Pular para o conteúdo principal

MILITARES ESPÍRITAS




Talvez, à primeira vista, pareça existir uma certa incompatibilidade entre os ensinos evangélicos e a atividade militar. Porém, analisando profundamente o Evangelho de Jesus e refletindo sobre os ensinamentos espíritas das Obras Básicas e Complementares do Espiritismo, logo verifica-se o equívoco de quem, desta maneira, tira suas conclusões.
A atividade militar, como qualquer outra, tem a sua razão e a sua necessidade de existência atual, e deve ser regida, como qualquer outra atividade, por princípios salutares coletivos e individuais.
A cada um de nós compete uma tarefa específica na difusão do bem, e esta função deve ser exercida com moralidade e respeito íntimo. Assim procedendo, cada ser estará contribuindo não só para o seu aperfeiçoamento próprio, mas também para o da coletividade da qual faz parte.

O Major Dentista Jorge Fernandes de Oliveira, em 1995, quando presidia o Núcleo de Manaus da Cruzada dos Militares Espíritas, fez a seguinte colocação sobre este assunto:
“Por isso, mais do que nunca, os legionários de Maurício da atualidade estão convocados à nobre missão do testemunho de sua crença na moral cristã, procurando vivenciá-la dentro e fora das Organizações Militares das Forças Armadas e Auxiliares onde servem. Não importa que os gozadores de plantão procurem ridicularizar os militares que optaram pelo Espiritismo como bússola a orientar suas vidas, julgando, na sua ignorância, que existe incompatibilidade entre os ensinos do Cristo e a atividade militar. Não sabem eles que o exercício profissional sem a moral cristã gera, muitas das vezes, distorções de conduta que fazem com que esqueçamos da ética de respeito à vida e aos nossos semelhantes...”

Neste aspecto, a moral cristã é uma virtude para o acerto de conduta do homem inteligente na Terra. Por intermédio dela a criatura humana aperfeiçoa o seu discernimento do certo e do errado, do bem e do mal, do justo e do injusto, aprimorando a sua razão e enobrecendo os seus sentimentos de fraternidade e amor para com todos os seus semelhantes.
A Doutrina Espírita veio, a seu turno, facilitar a comunhão dos verdadeiros atributos militares e a consciência, pura e reta, da responsabilidade com os ensinos do Mestre Jesus. Ela demonstra, com toda a sobriedade possível, que o nosso imenso Universo é regido por Leis Imutáveis e, com a clareza que lhe é característica, demonstra também que o acaso não rege a vida do ser humano, prevalecendo sempre o seu livre-arbítrio para o merecimento da sua evolução espiritual. Neste sentido, cada indivíduo encontra-se posicionado em uma situação específica e necessária nesta gigantesca engrenagem da vida.
Por este ângulo de observação deve-se considerar, também, que os Regulamentos que orientam as atividades militares, no que tange a educação moral militar, possuem verdadeiros conceitos e princípios cristãos.
Esses conceitos, orientadores da disciplina e da moral nas Forças Armadas, foram bem lembrados pelo Marechal Mário Travassos (1891–1973), ao pronunciar as saudações da Cruzada aos novos Aspirantes espíritas em 1956, quando vice-presidente da Cruzada dos Militares Espíritas, como se vê neste trecho da sua bela mensagem, transcrito abaixo:
“...deve-se reconhecer não haver incompatibilidade entre a Espada e a Cruz, do mesmo modo que entre a Pena e a Espada. Antes de qualquer outra consideração, devemos lembrar que o Regulamento Interno e dos Serviços Gerais que, por sua feição basilar, tomou o número 1, na longa série de regulamentos que regem as atividades militares, apresenta... O espírito de renúncia e de sacrifício, o culto do sentimento de justiça, o respeito aos superiores e o trato afetuoso dos subordinados; as expressões educacionais de honestidade, de tolerância, de bondade, de solidariedade humana; os estímulos ao cumprimento do dever para com a coletividade militar e nacional e o respeito aos Códigos Internacionais como os que plasmam a Cruz Vermelha, os direitos dos neutros e dos prisioneiros, comprovam de sobejo o fundo evangélico da educação moral militar...


São conceitos antigos, não há dúvida, porém de permanente atualidade e de grande importância para os espíritas que encontraram na carreira das armas um caminho para o seu progresso e a sua evolução espiritual.



(*) militar aposentado pelo Exército Brasileiro, onde serviu por mais de 30 anos e voluntário do C.E. Jayme Rolemberg.






 (1) Capitão Maurício: Patrono e Guia da Cruzada dos Militares Espíritas
  (2)  Jornal “O Cruzado”, nr 123 – Setembro de 1995
 (3)  Revista de “O Cruzado”, nr 1, 1º Semestre de 1998, página 25

Comentários

  1. Damos boas vindas ao confrade Acioli, grande Centurião do Exército Brasileiro, que agora se integra às fileiras de colaboradores do Canteiro de Ideias.
    Artigo muito elucidativo.
    Parabéns!

    ResponderExcluir
  2. Texto muito elucidativo.
    Gostei muito.

    ResponderExcluir
  3. Parabens. Acioli. Grande irmão.
    No CEABEM. Proxima Sexta-feira 20/03/2015.
    Nonato

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

DIVERSIDADE NÃO JUSTIFICA DESIGUALDADE

  Por Alexandre Júnior                A justiça não se estabelece por si só. É necessário que a façamos. Quando nos negamos a combater, debater, encarar, perceber e estudar as desigualdades sociais, menos estaremos aptos a produzir, de forma consciente e politicamente, ações de enfrentamento às injustiças, bem como posturas afirmativas de produção de igualdade e justiça social. Em que pese a insistência nefasta de toda uma estrutura social hegemônica, que, de forma opressora, transforma diversidade em desigualdade.

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

SOCIALISMO E ESPIRITISMO: Uma revista espírita

“O homem é livre na medida em que coloca seus atos em harmonia com as leis universais. Para reinar a ordem social, o Espiritismo, o Socialismo e o Cristianismo devem dar-se nas mãos; do Espiritismo pode nascer o Socialismo idealista.” ( Arthur Conan Doyle) Allan Kardec ao elaborar os princípios da unidade tinha em mente que os espíritas fossem capazes de tecer uma teia social espírita , de base morfológica e que daria suporte doutrinário para as Instituições operarem as transformações necessárias ao homem. A unidade de princípios calcada na filosofia social espírita daria a liga necessária à elasticidade e resistência aos laços que devem unir os espíritas no seio dos ideais do socialismo-cristão. A opção por um “espiritismo religioso” fundado pelo roustainguismo de Bezerra Menezes, através da Federação Espírita Brasileira, e do ranço católico de Luiz de Olympio Telles de Menezes, na Bahia, sufocou no Brasil o vetor socialista-cristão da Doutrina Espírita. Telles, ao ...

REFORMAR OU TRANSFORMAR? REFORMA ÍNTIMA OU TRANSFORMAÇÃO ESPIRITUAL?

        Por Marcelo Henrique   O conjunto de elementos que impregnam o conceito de “reforma íntima” repete muitos chavões de culturas e abordagens não espíritas, pertencentes a ideologias religiosas em que há a “obrigação” de seguir certas prescrições, sob pena de… É a cultura do temor, do medo e da culpa. *** Alguns conceitos são entronizados e se enraízam de tal modo em Filosofias que é difícil, depois, retirá-los ou entendê-los na sua real essência. No caso do Espiritismo, eles surgem a partir de alguma declaração – seja de um encarnado, médium ou dirigente, seja de um desencarnado – e vão ficando, ficando… Passam a ser retórica tradicional e, não raro, viram “figurinha fácil” no álbum das condutas humanas. Falemos, pois, de uma delas: a decantada reforma íntima. Onde surgiu? Quem foi o primeiro a mencionar? Em que contexto foi dito? Qual era o alcance? Que objetivos se tinha? Qual a relação deste conceito com o Espiritismo?

DEUS¹

  No átimo do segundo em que Deus se revela, o coração escorrega no compasso saltando um tom acima de seu ritmo. Emociona-se o ser humano ao se saber seguro por Aquele que é maior e mais pleno. Entoa, então, um cântico de louvor e a oração musicada faz tremer a alma do crente que, sem muito esforço, sente Deus em si.

09.10 - O AUTO-DE-FÉ E A REENCARNAÇÃO DO BISPO DE BARCELONA¹ (REPOSTAGEM)

            Por Jorge Luiz     “Espíritas de todos os países! Não esqueçais esta data: 9 de outubro de 1861; será marcada nos fastos do Espiritismo. Que ela seja para vós um dia de festa, e não de luto, porque é a garantia de vosso próximo triunfo!”  (Allan Kardec)                    Cento e sessenta e quatro anos passados do Auto-de-Fé de Barcelona, um dos últimos atos do Santo Ofício, na Espanha.             O episódio culminou com a apreensão e queima de 300 volumes e brochuras sobre o Espiritismo - enviados por Allan Kardec ao livreiro Maurice Lachâtre - por ordem do bispo de Barcelona, D. Antonio Parlau y Termens, que assim sentenciou: “A Igreja católica é universal, e os livros, sendo contrários à fé católica, o governo não pode consentir que eles vão perverter a moral e a religião de outr...

REFLEXÕES PARA O ANO QUE SE ANUNCIA...

  Sinta, chega o tempo de enxugar o pranto dos homens. Se fazendo irmão e estendendo a mão... Venha, já é hora de acender a chama da vida e fazer a Terra inteira feliz! (A Paz. Homenagem a Paulinho/Roupa Nova)   É bem comum, a cada final de ano, pensarmos sobre o ano que finda e projetarmos expectativas, sonhos e planos para o ano vindouro. Fazer isso é bom! Afinal, pensar sobre o que fizemos, avaliar o que houve de bom e o que precisa ser melhorado pode nos ajudar a depurar nossas ações, para tentarmos ser melhores e, consequentemente, fazer um ano melhor. Santo Agostinho nos ensinou esse exame de consciência. Toda noite, ele passava o dia a limpo, observando seus atos e pensando a melhor maneira de corrigir seus erros e chegar mais perto de Deus.

OS ESPÍRITAS E OS GASPARETTOS

“Não tenho a menor pretensão de falar para quem não quer me ouvir. Não vou perder meu tempo. Não vou dar pérolas aos porcos.” (Zíbia Gaspareto) “Às vezes estamos tão separados, ao ponto de uma autoridade religiosa, de um outro culto dizer: “Os espíritas do Brasil conseguiram um prodígio:   conseguiram ser inimigos íntimos.” ¹ (Chico Xavier )                            Li com interesse a reportagem publicada na revista Isto É , de 30 de maio de 2013, sobre a matéria de capa intitulada “O Império Espírita de Zíbia Gasparetto”. (leia matéria na íntegra)             A começar pelo título inapropriado já que a entrevistada confessou não ter religião e autodenominou-se ex-espírita , a matéria trouxe poucas novidades dos eventos anteriores. Afora o movimento financeiro e ...

POR UM MOVIMENTO ESPÍRITA SUBVERSIVO

 “A revolução foi proposta por Kardec, foi ensaiada por esses cientistas (Crookes, Bozzano, Aksakof, Richet, Rochas e outros) mas ainda não foi realizada na civilização ocidental – onde se enraíza – e não foi nem mesmo compreendida pelos espíritas.” (Dora Incontri, “Para Entender Allan Kardec.”) Jesus, no Sermão das Montanhas (representação)             É provável que o leitor esteja intrigado com o título do artigo, pelo uso da palavra subversivo. Não é de se estranhar, até por que é esse o propósito. Entretanto, a etimologia de subversivo, vem do latim ( sub =abaixo) e ( vertere =dar voltas) + ( ivo =efetividade, capacidade). De subverter = verter por baixo; executar atos visando à transformação ou derrubada da ordem estabelecida; revolucionário.             Se se estudar a semântica histórica ou diacrônica (que estuda as mud...

SEMANA MAURÍCIA

Cap. Maurício - Patrono da CME CAPITÃO MAURÍCIO era o comandante da Legião Tebana. Essa legião era originária do Egito e seus soldados eram todos cristãos. No ano (286 d.C.), o Império Romano convocou a Legião Tebana para debelar a Revolta dos Bagaudos . Era costume do Exército romano, antes de entrar em combate, realizar os “sacrifícios propiciatórios aos deuses pagãos” para sucesso da batalha. Capitão Maurício e toda a sua Legião, por serem cristãos, recusam-se a participarem daqueles rituais. A mentalidade cristã não poderia, naturalmente, coincidir com a pagã. Embora respeitando as leis e sendo leais ao Império, não colocavam a pátria terrena acima de tudo.