Pular para o conteúdo principal

SPP - "SE PARAR, PAROU!"



"A ninguém darei, para agradar, remédio
mortal nem conselho que o conduza à destruição."
(Juramento de Hipócrates - 460/377 a.C)  






            Diminuição dos níveis de oxigênio, desligamento de aparelho e “abandono” de pacientes que sofriam parada cardíaca. A denunciada por essa conduta é a médica-chefe da UTI de uma Instituição Hospitalar em Curitiba, Paraná.
            Segundo profissionais do Hospital ouvidos, essas práticas eram praxe para os pacientes do SUS – Sistema Único de Saúde, em função das baixas diárias recebidas pela equipe médica por internamento. Para estes, era utilizada a senha “SPP – Se parar, parou!.” As enfermeiras já sabiam e não adotavam nenhum procedimento para reanimá-los. Para o paciente particular, a prática era o contrário. Ou seja, prolongava-se no que fosse possível a vida, pois aumentava o número de diárias.
            A análise a que me proponho aqui se restringe, unicamente, ao procedimento induzido pela senha “SPP- Se parar, parou!”, Uma das enfermeiras entrevistadas chegou a afirmar que a “ética médica” não recomenda dizê-la na presença do paciente, o que a médica não observava. Pela declaração, é possível admitir que a sigla seja jargão, utilizado de forma habitual, por profissionais da área de saúde favoráveis à eutanásia.

            É importantíssimo refletir-se sobre esse procedimento médico, vez que, no momento, tramita no Congresso projeta de reforma do Código Penal em que se cogita a legalização da Eutanásia.
            Para alguns, a prática acima não se constitui Eutanásia, considerando-se que não há a consentimento do paciente e nem dos familiares.
            O vocábulo Eutanásia é de origem grega (Eu= boa; thánatos = morte) e significa a “boa morte”; a morte serena e suave; morrer bem. Para alguns, o termo foi criado por Aristóteles. No entanto, foi o filósofo inglês Francis Bacon (1561-1626), que no século XVII, utilizou-o para designar o ato de minorar os sofrimentos de outrem pela antecipação da morte.
            Na obra “Eutanásia – um enfoque espírita”, da lavra do confrade Francisco Cajazeiras, médico, professor universitário e presidente da Associação Médico-Espírita do Ceará, ele classifica como Eutanásia Passiva ou Ortotanásia, a omissão do uso de medicação ou técnica capaz de prolongar a vida do enfermo. Fica óbvio que para se classificar um ato como Eutanásia não há, necessariamente, a permissão do paciente ou de familiares.
            Portanto, o procedimento induzido pela sigla acima citada, em qualquer situação, é Eutanásia.
            Na Holanda, país em que a Eutanásia é legalizada, os idosos fogem para a Alemanha com receio que os parentes ou mesmos os médicos submetam-nos ao procedimento.
            Os médicos justificaram como motivo principal para 60% dos casos de morte antecipada a falta de perspectiva de melhora dos pacientes, vindo em segundo lugar a incapacidade dos familiares de lidar com a situação (32%). A eutanásia ativa (quando se utiliza droga ou método capaz de suprimir a vida) é a causa da morte de quatro mil pessoas por ano na Holanda.
            Quais são os parâmetros utilizados para definir se este ou aquele paciente está fora de recursos terapêuticos? Quem o define e por que o define? O paciente deixa de ser uma pessoa, com uma história de vida, família e passando a ser um corpo aguardando o momento de deixar de existir?
            No capítulo V de “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, indagado da permissão de poupar alguns instantes de agonia de um homem preso a cruéis sofrimentos, o Espírito São Luís responde: “Aliviai os últimos sofrimentos o mais que puderdes, mas guardai-vos de abreviar a vida, mesmo que seja em apenas um minuto, porque esse minuto pode poupar muitas lágrimas no futuro.”          
            As EQMs – Experiências de Quase-Morte, largamente estudada em nossos dias, demonstram que seres dados como clinicamente mortos que passaram por essas experiências, sendo ressuscitadas, retornaram à vida e narraram as lembranças do que se passou nesse intervalo de tempo, o que comprova de forma inegável a continuidade da vida após a morte.
            A maioria desses casos promoveu mudanças consideráveis na forma de condução da vida, após o retorno ao estojo celular, em decorrência das reflexões permitidas frente à constatação da realidade espiritual.
            A Doutrina Espírita é clara na valorização da vida em qualquer situação, seja nas questões atinentes ao aborto, eutanásia, pena de morte ou suicídio.
            Todos nós para adentrarmos na experiência da carne temos um planejamento que deve ser observado até o último segundo da existência física, que se continua na dimensão espiritual, com todas as repercussões vividas na matéria.
            O Meigo Nazareno, segundo o Evangelista João, assim afirmou: "Eu vim para que todos tenham vida e a tenham em abundância"
            A vida nos foi concedida por Deus e somente a Ele cabe extingui-la.

            Não, à Eutanásia!
 
            Sim, à Vida! 




Comentários

  1. Atualmente a Medicina Paliativa trata de dar conforto/qualidade e evitar procedimentos invasivos e inúteis que prolonguem de forma artificial a existência. Essa atitude nada tem a ver com o deixar de oferecer ao enfermo uma fonte de ar, água e alimento(se não for invasivo medicamento) para que a condição orgânica decida o processo do desencarne. A eutanásia, naquele subtipo que define quando a pessoa deve deixar o corpo, não tem nada a ver com a Medicina Paliativa. Roberto Caldas

    ResponderExcluir
  2. SIM À VIDA...

    A vida é um direito de todos os Seres Humanos.
    A prática da eutanásia opõe-se à Vida.
    Logo a eutanásia opõe-se a todos os Seres Humanos.

    A vida nos foi concedida por Deus e somente a Ele cabe extingui-la.

    ResponderExcluir
  3. Ás vezes penso que o homem quando obtém mais conhecimento fica proporcionalmente mais desumano,sem razão ou amor vai caminhando... (pensando ser Deus talvez). A vida é um direito dado por aquele que é a lei,verdade e vida,não temos o direito de extipa-la seja qual for a razão de achar diferente.A nós foi consedido o tempo necessário aqui,e o mesmo será de direito do pai nos chamar a pátria vida!

    ResponderExcluir
  4. Atualmente estou fazendo enfermagem e já ouvi falar do paciente spp, achei um absurdo...falta de respeito com a vida... Só deus tem direito de tira-lá, não socorrer ou reanição é omitir socorro...e crime, vejo que irei me deparar muito com isso e acho q não será fácil,c fosse o seu familiar vc aprovaram o spp,eu não!!!

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

O CALVÁRIO DAS MARIAS: DA RED PILL À INSURREIÇÃO DO ESPÍRITO

      Por Jorge Luiz “Que é mesmo a minha neutralidade senão a maneira cômoda, talvez, mas hipócrita, de esconder minha opção ou meu medo de acusar a injustiça? Lavar as mãos em face da opressão é reforçar o poder do opressor, é optar por ele.” (Paulo Freire)   A Patologia da Simbiose Promíscua Vídeo que circula nas redes sociais mostra a comandante da Guarda Municipal de Fortaleza reunida com outras mulheres, arguindo que há algo de errado no segmento evangélico. Analisando alguns dados estatísticos, ela concluiu que o número de mulheres agredidas dentro da ambiência do lar é de evangélicas. Essas mulheres, ao buscarem ajuda em suas igrejas, são orientadas pelo pastor a não procurarem advogado ou a polícia, e que devem se submeter ao marido, ganhando-o pelo testemunho. A crise é espiritual; portanto, orem! Essa também é a convicção desse mediano escrevinhador. 

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

TRANSFORMAÇÃO SOCIAL

  Por Jerri Almeida A aspiração por uma sociedade mais justa e feliz, esteve presente em vários momentos na história do pensamento ocidental. O humanista inglês Thomas More, ao escrever seu livro A Utopia, no século XVI, imaginou uma ilha aonde seus habitantes viviam felizes, num sistema social justo e sábio, retomando a ideia da república em Platão. Condorcet, no final do século XVIII, havia escrito nas páginas de seu Tableau , dez etapas para o avanço triunfal da humanidade, rumo à ciência, à sabedoria e à felicidade.  Mais tarde, Victor Hugo, em sua magistral obra: Os Miseráveis , de 1862, escreveu: “Cidadãos, o século XIX é grandioso, mas o século XX será feliz [...]. Não se terá mais a temer a fome e a exploração, [...] a miséria, as batalhas e todas as rapinagens do acaso na floresta dos acontecimentos. Poder-se-ia quase dizer: não haverá mais acontecimentos. Seremos felizes.[...]”. Havia um imaginário, um otimismo literário no tocante aos avanços e promessas de um mundo...

TERRA: MUNDO DE PROVAS E EXPIAÇÕES

Questão 1018 (O Livro dos Espíritos) – Jamais o reino do bem poderá ter lugar sobre a Terra? Resposta: O bem reinará sobre a Terra quando, entre os Espíritos que vêm habitá-la, os bons vencerem sobre os maus. Os sofrimentos existentes no planeta Terra são devidos às imperfeições morais dos seres, encarnados e desencarnados, que nela habitam. Embora com a intelectualidade até certo ponto desenvolvida e apurada, as criaturas humanas que aqui se encontram, na sua maioria, estão com a moral atrofiada pelas paixões inferiores alimentadas pelo orgulho, pelo egoísmo e pela vaidade, sentimentos estes precursores de todas as desgraças humanas. A iniquidade reinante no globo terrestre não pode ser ignorada pois, em todos os recantos do mundo, ela é visível e concreta. Não duvidamos que a Lei do Progresso é uma lei natural, emanada de Deus e, por isso mesmo, imutável atingindo a tudo e a todos. É certo também que o progresso intelectual precede ao progresso moral, possibilit...

UM POUCO DE CHICO XAVIER POR SUELY CALDAS SCHUBERT - PARTE II

  6. Sobre o livro Testemunhos de Chico Xavier, quando e como a senhora contou para ele do que estava escrevendo sobre as cartas?   Quando em 1980, eu lancei o meu livro Obsessão/Desobsessão, pela FEB, o presidente era Francisco Thiesen, e nós ficamos muito amigos. Como a FEB aprovou o meu primeiro livro, Thiesen teve a ideia de me convidar para escrever os comentários da correspondência do Chico. O Thiesen me convidou para ir à FEB para me apresentar uma proposta. Era uma pequena reunião, na qual estavam presentes, além dele, o Juvanir de Souza e o Zeus Wantuil. Fiquei ciente que me convidavam para escrever um livro com os comentários da correspondência entre Chico Xavier e o então presidente da FEB, Wantuil de Freitas 5, desencarnado há bem tempo, pai do Zeus Wantuil, que ali estava presente. Zeus, cuidadosamente, catalogou aquelas cartas e conseguiu fazer delas um conjunto bem completo no formato de uma apostila, que, então, me entregaram.

OS ESPÍRITAS E OS GASPARETTOS

“Não tenho a menor pretensão de falar para quem não quer me ouvir. Não vou perder meu tempo. Não vou dar pérolas aos porcos.” (Zíbia Gaspareto) “Às vezes estamos tão separados, ao ponto de uma autoridade religiosa, de um outro culto dizer: “Os espíritas do Brasil conseguiram um prodígio:   conseguiram ser inimigos íntimos.” ¹ (Chico Xavier )                            Li com interesse a reportagem publicada na revista Isto É , de 30 de maio de 2013, sobre a matéria de capa intitulada “O Império Espírita de Zíbia Gasparetto”. (leia matéria na íntegra)             A começar pelo título inapropriado já que a entrevistada confessou não ter religião e autodenominou-se ex-espírita , a matéria trouxe poucas novidades dos eventos anteriores. Afora o movimento financeiro e ...

"FOGO FÁTUO" E "DUPLO ETÉRICO" - O QUE É ISSO?

  Um amigo indagou-me o que era “fogo fátuo” e “duplo etérico”. Respondi-lhe que uma das opiniões que se defende sobre o “fogo fátuo”, acena para a emanação “ectoplásmica” de um cadáver que, à noite ou no escuro, é visível, pela luminosidade provocada com a queima do fósforo “ectoplásmico” em presença do oxigênio atmosférico. Essa tese tenta demonstrar que um “cadáver” de um animal pode liberar “ectoplasma”. Outra explicação encontramos no dicionarista laico, definindo o “fogo fátuo” como uma fosforescência produzida por emanações de gases dos cadáveres em putrefação[1], ou uma labareda tênue e fugidia produzida pela combustão espontânea do metano e de outros gases inflamáveis que se evola dos pântanos e dos lugares onde se encontram matérias animais em decomposição. Ou, ainda, a inflamação espontânea do gás dos pântanos (fosfina), resultante da decomposição de seres vivos: plantas e animais típicos do ambiente.

COMPULSÃO SEXUAL E ESPIRITISMO

  Certamente, na quase totalidade dos distúrbios na área da sexualidade, a presença da espiritualidade refratária à luz está presente ativamente, participando como causa ou mesmo coadjuvante do processo. O Livro dos Espíritos, na questão 567, é bem claro, ensinando-nos que espíritos vulgares se imiscuem em nossos prazeres porquanto estão incessantemente ao nosso redor, tomando parte ativamente naquilo que fazemos, segundo a faixa vibratória na qual nos encontramos. Realmente, na compulsão sexual ou ninfomania, a atuação deletéria de seres espirituais não esclarecidos é atuante, apresentando-se como verdadeiros vampiros, sugando as energias vitais dos doentes. O excelso sistematizador da Doutrina Espírita, Allan Kardec, em A Gênese, capítulo 14, define a obsessão como "(...) a ação persistente que um mau espírito exerce sobre um indivíduo". Diz, igualmente, que "ela apresenta características muito diferentes, que vão desde a simples influência moral, sem sin...

FILOSOFIA DE VIDA

  Por Doris Gandres Deolindo Amorim, renomado espírita, em seu livro O Espiritismo e os Problemas Humanos, capítulo Definição e Opção, afirma que: “O Espiritismo é, para nós, uma filosofia de vida, não é simplesmente uma crença”.   E continua afirmando, no capítulo Entre Deus e César, que: “o pensamento social da doutrina espírita ainda não foi descoberto em sua plenitude”; e ainda que: “a doutrina espírita nunca esteve e não está à margem dos problemas humanos.” (1) Essa visão clara do pensamento e do aspecto social do Espiritismo deve ser, ou deveria ser, de suma importância para o espírita. E, certamente, quando se lê inteiramente esses capítulos, percebe-se nitidamente que Deolindo não está se referindo ao assistencialismo, lamentavelmente ainda necessário e largamente praticado por vários segmentos religiosos e laicos. Ele se refere à questão social propriamente dita, que abrange a situação e a condição de vida das criaturas; aquela que se debruça sobre os problemas...