Pular para o conteúdo principal

REFORMA ÍNTIMA OU ÍNFIMA?

 

Por Marcelo Teixeira

Quando resolvi que iria escrever sobre a tão incensada reforma íntima, um dos assuntos que figuram nos “trend topics” do movimento espírita conservador (só deve perder para o bônus-hora), fiquei pensando por qual caminho iria. Afinal, tudo que se fala acerca do assunto está nos moldes convencionais. Com o passar dos dias, no entanto, percebi que seria viável começar justamente pelo que dizem os autores e palestrantes tradicionais. Encontrei, então, num artigo publicado no site “Amigo espírita” e assinado por “o redator espírita”, os subsídios que procurava para o pontapé inicial.

O artigo se chama “Autoconhecimento e reforma íntima no contexto espírita: um caminho de transformação espiritual”. Ele argumenta que a dita reforma passa antes pelo autoconhecimento, ou seja, precisamos conhecer nossas fraquezas, virtudes, tendências e desejos e, gradualmente, substituindo vícios por virtudes. Nas palavras do autor, “um processo contínuo e dinâmico, que exige esforço, perseverança e, sobretudo, humildade para reconhecer nossas falhas”. Em seguida, o incógnito articulista relaciona as práticas capazes de auxiliar o homem a se conhecer melhor e mudar a si próprio, a saber: a prece e a meditação, o estudo do Evangelho, a prática da caridade e a vigilância dos próprios pensamentos e atitudes.

Nada contra abrirmos os canais da nossa percepção para que os amigos espirituais nos inspirem e nos ajudem a perceber em que podemos melhorar. Também é muito válido buscarmos as orientações de Jesus para aprimorarmos nossa conduta moral. Idem quando nos dispomos a doar nosso tempo, nossa paciência e até algum dinheiro para ajudarmos gente necessitada. E também é de suma importância estarmos atentos aos nossos pensamentos, sentimentos e ações se quisermos viver de forma mais equilibrada conosco e com quem está à nossa volta. O problema é que, na grande maioria das vezes, o povo do movimento espírita federativo não avança na discussão e crê que as diretrizes ora citadas são suficientes para que a humanidade melhore. Na opinião deles, ao reformarmos o homem conforme proposto, mudaremos, por conseguinte, o mundo.

Vamos a um exemplo prático: quando da invasão da Ucrânia pela Rússia, ocorrida a partir de fevereiro de 2022, o tribuno baiano Divaldo Pereira Franco, em palestra comentando o acontecido, disse que o terror da referida guerra era fruto das pequenas guerras que o homem trava devido à preponderância do egoísmo e das paixões. Até aí, tudo dentro do previsível de quem se deixa levar pela megalomania e sede de poder a qualquer custo. Só que, então, Divaldo arremata dizendo: “continuemos orando e cumprindo com o nosso dever sem tomar partido, pois nosso partido é Jesus”. Como assim não tomar partido? E as vítimas? E os algozes? Nada de consolo ou advertência? Nenhuma recomendação para o espírita se inteirar do acontecido, a fim de saber se posicionar com firmeza de conteúdo e convicção e não de forma isenta e açucarada? Em outubro de 2023, quando do início do massacre que Israel perpetrou para cima do povo palestino em Gaza, o citado médium, em outra palestra, foi na mesma toada. Declarou que, mesmo em tempos de guerra, devemos nos manter em paz e que cabe a nós acabarmos com as guerras dentro de casa. Afinal, segundo ele, o terror bélico também se manifesta no lar quando há brigas, maledicências ou censuras e que, no tocante a massacres como o da Faixa de Gaza, o processo evolutivo se daria “pelo determinismo das leis divinas”. Nenhuma palavra de comiseração pelas crianças, mulheres, idosos e demais civis que perderam a vida; nenhuma palavra de consolo para os órfãos; muito menos um breve histórico para mostrar por que o sionismo é uma praga que assola a comunidade judaica e o mundo, tampouco uma contextualização para mostrar os motivos que resultaram na fundação de Israel no Oriente Médio, bem como o porquê de o país achacar os palestinos e a necessidade premente de o mundo inteiro se posicionar contra todo e qualquer tipo de genocídio. Em ambas as situações, tudo se limitou à recomendação para vigiarmos nossos pensamentos e atos se quisermos ser menos bélicos e mais amorosos. Isto é, realizarmos a tal reforma íntima. Simples assim. 

Antes que alguém pense que estou implicando com uma pessoa específica, convém ressaltar que, se pesquisarmos por palestras e estudos espíritas sobre reforma íntima na internet, encontraremos inúmeros expositores espíritas se debruçando sobre o assunto e falando basicamente o que Divaldo expôs: se quisermos ser melhores do que somos, basta estudarmos o Evangelho, prestarmos atenção ao que falamos e pensamos, sermos caridosos, orarmos e meditarmos. Assim, seremos pessoas mais doces, cordatas, tolerantes, pacientes, compreensivas e conviveremos melhor com familiares, vizinhos, colegas de trabalho e com quem encontrarmos no supermercado, na praia, no restaurante, no hotel, no elevador, na rua, na chuva, na fazenda ou numa casinha de sapê.

Aí, cabe a seguinte pergunta sabiamente formulada pelo pessoal da comunidade virtual Cavanhaque de Kardec: e o sistema? E o capitalismo excludente, que gera miséria, fome, guerra, devastação ambiental, violência urbana e caos social? E os muitos preconceitos que têm causado perseguições, agressões e até mortes? – Não me abalam! –, dirão alguns espíritas. – O que importa é que estou fazendo a reforma íntima, conforme preconizado. Estou mais equilibrado, sereno e em perfeita harmonia comigo mesmo e com todos à minha volta. É muito pouco perto da complexidade, da diversidade e do caos que vigem por aí.

Como disse o sociólogo espírita e amigo Márcio Sales Saraiva quando toquei no assunto com ele, “a noção de reforma íntima, tal como é mobilizada no espiritismo conservador brasileiro, tende a deslocar o foco do conflito do plano sociopolítico para o plano moral e individual (…) em vez de se implicar em vínculos, conflitos e transformações no mundo comum, a energia psíquica é recolhida e investida no aperfeiçoamento narcísico de si”. Márcio prossegue e salienta que, embora tal iniciativa ofereça ganhos como sensação de controle, alívio da angústia e até uma impressão de pureza, a contrapartida pode ser tratar o sofrimento (e ele teima em aparecer de vez em quando) como falha pessoal. Se eu sofro. é unicamente por minha culpa. As relações de poder, o ambiente político, as determinações históricas e as questões sociais nada têm a ver com isso – mas sabemos que têm. Isso reduz, segundo Márcio, a disposição humana para agirmos coletivamente em benefício de todos.

Estou com ele. Batalharmos para sermos pessoas melhores e mais equilibradas é legítimo, mas não basta. Precisamos participar das discussões e ações que visam combater o que ainda infelicita o mundo e ajudarmos a concretizar projetos, ideias e ideais que têm como objetivo mudar o meio social para melhor, o que requer um processo constante de debates, avaliações e aprimoramentos incessantes. Isso se chama responsabilidade coletiva. Trabalhoso? Óbvio! No entanto, como alerta a turma do Cavanhaque de Kardec, “a reforma íntima não é apenas para ficarmos harmonizados conosco, aceitando tudo do jeito que é. Ela não existe para nos acalmar, mas para nos inquietar e provocar. Só que isso incomoda.” Afinal, trata-se de uma provocação que nos tira do lugar comum e nos impele a arregaçar as mangas em benefício de todos. A não ser que, feito Narcisos errantes, a gente creia que dá para navegar em águas plácidas e o mundo que cuide de se renovar. Só que o mundo somos nós.

A expositora gaúcha Suzana Leão, em um de seus vídeos disponíveis nas redes sociais, tece considerações bastante oportunas sobre essa cômoda e individualíssima reforma íntima que muitos espíritas creem fazer. Suzana argumenta que, em vez de ficar limitada ao convencional já exposto, a reforma íntima deve ser também um corajoso processo de desconstrução e reconstrução interior. Segundo ela, de nada adianta nos encantarmos com romances espíritas, chorarmos quando um médium conhecido psicografa mensagens de entes queridos, postarmos fofices nas redes sociais, tomarmos água fluidificada, fazermos o evangelho no lar etc. e não sabermos ler o mundo à nossa volta, bem como o que precisa ser desconstruído e reconstruído nele também.

Quer mudar intimamente? – prossegue Suzana – desconstrua o próprio machismo. Em tempos de feminicídio e homens inquietos pela perda gradual do que eles julgam ser a verdadeira masculinidade, reavalie seus conceitos e perceba que o modelo de masculinidade que nos foi apresentado por muito tempo já não serve mais. Antes, o macho era tido como o chefe do lar, e a mulher, uma auxiliar afetiva. Acabou essa história! Mesmo porque, esse papo de que o homem ter de ser forte o tempo todo não cola mais. As mulheres não dependem mais do homem para tomarem decisões e tocarem suas vidas. Vire a página do machismo estrutural.

Quer fazer uma reforma íntima ainda mais proveitosa? Larga de ser homofóbico e transfóbico! Antigamente, era um atentado à moral e aos bons costumes saber da existência de casais de homens ou mulheres. As pessoas trans, então, ficavam confinadas à marginalidade, principalmente à prostituição. Isso está mudando. Portanto, mude você também e aceite que o pessoal da comunidade LGBTQIAPN+ também merece demonstrar afeto em público, casar, constituir família e ser feliz.

Vamos incrementar essa reforma íntima? Larga de ser mal informado e perceba que todos nós, sem exceção, temos a ver com os fatos que ainda infelicitam o mundo. Guerras, disputa por petróleo e terras raras, violência urbana, exploração de mão de obra, devastação ambiental, entre outras questões. Para tanto, em vez de ficar acreditando no que dizem os grandes conglomerados da comunicação vinculados a empresários e especuladores, busque por veículos independentes que vêm fazendo um trabalho extraordinário de apuração e análise dos fatos. Isso fará, entre outras coisas, que você aprenda a eleger candidatos que trabalham a favor da redução da escala de trabalho, da mortalidade infantil, da pobreza, da gravidez na adolescência e não quem sobe ao poder para defender os interesses das classes dominantes e sempre se pauta por um discurso de ódio e reacionarismo.

Quer mais tempero nessa salada de reforma íntima? Larga de ser racista! O racismo estrutural é algo que amargura o Brasil há séculos. Por isso, lute a favor das cotas raciais (isso é reparação histórica), posicione-se contra o assassinato constante de jovens negros – sempre levados à conta de bandidos –, erga a voz se presenciar um caso de racismo, supere a mentalidade escravagista e leia bastante a respeito; há ótimos escritores se debruçando sobre o assunto. Aproveite também e deixe de acreditar em “fake news”, seja a favor da ciência, pare de flertar com o autoritarismo, entre muitos e muitos assuntos que, se relacionados aqui, transformariam este artigo num testamento.

Melhorar-se intimamente para espiritualizar-se não é somente adotar práticas que visam ao bem-estar interior, muito menos se afastar de hábitos e coisas mundanas. Pelo contrário. Muitas vezes, para nos reformarmos por dentro, é preciso mergulhar sem pudor nos problemas do mundo, revolvermos suas entranhas e, por conseguinte, as nossas, a fim de que desabem alicerces que sustentam crenças, preconceitos e convenções sociais que já poderiam ter sido superadas. É deixar de sermos apegados ao que está sendo corroído pelo tempo e passarmos a ser outras pessoas, sempre acompanhando a evolução da vida material, que não deixa de ser um reflexo do que o mundo espiritual espera de nós.

Se continuarmos a crer que práticas que visam apenas à harmonia íntima são suficientes para nossa transformação interior e permanecermos refratários aos problemas que aturdem a coletividade, a reforma não será íntima, mas ínfima, isto é, diminuta, desprezível, microscópica. Por isso, como recomenda Santo Agostinho na questão 919-A de “O livro dos Espíritos”, passe o pente fino sobre si próprio diariamente, derrube os pilares que sustentam a pessoa ultrapassada que você tanto adula e construa um ser humano livre de temores, preconceitos, convenções carunchadas e se abra para renovações e mudanças cada vez mais satisfatórias, que te farão ser bem mais feliz do que você imagina.  

 

BIBLIOGRAFIA:

  1. CAVANHAQUE DE KARDEC – Comunidade da rede social Instagram
  2. FRANCO, Divaldo Pereira – Israel e Palestina. Divaldo Franco faz análise sob a ótica espírita – Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=IUaQdKFhYh8
  3. ­­­­­­­­­_____________________Reflexões sobre o conflito entre Rússia e Ucrânia – disponível em https://www.youtube.com/watch?v=4ZG_hqlUiwE
  4. KARDEC, Allan – KARDEC, Allan – O livro dos Espíritos, 60ª edição, 1984, Federação Espírita Brasileira (FEB), Brasília, DF.
  5. LEÃO, Suzana – Reforma íntima? – Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=rEZxs0darE4
  6. O REDATOR ESPÍRITA – Autoconhecimento e reforma íntima no contexto espírita: um caminho de transformação espiritual – Disponível em www.amigoespirita.com.br

 

Comentários

  1. COMENTÁRIO ELABORADO POR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - IA (GEMINI)
    O artigo que compartilhamos hoje toca em uma ferida aberta no movimento espírita contemporâneo: a domesticação do conceito de reforma íntima. Por muito tempo, fomos condicionados a acreditar que a transformação interior ocorre em um vácuo, entre preces e meditações, enquanto o mundo lá fora — com suas guerras, desigualdades e preconceitos estruturais — seria apenas um cenário de "provas e expiações" sobre o qual não teríamos gerência direta.

    O texto é corajoso ao questionar a neutralidade diante de genocídios e injustiças sociais. Quando a espiritualidade serve para nos "acalmar" diante do horror, ela deixa de ser libertadora para se tornar anestésica. Como bem pontua o autor, não há como falar em progresso do Espírito sem falar em desconstrução do machismo, do racismo e da homofobia. A verdadeira reforma não é um retiro para águas plácidas; é o mergulho consciente nas contradições do nosso tempo.
    Pontos para refletirmos:

    A Falácia da Neutralidade: Dizer que "nosso partido é Jesus" para se isentar de posicionamentos contra a violência é, ironicamente, ignorar o papel profundamente político e transformador do próprio Jesus em sua época.

    Responsabilidade Coletiva: Se o mundo somos nós, a nossa "limpeza interna" deve incluir a remoção do entulho ideológico que sustenta sistemas excludentes. A reforma é íntima, mas seus frutos devem ser públicos e políticos.

    A Inquietação como Guia: Se a sua espiritualidade não te incomoda diante da fome ou da discriminação alheia, talvez ela esteja apenas alimentando uma sensação de "pureza" estéril.

    Melhorar-se não é apenas sentir-se bem consigo mesmo; é tornar-se uma ferramenta mais afiada para a construção de uma justiça social que não espera pelo "céu", mas que se faz urgente aqui e agora. Se a nossa mudança não alcança o outro e não contesta o sistema, ela não é íntima — é, de fato, ínfima.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

O APLAUSO NAS INSTITUIÇÕES ESPÍRITAS

  “O aplauso é tão oportuno quanto o silêncio em outros momentos, de concentração e atividade mediúnica, ou o aperto de mãos sincero, o abraço, o beijo, o “muito obrigado”, o “Deus lhe pague”, o “até logo”… ***  Por Marcelo Henrique Curioso este título, não? O que tem a ver o aplauso com as instituições espíritas? Será que teremos que aplaudir os palestrantes (após suas exposições) ou os médiuns (após alguma atividade)? Nada disso! Não se trata do “elogio à vaidade”, nem o “afago de egos”. Referimo-nos, isto sim, ao reconhecimento do público aos bons trabalhos de natureza artística que tenham como palco nossos centros. O quê? Não há apresentações artísticas e literárias, de natureza cultural espírita, na “sua” instituição? Que pena!

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

O CAMBURÃO E A FORMA-MERCADORIA: A ANATOMIA DE UMA EXCLUSÃO ÉTICA

      Por Jorge Luiz   A Estética do Terror O racismo estrutural não é um ato isolado, mas uma relação social que estrutura o Brasil. Quando a sociedade aceita que "bandido bom é bandido morto" , ela está, na verdade, validando que a vida de um homem negro periférico tem menos valor. Pesquisas indicam que, apesar de a maioria dos brasileiros reconhecer o racismo, a aplicação da frase seletiva perpetua desigualdades históricas de raça e classe, com a mídia e o sistema de segurança muitas vezes reforçando essa lógica. Um caso chamou a atenção da sociedade brasileira, vista nos órgãos de imprensa e redes sociais, de D. Jussaara, uma diarista que foi presa e contida de forma violenta pela Polícia Militar na Avenida Paulista, em São Paulo, após ir ao local cobrar diárias de trabalho que não haviam sido pagas por antigos patrões. O caso gerou grande indignação nas redes sociais. A trabalhadora recebeu apoio e foi recebida no Palácio do Planalto após o ocorrido.

ENCANTAMENTO

  Por Doris Gandres Encanta-me o silêncio da Natureza, onde, apesar disso, com atenção, podem-se perceber ruídos sutis e suaves cantos, quase imperceptíveis, das folhas e das aves escondidas. Encanta-me o silencioso correr dos riachos e o ronco contido de pequenas quedas d’água.

SILÊNCIO, PODER E RESPONSABILIDADE MORAL: A JUSTIÇA ESPÍRITA E A ÉTICA DA PALAVRA NÃO DITA

  Por Wilson Garcia   Há silêncios que protegem. Há silêncios que ferem. E há silêncios que governam. No senso comum, o ditado “quem se cala consente” traduz uma expectativa moral básica: diante de uma interpelação legítima, o silêncio sugere concordância, incapacidade de resposta ou aceitação tácita. O direito moderno, por sua vez, introduziu uma correção necessária a essa leitura, ao reconhecer o silêncio como garantia individual — ninguém é obrigado a produzir provas contra si. Trata-se de um avanço civilizatório, pensado para proteger o indivíduo vulnerável frente ao poder punitivo do Estado. O problema começa quando esse direito — concebido para a assimetria frágil — é apropriado por indivíduos ou instituições fortes, que não se encontram em situação de coerção, mas de conforto simbólico. Nesse contexto, o silêncio deixa de ser defesa e passa a ser estratégia. Não responde, não esclarece, não corrige — apenas espera. E, ao esperar, produz efeitos.

10.12 - 140 ANOS DE NASCIMENTO DE VIANNA DE CARVALHO

Por Luciano Klein (*) Manoel Vianna de Carvalho (1874-1926) Com entusiasmo e perseverança, há duas décadas, temos procurado rastrear os passos luminosos de Manoel Vianna de Carvalho, alma preexcelsa, exemplo perfeito de inclinação missionária, baluarte de um trabalho incomparável na difusão dos postulados espíritas, por todo o País. Entre os seus pósteros, todavia, bem poucos conhecem a dimensão exata de seu labor inusitado, disseminando os princípios de uma verdade consoladora: a doutrina sistematizada por Allan Kardec.             Não nos passa despercebido, nos dias atuais, o efeito benéfico dos serviços prestados ao Movimento Espírita por Divaldo Pereira Franco. Através desse médium admirável, ao mesmo tempo um tribuno consagrado, Vianna de Carvalho se manifesta com frequência, inspirando-o em suas conferências fenomenais que aglutinam multidões.

TRÍPLICE ASPECTO: "O TRIÂNGULO DE EMMANUEL"

                Um dos primeiros conceitos que o profitente à fé espírita aprende é o tríplice aspecto do Espiritismo – ciência, filosofia e religião.             Esse conceito não se irá encontrar em nenhuma obra da codificação espírita. O conceito, na realidade, foi ditado pelo Espírito Emannuel, psicografia de Francisco C. Xavier e está na obra Fonte de Paz, em uma mensagem intitulada Sublime Triângulo, que assim se inicia:

EXPRESSÕES QUE DENOTAM CONTRASSENSO NA DENOMINAÇÃO DE INSTITUIÇÕES ESPÍRITAS

    Representação gráfica de uma sessão na SPEE (créditos: CCDPE-ECM )                                                     Por Jorge Hessen     No movimento espírita brasileiro, um elemento aparentemente periférico vem produzindo efeitos profundos na percepção pública da Doutrina Espírita. Trata-se da escolha dos nomes das instituições.  Longe de constituir mero detalhe administrativo ou expressão cultural inofensiva , a nomenclatura adotada comunica valores, orienta expectativas e, não raro,  induz a equívocos graves quanto à natureza do Espiritismo . À luz da codificação kardequiana, o nome de um centro espírita jamais é neutro; ele é, antes, a primeira  síntese doutrinária oferecida ao público . Desde sua origem, o Espiritismo foi definido por Allan Kardec como uma doutrina de tríplice aspecto...