Pular para o conteúdo principal

PUREZA ENGESSADA

 

Por Marcelo Teixeira

Era o ano de 2010, a Cia. de teatro da qual Luís Estêvão faz parte iria apresentar, na capital de seu Estado, uma peça teatral que estava sendo muito elogiada. Várias cidades de dois Estados já haviam assistido e aplaudido a comovente história de perdão e redenção à luz dos ensinamentos espíritas.

A peça estreara dez anos antes. Desde então, teatros lotados. Gente espírita e não espírita aplaudindo e se emocionando. E com a aprovação de gente conhecida no movimento espírita! Pessoas com anos de estrada que, inclusive, deram depoimento elogiando o trabalho da Cia. teatral.

Por isso, munido de grande entusiasmo e de farto material de divulgação, Luís Estêvão se preparava para ir aos centros espíritas da região onde a peça seria apresentada.

Como ele não conseguiria percorrer todos os centros da área, pensou em enviar o material por correio e com uma carta explicando o teor da peça. De um dos centros, recebeu uma mensagem dizendo que a peça, antes de ser divulgada, teria o material submetido à apreciação dos titulares na próxima reunião de diretoria, que aconteceria em meados do mês seguinte. Luís argumentou que, até lá, a temporada que fariam – três finais de semana seguidos – já estaria na reta final. Acrescentou, ainda, que se tratava de um grupo proveniente de um centro espírita com mais de 60 anos e que ele tinha, à época, 20 anos de Espiritismo e que era cria de pessoas conhecidas do movimento espírita. Em vão. A aprovação para divulgar o trabalho só viria depois da análise do baixo clero daquela instituição. Luís Estêvão disse para a pessoa esquecer o assunto. E como deduziu que talvez enfrentasse o mesmo problema em outros centros caso enviasse o material por correio, resolveu que daria atenção às instituições onde conseguiria ir pessoalmente.

Em várias, foi muito bem recebido. Identificou-se e divulgou o trabalho à vontade. Em outros centros, foi tratado com ressalvas. Ele poderia somente distribuir os panfletos no saguão do centro espírita. Já em outros, recebeu autorização somente para deixar as filipetas em cima do balcão de informações, mas não poderia dar um pio. E houve também centros em que foi tratado como intruso. Não poderia divulgar nada lá dentro e pronto! Para esses, disse cordialmente que iria para a porta do centro, na calçada. Afinal, a rua é pública. Nela, ninguém da diretoria poderia incomodá-lo. E lá foi ele panfletar e falar em alto e bom som o nome e o teor da peça. Resultado: sessões lotadas, apesar do gesso que muitos espíritas insistem em envolver a si próprios e as casas que dirigem.

Luís ficou surpreso com a recepção fria que teve em algumas instituições espíritas. Esperava um misto de fraternidade, acolhimento, entusiasmo e alegria cristã. Não foi o que sempre aconteceu.

O mais gritante episódio ocorreu, no entanto, quando Luís recebeu o telefonema de Ivo, jovem de outra cidade. Ivo havia ouvido falar da Cia. de teatro e queria informações, trocar experiências etc. Conversa vai, conversa vem, Luís falou da possibilidade de apresentarem a peça em sua cidade. Ivo, então, reiterou que, se a apresentação fosse num dos centros espíritas locais, o texto teria de ser enviado antes para análise da diretoria. Luís ficou bem chateado. Retrucou que preferia, como de hábito, apresentar a peça num local público e fazer a divulgação na calçada, caso os centros espíritas não concordassem em ajudá-lo. Outro baixo clero dando uma de censor, e para cima de uma peça teatral consagrada, com mais de dez anos de estrada, era um pouco demais para ele.

A história de Luís Estêvão nos leva a concluir que deve haver centros espíritas que se julgam os únicos portadores do verdadeiro Espiritismo. Qualquer pessoa ou trabalho espírita que venha de outro local é visto como um alienígena que precisa, antes, ser submetido à apreciação das supremas autoridades em Doutrina Espírita que só esse ou aquele centro possui. É a tal da pureza doutrinária, termo que incomoda a mim e a muitos amigos espíritas. Em nome dela, profitentes da mesma religião, em vez de cooperarem uns com os outros, atrapalham-se porque desconfiam uns da procedência dos outros. Pureza engessada, portanto.

Acho prejudicial esse tipo de mentalidade. Afinal, se um palestrante ou grupo artístico de Belo Horizonte, por exemplo, é impedido de divulgar seu trabalho nos centros espíritas de, vamos supor, Curitiba, onde irá se apresentar, a quem ele recorrerá, além dos veículos de comunicação locais? Às igrejas católicas? Aos templos evangélicos? Claro que recorrerá aos grupos espíritas, desde que esses não coloquem barreira por desconfiarem da qualidade doutrinária do que será apresentado. Se nós não nos ajudarmos, quem nos ajudará?

Quando Bárbara, escritora e palestrante espírita, publicou o primeiro livro, Mercedes e Edson, casal de amigos de outra cidade, sugeriram ao presidente do centro do qual fazem parte que a chamassem para uma palestra e sessão de autógrafos. A resposta foi negativa. Alegação: – Ah, ninguém conhece ela. Ué? Então passe a conhecer! Não só a ela, mas a outros tantos companheiros de ideal que estão desenvolvendo trabalhos interessantes, mas não são chamados para ir ali ou aqui porque o baixo clero do local, guardião absoluto da pureza doutrinária engessada, não conhece A, B ou C. Mas como não quer se dar ao trabalho de conhecer, alega que ninguém conhece. Transfere-se um preconceito individual para um pronome indefinido chamado ninguém.

Poucos antes de publicar o livro primogênito, Bárbara já havia feito palestra em um centro da mesma cidade. Depois que o livro saiu, os convites espocaram. Ela já foi, inclusive, divulgar sua obra em outros estados. Nunca mais soube se Edson e Mercedes tentaram emplacar o nome dela no centro que frequentam. Mas provavelmente a resposta deve ser a mesma ainda: – Ah, ninguém conhece ela.

Ser escritor espírita é, aliás, um bom ensejo para constatar como esse ardor em defender a suposta pureza doutrinária vem engessando o movimento espírita.

Joel, outro escritor, comentou comigo que, há um tempo, um clube do livro espírita encomendou 500 exemplares de um de seus títulos. Além disso, outro livro dele estava sendo analisado pelo mesmo clube para, posteriormente, ser oferecido aos sócios. Joel ficou feliz com a notícia. Escritores querem ser lidos, comentados etc. Logo depois, ele ficou sabendo que um grande centro espírita estava pensando em convidá-lo para um café literário. É uma atividade regular que a instituição realiza. Só que, antes de formalizarem o convite, estavam analisando seus livros. Joel ficou feliz novamente pelo interesse em sua obra. Só que veio junto uma ponta de incômodo. Será que o fato de ele ter anos de movimento espírita, quatro obras publicadas até agora e por uma editora conceituada não são elementos suficientes para referendar sua produção literária? Para que submetê-la a tantas análises? Será que o clube do livro e o centro do café literário não confiam no que a editora dele – muito séria, por sinal – publica? Para que tanta filtragem assim? Será que o Espiritismo dele é incompatível com o Espiritismo alheio? Mas não é tudo Doutrina Espírita?

Sei que deve haver cuidado devido ao fato de muitos escritores que se dizem espíritas estarem publicando obras com erros doutrinários. Em contrapartida, não acho de bom tom desconfiarmos de tudo e de todos, inclusive de editoras que há anos primam por um trabalho sério e cuidadoso. Esse excesso de zelo pode transformar todos nós em donos da verdade espírita, a ponto de Joãozinho achar que só ele e o pessoal do centro dele entendem de Doutrina Espírita e, em nome da tal pureza, dificultarem o trabalho de espíritas de outras regiões devido a desconfianças infundadas.

Termino esse capitulo com uma história que meu amigo Sidney Aride, de Nova Iguaçu (RJ), me contou. Um confrade dele, a quem chamarei de Ciro, mudou-se para outra cidade por questões de trabalho. Lá chegando, procurou um centro espírita e se apresentou. Disse que vinha de Nova Iguaçu, onde frequentava a instituição espírita XYZ há 15 anos, exercendo tarefas como aplicador de passes, palestrante e evangelizador de mocidade. Mandaram-no se matricular no Estudo Sistematizado da Doutrina Espírita (Esde), curso de três anos voltado para quem está começando no movimento espírita.

De nada adiantou Ciro dizer que já havia feito o Esde, tampouco sua folha corrida. Naquele centro, para trabalhar, só depois de fazer o Esde. Ciro achou melhor procurar um centro de mentalidade mais aberta, onde foi aceito sem engessamentos e está até hoje.

Sei que às vezes é complicado aceitar de cara alguém que já chega pronto. Mas creio que, num caso desses, o dirigente deveria pedir algumas referências a Ciro, checá-las e, tão logo confirmada a procedência, integrá-lo aos poucos às atividades do local. Bem melhor do que vê-lo como um intruso a ser tratado como iniciante porque teve a petulância de querer saber tanto de Espiritismo quanto os habitantes locais. E bem melhor do que, em nome da pureza doutrinária (e engessada), jogar um balde de água fria em alguém de primeira linha que chega para somar.

Comentários

  1. COMENTÁRIO ELABORADO PELA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - IA (GEMINI)
    O artigo aborda de forma perspicaz e crítica a rigidez, o exclusivismo e o excesso de zelo (chamado de "pureza doutrinária engessada" e "baixo clero") que, por vezes, se manifestam em centros espíritas, dificultando a divulgação de trabalhos artísticos e literários de qualidade, mesmo quando oriundos de espíritas experientes e com histórico sério.

    Através de exemplos vívidos (o teatrólogo Luís Estêvão, a escritora Bárbara e o confrade Ciro), o texto expõe a mentalidade de desconfiança e de "donos da verdade" que leva algumas instituições a agirem como censura, exigindo análises desnecessárias e impedindo a cooperação e a fraternidade no movimento.

    O comentário finaliza com uma reflexão poderosa sobre a necessidade de acolhimento, confiança e mentalidade mais aberta para que o Espiritismo possa somar forças e não repelir ou engessar talentos e iniciativas construtivas.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

JESUS CONOSCO

OCristianismo nascente foi alicerçado através da ajuda considerável da Espiritualidade Superior. Os Espíritos, sob a tutela do Cristo, assessoraram os primeiros cristãos, auxiliando-os na grande tarefa de difundir o Evangelho para todas as criaturas. O escritor da Epístola aos Hebreus dizia que uma “nuvem de testemunhas” rodeava-lhe e aos seus discípulos (12:1). O mesmo autor denomina Deus como “Pai dos espíritos” (Hebreus 12:9) e exorta os primeiros seguidores do Cristo a “obedecerem aos guias, sendo obedientes para com eles, já que velam por suas almas” (Hebreus 13:17). É claro que fala de guias espirituais, já que alerta que Todos deveriam “lembrar-se deles, imitando a fé que tiveram” (Hebreus 13:7) e enfatiza que “Jesus Cristo, ontem e hoje, é o mesmo, e o será para sempre” (Hebreus 13:8).

OS FILHOS DE BEZERRA DE MENEZES

                              As biografias escritas sobre Bezerra de Menezes apresentam lacunas em relação a sua vida familiar. Em quase duas décadas de pesquisas, rastreando as pegadas luminosas desse que é, indubitavelmente, a maior expressão do Espiritismo no Brasil do século XIX, obtivemos alguns documentos que nos permitem esclarecer um pouco mais esse enigma. Mais recentemente, com a ajuda do amigo Chrysógno Bezerra de Menezes, parente do Médico dos Pobres residente no Rio de Janeiro, do pesquisador Jorge Damas Martins e, particularmente, da querida amiga Lúcia Bezerra, sobrinha-bisneta de Bezerra, residente em Fortaleza, conseguimos montar a maior parte desse intricado quebra-cabeças, cujas informações compartilhamos neste mês em que relembramos os 180 anos de seu nascimento.             Bezerra casou-se...

O ESPIRITISMO DE VIDRO: O MEDO DO CONFLITO E A FALSA MANSIDÃO

       Por Jorge Luiz                    A Redoma de Vidro e o Estereótipo Anestesiado             Existe uma coreografia muito bem ensaiada nos salões do espiritismo hegemônico contemporâneo. Ela é composta por tons de voz milimetricamente sussurrados, sorrisos condescendentes que flutuam acima das misérias do mundo e uma gramática da passividade que confunde o torpor com a iluminação. Criou-se uma caricatura de santidade, um verdadeiro "espectro" encenado onde o indivíduo adota uma persona ritualística: distribui abraços, beijos e tapinhas nas costas dentro dos limites do centro espírita, mas desliga o afeto institucionalizado assim que cruza a porta de saída. Esse "bom espírita" tornou-se aquele sujeito plasticamente pacificado, incapaz de se alterar diante da injustiça, que assiste ao desmonte dos direitos sociais mais básicos da janela de seu apartam...

PESTALOZZI E KARDEC - QUEM É MESTRE DE QUEM?¹

Por Dora Incontri (*) A relação de Pestalozzi com seu discípulo Rivail não está documentada, provavelmente por mais uma das conspirações do silêncio que pesquisadores e historiadores impõem aos praticantes da heresia espírita ou espiritualista. Digo isto, porque há 13 volumes de cartas de Pestalozzi a amigos, familiares, discípulos, reis, aristocratas, intelectuais da Europa inteira. Há um 14º volume, recentemente publicado, que são cartas de amigos a Pestalozzi. Em nenhum deles há uma única carta de Pestalozzi a Rivail ou vice-versa. Pestalozzi sonhava implantar seu método na França, a ponto de ter tido uma entrevista com o próprio Napoleão Bonaparte, que aliás se mostrou insensível aos seus planos. Escreveu em 1826 um pequeno folheto sobre suas ideias em francês. Seria quase impossível que não trocasse sequer um bilhete com Rivail, que se assinava seu discípulo e se esforçava por divulgar seu método em Paris. Pestalozzi, com seu caráter emotivo e amoroso, não era de ...

CANDOMBLÉ, ESPIRITISMO E A LIBERDADE DE SER: O QUE A FALA DE MAJUR NOS ENSINA

  Por Wilson Garcia   A entrevista que a cantora Majur deu ao programa  Desculpa Alguma Coisa , com Tati Bernardi, vai muito além de um papo sobre música ou carreira. O que ela compartilhou ali é uma oportunidade rara para a gente refletir sobre coisas profundas: liberdade de consciência, identidade espiritual, pertencimento e intolerância religiosa.               Quando Majur conta como se aproximou do Candomblé, não está falando só de uma escolha religiosa. Ela fala de um processo de emancipação pessoal. Ao dizer que deixar o ambiente evangélico não significou abandonar Deus, mas sim se libertar de uma prisão, ela expõe algo que muita gente vive: a busca por uma espiritualidade que faça sentido com quem a gente realmente é.

ESPÍRITAS: CONTRADIÇÕES E ATAVISMOS

          De maneira recorrente vê-se sendo utilizada a classificação de espíritas progressistas , muito embora não se encontre essa denominação nas classes de espíritas didaticamente elaboradas por Allan Kardec. Na realidade, o termo pode em um primeiro momento parecer redundante, tendo em vista que o Espiritismo é uma doutrina essencialmente progressista. Leia-se o que Kardec comenta à pergunta 783 de O Livro dos Espíritos : Sendo o progresso uma condição da natureza humana, ninguém pode se opor a ele. É uma força viva que as más leis podem retardar, mas não asfixiar.”           Em um segundo momento, a expressão converge para o movimento progressismo, que se opõe ao conservadorismo. O progressismo está vinculado à concepção de progresso, que na definição de Norberto Bobbio, em seu Dicionário de Política, é

CONSIDERAÇÕES SOBRE A MORAL ESPÍRITA: A AUTONOMIA

                Por Maurício Zanolini               O psicólogo do desenvolvimento Yves de La Taille estuda o o processo de aprendizagem da moral nas sociedades humanas. Ele explica que a moral é a restrição da liberdade dos indivíduos para que possam viver em sociedade e que cada sociedade desenvolve seus próprios códigos de conduta. A família portanto é o núcleo mais básico onde esse código será vivenciado pela criança que está aprendendo a moral. Mas para além da família, a religião, a cultura e as tradições que compõe o que é socialmente aceito para um determinado agrupamento de pessoas, serão as influências responsáveis pela formação moral da criança. Podemos incluir a escola e o Centro Espírita nesse círculo de influências formativas.

16.11 - DIA INTERNACIONAL DA TOLERÂNCIA

“Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” (Jesus, Mt, 22:34-40)                            John Locke (1632-1704), filósofo inglês, com o propósito de apaziguar católicos e protestantes, escreveu em 1689, Cartas sobre a Tolerância. Voltaire (1694-1778), filósofo iluminista francês, impactado com o episódio ocorrido em 1562, conhecido como Massacre da Noite de São Bartolomeu , marcado pelos assassinatos de milhares de protestantes, por fiéis católicos, talvez inspirado por Locke, em 1763, escreveu o Tratado sobre a Tolerância.             Por meio da  UNESCO¹, em sua 28ª Conferência Geral, realizada de 25.10 a 16.11.1995, com apoio da Carta das Nações Unidas que “declara a necessidade de preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra,...a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e...

O APARELHO PSÍQUICO - Uma proposta a partir da obra de André Luiz

Por Roberto Lúcio (*) Um estudo sobre a visão espírita da mente deve iniciar com as informações das obras de André Luiz, psicografadas por Chico Xavier e Waldo Vieira. As principais anotações encontram-se no livro “No Mundo Maior”, capítulo 03, ditado ao médium Chico Xavier. No entanto, em vários tópicos de suas obras encontram-se informações preciosas a serem apreciadas. No capítulo, André Luiz retrata o cérebro em três grandes áreas, como a biologia já indicava, mas ampliando a abordagem sob o ponto de vista espiritual. É necessário lembrar que uma divisão do aparelho psíquico em três grandes áreas já estava também presente nos textos de Freud, o grande estudioso e criador da Psicanálise. A Neurociência vem, nos últimos anos, avançando suas pesquisas na compreensão de certos aspectos da vida psíquica, clareando certas colocações freudianas, o que deu campo para a criação de uma nova subespecialidade: a neuropsicoanálise.    Não se pode negar ...

"FOGO FÁTUO" E "DUPLO ETÉRICO" - O QUE É ISSO?

  Um amigo indagou-me o que era “fogo fátuo” e “duplo etérico”. Respondi-lhe que uma das opiniões que se defende sobre o “fogo fátuo”, acena para a emanação “ectoplásmica” de um cadáver que, à noite ou no escuro, é visível, pela luminosidade provocada com a queima do fósforo “ectoplásmico” em presença do oxigênio atmosférico. Essa tese tenta demonstrar que um “cadáver” de um animal pode liberar “ectoplasma”. Outra explicação encontramos no dicionarista laico, definindo o “fogo fátuo” como uma fosforescência produzida por emanações de gases dos cadáveres em putrefação[1], ou uma labareda tênue e fugidia produzida pela combustão espontânea do metano e de outros gases inflamáveis que se evola dos pântanos e dos lugares onde se encontram matérias animais em decomposição. Ou, ainda, a inflamação espontânea do gás dos pântanos (fosfina), resultante da decomposição de seres vivos: plantas e animais típicos do ambiente.