeiro, que seja espírita em seguida que seja integrante do quadro social da instituição, maior de idade, que exerça uma liderança positiva, que seja pessoa dada ao diálogo a fim de manter um clima de fraternidade e trabalho, qualidades que o tornem merecedor da confiança da maioria dos associados, e, acima de tudo que se proponha a trabalhar no interesse da instituição para o estudo, a difusão e a prática dos princípios da Doutrina Espírita, principalmente pelo exemplo.
  1. – Os trabalhadores do CE recebem algum tipo de remuneração?

Regra geral os trabalhos no Centro Espírita são realizados de forma voluntária, a não ser nas casas cuja estrutura necessite de empregados, quando a instituição deve agir de acordo com a legislação trabalhista e previdenciária a fim de evitar questões judiciais.


  1. – É correto fundar um CE em casa de família?

Uma casa de família é de uso exclusivo dos seus integrantes ou de seus convidados. Na formação do grupo inicial em que as pessoas comparecem na condição de convidados não há qualquer inconveniente.
Ao se constituir juridicamente, quando precisa constituir uma diretoria, e, como nos seus horários de funcionamento é uma instituição aberta ao público, o CE deve funcionar em prédio específico, com entrada independente, sem comunicação com a parte residencial.

  1. – Em quais locais não se aconselha a fundação de um CE?

Um Centro Espírita necessita de um ambiente de ordem e recolhimento. Locais próximos de bares e casas noturnas não são favoráveis à ambiência necessária para a realização das atividades espíritas.

  1. – Que se pode fazer para fortalecer a estrutura e o funcionamento do CE?

Reflitamos nas palavras de Allan Kardec no Preâmbulo do Credo Espírita (Obras Póstumas), do qual extraímos alguns trechos:

“Os males da humanidade provêm da imperfeição dos homens; pelos seus vícios é que eles se prejudicam uns aos outros. Enquanto forem viciosos, serão infelizes, porque a luta dos interesses gerará constantes misérias.”
“(...) Por melhor que seja uma instituição social, sendo maus os homens, eles a falsearão e lhe desfigurarão o espírito para a explorarem em proveito próprio. Quando os homens forem bons, organizarão boas instituições, que serão duráveis, porque todos terão interesse em conservá-las.”

A questão social não tem, pois, por ponto de partida a forma de tal ou qual instituição; ela está toda no melhoramento moral dos indivíduos e das massas.
Aí é que se acha o princípio, a verdadeira chave da felicidade do gênero humano, porque então os homens não mais cogitarão de se prejudicarem reciprocamente.”(Grifamos)

Por fim, anotamos o seguinte:

“O Centro espírita, como recanto de paz construtiva que deve ser, precisa manter-se num clima de ordem, de respeito mútuo, de harmonia, de fraternidade e de trabalho, minimizando divergências e procurando superar o personalismo individual ou de grupo, a bem do trabalho doutrinário, propiciando a união de seus frequentadores na vivência da recomendação de Jesus: ‘Amai-vos uns aos outros’”. (Orientação Ao Centro Espírita, p. 14) – Grifamos.

  1. – O que é um Centro espírita?

Segundo Emmanuel em mensagem recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier na noite de 10 de abril de 1950, em Pedro Leopoldo - MG:

“ Um Centro Espírita é uma escola onde podemos aprender e ensinar, plantar o bem e recolher-lhe as graças, aprimorar-nos e aperfeiçoar os outros, na senda eterna”.

  1. – O CE deve fazer prosélitos?

Allan Kardec em O Livro dos Médiuns – item 18 diz o seguinte:

“Muito natural e louvável é, em todos os adeptos, o desejo, que nunca será demais animar, de fazer prosélitos. Visando-lhes facilitar essa tarefa, aqui nos propomos examinar o caminho que nos parece mais seguro para se atingir esse objetivo, a fim de lhes poupar inúteis esforços.”

“Dissemos que o Espiritismo é toda uma ciência, toda uma filosofia. Quem, pois, seriamente queira conhecê-lo deve, como primeira condição, dispor-se a um estudo sério e persuadir-se de que ele não pode, como nenhuma outra ciência, ser aprendido a brincar.”

“(...) Vejamos, então, de que maneira será melhor se ministre o ensino da Doutrina Espírita, para levar com mais segurança à convicção.”

“Não se espantem os adeptos com esta palavra – ensino. Não constitui ensino unicamente o que é dado do púlpito ou da tribuna. Há também o da simples conversação. Ensina todo aquele que procura persuadir a outro, seja pelo processo das explicações, seja pelo das experiências.”

Por fazer prosélitos não se deve entender que os espíritas devem ir às praças públicas, munidos de megafones como o fazem algumas religiões, mas de manter trabalhos bem estruturados para que as pessoas que procurem os Centros Espíritas possam se esclarecer corretamente e desenvolver a convicção espírita.

  1. – O CE deve manter uma biblioteca?

Toda escola deve ter uma biblioteca como fonte de consulta para os seus integrantes. O Centro Espírita como escola de formação espiritual e moral à luz da Doutrina Espírita deve, desde logo, cuidar da formação de uma pequena Biblioteca Espírita para servir como fonte de consulta para os seus frequentadores.

  1. – O CE deve manter uma livraria?

Uma livraria é um empreendimento que requer uma soma de recursos que nem todos podem dispor. Mas, uma pequena venda de livros espíritas pode ser uma fonte adicional de recursos que pode auxiliar na manutenção da casa. Algumas entidades Federativas fornecem livros em consignação onde os Centros Espíritas podem se abastecer.

  1. – Como se deve tratar a documentação do CE?

Os dirigentes do centro Espírita devem ter especial cuidado com os livros de atas, mensagens recebidas, fotos de seus eventos, fotos da sede inicial, dos melhoramentos e das reformas que forem realizadas, livro de visitantes, informativos, estatuto e regimento interno, mesmo aqueles que forem modificados, tudo faz parte da história da instituição e servirão como registros para que no futuro se possa avaliar os progressos realizados.

Chegamos, assim, ao final dessa série de textos sobre o tema: COMO FUNDAR UM CENTRO ESPÍRITA. Qualquer erro porventura encontrado nesse trabalho é da inteira responsabilidade do autor e não das fontes consultadas.

Ficaríamos imensamente felizes se, no futuro, recebêssemos notícias sobre a utilização desse trabalho em alguma localidade, até sobre alguma dificuldade na operacionalização das ideias aqui apresentadas.

Agradeço aos que me honraram com a leitura dos textos que postamos sobre o assunto.


(*) voluntário do Centro Espírita Grão de Mostarda, do Programa de Rádio Antena Espírita e do Blog Canteiro de Ideias.

Comentários

  1. Está muito bem apresentando, útil demais.

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  2. Sugiro a condensação das matérias desse artigo. Que elas fiquem disponíveis em um só link, na página inicial do blog.

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