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UM MUNDO DAS PESSOAS SEM CORPO




Por Francisco Castro (*)



Vulto do Avô
Vez por outra, na internet, encontramos a publicação de fotos com a intrusão de imagem de pessoas falecidas em fotos de pessoas ainda no corpo físico, portanto, vivas. Às vezes vultos de parentes daquelas pessoas que estão sendo fotografadas, outras vezes de estranhos, mas de pessoas.
A primeira reação de quem vê esse tipo de fenômeno, é de que se trata de alguma brincadeira de alguém próximo, parente ou amigo, mas nunca que seja algo real, verdadeiro. O aparecimento de pessoas adultas em fotos de crianças, ou de crianças em fotos de adultos, tais ocorrências são mais comuns do que se pode imaginar.

Há vários anos temos uma participação em um programa de rádio em nossa cidade, Fortaleza, com duração de sessenta minutos, intitulado Antena Espírita. A grade do programa reserva os últimos quinze minutos para a equipe responder às perguntas dos ouvintes formuladas por telefone, dentre elas, sempre alguém se refere a sonhos com pessoas que já morreram, como se elas estivessem vivas. A pergunta que fazem é: por que essas pessoas aparecem como se estivessem vivas, se elas já estão mortas?
A Jovem Solitária
Recuemos um pouco no tempo, mais ou menos no início da segunda metade do século XIX, nos Estados Unidos e na França, e posteriormente em toda a Europa, começaram aparecer certos fenômenos insólitos, que ficaram conhecidos pelo nome de mesas girantes, porque as mesas saltavam, giravam e corriam.
Inicialmente esses fenômenos foram levados à conta de brincadeiras, mas com o passar do tempo o caráter dessas ocorrências foi tomando uma direção mais séria, na qual as pessoas perceberam que fazendo perguntas às mesas, essas respondiam com muita lógica, e passaram adotar uma espécie de convenção para as respostas, em que, dependendo do número de batidas, significava sim ou não.
Mais adiante alguém sugeriu que se estabelecesse uma espécie de alfabeto, quando as pancadas significavam letras, e assim por diante, percebendo-se também que tais fenômenos só ocorriam na presença de certas pessoas, e que se várias dessas pessoas estivessem reunidas, pela imposição das suas mãos, tais fenômenos se tornavam mais evidentes.
Esses fenômenos atraíram a atenção de muitos curiosos, mas também de alguns estudiosos, especialmente aqueles que se dedicavam ao estudo do magnetismo. Dentre eles, um professor e escritor francês que havia estudado na Suíça, cético o bastante para não acreditar em qualquer coisa, com várias obras publicadas na área da educação, de nome Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869).
Esse professor, convidado a apreciar tais fenômenos, de início os ignorou, mas, com a insistência de pessoas sérias, resolveu apreciá-los mais detidamente, percebendo que as respostas denotavam certa inteligência, e como a matéria bruta não tinha cérebro para pensar, concluiu que naqueles fenômenos deveria haver algo mais, que mereceria uma investigação mais acurada.
O Prof. Rivail, como era conhecido, ao estudar mais detidamente tais fenômenos, mais ou menos pela metade do ano de 1855, depois de algum tempo percebeu que as respostas, ao invés de pancadas, poderiam ser obtidas através da escrita das pessoas que revelavam aquela aptidão especial para a manifestação de tais fenômenos, foi assim que os tais seres, indagados, afirmaram se tratar dos Espíritos de pessoas falecidas, inclusive declinando nomes, lugares e épocas em que viveram e de seus falecimentos.
O Prof. Rivail anotava tudo que observava, foi assim que, gradualmente, chegou a algumas conclusões, como ele mesmo afirma: “Um dos primeiros resultados que colhi das minhas observações foi que os Espíritos, nada mais sendo do que as almas dos homens, não possuíam nem a plena sabedoria, nem a ciência integral. Que o saber de que dispunham se circunscrevia ao grau de adiantamento que haviam alcançado, e que a opinião deles só tinha o valor de uma opinião pessoal.”
As observações do Prof. Rivail continuaram, quando tomava conhecimento de um fenômeno anotava e mais adiante, em outro lugar e através de pessoas diferentes, ele voltava a fazer uma checagem, foi assim que ele chegou a concluir: “o simples fato da comunicação com os Espíritos, dissessem eles o que dissessem, provava a existência de um mundo invisível ambiente. Um segundo ponto, não menos importante que o primeiro, era que aquelas comunicações permitiam que se conhecesse o estado desse mundo, e seus costumes.”

Concluindo ele: “Vi logo que cada Espírito, em virtude da sua posição pessoal e de seus conhecimentos, me desvendava uma face daquele mundo, do mesmo modo que se chega a conhecer o estado de um país, interrogando habitantes seus de todas as classes, não podendo um só, individualmente, informar-nos de tudo.”

Foi assim que, através da continuação de seus estudos e observações, em 18 de abril de 1857 publicou “O Livro dos Espíritos” usando o pseudônimo Allan Kardec, por considerar que não podia usar, como autor, o seu próprio nome, uma vez que os conhecimentos que o livro continha não eram da sua autoria, e sim dos Espíritos que o ditaram.


Esse mundo ambiente invisível, do qual Allan Kardec nos fala no Livro “Obras Póstumas” continua patente entre nós, no qual os nossos parentes e amigos, que já desencarnaram, apenas os seus despojos carnais foram sepultados, mas eles, como Espíritos, continuam vivendo em outra dimensão, no que podemos chamar de um mundo das pessoas sem corpo, aguardando a oportunidade de aqui voltar, através de uma nova existência física, mercê da bondade do Pai, que é Deus, para escrever uma nova história de progresso espiritual, quantas vezes for necessário para o seu adiantamento.

(*) escritor, membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, integrante da equipe do programa Antena Espírita e voluntário do C.E. Grão de Mostarda.

Comentários

  1. Texto escrito de forma objetiva e esclarecedora. A partir de um fato recorrente que intriga as pessoas (flagrantes de desencarnados em registros fotográficos, no tempo real, ao lado de encarnados) o autor remonta às origens da Doutrina Espírita para explicar este fenômeno.

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  2. Obrigado Herbert, por seu comentário sintético mas muito valioso para o autor.

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