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10.12 - 140 ANOS DE NASCIMENTO DE VIANNA DE CARVALHO



Por Luciano Klein (*)

Manoel Vianna de Carvalho (1874-1926)

Com entusiasmo e perseverança, há duas décadas, temos procurado rastrear os passos luminosos de Manoel Vianna de Carvalho, alma preexcelsa, exemplo perfeito de inclinação missionária, baluarte de um trabalho incomparável na difusão dos postulados espíritas, por todo o País. Entre os seus pósteros, todavia, bem poucos conhecem a dimensão exata de seu labor inusitado, disseminando os princípios de uma verdade consoladora: a doutrina sistematizada por Allan Kardec.
            Não nos passa despercebido, nos dias atuais, o efeito benéfico dos serviços prestados ao Movimento Espírita por Divaldo Pereira Franco. Através desse médium admirável, ao mesmo tempo um tribuno consagrado, Vianna de Carvalho se manifesta com frequência, inspirando-o em suas conferências fenomenais que aglutinam multidões.

            Entretanto, muitos desconhecem um fato: tudo o que Divaldo realiza no intuito de propagar a mensagem espírita, Vianna já o fizera em seu tempo; e o fez a enfrentar dificuldades incomensuráveis; e o fez num contexto assinalado pelo forte preconceito de uma sociedade ultramontana, sociedade infensa, por inteiro, a novas concepções doutrinárias, sob a influência danosa e opressiva de clérigos fanáticos. Vianna de Carvalho – naqueles idos – demonstrou uma coragem indômita, semelhante, em muitos aspectos, à têmpera de aço do apóstolo Paulo, na fase heróica de expansão da Boa Nova do Cristo.
            Mercê de suas atividades profissionais, como militar, percorreu os mais longínquos rincões brasileiros. Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato-Grosso, Ceará, Pernambuco, Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte, Alagoas, Bahia e Sergipe, são os estados que, comprovadamente, ouviram o verbo flamívomo do Tribuno cearense.
            Neste mês de dezembro relembramos os 140 anos de nascimento de Vianna. Lamentavelmente, em razão do descaso para com a memória histórica do nosso Movimento, poucos se lembraram dessa efeméride. Nós, espíritas nascidos no Ceará, cientes de que a gratidão é a memória do coração, não poderíamos deixar passar em branco essa data. Assim, rendendo a ele o nosso tributo, escrevemos, a seguir, o seu perfil biográfico.
*    *    *

Manoel Vianna de Carvalho nasceu na cidade Icó, Ceará, a 10 de dezembro de 1874. Era filho de Tomás Antônio de Carvalho, professor de Música e Língua Portuguesa da Escola Normal e Josefa Vianna, mulher de raras virtudes.
 Em Fortaleza, estudou no Liceu do Ceará. Em 1891, matriculou-se na Escola Militar do Ceará, onde se destacaria pelo brilho de sua inteligência. Nesse mesmo ano, juntamente com outros cadetes, conheceu o Espiritismo, organizando na própria escola um grupo de estudos doutrinários.
Em 1894, ainda na capital cearense, avultou como poeta participando da fundação do Centro Literário, agremiação dissidente da célebre Padaria Espiritual. No ano de 1895, transferiu-se para o Rio de Janeiro, matriculando-se no Curso Superior da antiga Escola Militar da Praia Vermelha. Passou a freqüentar a “União Espírita de Propaganda do Brasil”.
Ali, Vianna de Carvalho destacou-se como um dos mais ardorosos trabalhadores do grupo, passando a ocupar a tribuna, quase todas as noites, perante compacto auditório. Sua aparência juvenil não fazia diferença, porque seu verbo inspirado e eloqüente embevecia os ouvintes, concorrendo para aumentar, diariamente, o número de curiosos por ouvi-lo.
Em 1896 foi transferido para Escola Militar de Porto Alegre. Procurou, então, alguns confrades e numa casa abandonada, desprovida de mesas e cadeiras, dentro de um terreno baldio no Bairro do Parthenon, começou a divulgar o Espiritismo. Em seguida, fundou um núcleo de estudos no andar térreo de uma casa comercial, na Rua dos Andradas. Convocou diversas pessoas, entre as quais Mercedes Ferrari, que animada pelo cadete Vianna e com o apoio de outros companheiros, deu grande impulso ao Movimento Espírita local.
Ainda em 1896, regressou ao Rio de Janeiro, retomando os trabalhos na “União Espírita de Propaganda do Brasil”, passando a ser requisitado para proferir conferências em todo o Distrito Federal, na época no Rio de Janeiro.
No ano de 1898, de novo em Porto Alegre, publicou a sua primeira obra literária, intitulada “Facetas”, cuja segunda edição, lançada em 1910, foi prefaciada pela poetisa Carmem Dolores, pseudônimo da escritora Emília Bandeira de Melo. O livro mereceu os melhores elogios da crítica. Em 1923, publicou “Coloridos e Modulações”, coletânea de suas crônicas, escritas durante vários anos em periódicos espíritas e literários. A obra foi igualmente muito bem recebida.
Em 1905, foi transferido para o 8.º Batalhão de Infantaria, em Cuiabá. Naquela cidade fundou o Centro Espírita Cuiabano, em 1906, dotando-o do necessário ao seu bom funcionamento, sendo seu primeiro presidente. Em 1907, retornou ao Rio de Janeiro a fim de se matricular no Curso de Engenharia da Escola Militar do Realengo. Dessa vez realizou uma série de conferências na Federação Espírita Brasileira e no auditório da antiga Associação dos Empregados do Comércio, com platéias cada vez maiores. Foi convidado para conferências em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e em todo o Estado do Rio de Janeiro, sendo, em muitas dessas excursões acompanhado por Ignácio Bittencourt, diretor do jornal “Aurora”, em cujas páginas Vianna emprestou a sua colaboração, como em tantos outros periódicos, espíritas e laicos, por todo o País.
Em 1910, concluiu o Curso de Engenharia Militar, embarcando para Fortaleza em abril desse mesmo ano.  
O Espiritismo no Ceará floresceu na última década do século XIX, em Fortaleza, mercê da persistência do grande pioneiro Luiz de França de Almeida e Sá, fundador do Grupo Espírita “Fé e Caridade”. Na virada do século, surgiram mais dois grupos na cidade de Maranguape, o “Verdade e Luz” – que chegou a editar, em 1901, o jornal “Luz e Fé” – e o “Caridade e Luz”, organizado em agosto de 1902, e que também publicou um jornal denominado “Doutrina de Jesus” e manteve uma instituição de ensino, a “Escola Cristã”, de 1902, uma das primeiras escolas vinculadas a uma sociedade espírita no Brasil. Contudo, lamentavelmente, esses grupos de reuniões familiares, por motivos que desconhecemos, não tiveram longa duração, não mais existindo quando da chegada de Vianna.
O grande ímpeto da Doutrina dos Espíritos no Ceará só ocorreu, efetivamente, a partir de 1910, com a chegada de Vianna. Sua estada em Fortaleza, de maio daquele ano até novembro de 1911, foi pródiga de realizações. Seu acendrado amor à Causa Espírita o impulsionou a um ritmo de ação incansável.
Logo ao chegar, procurou arregimentar forças para organização do Movimento Espírita local. Publicou, repetidas vezes, nas páginas do jornal “Unitário”, anúncios e pedidos como este:
“Peço aos espíritas do interior do Ceará, bem como aos socialistas, maçons, livres pensadores, adeptos em geral das idéias modernas, o obséquio de me enviarem os seus endereços para fins de propaganda.
                                          Vianna de Carvalho
                               Endereço: Rua 24 de Maio, no 26”
Em seguida, promoveu o estudo sistemático de O Livro dos Espíritos, efetuando semanalmente conferências nos salões das lojas maçônicas “Amor e Caridade”, “Igualdade” e “Liberdade”. Essas preleções passaram a ser publicadas, sinteticamente, nos jornais “Unitário” e “A República”.
As conferências tiveram repercussão extraordinária, motivando imediata reação de líderes católicos, os quais, através dos jornais “Cruzeiro do Norte” e “O Bandeirante”, combateram o Espiritismo e seu fiel arauto. Essa campanha insidiosa, em vez de prejudicar, aumentou grandemente o interesse pela doutrina criticada.
Entretanto, o corolário do profícuo labor desse filho de Icó, foi a fundação, em junho de 1910, do Centro Espírita Cearense, que funcionaria na Rua Santa Isabel, no 105( hoje Princesa Isabel, n.º 255), bem no coração da cidade[1].
O “Unitário”, na edição do dia 22 de junho, registrou este memorável acontecimento.
“Domingo (19), a uma hora da tarde, realizou-se no palacete da Fênix Caixeiral, a sessão solene de fundação do Centro Espírita Cearense.
Presidiu-a o ilustre magistrado Sr. Desembargador Olympio de Paiva, que teve a secretariá-lo os senhores Miguel Cunha e Francisco Prado.
Em seguida à abertura da sessão, foi aclamada a seguinte diretoria provisória: Presidente – Desembargador Olympio de Paiva; 1.º Vice-Presidente – Antônio Carneiro de Souza Azevedo; 2.º Vice-Presidente – Demétrio de Castro Menezes; 1.º Secretário – Miguel Cunha; 2.º Secretário – José Carlos de Mattos Peixoto; 1.º Tesoureiro – Aphonso de Pontes Medeiros; 2.º Tesoureiro - Theóphilo Cordeiro de Almeida; Orador – Dr. Francisco Prado. Em seguida foi dada a palavra ao Sr. Dr. Vianna de Carvalho que produziu brilhante e erudita peça oratória discorrendo largamente sobre a Doutrina Espírita. Sua Senhoria foi delirantemente aplaudido.
Em seguida, orou o Sr. Miguel Cunha, que apresentou os meios principais, que deverão ser postos em prática para a ampla e eficaz propaganda do Espiritismo em o nosso meio social.
Estiveram presentes à sessão inúmeros cavalheiros de distinção e várias famílias, que assinaram a ata de fundação da novel associação.
Foi grande o número de pessoas que se inscreveram como sócios do Centro Espírita Cearense.
Aos esforçados membros do Centro, enviamos os nossos votos para que tenham completo êxito em seu nobilíssimo desideratum.”
Na conferência de inauguração do Centro, Vianna lamentou que no Ceará, “onde têm surtido os mais belos empreendimentos, ainda não se apercebesse da necessidade imperiosa de organizar um centro espírita[2], enquanto em outros estados, mesmo os mais longínquos, o Espiritismo tem sulcado profundo a sua ação benéfica pela profusão espantosa de todos os ensinamentos capazes de remodelar os sentimentos incompatíveis com a verdadeira e genuína religião do Cristo. Disse mais que era em nome da Federação Espírita Brasileira que assim falava e pediu ao Sr. Presidente que em nome daquela conspícua corporação, declarasse fundado nesta capital o Centro Espírita Cearense.”[3]
O Centro Espírita Cearense passou a desenvolver notável serviço no campo da propaganda doutrinária (promoção de estudos, conferências, criação do jornal “O Lábaro”, etc.) e no campo assistencial.
A partir de Fortaleza, Vianna de Carvalho sofreria intensa perseguição de influentes membros da Igreja, que passaram a pleitear, junto às autoridades militares, sua transferência. Assim, em novembro de 1911, depois de um ano e seis meses de grandes serviços prestados à Causa, partiu para a Capital Federal.
            Em outubro de 1923, regressou a Fortaleza como Chefe interino do Estado Maior da 7a Região Militar, com sede em Recife, no desempenho de importante comissão do Ministério da Guerra. Aproveitou a oportunidade para rever amigos e realizar conferências no Centro Espírita Cearense, que então já possuía sede própria, e na Loja Liberdade. No entanto, sua permanência foi somente de poucos dias.
            No dia 10 de abril de 1924, voltou, desta feita para assumir as funções de fiscal do 23o Batalhão de Caçadores. Largo círculo de seus amigos e admiradores o recepcionou com alegria no ponto de desembarque. Em julho desse ano, assumiria o comando interino do referido Batalhão.
            Ele permaneceria em Fortaleza até 11 de setembro de 1924. Nesse ínterim proferiu conferências e participou de atividades culturais. Decorridos treze anos de sua fecunda tarefa na organização do movimento espírita cearense, não enfrentou as mesmas resistências da outra vez porquanto, além do respeito que lhe impunha o novo posto e função, vários intelectuais, figuras conspícuas da sociedade fortalezense, haviam se convertido ao Espiritismo. Sobressaindo destes, estava o Tenente-Coronel Francisco de Sá Roriz (1870 – 1925), que fora Chefe de Polícia no governo do Gen. Setembrino de Carvalho, e fundador, em 1916, da Faculdade de Farmácia e Odontologia.
No Rio de Janeiro, juntamente com Ignácio Bittencourt, fundou a “União Espírita Suburbana”; com Arthur Machado, fundou a “Tenda Espírita de Caridade”. Realizou inúmeras conferências públicas no Cine-Teatro Odeon e na Escola Nacional de Música.
Vianna percorreu as principais cidades brasileiras do início do século XX. Em Recife, onde já era grande a sua fama, fundou, com Antônio José Ferreira Lima e Manoel Aarão, a Cruzada Espírita Pernambucana, em 1923. Pregou no Cine-Teatro Polyteama e no Teatro Santa Isabel. Os jornais “A Província” e o “Diário de Pernambuco”, noticiavam que a assistência para ouvi-lo era incalculável e seleta, com pessoas de todas as classes sociais.
Foi ele quem, em 1914, levantou a campanha para evangelização das crianças nos centros espíritas, sugerindo a criação das Aulas de Moral Cristã.
Em 1926, quando servia em Aracaju, adoeceu gravemente, vitimado por um tipo grave de beribéri. Era o Comandante interino do 28.º Batalhão de Caçadores no posto de Major. Diante da gravidade do seu estado de saúde, os médicos resolveram encaminhá-lo para o Hospital de São Sebastião, em Salvador. Foi conduzido de maca até o vapor “Íris”. Nas proximidades da praia de Amaralina, às 6horas 30minutos da manhã, do dia 13 de outubro de 1926, desencarnou a bordo, aos 51 anos.



(*) historiador e presidente da Federação Espírita do Ceará.




[1] Atualmente funciona no local a Federação Espírita do Estado do Ceará.
[2] Ele se refere a um centro espírita legalmente constituído.
[3] Ata de Fundação do Centro Espírita Cearense

Comentários

  1. Li por inteiro. Gostei muito.
    Belo exemplo de dedicação à causa espírita e de coragem no serviço do bem, a nos estimular e fortalecer.
    Expresso meus parabéns ao CANTEIRO DE IDEIAS, que cresce em importância a cada dia, a seu digno criador; e ao Luciano, incansável tarefeiro da memória espírita.

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  2. COMENTÁRIO ACIMA

    Everaldo Mapurunga
    Viçosa do Ceará

    ResponderExcluir
  3. Lia mensagens de Vianna de Carvalho já a alguns anos e sempre me chamou atenção a forma culta, clara e segura com que se expressa. Ao conhecer sua história em conversas com o amigo Luciano e livros publicado pelo mesmo, percebi o quanto é importante conhecer a história deste espírito e divulgá-la, não para massagear egos mais para inspirar comportamentos!!! Ao amigo Luciano um caloroso abraço, aos idealizadores deste espaço parabéns, força e fé, aos leitores boa leitura.

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