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A ESTRADA DOS QUE PERDOAM

 


            Por Roberto Caldas

         Nada mais natural que em qualquer aglomeração de pessoas haja uma inclinação quanto à busca individual de bem estar e tranquilidade. Os imperativos da sobrevivência conecta o indivíduo ao atendimento muito justo de suas necessidades.

            O leque de necessidades humanas é variável. Depende da educação, da cultura, do meio social, dos interesses pessoais, ambas as condições objetivas e mobilizadoras das atitudes a serem tomadas diante de situações que se apresentem conflituosas.

            No conflito, a falta de entendimento e a fuga ao possível consenso são causas geradoras de problemas que, em se tornando de difícil solução, são capazes de produzir ressentimentos de prazo não definido para resolução.

            Considerada a Lei da Reencarnação, cuja maior consequência é ampliar o universo do fenômeno nascer/morrer, é possível visualizar a multiplicidade de situações de conflito de interesses que cada Espírito terá colecionado nas espirais das muitas encarnações experimentadas. Quantas vezes atropelou o outro ou por ele foi atropelado. Quanto ressentimento carrega ou acabou gerando em terceiros.

            A existência dessa estrutura ressentida nos núcleos da memória, recente ou de longo prazo, a depender se os fatos se deram nessa ou noutra encarnação, alimenta as animosidades e dessa forma fomenta as beligerâncias que tantas vezes são mais numerosas na sociedade humana do que era preciso que fosse.

É nesse contexto de desconsertos que urge o entendimento da palavra PERDÂO. Erroneamente conceituada como uma ação que exige uma concessão de alguém em favor de outrem, a sua efetiva magia se encontra na capacidade daquele que se julgue afetado decidir quanto à obrigatoriedade de dar continuidade a sua vida, cônscio deque não é racional seguir prisioneiro de um ato que o afetou de forma nociva.

Seguir adiante não significa deixar de tomar medidas disciplinares e legais, quando exigidas, mas simplesmente não se permitir permanecer carregando em suas lembranças o peso de atos que importa ao outro buscar dentro de si o ressarcimento obrigatório.

Caminhar pela estrada do perdão é a decisão de retirar dos ombros a bagagem de   experiências frustradas, nas quais muitas vezes o protagonismo nos pertence. Corrigir os mecanismos que produziram os equívocos é ser proativo em alcançar o auto-perdão, única forma possível de perdão a ser alcançada.

Sob esse prisma é possível compreender o que dizia Jesus diante da exigência de cobrança da mulher adúltera pela multidão de ressentidos pelo seu comportamento em oposição à lei que seguiam. “Atire a primeira pedra aquele sem pecados”. Aceitar as próprias imperfeições e ver o outro enquanto semelhante, também falível, abre espaço para o auto-perdão, o que permite seguir adiante deixando para cada um a responsabilidade pelos próprios deslizes. 

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